11.4.05

A CONFISSÃO

Escrevi há pouco sobre o Szegeri, um Otto, como expliquei.

E o Szegeri, ágil como uma gazela, sapecou um comentário no final do texto, assinando "Bonitinha Mas Ordinária". Fez, no comentário, menção a uma certeza que disse hoje ter e quero cometer aqui uma inconfidência expondo-a. O que é bem menos pior do que pôr seu nome em neon ao lado da expressão "Bonitinha Mas Ordinária".

Trata-se de uma portentosa e olímpica mentira, uma prova do quão modesto é o moço. Disse-me ontem, entre lágrimas de esguicho, no instante da despedida no Terminal Rodoviário Tietê, o seguinte: "Meu irmão... eu hoje tenho certeza de que apenas três pessoas jamais me abandonarão nessa vida... (soluça)... minha mãe, você e a Tomtom".

E por que isso é uma mentira?

Porque Szegeri, um Otto na íntegra, tem uma legião de seguidores de causar inveja a Jesus Cristo, Gandhi, Hitler, Bispo Macedo, Paulo Coelho. A imagem do abandono que ele cria, fazendo de sua própria mãe, de mim e da Dani as bóias que o salvariam de um naufrágio pessoal, é uma redonda mentira.

Se o Szegeri espirra, por exemplo, como de fato espirrou durante a roda de samba no Ó do Borogodó, no sábado, o povo geme e lhe estende lenços de algodão, caixas de papel Kleenex, os gritos de "saúde!" são ouvidos a distâncias inimagináveis, e toda a gente condoída ora por sua pronta recuperação, num quadro que nem João Paulo II mereceu quando de sua morte.

Uma besteira, como se vê.

Como ele mesmo diz, num de seus rompantes de genialidade, sua confissão foi uma mentira retinta. Mas foi linda.

Até.

Um comentário:

Roberta Cunha Valente disse...

Edu,
o Fernando fez a mesma declaração pra mim há um tempinho...

beijos