19.5.05

METROSSEXUAIS

Lá na Conexão Irajá, eu levantei, fazendo tabelinha com o Szegeri e com o Fernando Toledo, na segunda-feira, uma bola em defesa da nova política do Caderno B, do JB, que contratou, de uma só vez, Aldir Blanc, Fritz Utzeri, Fausto Wolff, Ziraldo, trazendo à tona, novamente, esses craques, dentre outros, que, por terem estrito compromisso com a verdade e a ética, estavam afastados há muito da grande imprensa, muito mais chegada aos que são obscuros em ambas as matérias.

Mas há no JB, aos domingos, uma revista que nem pra fazer fogueira serve. A Revista Domingo. Mais que um lixo, é um repositório de futilidades, imbecilidades, idiotices, salvando-se um ou outro colaborador. Não lhe darei os nomes, minha intenção aqui é apenas bater.

E vejam vocês que deparei-me, um domingo desses, com uma matéria sobre os metrossexuais.

Espantei-me já diante do título. Eu, 36 anos, tijucano com raízes a metros e metros de profundidade alcançando o leito do Maracanã, meu rio, jamais ouvira falar naquela palavra. Eu estava na praia, acabo de lembrar. E sozinho.

Comprei uma lata de cerveja, acendi um cigarro, e pus-me a ler.

Vamos destacar o corpo da matéria, que definia os metrossexuais (antes preciso dizer que depois de ler as definições e a matéria, comprei outra lata de cerveja, acendi outro cigarro, descartei a revista e pus-me a chorar diante da constatação de minha condição de antigo):

"Como reconhecer um metrossexual

1. O metrossexual vive nas metrópoles (daí o nome). Pode ser encontrado em lojas de grife, academias de ginástica, salões de cabeleireiro, bares da moda e eventos fashion.

2. Eles adoram se enfeitar e usam maquiagem. Uns pintam as unhas, outros preferem passar lápis de olho. Os mais ousados usam também blush e rímel.

3. Desprovidos de plumagem, eles apelam para as roupas de marca. Adoram grifes como Armani e Versace. Os mais descolados também são ávidos freqüentadores de brechó.

4. Corajosos, eles se submetem a qualquer tortura em troca da boa aparência. Seja malhar horas a fio ou encarar cera quente para se livrar dos pêlos do peito.

5. O metrossexual é antes de tudo um narcisista. Se tiver dificuldade de encontrá-lo numa multidão, dispare o flash de uma câmera. Basta reparar em quem faz pose."

Primeira impressão que eu tive: a Laura de Vison é metrossexual. Não, não... ela usa plumas. Daí fiquei em delírio, coisa comuníssima em mim, fazendo um bate-bola interno.

Depois cheguei à conclusão que os metrossexuais (uns imbecis definiam-se assim, com orgulho, no curso da matéria) são uns otários na pior acepção da palavra. Dizia, ainda, a futilíssima reportagem, que os metrossexuais fazem um sucesso absurdo com as mulheres (nesse momento meu desespero atingiu uma intensidade indizível).

Lembrei de um amigo meu, Serginho, apelidado "Serginho Cinco Minutos" por uma única razão: onde chega, reboca a melhor mulher do pedaço em menos de cinco minutos. Grosso feito casco, dono de oficina mecânica, avesso ao uso de esmalte nas unhas, lápis de olho e congêneres, faz um puta sucesso com a mulherada. Lembrei do Fefê, outro vassalo, hoje quietinho no colo da Brinco, mas sempre um causador de furor nas moças à sua volta, sem usar perfume, sem usar desodorante, sempre com a barba por fazer e usando roupas compradas nas lojas onde tudo custa R$1,99. Lembrei do meu Otto na íntegra, obeso, peludo, cachaceiro, também avesso ao rímel e ao blush, também sossegado no colo da Stê, mas sempre capaz de apaixonar moças de todos os cantos do país. Por fim, lembrei de mim mesmo. Se jamais fiz o sucesso numérico dos três que citei, tenho também a dizer que nunca me faltaram mulheres, sem que eu tenha me valido de qualquer subterfúgio metrossexual.

Lembrei de alguns amigos gays, ou homoafetivos, como sugere a cartilha do governo, tão babaca quanto a Revista Domingo. Vivem felizes, mas não usam rímel, não usam blush, não pintam as unhas, não contornam os olhos com lápis da Coty.

Porra!, eu gritava pra dentro na praia, que espécie de gente é essa que se define como metrossexual? Que mulheres se encantam por eles? É gente que se enxerga como um vaso a procurar uma planta para dar-lhe algum sentido diante de terceiros. Não comem ninguém (perdão pela grossura, não há outro termo viável). São fúteis, podres, vazios, inúteis.

E salve a tribo dos vassalos. Salve Márcio Branco, Vidal, Aldir, Fausto, Marcão, Serginho, Fefê, Szegeri, papai, André Menezes, Flavinho do Cachambi, Cristiano, Sérgio Barreto, Cícero, Fabinho (que deve ter dado pulos no túmulo se soube da matéria, ele que era um celerado em matéria de mulheres), meu saudoso irmão Marco Aurélio, Zé Renato, Leozinho, Celsinho, Leonardo Huguenin, Fernando Toledo, e toda a cambada que vive, que pensa, que é feliz e que come gente (perdão de novo) sem precisar valer-se desses modismos estúpidos que - é isso que me dá um medo tremendo - são capazes de destruir toda uma geração que se deixa levar por essas opiniões estúpidas veiculadas pela imprensa nojenta e sem compromisso algum com a felicidade do ser humano.

Até.

17 comentários:

Leo Huguenin disse...

Edu,

Não adianta de nada essas nomenclaturas fúteis, de origem forçada, porque o que as mulheres gostam é do homem que tem o dom da palavra, saber falar o que elas querem escutar na hora que queremos dizer...Muito sábia suas palavras.

Grande abraço

Leo

Eduardo Goldenberg disse...

Verdade, verdade. Temos de ter outros dons também, cuja citação é desnecessária, mas tenho certeza de que não é o dom da depilação, da maquiagem, dessa babaquice toda. Grande Léo! (alô, audiência, esse é o Léo, o "torcedor anônimo" a quem dediquei o texto "VENCE O FLUMINESE". Mais uma belíssima aquisição via Estephanio´s)

Vicki disse...

Eu, particularmente, nao conheco nenhuma mulher que goste de metrossexual... Concordo com cada uma de tuas palavras! Salve a tribo dos vassalos!

Betinha disse...

O metrossexual foi inventado pela mídia. Não conheço nenhum ser humano de sexo masculino que tenha os hábitos descritos na reportagem e desafio qualquer um a me apresentar um homem (homem de verdade, desses que comem gente, como diz meu caro Edu) que use rímel, pinte as unhas e freqüente brechós!

Fernando Toledo disse...

Edu, com o perdão dos termos e da rima sem métrica, metrossexual é o viado que não é macho o suficiente nem para dar o cu (antes que alguns tentem me identificar com a classe homoafetiva-boiólico-viadal, devo admitir que não, não cedo nem nunca cedi e nem pretendo ceder minha respectiva cauda - simplesmente acho que para perpetrar tão esdrúxulo ato, o cara deve ser macho no sentido filosófico do ser, assim como o cara que come sushi com angu do Gomes debaixo de umsol de quarenta graus. Um estóico em função de um ideal, enfim).
Metrossexual é alguém que cede à porção mulher que até então se resguardara, mas apenas de maneira feshion, não em termos de sensibilidade e profundidade, as maiores virtudes da tal "porção mulher", e a melhor coisa em todas elas, além de aspectos anatômicos óbvios que não vale comentar aqui, mas que todos, crescidinhos que são, sabem muito bem quais são 9contei uns 47 até agora, incluindo o pomo-de-adão).

Eduardo Goldenberg disse...

Olha... por partes:

01) Vicky, por favor... se vc é a responsável pelo Fubanga, vc é a Luise ou a Vicky? A pergunta pode parecer estranha, mas faz sentido. Espalhe o texto, espalhe o texto! Encaminhe-o aos vassalos!

02) Betinha, poderei, se tiver tempo, dar-me ao trabalho de localizar, por email, os imbecis que batiam no peito na tal matéria se dizendo "metrossexuais". Eles poderão nos esclarecer muitas coisas.

03) Toledão, que finura, malandro! Mas é isso aí. Um metrossexual, por exemplo, jamais escreveria isso ou aplaudiria seu estilo.

Vicki disse...

Eduardo, esclarecendo sua duvida: o Fubangas e um blogue comunitário. Pequena comunidade, é verdade, apenas eu e Luise, mas ainda assim comunitário. Não entendi o sentido da pergunta, mas tudo bem, nao me custa respondê-la. Sofro do estigma de toda loira de não entender as coisas, mesmo tendo nascido loura e não me tornado. Enfim, isso não é para ser discutido aqui. Um beijo.

Marcão disse...

Edu,

Quando recebi o seu e.mail com o linque para leitura desse texto e o li, fiquei realmente espantado. Nunca tinha ouvido falar dos "metrossexuais". Parafraseando o Toledo, é muito mais macho o cara que é gay assumido do que o cara que é esse troço aí, de difícil compreensão.

Não quero duvidar do seu texto, mas também não quero acreditar que exista tamanha estupidez, e por isso pergunto: É isso mesmo? É verdade?

Será que, para sujeitos como esses arrumarem tanta mulher assim, o prefixo "metro" não apenas é uma referência de medida??? É a única explicação lógica que encontro

Marcão disse...

O texto anterior saiu truncado. Quis perguntar se o prefixo "metro não é apenas uma referência de medida, como já haviam todos entendido. Desculpem a nossa falha

Eduardo Goldenberg disse...

Meu bom Marcão... Faça o seguinte: entre no Google e pesquise lá em "metrossexual" ou então em "metrossexuais".

O troço é assustador e inventado, segundo apurei, em NY.

Uma porrada de jovens, geralmente das classes A e AA (li isso também) são os adeptos orgulhosos dessa bosta.

E veja você... Se você fez ligação a princípio com as medidas do sujeito, eu imaginei estar diante de um devasso com fixação por sexo nos vagões do metrô.

Vá entender.

Anônimo disse...

Neologismo babaca, que pauteiro/editor de jornais e revistas adoram ficar procurando definir, após conhecerem um exemplo que (talvez) se enquadra no seu significado. O cara que fez a matéria depois a justifica de sua publicação dizendo que está antenado nas mudanças dos grupos da sociedade. Isso até levar uma porrada no botequim de um bebedor impaciente com tanta merda. Aí, mandam ele escrever sobre futebol. Quero ver se vai ter culhão de falar que jogador frequenta salão de beleza, se tortura pela aparência etc. Augusto

Eduardo Goldenberg disse...

Grande Augusto, esse "bebedor impaciente" podemos ser nós mesmos, já pensou se a gente cruza com um jornalista desses, à la Ana Cristina Reis, dizendo essas bostas durante a porranca? Essa é a "pauta" da Revista Domingo, da Veja Rio, do Caderno Ela de O Globo... haja saco. Dúvida: metrossexual coça o saco?

Beatriz Fontes disse...

Eduardo,

Só podiam ser da classe A/AA. Senão, como teriam dinheiro para pagar a academia, as idas ao salão, os bares da moda, os eventos fashion, a maquiagem, as roupas de grife... Afinal, Armani e Versace não são para qualquer bolso, não é!? Ou seja, rico, além de ser filho da puta, é viado. E que se foda a tal cartilha.

Betinha disse...

Edu, não se preocupe com isso, seria perda de tempo. Eu disse que queria ver um "HOMEM" que se autodenominasse metrossexual. Homem que coma gente. Duvido que seja o caso dos bestinhas que deram depoimento para a revista...

Fernando disse...

Acho a matéria idiota. Pra encher linguiça. Mas não justifica escrotizarmos esses caras que se emperequetam todos. O azar (ou sorte, sei lá) é deles..... Talvez a mulherada que eles estejam comendo não seja da nossa laia. Podem ser boas.... Vou pesquisar!

Betinha disse...

Fernando, torço para que você não tenha tido a intenção de dizer que a mulherada da sua laia não é boa. Porque senão você provavelmente terá que se emperequetar mais para pegar novas mulheres, já que a sua laia terá debandado... :)
Beijos.

Flávio disse...

Como já dizia um amigo meu: nada contra os viados, tudo contra a viadajem. Pode até ser que eles comam alguém ( embora duvide ), mas só pode ser por dúvida ou curiosidade da mulherada. Dizer que o sonho das mulheres é um cara maquiado e depilado é mais uma das besteiras do nosso tempo.