7.5.05

O EMAIL DE MAMÃE


Não fosse tão cabível, não fosse tão bonito, não tivesse me feito chorar tanto diante do monitor (como ontem), e uma atônita Dani me acarinhava e pedia calma enquanto eu soluçava, e eu não dividiria com vocês o belíssimo email que mamãe mandou-me hoje pela manhã, um sábado, quando o Buteco está, invariavelmente fechado.

Ei-lo:

Caramba Edu!!! Caramba! Chorei feliz por ver o que o tempo fez com você. Preservou o menino poeta que tinha como felicidade o reconhecimento dos pais, avós e bisavó tão presentes. Dia 6 já é esperado o texto, o verso, o poema... O relato da tia Mamaia prova que a sua Bia usa, hoje, outras bocas pra falar com você! Fique atento! Faço da minha, a dela: Deus te abençoe, meu poeta!

Façam uma idéia, façam uma idéia de como fiquei. Vai daí que eu não tive coragem nem de responder o email nem mesmo de bater o telefone pra mamãe. Seria caótico. Ir à sua casa, então, nem cogitei. Papai teria de providenciar uma ambulância.

Razão pela qual segue por aqui mesmo o meu beijo mais doce em você, minha mãe. Prometo que ficarei atento, como você me pede, mas conhecendo-me como você me conhece, eu, um fóbico incorrigível, hei de ter medos tremendos, expectativas intensas, momentos ímpares!

Na foto, vovó, eu e mamãe, em abril de 2005, 34 anos depois da foto amarelada, 34 anos incapazes de apagar nossos sorrisos, o brilho de nossos olhos, e o mistério, sim, o mistério, da integridade intocada da Santíssima Trindade. E reparem minhas mãos, as mesmíssimas mãos do moleque de short na foto de 1971, entre as mãos dulcíssimas das mesmas mulheres. Tenho ou não tenho que ser o obsessivo que sou? Diga lá, meu Otto.

Até.

Posted by Hello

Um comentário:

Otto disse...

Dizer o quê, seu porra...