5.5.05

QUE MESA, QUE MESA!

Ontem estive à mesa, em São Paulo, com três grandes cabeças, grandes cabeças! Fernando Szegeri, a pompa em pessoa, Augusto Diniz, cujo nome jamais esquecerei, e Léo Golla, o Capitão de Pouso da Cajaíba. Estive em São Paulo e não lhes contei uma coisa tremenda. Sempre que vou chegando a São Paulo, dentro de uma aeronave (quase não tenho mais medo algum), assim como fazem os que chegam ao Rio de Janeiro espichando pescoços e olhos em busca do Cristo Redentor, espicho-me todo, aflito, em busca do Szegeri, aquela pompa toda de braços abertos à minha espera, no meio daquele imenso paliteiro que é São Paulo visto de cima. Como jamais o vi, desembarco sempre um tristíssimo turista (percebam como é tijucano sentir-se turista em São Paulo). Como ontem.

Mas fui a trabalho. E que bem sucedido trabalho. Como não quero amolá-los com os que tais da minha labuta, basta dizer que findo o trabalho, fui à comemoração, que era cabível.

E encontrei os três tinindo, no Bar do Giba.

Costumo sempre comparar a performance do sujeito no buteco, a perfomance dos sujeitos numa mesma mesa num buteco, a uma partida de futebol. E que clássico, doces figuras, que clássico houve ontem no detestável bairro de Moema (o bairro é uma chatice, o bar é agradabilíssimo).

Falei do bar e preciso lhes contar como é boa a vida do Moacyr Luz em São Paulo. Há, no Bar do Giba, umas trocentas fotos do Moacyr. Sabe-se lá por quê, não consigo lembrar-me de jeito nenhum do começo do élan (talvez tenha sido a lotação de suas fotos nas paredes), pressionado no fim da noite, o garçom fez uma confissão de arrepiar de inveja um bom bebedor. O bom Môa não deixa um níquel, um tostão furado, um sem-fundo quando vai sozinho ao Bar do Giba. Disse mais. Que o Môa leva gente, e muita gente, ao Bar do Giba, funcionando como um relações públicas informal (eu disse informal e a rima me fez lembrar do Original, onde funciona a mesmíssima regra de rasgar de inveja um bom biriteiro. E no Pirajá também). Nessas ocasiões, quando há uma platéia bêbada em torno de si, o Môa paga centavo por centavo do que consome. Mas quando vai sozinho, e vai bastante sozinho, se menciona pedir a conta com aquele característico gesto quando rabiscamos o nada, garçons, cozinheiros, copeiros, faxineiros, todos urram "ôpa, ôpa, ôpa, o que é isso, Moacyr?". E até o Giba geme, "sem essa, Moacyr". E o Môa ri aquela risada iluminada, que o Szegeri imita tão perfeitamente, mas tão perfeitamente, que quando vejo o Môa rir tenho vontade de lhe dizer, "não imite o Fernando, por favor".

Voltando ao tema.

Batemos um bolão à mesa. E é preciso dizer que todas as mesas do Giba estavam apinhadas de gente. E era essa gente que não conversava, não bebia, não comia, mal piscavam os olhos. Estavam todos, sem uma exceção, admirados da nossa performance. Cada gole do Szegeri era uma tempestada de aplausos. Cada mexidinha no gelo com o indicador que o Capitão impunha ao Buchannan´s era saudada com gritos de "bravo, bravo!", cada espetada no cabrito que veio à mesa fatiado arquitetada pelo Augusto era coberta de "ohhhhs" e "ahhhhhs" admiradíssimos. Cada vez que eu ia ao banheiro, dava autógrafos.

Foi uma noite histórica. Por razões que não convém explicar, maiores e mais detalhados relatos serão fornecidos pela Pompa, no Sódói. Sei que bebíamos, bebíamos, bebíamos, e a embriaguez não chegava nem na esquina. Razão pela qual cada vez estou convencido de que o que embriaga, mesmo, é a companhia, quando é um porre.

Até.

Um comentário:

Anônimo disse...

Botequim com retrato de "ilustre" na parede não significa que o local é bom. Qualidade de botequim também não deve ser auferido pela quantidade de cadeiras cativas para "ilustres". Certa vez, fui furado numa fila de restaurante por uma "celebridade". Criei a maior quizumba. Depois do escarcéu, fui tratado com rei. A foto da "celebridade" continua lá. A minha só foi pendurado naquele dia, apesar de ter pago a conta. Abraços, Augusto