8.6.05

O MAIS NOVO DRAMA DO BATISTA

Vocês hão de se recordar do que posso chamar de saga do Batista. Começou quando contei um caso verídico. Diante da explosiva repercussão, contei sobre meu encontro com o Batista, depois de anos de uma ausência involuntária de parte a parte. Vai daí que o Batista virou uma obsessão, e contei seu primeiro drama e depois seu segundo drama, fechando a saga com mais uma história, a última até então (e por favor, abram os links em novas janelas a fim de que não seja cansativo o acompanhamento fundamental do caso).

Volto hoje ao meu dileto amigo em razão do email que recebi ontem à noite, transcrito abaixo:

----- Original Message -----
From: Dirce
To:
Eduardo Goldenberg
Sent: Tuesday, Jun 7, 2005 11:49 PM
Subject: DEDECO

Eduardo, lendo seu blog por esses dias, deparei-me com várias histórias sobre um tal de Dedeco, a quem não conheço, infelizmente. Pedi detalhes ao Batista que, infelizmente de novo, negou-se a me fornecer qualquer informação sobre esse portento, que, mesmo sendo um embusteiro como você afirma, me interessa muito.
Beijocas,
Dirce


E eu bati, obviamente, hoje, cedíssimo, o telefone pro Batista. Não eram nem sete da manhã. Disse apenas, "encontre-me em meia-hora no Fenômeno". E um Batista com a voz cansada concordou.

Fenômeno é como chamo a padaria que há na esquina aqui de casa, a Panificação Estudantil (vejam as vantagens da Tijuca, um bairro nostálgico... em Ipanema, na Barra, no Leblon, há boulangeries, coffee shops, delicatessens, padarias, vá lá, mas panificação, só mesmo na Tijuca, por isso sinto-me em casa aqui de uma maneira íntegra).

Cheguei às sete e quinze a já encontrei o Batista escorado no balcão com duas canoas de pão francês abarratodas de uma manteiga que formava poças douradas, brilhantes, sobre o miolo e uma média de café com leite, pingado, que é assim que o Batista chama seu café com leite, outro hábito tijucano, desses de constar dos almanaques do bairro. Deu um grito, o Batista, quando me viu, que fez a assistência à volta interromper o desjejum. Pedi apenas um café ao Assis, um homem que detém recordes de eficiência num balcão de padaria. Parece ser, o Assis, um polvo a atender dezenas de fregueses ao mesmo tempo (vão notando as tijucanices da crônica, só na Tijuca há fregueses numa padaria, em outras plagas há clientes).

Acendi um cigarro e disse, "Batista, veja o que recebi ontem à noite", e lhe estendi o email impresso. O Batista pôs uma metade inteira de uma das canoas na boca, e com a manteiga a lhe escorrer pelo queixo lia o email com olhos esbugalhados, atônitos, e percebi seu ódio quando vi a outra metade da canoa transformar-se numa bola diante da pressão de seu punho com veias saltadas.

"Careca imundo! Porco! Você a respondeu?"

"Mas é óbvio! (e ri) Dará uma crônica e tanto, meu amigo!"

"Edu... já ouvi o ditadinho que diz que vale perder o amigo por uma piada... mas por uma crônica?"

E o Batista dava socos no balcão, rasgou o email em pedaços minúsculos, e eu tentava, em vão, convencê-lo de que, não fosse por meu intermédio, e outra maneira de obter os dados do Dedeco a arisca Dirce conseguiria. Disso eu o convenci. Mas o Batista prosseguiu:

"Por quê, Deus, a Dirce quer saber do Dedeco?"

"Ué... você não leu os comentários nas crônicas em que o Dedeco é o protagonista? Danielle o elogia, Duda o exalta, Maria Paula elogia seus beijos, Guerreira pede bis... Batista, o Dedeco está virando um mito!"

Percebam que o André Menezes, nome com que foi batizado o cramulhão do Dedeco (sim, por que por mais que lhes pareça herege e pagão, o embusteiro já recebeu sobre a testa a água benta que, dizem, ferveu quando lhe tocou a pele), está tomando proporções de um Cauã Reymond. Dizem até que o Branco é quem está, agora, a fingir-se de Dedeco para as ceguinhas de Laranjeiras, onde há o Instituto Nacional de Educação de Cegos (acabei de lembrar que o instituto é para surdos, mas achei sonora e bonita a expressão ceguinhas de Laranjeiras).

No email que mandei como resposta para a Dirce, pedi detalhes de seu contato com o embusteiro. E lhes contarei tudo, timtim por timtim.

Batista despediu-se de mim triste, arrasado, derrotado. Seu casamento está por um fio, confessou-me. E não consegue parar de pensar nas duas meninas, Linda e Dirce.

Vejamos como agirá André Menezes, esse colosso. André Menezes que não estará, eis aí uma dica quente para as excitadas moças não perderem a viagem, assistindo ao jogo Brasil X Argentina de hoje à noite no Estephanio´s. Dedeco, nosso bom Dedeco, está em Arraial do Cabo, mas assistirá o jogo, acabou de contar-me por telefone, em Cabo Frio.

É Dedeco e seu cabo causando estragos no litoral do Rio de Janeiro.

Até.

5 comentários:

Rosane Serro disse...

Querido Edu:
Bati em sua casa pela primeira vez por vias transversas mas aviso que gostei e vou voltar.
Pode ir reservando aquela mesa do canto pra eu ficar quietinha, bebendo um e rindo quando a discussão ficar animada.
Beijos,

Zé Sergio disse...

Batista, mesmo que não esteja cansado de guerra, dá um livro. Dá-lhe Edu!

Rosane Serro disse...

Oi Edu!
Li seus comentários no Seremos Felizes, do Luís Filipe de Lima. Bem, agora vou direto à fonte, sem intermediários. Você curte Marinilda, né? Trabalhamos juntas no JB.
Beijo grande,

Szegeri disse...

ceguinhas de Laranjeiras... sai Encosto!!!

Betinha disse...

Zé, o livro já está sendo publicado, mas em capítulos! Maravilha! "Ceguinhas de Laranjeiras" é realmente muito bom!