6.7.05

SAUDADES DO MARCO AURÉLIO

(pra Mariana Blanc)


Faz anos hoje (e já lhes pedi que não me corrijam o tempo do verbo nessas ocasiões) meu amigo, meu irmão, Marco Aurélio Braga Nery, que chamava-me "meu irmão Braga", eis que tenho o Braga antes do Goldenberg. Na foto, ao meu lado, no Bar do Alemão, em São Paulo, em 1996, em instantâneo de autoria da minha irmãzinha Mariana Blanc, o Marco, o último gentleman, como bem o definiu o Aldir. Estávamos em SP por conta da gravação do "Jô Onze e Meia", quando o gordo ainda estava no SBT, para lançar o CD "50 Anos", do Aldir, um dos frutos do meteórico selo ALMA ("AL" de Aldir, "MA" de Marco Aurélio), que ainda nos deu de presente o primeiro CD do Walter Alfaiate e o da Clarisse Grova.

Tenho saudades olímpicas do Marco, e dedico o texto de hoje à Mariana por que sei que ela divide comigo essas torrenciais saudades, que materializamos num abraço afogado em lágrimas quando o Aldir, durante o lançamento do songbook do João Bosco, no Teatro Rival, antes de cantar com o parceiro "O Bêbado e a Equilibrista" dedicou o samba a ele.

Meu parceiro de Maracanã, rubro-negro na íntegra, meu irmão de confissões mútuas, tenho muitas saudades dele. E ele, a quem amei e a quem ainda amo, sobrevive em mim, graças a elas, as torrenciais saudades, que hoje doem ainda mais.

Falei em saudade e preciso, a fim de manter viva a chama do humor, contar-lhes divertida passagem do papai, que é, como diriam as personagens rodriguenas, uma bola! Vejam, vejam!

Papai passou grande parte de sua infância em Paquetá, com seus pais e seu irmão. Meus avós estão onde hoje está o Marco, e seu irmão, há semanas, bateu o telefone pro papai, que tem pouco mais de seis décadas nas costas, a fim de convidá-lo para um passeio à Paquetá para matar saudades, rever cenários, exorcizar fantasminhas da memória.

O passeio seria ontem mas acabou não acontecendo porque papai foi acometido por violenta indisposição emocional. Mas vejam onde reside a graça da história. Anteontem, véspera da excursão dos irmãos, bate-lhe o telefone, novamente seu irmão. E saquem as propostas cheias de uma excitação juvenil (e seu irmão é um pouquinho mais velho):

"E aí, Isaac, você vai de boné?"

"E aí, mano, vamos os dois de tênis?"

"Isaac, você vai levar seus botões de galalite? Será que ainda existe aquela mesa de botão na casa da Zazá? Vou levar o meu escrete!!!!!"

E essas perguntas fizeram papai guinchar em direção ao passado, dentro de um ciclone de emoções incontroláveis, que acabaram por derrubá-lo antes mesmo de pegarem a barca. Falei em barca e fecho a homenagem à Mariana propondo uma voltinha com ela, de barca, em direção ao Marco, pro beijo de aniversário. Sem boné.

Até.

Posted by Picasa

Um comentário:

Branca disse...

É mesmo uma saudade da porra... Há algumas semanas, estava dançando uma valsa com Tio Mello no Getúlio (pra vc ver o estado etílico da noite) quando nos lembramos do Marco, fizemos confissões, ondas de mais de 4 metros de lembranças e a gente ali quase se afogando num Getúlio semi-alagado de chuva, saudade e uísque.
*suspiro*
Vamos fazer um álbum com as fotos que temos?
Bejos.