5.7.05

A VIAGEM - CAPÍTULO V (ou MAURO, O IMPERADOR DE ROMA)


Quando eu digo "Mauro, o Imperador de Roma", não vai aí nenhum exagero. Percebam o poder do Mauro.

Recebeu-nos, o Mauro, inicialmente, na pacata cidade de Alessandria, na Itália, onde brilhava num congresso internacional de Biologia, para o jantar de encerramento do encontro, num castelo nas colinas de Monferrato, berço de portentosos vinhos italianos. E como fomos tijucanos naquela noite, vivendo nossos momentos de Cinderela! Nós, imaginem, num castelo! O auge do jantar, na noite de 21 de junho, foi quando pedi silêncio aos mais de 400 presentes e, de pé, com Fefê e Zé Colméia, cantei o Hino da Independência em homenagem ao velho Brizola, que naquele dia completava um ano de partida.

De Alessandria demos um giro por Pisa, Lucca e Florença, para pisarmos, finalmente, em Roma, na noite do dia 23. E lá, em Roma, vi de perto o poder desse poderoso Mauro. Vou explicar para que vocês me compreendam e não me tachem de exagerado.

Desembarcamos em Roma, eu, Dani, Fefê, Zé Colméia, Guerreira, Fumaça e Mauro. Sete, portanto. E minutos após o desembarque três carros estacionam diante de nós: Cecilia, Margherita e Maria, três amigas italianas do Mauro, para nos levarem para a casa de Cecilia, nosso pouso em solo romano. E vejam, desde já, a moral desse portentoso Mauro.

Cecilia não apenas nos hospedou. Cecilia mudou-se para a casa de sua mamma e deixou-nos, os sete, em sua suntuosa casa no bairro com sugestivo nome de Enferneto (pequeno inferno). Bem, pequeno inferno era apenas uma brincadeira dos italianos que batizaram o bairro. Nossa presença tornou o nome bem mais significativo.

E o que era, amigos, a geladeira da casa da Cecilia. Toneladas de presunto de Parma, cervejas, vinhos, pães de todo o tipo, queijos maravilhosos, e tudo durou uns 15 minutos, muito graças à fúria da Fumaça.

Nossa estada em Roma, de parcos três dias, foi uma prova do poder do Mauro justamente por isso: seus amigos, que não nos conheciam, foram mais-que-gentis, solícitos, sempre prontos para uma carona, uma dica, um carinho.

Na segunda noite fomos jantar no bairro de Trastevere, que o Mauro definiu como a Lapa da Itália. Definição perfeita. O bairro ferve, dezenas de bares, construções antigas, e pousamos no excelente restaurante Brow, dica do Ciccio, um de seus amigos, que ainda nos pagou rodadas de cerveja ao longo da noite numa alegria comovente (Ciccio é naturalizado carioca e aparece, na foto, ao meu lado, de Havaianas). Aliás, vamos os identificáveis na foto: de branco, a quarta da esquerda pra direita, Alessandra, que o Mauro nos apresentou como a "Lelê Peitos Italiana". A seu lado, a Miriam. Ao lado da Miriam, o Mauro, a seu lado a Fumaça, Guerreira, Margherita (grávida) e Ruggero, seu marido. Agachados, Fefê, Zé Colméia, Dani, eu e Ciccio.

Na terceira e última noite, Cecilia deu uma festa em sua casa (ainda ocupada por nós) para comemorar seu aniversário. E vejam que doçura... Cecilia decorou a mesa com copos, pratos e talheres em verde e amarelo. E os convidados chegavam com pastas variadas, presuntos, queijos, salgados, pães, numa delícia visual de causar, na Fumaça, tonteira e desmaio.

E retribuímos a gentileza fazendo, de improviso, uma roda de samba de primeira. Pus arroz italiano numa lata de cerveja e fiz o chocalho. Fefê fez do balde, o tantam. Zé Colméia nas panelas, Mauro na marcação das palmas, Dani, Guerreira e Fumaça ensinando às moças o samba, e foi emocionante ver a Paola cantar, inteiro, um dos sambas do Salgueiro num sotaque hilariante, comovidíssima.

Às 4h30min da madrugada, parte a tropa italiana nos levando ao aeroporto, de volta ao Brasil. Do Buteco ergo o copo a todos eles, cracaços na arte de receber, e ao Mauro, a quem devo, em grande parte, a coragem pra encarar a viagem.

Até.

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