8.9.05

EM SÃO PAULO - PARTE III


Conforme eu havia dito, acordamos quase ao meio-dia no sábado. E sábado, em São Paulo, é dia de feijoada no Ó do Borogodó, com roda de samba dos Inimigos do Batente, condução doce e segura dos meus compadres (mesmo) Szegeri e Railídia, pais da minha Iara. Falei em condução doce e segura e preciso falar do extremo oposto. Eu mesmo.

Tendo prometido quebrar meu próprio recorde no Ó, decidi que beberia 13 doses de Seleta. E isso, vejam vocês que imaturidade, só pra me mostrar pro Marcão, que não apareceu, fazendo do meu porre quase que um troço à toa. É que na última vez em que estive no Ó, bebi 12 doses da mesma Seleta. E no dia seguinte encontrei o Marcão, o mesmo gênio da raça que descobriu as semelhanças uterinas entre o Bandeira Brasil e a Lecy Brandão, e mandei, "Marcão... ontem foram doze Seletas lá no Ó..." e ele, de primeira, com aquela voz que o Szegeri imita com perfeição (estou escrevendo e ouvindo a voz do meu Otto a imitá-lo), "Porra, Edu, doze seletas? Nem se fosse laranja eu acreditaria!".

Por isso convidei o Marcão pro Ó no sábado. E pedia as doses de cachaça à Ana - sempre pra Ana - e ela ia marcando minha comanda e eu contando os "x" só pra mostrar pro Marcão. Tudo, como eu disse, em vão. O Marcão não apareceu e eu - dizem os presentes - desapareci. Eu disse que pedia "sempre pra Ana" as doses de cachaça pra que ficasse ainda mais claro o ridículo da minha situação. Foi a doce Stê quem me contou no dia seguinte.

Trocou o turno das garçonetes. Saiu a Ana. Entrou outra (cujo nome não lembro mesmo). E a Stê contou-me que eu uurava "Ana, Ana, Ana!, mais uma, mais uma!", e a coitada da substituta dizia-me, a cada nova dose servida, "eu não sou a Ana, senhor", ao que eu respondia, "engraçadinha você, heim, Ana!", "sei, sei, e eu não sou o Edu...", e outras merdas do gênero.

Mas merdas mesmo aconteceram no Pasquale.

Não lhes contarei nenhuma, que eu não abri o Buteco pra acabar comigo mesmo.

Vou lhes contar só a mais bonitinha da noite.

Mesa de cinco: eu, Dani, Szegeri, Stê e Roberta Valente. Aliás, muito valente. Era quem nos conduzia em seu veículo pelas ruas...

Levanto-me no meio do jantar e vou ao portentoso jardim que fica na entrada do restaurante. Diante dos olhares incrédulos dos clientes que fazem a enorme fila de espera, ajoelho-me na terra, como se fora eu o próprio Belchior, o jardineiro corcunda de Leôncio Almeida, apaixonado por Isaura (que troço antigo!!!!!), e arranco, com raiz e tudo, lírios, avencas, rosas e dálias. E volto ao salão, deixando cair terra por onde passo - isso inclui o interior dos pratos de algumas mesas que ficam pelo caminho - e reparto meu buquê em três e entrego à Dani, à Stê e à Roberta, não sem antes fazer um discurso emocionadíssimo sobre a presença das mulheres em minha vida (algo assim).

Como notei - contaram-me essa depois - que o Szegeri ficou triste sem flor alguma, fui ao banheiro e tomei daquela peça branca, plástica, em formato de estrela do mar, com uma pedra azul no meio, tipo sabão, que fica a desinfetar os mictórios. E levei-a à mesa para, após emocionado discurso sobre a presença dos amigos em minha vida, entregá-la a um enojado Szegeri.

Até.

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2 comentários:

Betinha disse...

O que impressiona é você não ter ressaca. Fígado, o que é isso???
Beijos!

P.S.: Adorei o "não lhes contarei nenhuma, que eu não abri o Buteco pra acabar comigo mesmo." Muito bom!

Roberta Cunha Valente disse...

Tenho que admitir - um tanto envergonhada, confesso! - que esta foi uma das cenas mais engraçadas que já vi! Fiquei (aliás, ficamos) pasma com a cara de pau desse Eduardo Goldemberg. Ele arrancou cruelmente as pobres plantinhas do canteiro do restaurante. Quando vi aquela terrinha pendurada na raiz quase fiz xixi na calça de tanto rir, meu Deus!!!!! Que vergonha!!!! ;-)