9.9.05

EM SÃO PAULO - PARTE IV


Na foto acima, mais um atestado da minha feiúra olímpica da qual jamais me envergonhei, eu e o Capitão Leo, irmão da Stê, cunhado do Szegeri, um dos donos do Ó do Borogodó, bebendo cachaça, e justamente no Ó (a foto é de abril de 2005).

Lembrem-se de que hoje contarei sobre o mais bonito presente que já ganhei, como lhes prometi na segunda-feira.

A foto é de abril, como eu disse, e em maio, mais precisamente no dia 04 de maio, eu estive novamente em São Paulo, dessa vez a trabalho. Mas procurando aliar trabalho a prazer, encontrei-me com o Szegeri, o Augusto e o Capitão Leo no Bar do Giba, no final do dia, onde ficamos até umas duas da manhã. Quando partimos eu e Capitão Leo pro Ó, a fim de fazer uma horinha, pois meu vôo seria apenas às oito da manhã do dia seguinte. O Augusto - e nesse tempo eu ainda não o reconhecia como o biltre que hoje sei que ele é - foi direto pra casa, o Szegeri ainda nos acompanhou no Ó por umas horas, mas ficamos, de umas quatro até as sete da manhã, os dois, no balcão do Ó, bebendo Amarula, Seleta, Lagoa Azul, Brahma, Vermute, Cinzano, Campari, derramando elogios ao mundo, críticas ao mundo, quando o Leo, crava a mão no meu antebraço e diz, segundos depois de me entregar o CD do Grupo Pau d´Água, do qual faz parte: "Sabe, Edu... as duas coisas que eu mais amo no mundo são a minha irmã e a minha cuíca... como não posso te dar a minha irmã, que já é do Fernandão, vou te dar minha cuíca...".

Algumas explicações necessárias. Essa frase, do Capitão, encaixa-se no rol do que meu irmão Szegeri chama de "é mentira mas é lindo". Um exemplo. Uma vez meu Otto reclamava que ninguém lhe dera um filho para ser padrinho, que isso era a prova de seu fracasso pessoal. Fefê, à mesa nessa ocasião, tocado e chorando com a pungente confissão do Szegeri, disse, "Szegeri, quando eu tier um filho você será o padrinho...", e o Szegeri, guinchando de chorar, urrou pro bar inteiro ouvir... "que lindo! que lindo! eu sei que é mentira mas isso foi lindo!". Bem, contei tudo isso pra dizer que, obviamente, o álcool e o excesso de carinho que temos um pelo outro - quase que de cara, desde Cajaíba - foram os responsáveis pela frase do Capitão.

E eu repeti a cena do Szegeri naquela madrugada de maio. Disse, olhos cheios d´água, "pô, Capitão, mesmo sendo mentira foi lindo...", e apenas brindamos e bebemos mais.

Pois bem.

Nesse sábado, no Ó, vem à mesa o Capitão Leo (eu devia estar na Seleta número 08). Com uma cuíca. Estende a caixa pra mim e diz, "é tua".

Vejam bem. Eu não saberei reproduzir o que houve com a precisão que nunca me falta. Eu guinchava como um javali, e a Dani, tadinha, lembro bem disso, ficava fazendo festinha na minha cabeça, e eu cutucando o Szegeri, que por sua vez sorria como um mágico assistindo a mais um de seus truques (aliás, bebeu pouco o Szegeri, o final de semana inteiro, o que irritou-me sobremaneira), e eu fiquei, ali, naquela hora, sob o que chamei "efeito cuíca". Que durou o domingo inteiro, inclusive.

Aliás, quando acordei no domingo dei de cara com a Stê na cozinha. E disse a ela após o bom-dia, "nossa, Stê... que lindo o gesto do teu irmão com a cuíca ontem...", e ela riu de fazer acordar a Dani e o Szegeri. "O que foi, pô?", eu disse quase magoado com o deboche. "Nada, Edu. Você deve ter dito essa frase ontem, por baixo, umas 200 vezes".

O tal efeito cuíca.

Até.

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4 comentários:

Betinha disse...

Repetir a mesma frase no dia seguinte, após a porranca, só comprova o quanto você é coerente. Um bêbado coerente e preciso do início ao fim.

Beijos com muito carinho e muita saudade!

jota disse...

Edu, quando um homem dá a CUíca para outro, é sinal de grande consideração. Sei de ouvir dizer, nunca me deram nem nunca recebi...... Pára de costear o alambrado e vamos tomar umas duas ou trÊs quando estiveres em SP. Aliás, o Szé ainda vive????????

Eduardo Goldenberg disse...

Bom Jota, pô! Não tem uma vez que eu vá a SP e que eu não o convoque! Seja honesto. O Szé ainda vive, claro, mas sem a mesma graça de antes (está sem beber, perdeu 20 quilos). Nesse exato momento arruma as malas rumo a MG, 20 dias de viagem com a Stê amada. E fica triste não. Quando você vier ao Rio eu te empresto minha cuíca.

Fumaça disse...

Edu, Adorei. Eu que sou mestre em repetir frases, atesto que isso só reforça a nossa paixão. Quero ouvir essa cuíca. Beijos!