1.9.05

LEO HUGUENIN EM PARATY


Antes de lhes contar sobre o Leo Huguenin em Paraty, comigo na foto acima, quero acrescentar uns dados ao lance genial do Chico Maracanã tornado público ontem, aqui no Buteco. Aliás, falei no Buteco e é preciso agradecer de volta pela força de todos vocês, fiéis freqüentadores desse canto. Ultrapassamos a marca das 15.000 visitas, somente em agosto foram mais de 2.100 visitas e ontem, apenas ontem, demonstrando a força desse gênio da raça que é o Chico, foram quase 200 visitas. Obrigadíssimo a todos. Vamos em frente.

Quando eu lhes contei que o Chico, dentro do carro virado de cabeça pra baixo dentro do Rio Maracanã, abriu a janela pra escapar, viu o carro se transformar num aquário e desligou o rádio pra não sofrer choques, esqueci de dois detalhes fundamentais. No instante de sua fuga desesperada, como um Namor tijucano, Chico viu sua mochilinha com suas chuteiras - que o Chico é um peladeiro olímpico - escapando pelas marolas do rio e saiu dando vigorosas braçadas em direção à mochila a fim de salvar seus apetrechos, a chuteira, as caneleiras, os meiões. Somente em casa, horas depois, lembrou-se que estava acompanhado no Estephanio´s. E não se lembrava, vejam vocês, se a moça fora deixada em casa antes do acidente ou se fora deixada à deriva no leito do rio. Bateu o telefone pra ela. Que o atendeu. E ele, aliviadíssimo, nada disse, desejando-lhe apenas uma boa noite. Vejam isso. Ele não foi capaz de pensar na moça no instante da morte iminente, mas apenas nas suas chuteiras. Um craque, dentro e fora do campo, como se vê. Mas vamos ao Leo.

Para quem não se lembra, conheci o Leo no Estephanio´s, logo após a conquista do campeonato carioca pelo Fluminense em 2005, em cima do Volta Redonda. Dediquei a ele, um craque naquele domingo, o texto "Vence o Fluminense", mas dediquei, leiam lá, "a um tricolor anônimo". Fui saber quem era o Leo algumas semanas depois. Contei sobre o nosso encontro também. E tomei-me de amores pela figura. A Dani, exageradíssima - e tornou-se ainda mais exagerada depois de mim - grita quando nos vê juntos, "O Edu adotou esse menino!". Vejam bem que há razões capazes de justificar meu amor imediato. O Leo tem um sorriso acachapante, um abraço sincero, uma solidariedade para com os seus impressionante, e, de fato, encontrar o Leo é sempre uma festa.

Estávamos bebendo no centro histórico de Paraty, eu, Dani, Guerreira, Fumaça, Fefê, Brinco, Branco, Chico Maracanã, João. E eis que surge o Leo Huguenin. É preciso dizer que o Leo não foi a Paraty conosco de ônibus. Foi por conta própria. E deu-se o comovido abraço retratado acima (notem a feiúra olímpica do meu sorriso).

Eu costumo dizer que esses carinhos, de amigos de infância, costumam nascer de pequenos gestos. E de fato foi um pequeno gesto que me fez gostar de cara do Leo, como se lê no texto a ele dedicado, ainda sem que eu soubesse seu nome. Fizemos festa e foi o Leo em busca de diversão, ficando, nós, na mesma mesa, no mesmo bar, horas a fio.

No dia seguinte, ainda em Paraty, fomos, eu, Dani, Guerreira e Fumaça para um bar que nos chamou a atenção chamado "Che Bar". Aliás, que bar. Breve conto sobre ele. Estávamos na terceira rodada de mojitos quando entre o Leo. Com o mesmo sorriso, o mesmo par de braços abertos, e demos de novo aquele abraço de amigos de infância, e a Dani guinchando pra assistência, "O Edu adotou esse menino!". Disse o Leo: "Estava passando, vi você e vim apenas lhe dar um abraço". Notem a franqueza e a beleza da frase. E eu, retribuindo o carinho, disse aos gritos, "Sente aí, Leo, convido você pra um mojito conosco...", e ele, de voleio, "Não dá, Edu, tem um pessoal aí fora me esperando, e tenho ainda que comprar cigarros.".

É preciso dizer que entre meus maiores defeitos, que são muitos e incontáveis, está o da usura com os bastonetes nicotinosos. Basta alguém me pedir um cigarro e eu grito um "não" de fazer tremer a terra (licença, Wanderley Monteiro). Há exceções, que depois se transformam em tragédia. Vou explicar. Quando o Augusto fez aniversário e deu uma bela festa em Niterói, precavido, levei 3 maços. Estava eu, naquele dia, fragilíssimo e mexido com o acidente do Toledo, na véspera. E não fui capaz de dizer um único "não" naquela tarde.

E em questão de uma hora e meia não havia um único cigarro comigo, tamanha a fome dos fumantes de bosta que me pediam um após o outro. Mais uma hora e deu-se a transformação. Passei a dirigir impropérios impúblicáveis aos camaradas que me pediram cigarros. Xinguei-os, arremessei contra eles amendoim e copos cheios de cerveja. Até que fui contido pela Dani, que foi ao buteco mais próximo, 20 minutos a pé, comprar mais um maço pra mim.

Mas voltando ao "Che Bar". Quando o Leo disse "... e tenho ainda que comprar cigarros", puxei meu maço do bolso e apenas dois cigarros moravam lá dentro. Entreguei-lhe os dois e a Dani urrou, "Estão vendo? O Edu adotou esse menino!".

Ali, não sei se o Leo percebeu, entreguei a ele meu carinho em forma cilíndrica, de bastão, com nicotina, alcatrão e filtro na ponta. Não pensem besteira, seus biltres. Somos amigos de infância e espadas de carteira assinada.

Até.

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4 comentários:

aloysio disse...

Eu também não suporto fumante que não sustenta o próprio vício. Só abro exceção pro meu irmão, que é duro de dar dó :-)

Szegeri disse...

"...e a Dani urrou, "Estão vendo? O Edu adotou esse menino!"
Juro que eu ouvi, lendo, o Comandante naquele seu típico e único jeito de estrebuchar uma frase, bem conhecido por muitos leitores deste prestigioso diário.

Zé Sergio disse...

Pois vejam só. Ainda vão comer gente (nos Esteites) por intermédio desse blog.

Zé Sergio disse...

Êpa, meu comentário acima perdeu o sentido depois que deletaram os dois comentários em inglês!!!