27.9.05

O COMANDANTE DE ARMANI


Vocês hão de se recordar. Quando contei, aqui, sobre o comportamento do Flavinho durante a degustação do Royal Salut em sua casa, ocasião em que a frase "custou cem dólares" escapava de sua boca com uma freqüência infernal, estava sendo preciso. E serei preciso, novamente, hoje, contando uma do Comandante, esse estereótipo vivo, na foto, sorrindo, chegando ao Estephanio´s (notem a pose, notem o garbo, as mãos no bolso, o sorriso, o olhar de quem comanda).

Sábado passado casou-se o Lula em Volta Redonda com a Silvana. E o Comandante era um dos padrinhos, fazendo par, obviamente, com a Dona Sá. E pausa para brevíssima explicação. A Dani chama o pai, carinhosamente, em razão das performances etílicas do homem, de Sá Porre. E a mãe, por analogia, tadinha, foi batizada de Sá Porra. Para que eu não tenha de referir-me a ela assim, de forma tão pouco gentil, a chamo de Dona Sá. Vamos em frente.

Como eu dizia, o Comandante era um dos padrinhos. E como tem o Lula na mais alta conta, um de seus mais queridos amigos, o Comandante estava determinado a fazer um bonito. E comprou, na semana do casamento, vejam vocês, um terno Armani.

Usar um terno Armani sem um outdoor na testa avisando "EU ESTOU USANDO UM ARMANI" é, como diz a piada, como comer a Gisele Bündchen e não contar pra ninguém.

E eis que chega o dia da festa. A Dona Sá impediu que o primeiro plano do Comandante fosse implantado, que era o de deixar "sem querer" a etiqueta em acrílico com a palavra ARMANI em relevo pendurada por uma cordinha numa das mangas. Começou a instalar-se o pânico no meu sogro. Ainda no elevador, descendo pra garagem, aproveitando que Dona Sá punha rímel diante do espelho, distraída, Comandante dobrou pra fora a gola do paletó, deixando a etiqueta de pano na nuca com a grife exposta. Entram no carro e Dona Sá, "Wlader, vem cá, meu filho, deixa eu ajeitar seu paletó". E ele em desespero pensando, "Gastei 5 mil no terno e ninguém vai saber?". A decepção era visível em seus olhos.

Chegam à festa (cerimônia só civil).

Beltrão avista o Comandante. "E aí, Comandante! Como é que ´cê tá?", e o Comandante mostrando a etiqueta interna no lado esquerdo do paletó, "Tô de Armani. Cinco mil". E o Beltrão foi um "oh" e um "ah" que deram regozijo ao meu sogro.

Sentam-se à primeira mesa vaga que avistam. E vem à mesa o Décio Campos com a mulher. Fazem breve mesura com a cabeça e o Comandante já de pé, "Of course, sentem-se conosco...". E o Décio senta-se. E o Comandante, "Como está quente, não?", e o Décio, "É? Eu não acho...", e o Comandante, como se fosse uma espécie de morcego, começa a abanar os dois lados do paletó dizendo bem alto, "Terno europeu é fogo! Quentíssimo! Quentíssimo!", e o Décio, distraído, "É europeu?", e aí o Comandante, de pé, esfregando a etiqueta no nariz do Décio, "Armani. Autêntico. Cinco mil reais. À vista!". Dona Sá, coitada, querendo sumir.

E tome de bebida.

Vem à mesa o casal. Silvana e Lula posam para uma fotografia e o Comandante já com a voz ligeiramente arrastada, "Vocês vão passar a lua de mel aonde?".

O Lula responde: "Na Itália...".

E o Comandante num salto, "Mas que coincidência...!!!!!".

Lula se dirigindo à Dona Sá: "Por que? Vocês também estão indo?", e a Dona Sá, tadinha, pressentindo o que vinha, só pôs as mãos nos olhos com os cotovelos apoiados na mesa fazendo que "não" com a cabeça.

Comandante de pé de novo abrindo as "asas": "Nada disso, Lula. É que meu terno é Armani, legítimo, italiano!".

E assim seguiu a festa até alta madrugada.

Bati o telefone pro Comandante no domingo pela manhã: "E aí, meu Comandante? Como é que foi a festa ontem?", e ele de primeira, "Boa, muito boa, mas sucesso mesmo fez o meu terno, Armani, cinco mil reais, uma beleza!".

Esse é o Comandante.

Até.

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6 comentários:

Flávio disse...

Muito me honra ser comparado com o Comandante, mesmo que seja nesse típico comportamento tijucano.

Anônimo disse...

Tô começando a acreditar que os homens das suas histórias são do tipo consumidores compulsivos!

Será que é típico de tijucano ou de ex-tijucano?

Se fosse a mulherada dizendo que gastou uma fortuna numa bolsa e num sapato para combinar, eles subiriam naquele seu banquinho imaginário e gritariam aos ventos, o quanto as mulheres são consumistas, sem freios, irresponsáveis etc!

Agora, para um Armani e para um Royal Sallut qualquer fortuna é uma mixaria perto do prazer que proporciona!

A solução é a mulherada gastar no shopping, mas não esquecendo de trazer um Royal ou um Armani!

Aloysio disse...

Grande figura esse sogro!

Renato Machado disse...

Edu, está aí um outro personagem à altura do Dedeco, no meu ponto de vista. Com a foto então ficou ainda mais engraçado. Genial.

Betinha disse...

O texto está hilário! Parabéns mais uma vez, Edu!
Você só esqueceu de dizer que essa foto também é minha... :-)

Evelin disse...

EXCELEEEEEENTE Edu STRAAAAAAAT!!!