4.2.06

E FOI ASSIM, Ó...


"Chorei, chorei,
até ficar com dó de mim..."

(Chico Buarque)

Como não me incomoda a pecha de exagerado com que me carimbam, vamos ao relato da noite de ontem (é preciso não esquecer, nunca, que sou sempre preciso do início ao fim).

Chegamos, eu e Dani, ao Canecão, às dez da noite, em ponto. Esse luxo, de chegar em cima da hora, foi possível graças ao Neco, a quem faço absoluta questão de agradecer, mais uma vez, pelos convites. Aliás, nota hilária da noite. Como dois deslumbrados com a localização da mesa, cara a cara com o palco, ficamos assim: "Olha! Nossa mesa é bem melhor que a mesa do Paulinho Moska!", "Ih! Olha a Marina, ali! Bem mais longe do que nós!", e outras baboseiras do mesmo gênero. Uma tiração de onda à Tijuca.

A mesa era de rico. Mas o pedido foi de pobre. Bem que eu fiquei tentado a pedir uísque (desisti, na última hora, de levar, como sempre, o uísque de casa). Mas a dose do RedLabel estava R$15,00 e achamos mais prudente ficar na cerveja. Baldinho com seis latas de Skol e muito gelo.

Minhas pernas inquietas por baixo da mesa denunciavam meu estado. E Dani, "calma, calma, já vai começar". E começou.

Vou tentar definir o show numa palavra: assombroso.

E vamos aos efeitos colaterais do assombro.

Fui ao banheiro algumas muitas vezes. Era terminantemente proibido fumar e nem cinzeiro havia. Fumei? Muito. E Dani, linda, dizendo "fuma, meu amor, fuma...". Daí quando Vanessa mandou "Ainda bem que você vive comigo, porque se não, como seria essa vida? Sei lá..." eu comecei, sem pudor, a sessão esguicho. Mais um pouco e ela anuncia que vai cantar uma canção gravada pela Bethânia, e eu anuncio no ouvido da minha amada "A Força que Nunca Seca". Mais esguichos e ainda mais intensos, sob a melodia tristíssima e lindíssima do Chico César com letra da própria Vanessa. Eu estava longe.

Outro momento incrível, e carioca é danado pra ter orgulho da origem, foi quando ela disse, nitidamente nervosa e emocionada, que era quase inacreditável estar naquele palco, no Rio de Janeiro, cidade que lhe parecia inatingível pelo que tem de fascínio.

Nascida em Alto Garças, cidade com 8 mil habitantes, no Mato Grosso, o nome "da Mata" não é mero acaso. Senhora dos ventos, dos raios e das tempestades (dentro de mim), soltando fogo pela boca, Vanessa me derrubou, é preciso dizer.

Saímos do Canecão, eu e Dani, extasiados. Tentamos uma parada no Bar Getúlio. O chope estava péssimo. Viemos pra casa, mesmo. E, ô.

E de público, sendo mais tijucano que nunca, um pedido pro Neco.

Sempre, querido, mas sempre mesmo, que essa moça estiver no Rio de Janeiro, eu quero estar junto.

PS: eu tive um grave princípio de enfarte. Foi quando ela cantou com uma cara indizível "...mas agora o meu dia-a-dia é no meio da gataria, pela rua virando lata, eu sou mais eu, mais gata, numa louca serenata...". E outro grande sufoco foi quando - olhando pra mim, eu juro, eu juro... - gemeu "não chore homem, não chore homem, não chore homem...".

Até.

Um comentário:

Roberta Cunha Valente disse...

Eu também não gostava muito dela, mas outro dia ela deu uma canja num bar onde eu estava e confesso que me rendi!
beijos