6.3.06

IMPRESSIONANTE


(da série "SÓ ACONTECE COMIGO...")





Eu começo a ser obrigado a acreditar no meu irmão Szegeri que, vez por outra, manda a frase:

- Edu! Isso só acontece contigo!

Às vezes a frase soa-me como um deboche, como quem diz que não crê nos fatos que conto. Mas como os dois fatos que vou lhes contar agora contam com o inequívoco testemunho da Sorriso Maracanã e de mamãe, fico mais à vontade para fazer o relato. E mais do que isso. Para gritar também:

- Isso só acontece comigo!

Fomos ontem pela manhã, eu, Dani, papai e mamãe, levar Pimentinha para a clínica veterinária que poria fim a seu tortuoso sofrimento.

Saí de casa vestindo a bata africana com que fui presenteado pela Fumaça.

E no caminho, na direção do carro, formigas me subiam, inexplicavelmente, pelos braços, pelas pernas, pelo peito, e fui um susto só. Como no terreno do sobrenatural valho-me sempre dos conhecimentos do Dalton, meu irmão e cada vez mais meu irmão, bati o telefone pro malandro.

Era, acreditei fortemente nisso, Omolu se fazendo presente, orixá das doenças, da vida e da morte, dando sinal de presença e oferecendo o amparo necessário pra segurar a barra violentíssima do momento.

Mas não parou por aí.

Estacados os quatro diante da clínica, dando o último adeus à Pimentinha (eu entrei, fiquei a seu lado até o último suspiro), um Airedale Terrier se aproximou e danou de lamber, cheirar, fazer festinha na mais doce cocker-spaniel do mundo.

Sem coleira. Passei os olhos em volta em busca do dono e disse a ele:

- Ela está super doente, cheia de feridas, chame ele...

E o sujeito agacha, estala os dedos, assobia e chama:

- Brizola, Brizola! Vem cá!

Diante disso, meus queridos e fiéis leitores, fui um homem em estado de graça, se é que me entendem. Só acontece comigo mesmo.

Daí marcamos uma espécie de gurufim na casa de Isaac e Mariazinha, onde bebemos e brindamos em homenagem à Pimentinha, eu, Dani, Dalton, Manguaça, Brinco, Yayá, Cristiano, passamos no Estephanio´s na volta para um beijo em Fefê, e entrar em casa, pela primeira vez sem ela, depois de quase nove anos, foi bem menos dolorido.

Até.


2 comentários:

Lu Guerreira disse...

Edu,
Um pouco afastada desde que fui trabalhar na roça, só fiquei sabendo de tudo ontem, pela Pololocs, na casa do Miguel. Fiquei em choque por alguns segundos. Me distraí com a conversa e quando chequei em casa e deitei à 1:45 não conseguia dormir. Pensando na Pimenta e em vocês. Como nessas horas não há o que se dizer, mando um beijo cheio de carinho pra você e pra Dani.

Betinha disse...

Se não fosse você contando, eu não acreditaria.
Gestos e sinais todos merecidos. Não é qualquer um que ganha a proteção não só dos amigos terrenos, mas também dos espirituais.
Beijo com todo carinho.