24.3.06

MINHA SENHORA!


"Estão nas mangas dos Senhores Ministros
Nas capas dos Senhores Magistrados
Nas golas dos Senhores Deputados
Nos fundilhos dos Senhores Vereadores
Nas perucas dos Senhores Senadores
Senhores! Senhores! Senhores!
Minha Senhora!
Senhores! Senhores!
Filha da Puta!
Bandido!
Corrupto!
Ladrão!
Sorrindo para a câmera
Sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras
Sem saber que são filmados
Um dia o sol ainda vai nascer quadrado

Isso não prova nada!
Sob pressão da opinião pública
É que não haveremos de tomar nenhuma decisão!
Vamos esperar que tudo caia no esquecimento
Aí então...
Faça-se a justiça!
Vamos arrumar vossas acomodações, Excelência.
Filha da Puta! Senhores! Corrupto!
Senhores! Bandido! Senhores! Ladrão!"

(P. Miklos, T. Bellotto, C.Gavin)


Vocês devem ouvir essa canção, dos Titãs, aqui. E ouçam olhando nos olhos dessa senhora. Olhem nos olhos dessa senhora, deputada federal por São Paulo, e percebam o cinismo desse sorriso. Olhem nos olhos dessa senhora que, na madrugada de ontem, comemorando a absolvição de mais um porco chafurdado na lama do valerioduto que enoja o País, deu de sambar, dançar, rebolar, com os dedinhos pra cima e com a bunda, enorme e imunda, rebolando pra lá e pra cá, sem saber que estava sendo filmada, afinal, já era tarde. Olhem nos olhos dessa senhora e tenham ódio dessa senhora, que o ódio nessas horas é santo remédio. Ódio, nessas horas, é prova de coerência de princípios. Ódio, nessas horas, serve para que gente como essa escrota (não me vem outra palavra à mente) sinta, ainda que à distância, o sentimento que o cidadão nutre com relação a vermes públicos como ela. Ela que hoje, cínica, pede desculpas ao povo brasileiro (que não a desculpa porra nenhuma) através do jornal "O Globo", que publicou hoje, na primeira página, quatro fotos dessa lontra gorda rebolando e debochando da sua e da minha cara. Vocês me perdoem perder o prumo, deixar o chope de lado e socar, com raiva, o balcão imaginário do Buteco. Mas a coisa tá feia. E se me falta sobriedade pra falar sobre o episódio, deixo com vocês texto do Jorge Bastos Moreno, no mesmo "O Globo" de hoje:

"- Mano véio, aqui você só não vai ver é boi voar! - foi o que ouvi no primeiro dia em que cheguei ao Congresso, como repórter, em 1976, do então deputado paraibano Ernani Sátyro. Surdo, chamava todo mundo de “mano véio”.

E eu vi muita coisa.

Vi o Congresso ser fechado em 1977.

Vi parlamentares arrancados da tribuna pelas cassações da ditadura. Entre eles, Alencar Furtado, aquele que disse que sua luta era para que não houvesse lares em prantos: “filhos órfãos de pais vivos, ou mortos, talvez, quem sabe; órfãos do talvez ou do quem sabe”; viúvas de maridos mortos ou vivos, quem sabe, talvez; viúvas do quem sabe ou do talvez”.

Vi Ulysses Guimarães dizer: “ Tenho ódio à ditadura; ódio e nojo”.

Vi Tancredo chorar por JK.

Vi mães, viúvas e órfãos com cartazes de seus mortos e exilados clamarem por anistia.

Vi o doido manso Teotônio Vilela se rebelar contra o regime.

Vi a eleição de Tancredo, vi a Constituinte.

Vi momentos de tristezas e alegrias.

Nas tristezas, ouvia o Hino Nacional cantado com vozes enlutadas, sempre seguido nessas horas do coro “ a luta continua”.

A alegria ecoava em palmas e papel picados.

Mas nesta madrugada vi uma cena que nunca vou esquecer: a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) dançando, sambando como passista do agouro ao ver que o os votos apurados já davam pra salvar de cassação o deputado João Magno (PT-MG), um dos mensaleiros da Câmara.

Nem os canhões, fuzis e metralhadoras que tentaram desmoralizar pela força o Congresso superariam o escárnio da deputada. Longe do “Necrológio dos desiludidos do amor”, onde as amadas dançavam “um samba bravo, violento, sobre as tumbas deles”, a dança da deputada é o mais imoral dos emblemas da degradação da política brasileira.

Talvez a perplexidade foi que impediu o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, de exigir o devido respeito da deputada em pleno velório da Casa."

Acabo de ouvir entrevista dessa senhora na CBN. De vomitar. Principalmente quando ela se justifica dizendo que é "uma pessoa humana".

Até.

6 comentários:

Roberto Romualdo disse...

Edu, dá o nome da FILHA DA PUTA!

ÂNGELA GUADAGNIN

Também ouvi a entrevista na CBN. Muito podre.

Espalhei teu texto pra minha lista, ok?

Abraço.

Cesar Tartaglia disse...

Mano véio (se é que se pode fazer plágio do bem), da carrapeta seu comentário, assim como o do Jorginho, grande companheiro do Globo. É óbvio que muita coisa podre já passou por nossos pobres olhos, saídos da Gaiola de Ouro de Brasília. Mas a patusca sambando, noves fora e escárnio com nós, o povo (como diria, cheio de sua impagável ironia, Ivan Lessa), é a coisa mais tosca que eu vi nos últimos tempos. Sacanagem com o povo brasileiro? Mais uma, ne? Agora, como eu digo em meu blogo no Globo Online (http://oglobo.globo.com/online/blogs/frontdorio/default.asp), o escárnio maior é com os nossos grandes dançarinos de samba, esse povo que eleva o ato de sambar à categoria de arte. É isso. Abraços e parabéns pelo Buteco, que está cada vez melhor. (Um dia te mando a receita do Bacalhau a Tartaglia, um prato pra comer ajoelhado)

Cesar Tartaglia disse...

Ih, mano véio. Corrige aí minha burrice: em vez de "É óbvio que muita coisa podre já passou por nossos pobres olhos, saídos da Gaiola de Ouro de Brasília", leia-se "É óbvio que muita coisa podre já passou por nossos pobres olhos, SAÍDA da Gaiola de Ouro de Brasília". Valeu

Anônimo disse...

Edu,

não acredite em toda essa mídia canalha... eles defendem o deles ou melhor o do FMI. Leia o Hora do Povo vc vai gostar. www.horadopovo.com.br
Cristiane

Casé disse...

Cristiane,

A mídia seria canalha se não mostrasse o que esses deputados pensam do povo. Além de ser ridículo aquela "pôia" dançando.
Essa escrota, como bem falou o Edu, tem um processo por sua má administração em uma cidade em São Paulo.

Flávio disse...

Com ou sem mídia, pegar um dinheirinho no Banco do Brasil (só algumas dezenas de milhões) desviado para as campanhas do PT, para depois dançar de felicidade com a pizza dos corruptos é inacreditável.