12.5.06

BH, A SAGA - PARTE II

BH, 12/05/06, 6a. feira

Acordamos 7h. Café no hotel. Às 8h30min cheguei na casa da minha tia Martha onde a encontrei com tio Leo. Fomos, eu e ela, ao Mercado Central, onde rodamos por 1 hora, quando decidi que voltaria com o Dalton às 11h. Ela me deixou no hotel, acordei o Dalton e fomos a pé até a WiseUp, e de lá até o Mercado Central.

Edifício Niemeyer, Praça da Liberdade, Belo Horizonte, MG, é um exemplo da arquitetura moderna de BH. Foi projetado por Niemeyer, que representou nas curvas e sinuosidades as montanhas mineiras. O arquiteto também se vale de um artifício barroco bem declarado, o ilusionismo. O prédio, residencial, dá a impressão de ter mais de 15 andares, quando realmente possui apenas oito.


Paramos num buteco na Rua dos Aimorés 1912, onde bebemos duas garrafas de Original, a R$3,00 cada. Tomamos o rumo do Mercado Central às 11h45min. Paramos para tomar a primeira no Mercado no balcão do Bar do Zé Maria, exatamente em frente ao Bar Campinho, separados por um minúsculo corredor.

balcão do Bar do Zé Maria, Mercado Central, Belo Horizonte, MG


Pedimos uma porção de lingüiça acebolada. Pagamos. Duas cervejas e a porção a R$12,00. Saímos de lá às 13h.

eu no balcão do Bar do Zé Maria, em frente ao Bar Campinho, Mercado Central, Belo Horizonte, MG



CAFÉ PALHARES (quarto bar)

Chegamos às 13h20min na Rua dos Tupinambás 638, no Café Palhares. Pedimos 2 chopes. Da Antarctica.

Belo Horizonte, MG


- Que diferença... - lamentou o Dalton.

Ficamos de papo com o dono, Lúcio, no balcão. Em segundos o chope descia melhor. Ele participou em 2003 (ganhou como melhor atendimento), 2005 e 2006, com o prato "Hilda Furacão" (carne na cerveja com ovo de codorna e aipim em cubo com pimenta biquinho). Diante do que vimos no balcão decidimos ignorar o tal prato. Só se pedia "Rui Chapéu" ou "Boné". Detalhe: o dono acaba de nos dar dois chaveiros de presente! "Rui Chapéu" é KAOL grande; "Boné" é o pequeno. KAOL é um PF servido na casa desde os anos 50 - a casa foi fundada em 1938 - e foi criado pelo Sr. João Ferreira, pai do Lúcio. É feito com arroz, ovo, lingüiça e deve ser precedido por uma dose de cachaça. KAOL é kachaça / arroz / ovo / linguiça.

visão do balcão do Café Palhares onde só se vê prato de KAOL


O bar produz, no segundo andar, diariamente, 40kg de lingüiça artesanal. Lúcio foi de uma atenção impressionante. Apresentou-nos o irmão e o sobrinho (que trabalham à tarde). Pedimos cachaça, Vale Verde e Sabucana.

dose de cachaça no balcão do Café Palhares, Belo Horizonte, MG


Pedimos a conta às 15h20min, R$38,00. Foram 12 chopes, 3 pingas, 1 KAOL. De longe o melhor bar até o momento. Detalhe: ligamos três vezes para o Szegeri.

painel no interior do Café Palhares, Belo Horizonte, MG


Saímos a pé e às 15h50min paramos no Frigorífico Uberaba, na Rua Olegário Maciel esquina com Rua dos Tupis, onde fotografei, embevecido, as carnes e as lingüiças em exposição. Dalton acabou de ligar pra Rino, sua mãe, em choque. Não sabia que estávamos juntos em BH.

balcão do Frigorífico Uberaba, Belo Horizonte, MG



CASA CHEIA (quinto bar)

Chegamos às 16h. Já pedimos, de cara, uma Bohemia, geladíssima (impressionante... todas as cervejas de BH, até agora, geladas, geladas, geladas, capazes de humilhar um homem que bebe). Pedimos, às 16h17min (o detalhe dos minutos cravados foi do Dalton, obsessivo como eu), uma porção de "Porconóbis de Sabugosa", prato que concorreu em 2004 e ficou em segundo lugar, e que é costela suína, lingüiça calabresa, milho verde cozido, ora-pro-nóbis e especiarias. Pedimos a conta às 17h. Foram 3 Bohemias. Vidal ligou. Ligou pro Dalton, diga-se. Ninguém me liga. Ninguém.

letreiro do Casa Cheia, Belo Horizonte, MG


A conta foi 1 "Porconóbis de Sabugosa", 1 Bohemia e duas doses de cachaça. Vamos agora pro hotel com a intenção de parar no caminho num ou noutro bar. Eu disse "Vidal ligou" mas não disse que ligamos umas 5, 6, 7 vezes pro Szegeri. Ele agrediu-me de forma olímpica. Jurei, nesse telefonema, nunca mais ligar para ele e ele deve ter rido demais, sabendo que eu mentia, de novo. Indo pro hotel, paramos na Rua Curitiba 1231. Uma Brahma.

Às 19h Dani e Erika passaram no hotel para nos pegar. Fomos direto ao Opção, casa de samba no bairro Caiçaras.

letreiro do Opção, Belo Horizonte, MG


Couvert a R$5,00. Cerveja Brahma a R$2,80, teto de amianto, chão de cimento batido, a uns 20min do hotel de carro. Eu, Dani, Dalton, Erika, Frederico, Augusto e Paulo. A casa fica dentro da favela do Sumaré. A Erika, praticamente a anfitriã da Dani, está preocupadíssima se está ou não nos (me) agradando. Eu devo ser muito rude. Ou muito antipático. Ou muito estranho ao primeiro contato. Ou as três coisas ao mesmo tempo. Além de ter gostado de cara do lugar, também de cara e de alma, da Erika. Por que? - isso me assola demais agora - as pessoas têm, aparentemente, medo de mim?

Erika e Dani, no Opção, Belo Horizonte, MG


São 21h e o bar já está lotado. O conjunto, que toca redondo, até o momento tocou Cartola, Nelson Cavaquinho, Adoniran Barbosa, Almir Guineto, e eu me sinto em casa (e choro). Acabo de ser chamado ao palco para cantar. Cantei. Sem comentários. "Renascer das Cinzas", do Martinho da Vila. Apenas a Dani bateu palmas.

eu cantando no Opção, Belo Horizonte, MG


Agora são 22h o seu Afonso é chamado ao palco para cantar. Vai ao palco. Tem quase 80 anos. Veste safari. Ninguém mais no mundo usa safari. Senta-se numa cadeira. E dá de cantar. E eu não paro de chorar. Comove-me isso, essa capacidade do brasileiro, na cidade, na favela, onde quer que seja, de cantar, e de fazer tanta boniteza (escrevi "boniteza" e pensei... estou bêbado). Devo estar. Só aqui dentro, a sexta cachaça, no mínimo. E Dalton me acompanhando.

seu Afonso cantando no Opção, Belo Horizonte, MG



Dalton e eu no Opção, Belo Horizonte, MG



Dalton, Dani e eu no Opção, Belo Horizonte, MG



Dalton, Erika e eu no Opção, Belo Horizonte, MG


Ainda fui chamado ao palco mais uma vez. Cantei, dessa vez, "O Bêbado e a Equilibrista". E esculhambei, microfone em punho, o casal Garotinho. Aí, e só aí, fui aplaudidíssimo. Chegamos no hotel por volta da meia-noite, e eu com fome. À varanda do hotel, uma casa linda, de 1935, de uma tradicional família mineira, comi um sanduíche com batata frita e Coca-Cola Light. Demos, eu e Dani, por falta do Dalton. Sumiu sem que o víssemos. Ligamos pro 1104. Atendeu o meu irmão, já dormindo. Estávamos, os três, bem bêbados. Pro quarto, já.

3 comentários:

Roberta Cunha Valente disse...

É claro que as pessoas têm medo de você. Eu, por exemplo, jurei não te ligar no aniversário do ano que vem. Vou tentar resistir, como sou meio masoquista não sei se vou conseguir ;-)

Roberta Cunha Valente disse...

É claro que as pessoas têm medo de você. Eu, por exemplo, jurei não te ligar no aniversário do ano que vem. Vou tentar resistir, como sou meio masoquista não sei se vou conseguir ;-)

ERIKA disse...

Pode ser as três coisas ao mesmo tempo, mas como eu também não sou uma pessoa muito fácil de lidar...

Logo, nos demos bem!

E AGRADAR... seu maluco... nem tanto, né?!

Você é sempre tão cri-cri, que era melhor PRA MIM NÃO me preocupar com isto!

Quanto ao medo... PÁRA!!!

BEIJO TCHAU !!!!