15.5.06

FILOSOFIA DE VIDA

Na foto abaixo, tirada em 25 de fevereiro de 2006 na Cinelândia, momentos antes da saída do portentoso Cordão da Bola Preta, Augusto Diniz, Julio Vellozo, eu e Fernando Borgonovi. Ou, se preferirem, um paulista, um paulista, eu e um paulista. Ou, ainda, um comunista, um comunista, eu e um comunista.

Augusto Diniz, Julio Vellozo, eu e Fernando Borgonovi, 25/02/06, carnaval, Cinelândia, Rio de Janeiro, RJ


Ignorarei solenemente as figuras impolutas do Augusto e do Fernando para falar desse também portentoso Julio Vellozo. Um dos grandes amigos e irmãos do meu mano paulista, o bom Szegeri, o glorioso Pompa, o Julio Vellozo era, para mim, há até um ano, mais ou menos, um sem-cabeça. Explico. Ficava o Szegeri:

- O Julio isso...

- O Julio aquilo...

- Você tem que ver o Julio...

E nunca que me apresentava o sujeito. Eu chegava a duvidar de sua existência.

Mas um dia o bom Szegeri o apresentou a mim. E de lá para cá já nos vimos, creio eu, uma boa dúzia de vezes. Ou mais. E eis o que me impressiona no Julio (eis que nem no Kremlin, um dia, houve alguém assim tão fiel a princípios).

Em todas as ocasiões em que nos encontramos estendi a mão e amistoso perguntei:

- Como vai, Julio?

E ele:

- Mais comunista que nunca.

Comunista, aliás, como o Szegeri. E como o Borgonovi. E como o Augusto (não sei se o Augusto é comunista, mas me é cômodo, nesse momento, que seja). Estou, notem, cercado de vermelhos.

Mas além das incontáveis lições emanadas desse homem uma eu absorvi e aplico mês a mês.

O Julio defende um troço com o qual eu, francamente, concordo como um comunista iniciante numa das torres do Kremlin de Moscou durante intensa catequese.

O homem recebe seu salário. E deve, nos primeiros cinco dias, torrá-lo sem piedade. Isso significa dizer que, a cada mês, o homem viverá cinco dias como um milionário (o sonho de todo comunista, de todo capitalista, de todo homem, notem bem). A cada ano, 60 dias (dois meses) como um milionário. A cada seis anos, 1 ano como um milionário. E em sessenta anos, 10 anos como um milionário. O que é, convenhamos, uma delícia tentadora.

É isso.

Quando eu vou para BH durante a semana para encontrar minha garota e para beber, quando visito o Szegeri de sopetão, quando compro livros, discos, quando já estou no sexto dia após o recebimento do salário com uma latinha de Pomarola estendida pedindo ajuda aos amigos, estou sendo, integralmente, um seguidor do Julio Vellozo, um grande filósofo.

Até.

6 comentários:

Sérgio Teixeira disse...

Boa! Vou seguir a receita!

Szegeri disse...

Olha, não sei se o Augusto é comunista, embore sei que tenha honrado o Glorioso com seu voto mais de uma vez. Paulista é o que certamente ele NÃO é...

Anônimo disse...

Grande Edu (Se bem que dada a minha estatura de mini craque da coca cola, todos me parecem grandes. Mas, no caso, o "grande" vem no sentido do amigo que o considero, de apreciador das boas coisas da vida, notadamente o futebol, o samba, a mulher, a cerveja e o Nelson Rodrigues.). Fico feliz de ver a foto, especialmente pela lembrança que o Bola Preta traz a um paulista que queria ser carioca, ainda mais num dia fatídico como o de hoje aqui pelas minhas bandas. A lembrança do dia em que vi 200 mil pessoas na rua, todas devidamente bêbadas, e não registrei uma tapa, uma passada de mão em bunda alheia. A folia bem feita e bem curtida.

Mas sobre a filosofia do meu chapa Vellozo e, na verdade sobre todos nós, que vivemos da mesmíssima filosofia: não fossem esses poucos dias do mês (no meu caso, apenas horas) eu não suportaria ver o meu Verdão na lanterna do Brasileiro, ver o Parreira (por quem tenho grande apreço, diga-se) convocar o baitola, o mauricinho, o anti-futebolista Rogério Ceni, em detrimento do humilde, do eficaz, do modesto, do brasileiríssimo e palmeirensíssimo São Marcos (mesmo machucado, o Marcão dá sorte, o fresco do Ceni traz consigo o estigma do azar mais abjeto). Não aguentaria, por fim, acordar todo dia e ver que não moro no Rio de Janeiro.

Abraço,

Fernando Borgonovi

Julio Vellozo disse...

Fala Edu! Estou esperando o meu enriquecimento mensal para dar um pulo aí no RJ. Quando for vou te telefonar ( ainda é aquele número?) pra vc me ajudar a torrar o numerário!

Eduardo Goldenberg disse...

SÉRGIO: a receita também nos deixa paupérrimos grande parte do mês. Mas a sensação durante os poucos dias nababescos vale mesmo a pena.

SZEGERI, Pompa querido: o Augusto, defintivamente, é paulista até o último dos poucos fios de cabelo que tem. Pouca importa se nasceu em Niterói. Ele é paulistíssimo.

BORGONOVI, eu ia lhe agradecer pelo "grande" mas pelo visto todo mundo é "grande" pra você, pô! Qual a graça?

JULIO, será mais que um prazer! Aliás, anote: vou levá-lo a um tesouro na Rua do Matoso, descoberta do Tartaglia, e onde se realizará na próxima quinta-feira (18/05) o Encontro de maio da S.E.M.P.R.E.. Meu celular é o mesmo. Forte abraço.

Szegeri disse...

Meu Deus, reuniu-se neste balcão uma escumalha de dar medo...