24.5.06

FRIO NO RIO

"Vejam vocês que, aqui no Rio, basta a temperatura romper, pra baixo, a barreira dos 20 graus, e as ruas são uma festa de casacas, ponchos, gorros, luvas, mantas, cachecóis, coletes e sobretudos. Foi assim ontem." Foi assim que eu comecei, em julho de 2005, a contar essa história. E foi assim, também, ontem.

Uma chuva ininterrupta, um vento cortante e uma temperatura em torno de 18 graus, e pronto. Lá fui eu, agasalhado, encontrar o Fraga, que de pouco tempo pra cá vem batendo permanente ponto no balcão virtual do Buteco, no Bar Getúlio, no Catete.

Como eu já disse a certa altura, o Catete é uma espécie de Tijuca encravada na zona sul da cidade, os jardins do Palácio do Catete é uma espécie de Praça Saens Peña dos velhinhos de lá, e sinto-me, por isso, em casa.

Lá pusemos o papo em dia - aliás, há pessoas com quem a gente põe o papo em dia e o papo nunca fica em dia tão bom o papo é - regado a chope (bem tirado pelo Valdo), Lua Cheia e lágrimas, que o Fraga chorou e fez chover na mesa quando contou histórias do Otelo Caçador, rubro-negro de boa cepa. Chegou-se o Baiano, tocou meu celular e era a Sorriso Maracanã dando uma ordem prontamente obedecida:

- Ah... venham então pro Sat´s. Já estou aqui.

balcão do Sat´s, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, 23 de maio de 2006


O Sat´s fica no comecinho da Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Pode ser considerado um restaurante, é verdade, mas também pode ser chamado de pé-sujo, antítese das casas charmosas que tanto encantam os idiotas de plantão.

Chegamos eu e Fraga e encontramos Dani, que por sua vez aguardava o Alex, que por sua vez chegou em minutos. Mesa de quatro e começamos o serviço.

Dani no Sat´s, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, 23 de maio de 2006



Alex no Sat´s, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, 23 de maio de 2006


Coração de galinha, galeto na brasa, mais e mais chope, o papo escorrendo enquanto a chuva escorria na calçada e o Fraga, num princípio de golpe-baixo propôs:

- Vamos ao Braca? Quero que você reveja sua opinião...

Não fosse o toró (sinto-me velhíssimo dizendo toró) eu teria aceitado. O malandro despediu-se e nós, remanescentes, tomamos a direção do Cervantes, o que significa dizer dar apenas dez passos.

Alex, Dani e Fraga na calçada em frente ao Sat´s, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, 23 de maio de 2006


E lá ficamos entre caldeiretas, sanduíches como só no Cervantes, salada, e às onze e meia da noite convocamos ele, o maior taxista da cidade, mão na roda, grande figura, o Paulinho. Anotem aí: 87675543. Com ele não tem tempo ruim, não tem distância, não tem hora. O Szegeri, por exemplo, sabe disso como ninguém.

Até.

10 comentários:

Marcelo disse...

"Há pessoas com quem a gente põe o papo em dia e o papo nunca fica em dia tão bom o papo é". Esta é uma verdade que vc definiu com maestria. Freqüentei muito o Sat's, devorando galetos e baurus na madrugada, na companhia do Alfredinho...

Cesar Nascimento disse...

Oi Marcelo! Sou seu leitor, vou sempre ao Pentimento. E venho sempre aqui também. Eu sempre disse que o Edu é um tremendo pintor, um tremendo escritor, criador de imagens únicas. Eu acho e meu pai também acha o Edu sensacional. Meu pai leu o livro do Edu mais de uma vez e ri em todas, sempre das mesmas coisas e ele fica sempre impressionado com a capacidade que ele tem de impressionar o leitor. Essa frase eu também achei genial demais. Típica frase do Nelson Rodrigues, do Antonio Maria, ou de qualquer um dos monstros sagrados aliás citados pelo Fausto Wolff na contra-capa do livro do Edu.

Roberto Romualdo disse...

O Edu tem só um problema que é o excesso de modéstia. Essa frase aí é de GÊNIO, GÊNIO, GÊNIO! Aliás só mais uma.

Ana Maria disse...

Eduardo, essa frase poderia estar sem fazer feio na coletânea de frases do Nelson que o Ruy Castro organizou. Acabei de mandar um email pra minha melhor amiga dizendo isso e indicando seu blog e seu livro.

Anônimo disse...

Sou rato do Sat´s. Na minha opinião o melhor galeto da cidade até mesmo por causa do horário em que fecha: nunca.

Gil

fraga disse...

Edu,

De antologia, e absolutamente real, o papo não fica em dia...

Além das lágrimas esguichadas em homenagem ao monumental Otelinho, rimos à vera lembrando daquele "Placar Moral" do Flamengo e Botafogo de 1972, 6x6, além, claro, da também antológica criação sobre a importância do pênalti, que deveria ser cobrado pelo presidente do clube.

Saudades do querido amigo.

Saravá!
Fraga

Szegeri disse...

Ô, Fraga, passei pra tomar uma neste Buteco, mas já vou chegando que a maré neste balcão hoje não tá pra mim e o dono não toma providência. Se quiser, me encontra lá no Madri pra comer um fígado, que lá não pinta mané baba-ovo. Sarta-fora, cumpádi!

Eduardo Goldenberg disse...

Szegeri, meu irmão... diz o que é que você gostaria que eu fizesse, querido, diz... Algumas sugestões:

01) ô, seus bostas, vão elogiar o cacete!

02) calem a porra das bocas; leiam e fiquem mudos.

Diz pra mim, diz, Pompinha...

Eduardo Goldenberg disse...

Roberto Romualdo, relendo agora, ao lado da Sorriso Maracanã os comentários de hoje, deparei-me com o teu e deu-me uma aguda vontade de te dizer um troço (e eu acho que só pensei nisso, e só vou te dizer isso pra agradar o Szegeri): eu não sou NADA modesto. NADA. Como você não me conhece, escreveu essa tremenda, olímpica e inacreditável besteira.

Eduardo Goldenberg disse...

Szegeri, meu irmão querido, meu doce Pompa, satisfeito?