16.5.06

LUANA PIOVANI

(da série SACO: só acontece comigo)

Eu tenho um hábito que, confesso, me diverte. E passei a lançar mão dele justamente para me livrar do enfado de uma viagem de táxi (mas funciona, também, em ônibus, na praia, em qualquer lugar).

E não preciso de mais nada além de um celular. Explico.

E explico contando o que fiz no dia do meu aniversário, 27 de abril.

Tomei o táxi na porta de casa em direção ao escritório. Sentei-me à frente, ao lado do motorista, e bati o telefone pro Szegeri a fim de agradecer as flores que chegaram logo cedo lá em casa. Liguei pra Stê, em seguida. Quando estava discando pra Juliana Amaral, o homem diz:

- Já vi que é seu aniversário, doutor. Parabéns!

- Obrigado, chefe! - e falo com a Ju.

Quando desligo é que me vem a idéia.

Luana Piovani


E começo o troço, celular no ouvido.

Notem que o motorista me ouve, apenas, evidentemente.

- Alô? É do PROJAC? (...) Quem está falando? (...) Ô, Lúcia, bom dia... Você pode me ligar com o estúdio 4?

O motorista de soslaio, atento.

- Alô? Quem fala? (...) Oi, Lucineide... Se eu não estiver enganado a gravação está no intervalo, certo? (...) (finjo uma pequena gargalhada) Você pode ver se a Lu está por aí? (...) Ah, sim. Desculpa... (rio de novo) Luana Piovani. (...) Eduardo. (...) É particular. (...) Ela sabe quem é. (...) OK, querida, eu espero.

O cara não segura o susto e o carro engasga. Os olhos em mim.

- Oi, meu amor! E precisava disso, Lu? (gargalho) (...) Você não existe... (...) Marquei às nove da noite. (...) Você vai, né? (gargalho muito) (...) Ô, meu amor, se você vai chegar tarde mas vai chegar sozinha, é até melhor, né? (dou soquinhos no painel do táxi e rio mais)

O motorista aumenta o ar-condicionado e acompanha minha conversa como se fosse jogo de Copa do Mundo.

- Tá bem, gatinha. (...) Eu durmo lá, então. Acho que tem uns pijamas meus na tua casa, não tem? (mais risos) (...) Tá bom, então, meu amor. (...) Bom dia pra você. (...) Outro, querida. (...) Na boca também...

Desligo já quase no Largo do Machado.

- Quanto deu, patrão?

- Do-do-doze reais.

- Táqui - e estendo quinze.

Ele me passa o troco dizendo:

- O doutor me permite?

Faço um ar bem blasè:

- Claro.

- O Sr. estava falando com a Luana Pi-piovani... a... atriz?

Faço ar de contrariado:

- Estava, chefe.

- O Sr. não me leva a mal, não... Mas... o-o-onde o Sr. vai comemorar o aniversário?

- Hein?!

Levanto. Bato a porta.

O cara ainda me chama:

- Do-do-dotô! Por favor...

Viro-me já na calçada:

- Sim.

- É meu sonho vê-la de perto... Vi que o Sr. é bem amigo dela... Vai até dormir lá hoje... (ele tem os olhos marejados) Quebra essa pra mim, chefia...

- Boa tarde, meu chapa! Era só o que me faltava!

E guincho de rir antes mesmo de chegar ao elevador.

Até.

4 comentários:

Ane Brasil disse...

kuaaaaaaaa! porra, mermão, que puta maldade!

Rodrigo Nonno disse...

Sensacional !

Rodrigo Nonno

Anônimo disse...

Lá se vai um taxi driver tratar de ejaculação precoce... (Bier)

Gigio disse...

sacanagem!