23.5.06

LUTAS INGLÓRIAS

Outro dia mesmo eu estava escrevendo e refletindo publicamente sobre os sentimentos que me assolavam às vésperas do meu trigésimo oitavo aniversário, movimento ao qual chamei de espiral, e tasquei lá: por que eu levei - e levo - tão a sério o verso ninguém tem nada de bom sem sofrer, do Vinicius de Moraes?????

Ontem, quando no final do dia eu e Dani fomos dar rápida volta pelo Centro da cidade com a Inês e fechamos o passeio com quarenta minutos de Paladino, fiquei pensando nesse misto de brincadeira e revolta que cerca o cerco que faço ao Jota, arremedo de jornalista que assina coluneta n´O GLOBO. Cerco que eu faço, vocês que me lêem sabem, em defesa de uma das mais arraigadas - ou a mais - tradições cariocas, instituição mais-que-solidificada no imaginário popular e no dia-a-dia de seu povo, mesmo o mais humilde, que é o buteco, troço que o Jota parece odiar. Afinal, não odiasse os butecos e não exaltaria, sistematicamente, verdadeiras pragas e autênticas mentiras como os bares/botecos/botequins Devassa, Informal, Manoel & Joaquim, Belmonte, Conversa Fiada e tantos outros que vêm chegando, aos poucos mas de forma avassaladora, ao Rio depois de tomarem São Paulo de assalto (sobre São Paulo melhor poderá falar o Szegeri, Marcão, Augusto, Julio Vellozo, Fernando Borgonovi, todos soldados do meu exército).

visão interior do Paladino, Centro, Rio de Janeiro, RJ, 22 de maio de 2006

Daí fiquei pensando nisso, nessa silenciosa batalha em defesa de algo que me é tão caro, daí achei graça desse enfrentamento entre um sujeito apaixonado até a alma escrevendo em seu blog, com algo em torno de 100 visitas/dia, e um (vá lá) jornalista com uma coluneta diária no jornal de maior circulação no Rio de Janeiro, um dos maiores do país. Uma luta inglória.

E lembrei-me - mais que lembrar, eu ouvi a voz do Aldir e do João cantando juntos - do chamamento do samba: Glória a todas as lutas inglórias!

Por isso criei, no menu à direita, a seção BARBARIDADES DO JOTA, com link para todos os textos nos quais eu tento, devagar, demonstrar a nojeira que é o "jornalismo" que esse homem faz, ao menos quando o assunto é o buteco. Tanto que chamei, a cada um dos links, de ATENTADO, numerados um a um.

Porque é definitivamente um atentado o que ocorre a cada exaltação da mentira, a cada inauguração de um McDonald´s de bêbado onde existia um pé-sujo, a cada negação da cultura primitiva do povo carioca, tão massacrado, tão usurpado, tão maltratado por sucessivos desgovernos. A imprensa, como sempre tão bem defende meu dileto amigo Fausto Wolff, que deveria estar ali, de pé, ao lado do povo, ao menos no tocante ao Jota, ao menos no tocante ao assunto, cospe na cara do povo para bajular os investidores.

Peço que espalhem isso. A luta, ainda que inglória, dignifica.

Até.

2 comentários:

fraga disse...

Edu,

Não há rigor que possa fazer tratar um safardana do quilate do "j" como jornalista - não dá para dizer "vá lá ..."; lembremos dos raros mas verdadeiros, autênticos, maiúsculos jornalistas, a começar por seu amigo FW.

Temos que fazer dessa sua iniciativa uma verdadeira cruzada e, aos poucos, direcionar nossos pontapés virtuais para os demais sacripantas que assinam colunas n'O GLOBO - a começar, óbvio, pela indecente "a", que copia matérias estrangeiras e, com alegre descompromisso, as assina como se de sua autoria fossem (as provas já se encontram em seu poder); depois, em ordem, xexéo e o abominável bloch, a quem já tive a oportunidade de direcionar variadas baterias.

Ao ringue, pois.

Saravá!
Fraga

Alex Matos disse...

Edu e Fraga, contem comigo nessa batalha contra esses pseudo-jornalistas. Chega a ser sacanagem comparar o Fausto Wolff com o Joaquim Ferreira dos Santos, um fresco insuportável que se acha o tal.