7.6.06

PORTUGAL, A SAGA - PARTE II

Setúbal, 27/05/06, sábado

Acordei às 8h. Chamei Dani às 8h45min. Hoje, também, parece que há colado no teto de Portugal o céu do Rio de Janeiro. Azul límpido, nenhuma nuvem, e já faz, a essa hora, calor.

Pausa: sinto-me, aliás, no Rio, vendo um mosquito zanzando em volta de mim. Um pernilongo (melga), aliás.

Saímos de casa às 10h30min rumo à Sintra, onde Próspero e Cidália têm um batizado, e onde vão nos deixar para visitarmos a cidade. Saímos depois do café da manhã (pequeno almoço), e Dani com uma merendeira verde preparada pela Cidália contendo banana, iogurte, torta de amêndoa e chocolate, depois de Dani ter ligado para o Fábio, amigo da Vanessa, guia em Lisboa, que nos deu algumas dicas, aliás idênticas às dos nossos anfitriões.

Fomos deixados no Palácio da Pena, no ponto mais alto da Serra de Sintra. O palácio é estupendo, ingresso a 6 euros. Construído no século 19 para Fernando Saxe-Coburgo-Gotha, marido da rainha Maria II, filha de Pedro I do Brasil, ergue-se sobre as ruínas do mosteiro hieronimita fundado no século 15 no lugar da Capela de Nossa Senhora da Pena. A imponência do Palácio é acachapante, seu interior é riquíssimo e consegui fazer duas fotos lá dentro, o que é proibido. E salve a Tijuca.


Dani no Palácio da Pena




Quarto de Manuel II no interior do Palácio da Pena


No final da visita, que durou umas duas horas, paramos na saída para o lanche, quando tomei as notas no palmtop.


eu na saída do Palácio da Pena


Descemos a pé, por cerca de 20 minutos, até o centro de Sintra, através de um atalho pelo meio da mata que nos foi indicado por um segurança nas imediações do Palácio da Pena. E eu atribuo todas essas mordomias, todos esses pequenos prêmios que recebemos, ao sorriso da Dani, um troço que me comove ainda hoje como na primeira vez em que pousei os olhos sobre ela.


Dani e eu descendo pela mata em direção ao centro de Sintra


Tomei uma ducha à moda da Tijuca no chafariz diante do Palácio Nacional de Sintra (decidimos não entrar), andamos pela Volta do Duche até a Câmara Municipal de Sintra, onde paramos para dois imperiais (chopes) na Tasca do Manel, bem no largo em frente, e que passou a ficar permanentemente lotada durante a semana por conta de ter saído nos jornais locais que é o bar preferido do Presidente da Câmara de Sintra! Pagamos 1 euro e meio. Saímos andando e entramos na Casa das Queijadas, onde comemos uma queijadinha, um travesseiro de periquita e bebemos dois cafés. No balcão, Dona Herminda, surdíssima e divertidíssima! Pagamos 3 euros e danamos de andar, e muito, por toda Sintra, subindo ladeira, descendo ladeira, e paramos no Cantinho do Lord Byron (que aqui viveu). Pedimos uma jarra de vinho tinto da casa, uma tábua de queijos sortidos e 1 expresso para a Dani, e pagamos 16 euros e 35 cêntimos. De lá saímos às 18h e fomos aos correios pôr um postal pro Sérgio e pro Cícero que dão hoje uma festa de aniversário em casa, na Urca.

Voltamos à Tasca do Manel, mais dois imperiais.

Liga o Próspero. Nos convoca para um copo e marcamos o encontro. Ao nos encontrarmos diz:

- Vamos ao batizado. Já acabou e estamos só nós na mesa.

Uma hilariante inverdade. A festa estava acabando, mas ainda cheia de gente. Encontramos Eduarda, Eurico, conhecemos o o Leitão, o Eduardo (que chamou-me de "pachola" tão logo me viu, e soube que "pachola" é um sujeito que sabe aproveitar a vida...), a Cristina e o Rui (pais da Leonor, que estava sendo batizada), uma série de amigos de nossos novos amigos. Cidália nos serviu de vinho, cerejas, doces, e eu brinquei que éramos, ali, os mendigos brasileiros, já que estávamos sujíssimos, mal vestidos e com cara de fome. A mãe da bebê deu-nos, de presente, uma garrafa de vinho branco e outra de tinto, pedindo:

- Quando forem beber, brindem à saúde de minha filha.

Tomamos o rumo de casa e estávamos bastante cansados do tanto que olimpicamente andamos. Próspero e Cidália, prosseguindo no estilo vamos-agradar-aos-dois-com-intensidade, decidiram pelo caminho mais longo, mas muito mais bonito.

Descemos por Colares, Guincho, Cascais e Estoril (cidades riquíssimas!), Belém, e paramos para fotografias diante do monumento aos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral que pioneiramente atravessaram o Atlântico, na Torre de Belém, no Padrão do Descobrimento e no Mosteiro dos Jerônimos.

Torre de Belém



Ponte 25 de Abril


Chegamos à casa, tomamos banho, jantamos uma deliciosa sopa de cebola preparada pela Cidália (como cozinha!), chegaram Eduarda e Eurico que nos chamaram "para os copos" (encher a cara, em bom português), mas estávamos muito cansados e com passeios para amanhã cedo. Fizemos os planos para o Porto com Próspero e Cidália e fomos deitar quase às 2 da manhã. Estamos sendo mimados de maneira olímpica, à moda do Porto, como nos foi dito.

Todas as 47 fotos do segundo dia de viagem estão aqui.

Até.

8 comentários:

Susy disse...

Edu:
Obrigado pela amabilidade de me deixar uma "nota". Fiquei feliz!
Estou a acompanhar a sua Saga em Portugal. Ainda bem que gostou! Já estive no Brasil, em Natal, mas não tive a oportunidade de fazer o tipo de viagem que fez, com bom aconselhamento, descobrindo as pequenas coisas, os bons sabores. Foi tudo muito "pack turistico" (faço-me entender?). Espero voltar quem sabe daqui a uns anos.
Um abraço, volto amanha. Susana

Marcão disse...

Edu,

Esse Sacadura Cabral é aquele que virou nome de rua na região da Praça Mauá, atrás da qual Conceição fazia um peixe com cerveja, apud Aldir Blanc, o pá????

Eduardo Goldenberg disse...

Susana, deixar-te uma "nota" era o mínimo que eu podia fazer diante da doçura que foi seu email às vésperas de nossa viagem.

E Marcão... BINGO! Exatamente ele! Assim como o Gago Coutinho dá nome a uma rua em Laranjeiras, também aqui no Rio! Taí uma das engraçadas surpresas e novidades com que esbarramos numa viagem! Saudade sua, pô (e não pá!). Dia 24 estarei aí em SP comemorando o aniversário da Sereia e do Pompa!

Marcelo disse...

Delícia de viagem, Edu! Me tras boas lembranças dessas paragens... Sintra é uma cidade apaixonante!

Cesar Nascimento disse...

Edu nem quando você narra longamente uma viagem como fez com Belo Horizonte e como agora com Portugal você deixa de ser um narrador de primeira, de mão cheia, de muito talento. Quando vem o segundo livro Edu? Quando?

Marcão disse...

Que-que-quem fo-foi Ga-ga-go-gago co-cou-ti-ti-tiiiiii-nho?

Lucy disse...

Sensacional as fotografias da Torre de Belém e da Ponte 25 de Abril. Qual a câmera que você usa? Um beijo.

Zé Sergio disse...

Taí, decidi: a partir de hoje, vou pedir um Imperial, em vez de um chope. Que belo passeio!