8.6.06

PORTUGAL, A SAGA - PARTE III

Setúbal, 28/05/06, domingo

Acordamos por volta das 9h com aquela disposição que só as viagens nos dão, mesmo com poucas horas de sono. Dani acordou bem melhor... até esqueci-me de dizer que nos dois primeiros dias, e ontem à noite, especialmente, uma tosse a perseguia, tadinha, insistentemente. Recorri aos meus pajés, para não falar do xarope, do leitinho quente, dos mimos maternais da Cidália. E parece que funcionou!

Nossos incansáveis anfitriões já nos esperavam, tomamos o café da manhã e partimos em direção, primeiro, à Caldas da Rainha, cidade que fica na região do Ribatejo, entre o Rio Tejo e a Costa da Estremadura, uma área de montanhas que termina em penhascos sobre praias de areia. Caldas da Rainha tem esse nome graças à rainha dona Leonor. Demos rápida volta pela cidade de carro e tomamos a direção de um restaurante chamado "O Lagar", num lugarejo chamado Salir de Matos. E que almoço! Que almoço!

Próspero, eu, Cidália e Dani no restaurante O LAGAR, em Salir de Matos


Pedimos uma jarra (duas no final do almoço) de 1 litro de vinho tinto da casa para acompanhar nossos pedidos. Os pães de trigo abrindo a refeição, como sempre, assados ali mesmo, quentinhos e deliciosos, broa de milho também fabricada no local, um bacalhau assado com batatas ao murro e um cozido à portuguesa, igualmente divino. Serviu-nos uma simpática portuguesa de nome Natália que, ao saber que éramos brasileiros, ofereceu-nos o digestivo. Eis a surpresa: dois copos enormes, e até a boca, de uísque sem gelo. E eu nego um troço desses?

bacalhau assado com batatas ao murro



cozido à portuguesa


Próspero e Cidália, tornando-nos mais e mais devedores de gentilezas à altura, não nos deixaram pagar um cêntimo sequer.

Tomamos o rumo de Óbidos. Paramos, ao pé da cidade, no Santuário do Senhor da Pedra, barroco, iniciado em 1740. Óbidos é uma cidade alta e cercada por uma muralha do século 14. Quando o rei Dinis casou-se com Isabel de Aragão em 1282, Óbidos estava entre os presentes que ele deu à esposa. Que beleza. Era, à época, um importante porto, mas durante o século 16 foi assoreado e sua relevância estratégica declinou. A cidade foi completamente restaurada e está conservada como um cartão-postal. À entrada vê-se a Porta da Vila, toda ela de azulejos datados do século 18. Visitamos com calma, percorremos suas ruas surpreendentes a cada passo, visitamos a Igreja de Santa Maria, a Igreja de São Pedro, e paramos para beber ginjinha no "Bar IBN Errik Rex de T. Nobre", na Rua Direita número 100. Lá, em Óbidos, num anfiteatro cercado de turistas, para surpresa de todos (nem sei por quê fiz isso) cantei "Nessun Dorma", tendo sido aplaudidíssimo no final.

Óbidos


De Óbidos eles nos prometeram uma surpresa, como se de surpresas não estivesse recheada nossa viagem até o momento.

Fomos a um lugar chamado Foz do Arelho, onde há uma praia de fato surpreendente, um cenário bastante incrível, vasta extensão de areia, água não tão fria, falésias imensas, e como fazia um sol de rachar fomos, de roupa mesmo, à água para refrescar-nos. Saindo da praia paramos num bar chamado "Rosa dos Ventos" onde nos atendeu o Carlos, um brasileiro, bebemos cerveja e tomamos o rumo de casa, quase uma hora de viagem nos esperava.

Foz do Arelho


Chegamos em casa.

O banho confortável, eu e Próspero tocamos violão, abrimos a garrafa de vinho branco que nos foi dada pela Cristina, mãe da Leonor, e fiz, de pé, o brinde à saúde da menina, com a certeza de que a mãe, ao fazer a oferta, não acreditava no atendimento de seu pedido. Tomei da rolha e escrevi: "Em 28/05/06 à saúde da Leonor".

Próspero e eu


Fizemos as malas, compramos as passagens de ônibus Lisboa x Porto pela internet a 15 euros cada, para onde vamos amanhã cedo, e fomos dormir, tendo eles prometido nos levar à Lisboa na manhã do dia seguinte para a rodoviária. Dani antes de dormir:

- Como vamos conseguir retribuir tamanho carinho?

Não soube respondê-la.

Todas as 72 fotos do terceiro dia de viagem estão aqui.

Até.

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