17.6.06

SZEGERI E O DITO POPULAR

"Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço", eis o dito que se aplica, como luva, ao meu irmão Szegeri, o Pompa, esse portento prodigioso com quem tenho o privilégio de conviver. Eu sei que falo demais sobre ele e nesse exato instante, após rápida pesquisa, um troço me humilha. O Szegeri é citado, até o momento, em 130 textos do Buteco, enquanto eu, ordinário, sou citado em apenas 6 textos do Sodói, mas isso, como diria o Stanislaw Ponte Preta, deixa para lá. Eu não sou assunto. O Pompa é.

Mais que um assunto, o Pompa é uma sumidade. Um homem com carga moral e intelectual capazes de abater qualquer um como um elefante a uma formiga. E foi sentindo a dor causada por esse peso que recebi seu conselho por meio de um comentário feito ao texto no qual conto a saga que vivi no dia do primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo contra a Croácia. Transcrevendo:

"Discordo cabal, frontal e absolutamente. A miopia futebolística do diagnóstico da atuação brasileira deve-se, provavelmente, a essa mania de transformar jogo do Brasil em baile de carnaval. O Brasil jogou o seu jogo, com os melhores jogadores concentrados, determinados, superando suas limitações técnicas e posicionais. É uma estréia, tem o nervosismo, a Croácia foi o adversário mais forte enfrentado pelos cabeças de chave (à exceção de Costa do Marfim). É uma Copa difícil como talvez nenhuma outra. Equilíbrio é a palavra. Território europeu, não esqueçam. Tivemos os problemas de posicionamento que não são novidade pra ninguém: a zaga (que atuou bem indiviualmente) que não acerta o esquema das coberturas e acabou nos fazendo tomar 4 bolas na cara do Dida e os dois avantes. Provavelmente anuncia-se mais um homem no meio, pra recuar o Emerson quase como um terceiro zagueiro e deixar o Ronaldinho mais à frente, sacrificando-se um dos avantes. Mas é cedo para afirmar peremptoriamente. Vamos parar com o oba-oba, vamos lembrar que nossos jogadores têm qualidade inegável e que o Parreira é técnico pra trazer caneco, não pra dar espetáculo. E vamos beber menos, chorar menos e ver mais o jogo. Só assim a gente ajuda o Brasil."

O que importa para a compreensão do texto que ora escrevo, a bem da verdade, é o trecho em negrito. Vou repeti-lo:

"E vamos beber menos, chorar menos e ver mais o jogo. Só assim a gente ajuda o Brasil."

Agora prestem atenção nessa fotografia do meu irmão paulista.

Szegeri no Encontro da S.E.M.P.R.E. em 18 de maio de 2006

Note-se o estado do meu querido Pompa, um de meus ídolos, meu Otto full-time, meu personal gênio. Um homem que tem um registro fotográfico desses, um homem que segura uma garrafa de cachaça com tamanha gana (notem o vermelhinho na cabeça de seus dedos da mão direita denunciando a força com que segura a mamadeira), não tem, como ele mesmo diria, com a mesma veemência (ninguém é mais veemente que me irmão paulista) nenhuma condição de imprimir seriedade a um conselho como o inserido no contexto de seu comentário.

Mas como eu sou um preocupado em agradá-lo as 24h do dia, já decidi.

Estou embarcando com a Sorriso Maracanã para São Paulo, no final da semana, para a festa de aniversário do Pompa, junto com a festa da Iara, sua filha, nossa afilhada, sereia de todos nós. Festa que acontece no dia 24 de junho, dia de São João. O Pompa promete quadrilha, fogueira, barraquinhas de pescaria, quentão, cachaça, muita cerveja.

E eu não vou beber - de novo à sua moda - nenhum gole.

Como eu não consigo ajudar a seleção brasileira, vou tentar ajudar o meu irmão.

A seco.

Até.

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