26.7.06

ELE ESTÁ ENTRE NÓS

Estava eu, ontem, concentradíssimo no trabalho, quando toca o telefone. E pisca o nome no neon azul: SZEGERI CELULAR. Vibrei. Senti um entusiasmo intenso. Afinal - pensei enquanto sorria feito um idiota olhando o pisca-pisca do santo nome do Pompa na tela - ele está num hotel-fazenda no interior de São Paulo com a Stê a Iara e teve saudades minhas, por isso está ligando. Pobre ilusão a minha que já deveria saber que apenas eu sinto falta do meu irmão. O Szegeri não toma conhecimento da minha ausência. Quando eu morrer ele sequer se dará ao trabalho de um soluço de susto. Mas vamos em frente.

- Pompa! - digo categórico.

- Quêêêêê?!?!?! - é a voz da minha pequena sereia de olhos negros, a Iara.

- Oi, meu amor! Como estão suas férias? - preciso confessar, em nome da precisão que me caracteriza, que apesar de amar a Iara, fiquei, na ausência do pomposo alô, frustradíssimo.

- Boas, diiiiiiiiiinnnnndo - daí eu já em êxtase com esse aparente ditongo de vários "is", carregado no sotaque e na doçura.

- E os bichinhos? gostando dos bichinhos?

Um silêncio preocupante.

- Aqui não tem bichinho, diiiiiiiiiinnnnndo.

- Não?! - o que eu vou dizer depois da evidente resposta "não" que vem aí?

- Eu no Rio de Janeiro, diiiiiiiiiinnnnndo...

Bem. Resumindo.

O Pompa não foi feliz na escolha do hotel-fazenda. Pelo site, disse-me ele, o troço era um paraíso. Milhares de árvores, bosques, cachoeiras, vaquinhas, cavalinhos, pássaros. Lá chegando, a triste realidade mostrava uma meia-dúzia de plantas em xaxins estorricados, um deserto, um rio seco, de bicho mesmo só pernilongo e barata e a coisa mais próxima de um pássaro que havia era um urubu que revirava o lixo na entrada do engodo. Ficaram menos de um dia. Dormiram para descansar da viagem. E no dia seguinte - ontem pela manhã - decidiram tomar o rumo do Rio de Janeiro.

Pausa.

Pode ser mentira, mas é uma mentira linda. Disse-me o Pompa que a decisão de vir pro Rio baseou-se numa frase da resoluta Iara:

- Filha... vamos então pra onde?

- Pra casa do diiiiiiiiiinnnnndo e da diiiiiiiiiinnnnnda no Rio de Janeiro.

Em pouco tempo eu estava no Bar Getúlio a fim de encontrá-los.

E encontrar a Stê, o Pompa e a Iara, ainda mais de surpresa, foi uma festa. Não pude ficar muito tempo, o trabalho me esperava. Não consegui convencê-los a passarem a primeira noite em nossa casa (ficam até sábado, os meus queridos). Mas marcamos uma visita, à noite, para que a Iara pudesse conhecer o Pepperoni.

Pepperoni e Iara, 25 de julho de 2006

Outra pausa. Iara estava especialmente doce. E especialmente doce comigo (também com a dinda, a Sorriso Maracanã, com quem falou por telefone no viva-voz - eu e Szegeri babávamos com a troca de carinho entre as duas - que chega de viagem na sexta-feira à noite a tempo de ver todo mundo).

Momento glorioso.

Pompa vai à cozinha preparar seu jantar.

- Quero Miojo com queijo! - disse a pequena.

E pôs-se meu irmão paulista a fazer o Miojo, uma das operações mais simples de que se tem notícia.

- Diiiiiiiiiinnnnndo?

- Oi, meu amor...

- Ó só como o papai cozinha bem demais... Ó só o cheiro do Miojo... Hummmmm... - nesse instante o Pompa chorou, temperando o jantar da menina com lágrimas que escorriam, grossas, de seus olhos enormes (o Pompa tem olhões).

Iara jantando, 25 de julho de 2006
Szegeri e Iara, 25 de julho de 2006

Eu e meu mano paulista bicávamos um RedLabel enquanto nos submetíamos aos caprichos da mais-que-doce Iara. Jogamos stop, isso-me-lembra, forca, e eu só fiquei tenso, aliás mais que tenso, só fiquei puto, aliás, nem isso... Fiquei destruído mesmo num momento. E explico.

Eu tenho um urubu, um amuleto, que ganhei da Betinha há uns anos.

urubu

O Pompa, esse santo homem, esse meu irmão, chegou com suas patas sujas no corredor, mexeu na porra de um livro qualquer e DERRUBOU o meu urubu.

Isso, meus poucos mas fiéis leitores, às vésperas de um Flamengo e Vasco, às vésperas da final da Copa do Brasil 2006, é uma desgraça, um infortúnio, um horror absoluto. Ele, sensível como sempre, notou a cagada, e disse-me:

- Pô, Edu... Foi mal... Derrubar urubu às vésperas de jogo do Flamengo é como dar de cara com a Roberta Valente segundos antes de Brasil e França, né?

Até.

PS: amanhã conto sobre mais uma barbaridada na coluneta do Jota, hoje, n´O GLOBO. E conto, também, sobre a breve estada do Borgonovi, que vem ao Rio hoje para acompanhar a grande final in loco. Meeeeeeeeeeeeeeeeeeeengoooooooooooooooooooo!!!!!

6 comentários:

Betinha disse...

Edu, derrubar o urubu não é mau agouro não! O bicho é tinhoso e só por isso levanta com mais força. Os dois daqui de casa foram derrubados milhões de vezes pelo Leopoldo e pela Nina no jogo passado e deu no que deu...

Flávio disse...

Porra impronunciável!!!
Acidentes acontecem, mas com um símbolo do Flamengo? Em dia de decisão?
Acho bom você aparecer no bar para tirar a má impressão e torcer com a gente.

Anônimo disse...

A Iara é uma criança linda, carinhosa como poucas...ela, Edu, como o Szegeri devia ser quando criança, se é que foi, é extremamente "evoluída" para sua idade. Tem uma sensibilidade fortíssima!
Xodó de todos os amigos, orgulho do Fê e da Rai.

Beijos a todos!
Arthur Tirone (Favela)

juliana amaral disse...

quirido,
sexta-feira (dia 28) vou pro Rio, sozinha da silva, ensaiar com os monstros com quem vou cantar no SESC no início de agosto. Daí que chego na hora do almoço e volto no fim da tarde. Se vocês forem estar em algum lugar tangível a paulistas incautos, me avisem, vou ao encontro docês pra matar um bocadim da nossa saudade sempre universal.
Beijos.
Ah, em tempo: em benefício pessoal (por amor ao meu Augusto) assisto com o olho direito, e feliz, ao jogo do flamengo hoje, mas confesso que o esquerdo vai estar sofrendo pelo meu tricolor paulista na semi-final da libertadores. Ai meu Deus. Sorte pra nóis tudo...

Seu Pai disse...

Vamos todos cantar de coração , a CRUZ DE MALTA ....é o TIME DA VIRADA...........

Julio Vellozo disse...

Foi excelente ontem. Bonito ver o povão feliz. E o Toró dizendo que ia calar a boca do vascaíno que disse que o flamengo era time de marginal.
Me lembrou a torcida do Palmeiras, que quando vê o seu time imundo fazendo gol no corinthians canta: "faveeela, faveeela, silêncio na favela". E quando corinthians vira a torcida devolve: ela, ela, ela, é festa na favela.