18.7.06

ELE, QUE É BIÓLOGO

"Divulgar a ciência - tentar tornar os seus métodos e descobertas acessíveis aos que não são cientistas - é o passo que segue natural e imediatamente. Não explicar a ciência me parece perverso. Quando alguém está apaixonado, quer contar a todo mundo. Este livro é um testemunho pessoal de meu caso de amor com a ciência, que já dura toda uma vida"

(in O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro / Carl Sagan; tradução Rosaura Eichemberg - São Paulo: Companhia das Letras, 1996 - título original: The demon-haunted world. Bibliografia. ISBN 85-7164-606-6 - 1. Ciência e civilização I. Título - pp. 38-39)


Lembro-me como se fosse hoje de dois momentos envolvendo o Mauro, para quem posso repetir o jargão "meu irmão e cada vez mais meu irmão" com tanto ou mais entusiasmo do que quando valho-me dele para referir-me ao Dalton, que ainda não descobri se é brasileiro ou argentino, sendo que nessa dúvida reside toda uma gama de posturas, mas isso, como diria Stanislaw Ponte Preta, deixa para lá.

O primeiro momento: o Mauro estava fazendo Doutorado em Ciências Biológicas (Biofísica) na UFRJ (onde hoje é Professor Adjunto) quando eu li, no JB, em 2000, um brilhante artigo de sua autoria chamado "Descaso em Sepetiba". Mandei a ele um email e ele bateu o telefone pra mim pouco depois:

- Dudu... - visivelmente emocionado - ... você foi a única pessoa que leu meu artigo!

Bem. Sejamos francos. Desta afirmação podemos tirar duas conclusões. A primeira é que eu sou fã do Mauro desde priscas eras (lembrem-se, sempre, de que foi ele quem salvou a vida do Fefê na França, e de que é, ele, um parceiro dos grandes, vejam que sempre repito isso, como aqui e como aqui). A segunda é que a ciência dá, no mais das vezes, pouca audiência.

O segundo momento: dei de presente a ele, logo depois de ter lido o artigo no JB, um livro que eu havia acabado de ler, que é o livro do qual extraí o trecho que abre esse texto de hoje, do Carl Sagan. Isso foi, seguramente, o ponto de partida para que elegêssemos, eu e ele, a ciência como um dos amálgamas capazes de sustentar horas intermináveis de conversa e, conseqüentemente, de auto (e recíproco) conhecimento, se é que me entendem, mesmo que a construção da palavrinha auto-conhecimento tenha ficado ligeiramente torta para que eu pudesse ser preciso.

E por que estou a falar do Mauro hoje?

Simples.

Muito provavelmente motivado pelas conversas que tivemos em São Paulo neste último final de semana, eu, ele e o Pompa (que chama o Mauro de "a verdadeira beleza acachapante", humilhando o Márcio Branco sem dó nem piedade), o Mauro resolveu reativar uma antiga idéia.

Ontem mesmo (re)começou a escrever seu blog, que tem tudo para ser um arraso, o Você que é Biólogo.

E por que tem tudo para ser um arraso?

Ora, ora, ora, simples!

Primeiro que há, na abertura do blog, uma frase que a princípio parece boba - "fazer ciência é legal" - mas que encerra uma porção de verdades que pouca gente enxerga: que fazer ciência é, de fato, legal, que é ainda mais legal entender e compreender a ciência e que é impressionante perceber o quanto é importante ter a ciência como um assunto de bolso, quase que como o futebol.

Mas há mais razões.

O Mauro é a antítese da figura do cientista maluco que nos é imposta, desde cedo e que é provavelmente um dos fatores responsáveis pelo distanciamento que tomamos da ciência sem que percebamos isso.

Mauro, Praia de Ipanema, 21 de abril de 2006

Dono de beleza acachapante, o que atesta o incontestável Szegeri, dono de humor e inteligência refinados, atesto eu, gênio, gênio, gênio (confiram aqui), o Mauro é daqueles sujeitos capazes de nos fazer, a certa altura, vez por outra, dizer pra dentro:

- Eu sou um sujeito de sorte por poder desfrutar de sua companhia.

Portanto, meus poucos mais fiéis leitores, estejam à vontade pra abusar do Mauro (as moças, por favor, não se empolguem que o meu irmão está ocupado, se é que me faço entender). Ele se predispõe, na medida do possível - e eu sei que ele o fará, já que além de tudo é um generoso e um apaixonado pelo que faz, o que o enquadra no mesmíssimo sentimento do Carl Sagan - a esclarecer todas as dúvidas de seus leitores.

Afinal, o próprio Carl Sagan, no mesmíssimo livro, que recomendo, escreveu um capítulo chamado "Não Existem Perguntas Imbecis". Então... sem medo, todo mundo !

Até.

4 comentários:

Anônimo disse...

Vale MUITO MUITO MUITO MUITO MUITO a pena.

rs rs rs rs rs rs rs rs rs rs

Pelo assunto e pelo autor.

:-)

fã que prefere manter-se anônima

Szegeri disse...

Para ver como até nisso somos siameses, Edu: em meses que o acachapante Mauro escreveu sua coluna no finado e saudoso "Sentando o Cacete", também recebeu ele, conforme descobrimos casualmente aqui em SP, uma ÚNICA mensagem. Precisamente deste que vos fala. Quem sabe agora ele possa me responder...

Szegeri disse...

Fui lá e voltei. Maurão, palhaçada o que tu vai comer de gente...

Mauro Rebelo disse...

Pompino querido, fico feliz que você tenha gostado do artigo. E por todos os elogios também. Imagina quando você me ver tocando Sax!!! Beijo