17.7.06

SAMPOMPA

E lá fomos nós, eu e Dani (com o Mauro novamente), para São Paulo, na sexta-feira à noite.

São Paulo, carinhosamente chamada de Sampa por uma multidão. Mas eu hei de mudar isso. Para mim, um obsessivo, fomos à Sampompa. E não há necessidade de qualquer explicação.

Nosso objetivo precípuo era a festa da mais-que-querida Roberta Valente, e lá desembarcamos às onze e meia da noite depois de uma agradabilíssima viagem. O Mauro é, dirigindo, quase uma Guerreira. Eu, que sou preciso do início ao fim, devo dizer que, exatamente como quando estou em um carro conduzido pela Guerreira, como contei aqui, dormi e sonhei durante parte do trajeto, o que demonstra uma segurança semelhante a que sinto dentro de um avião (eis a frase impensável, mas verdadeira).

Encontramos Augusto, Ju (de quem eu tinha olímpica saudade, e é sempre uma pena nossos encontros serem sempre a jato), Capitão Leo Golla, Marina, Wanderley Monteiro, até que a festa parou. Eu vi! Eu vi!

Pensam vocês, seguramente, que tudo o que eu digo a respeito desse homem é mentira. Mas não, como se verá.

Como a noiva no dia do próprio casamento, ele foi o último a chegar.

Foi o Szegeri, meu pomposo irmão, aparecer no portão e tudo emudeceu. Violões silenciaram, o sopro das flautas e do saxofone enfraqueceu, pandeiros congelaram, a cozinheira deixou cair um pirex, e uma seqüência de "ohs" e "ahs" invadiu aquela casa no bairro da Pompéia (e notem a beleza da coisa... ver o Pompa na Pompéia é, também sonoramente, um impacto que justifica os 450km de estrada que nos separavam).

festa da Roberta Valente, SP, 14 de julho de 2006

É preciso dizer que quando chegamos, os três (eu, Dani e Mauro), assim saudou-nos a Roberta:

- Ôba! Chegou a comitiva carioca!

Eu, na hora, cochichei no ouvido do Mauro:

- Tadinha... chegou a comitiva da Tijuca, isso sim, e ela já, já, vai se arrepender.

E assim foi.

Quer dizer, ela se arrependeu mesmo. Mas não "já, já", como eu previra. No dia seguinte. Explico.

A certa altura minha irmãzinha Stê, que está bonita como nem-sei-dizer, disse-me:

- Hummmmmmmmmmmmmmmm...

E eu:

- Que foi?

- Eu amo Bis azul. - e apontou pra mesa.

Fui à mesa.

Havia, de fato, um pote de cristal finíssimo ("cristal tcheco", como me avisou uma senhora empalhada que devorava os chocolates), que aqui na Tijuca a gente chama de bacia de vidro, lotado de Bis. Havia Bis azul. Bis branco. E Bis vermelho. Minha irmãzinha disse "eu amo Bis azul".

Subi para o segundo andar da casa onde havia deixado minha mochila.

Desci com a mochila.

Pus a mochila debaixo da mesa.

E pus, um a um, dentro da mochila, que ficou pesadíssima, alguns Bis azul.

Detalhe: a senhora empalhada a tudo assistia atônita, e ainda disse:

- O que é isso?! Esses chocolates são para os convidados!

Eu fiz "dã" e continuei.

BIS

Ao chegarmos em casa - é evidente que dormimos, como sempre, na pomposa casa da rua Camilo - eu fiquei quicando em volta da mesa:

- Stê! Stê! Venha ver! Venha ver!

E fui tirando meu presente de dentro da mochila, e contando os Bis.

Ainda bem que Dani, Mauro, Szegeri e Stê são testemunhas.

E a Roberta também, que lá apareceu no sábado à noite.

Para demonstrar meu carinho, minha dedicação e minha fidelidade com os que amo, entreguei cem - vou repetir em negrito... CEM - chocolates para minha irmãzinha.

Com o ritmo dos locutores de futebol, ó: Tijuca-ca-ca-ca!!!!!

Até.

5 comentários:

Roberto Romualdo disse...

Edu :-)))))))))))))))

Pompa na Pompéia é mais um achado!

Cesar Nascimento disse...

Boa crônica! Também gostei do som disso!

Szegeri disse...

Caraia...

Roberta Cunha Valente disse...

Putz! Pensei que a senhora empalhada fosse minha mãe, mas ela disse que infelizmente não presenciou essa cena sublime do roubo do bis ;-)

Eduardo Goldenberg disse...

Robertinha querida: não era sua mãe, definitivamente, a senhora empalhada que me deu um sonoro pito quando me viu, pela décima vez, entrando por baixo da mesa a fim de encher a mochila de chocolate.

Era penetra, foi o que presumi quando a ouvi dizendo pra outra senhora empalhada a seu lado:

- Gerusa... se a Dolores souber que estão roubando doces da mesa de sua festa... Já viu!

Não era sua mãe, como se vê.