11.9.06

ENTREVISTA - ALDIR BLANC

Foi em meio a uma tremenda confusão, durante a festa de aniversário de seus netos gêmeos, Pedro e Joana, que Aldir Blanc me concedeu essa longa entrevista, em sua casa, na Muda, na sexta-feira passada, 08 de setembro de 2006, a segunda feita para o BUTECO DO EDU (a primeira foi com Fausto Wolff). Durante a entrevista, que foi muito mais um papo do que uma entrevista propriamente dita, Aldir, que acaba de completar 60 anos, falou sobre política, sobre música, sobre futebol, sobre carnaval e sobre o que restou do Rio de Janeiro que ele tanto preza.

Em razão da extensão da entrevista, até segunda-feira da semana que vem o Buteco manterá as portas abertas expondo Aldir no balcão imaginário.

entrevista com Aldir Blanc

Eduardo Goldenberg: Aldir, eu fui buscar na coleção do PASQUIM, que eu tenho, um mote pra gente começar a entrevista. E me deparei com a primeira entrevista que você concedeu pro jornal, em julho de 75, e durante o tempo inteiro, na entrevista, você bate pau violento na questão dos direitos autorais. Inclusive tem um borderô seu, de 75, com a legenda: “Borderô do Aldir Blanc, menos de 700 pratas em 2 meses pro autor de “Bala com Bala”, “Cabaré”, “Dois pra lá dois pra cá”. Tem mão de gato aí.” E aí você, respondendo à pergunta, diz que tem 60 músicas, à época, e umas 100 gravações. Nós estamos em 2006, você tem idéia de quantas gravações têm de músicas suas?

Aldir Blanc: Lógico. No último levantamento são trezentas e tantas músicas e não mudou nada. Se eu não vivesse de bico, né?, eu sou o personagem do Jô Soares... não mudou nada. A gente continua, é..., no meu caso, é..., eu vivo de textos vendidos pra revistas, pra jornais, e tal, e eu vivo disso. E quando a barra suja, é pra onde eu vou.

EG: Quer dizer que a questão do direito autoral continua a mesma?

AB: A mesma, a mesma, se não, se não pior, se não pior! Porque, é..., depois que a gente teve aquele momento de euforia onde a gente conseguiu criar o CNDA, que foi extinto, e o ECAD, não é?, que se mantém de uma forma espúria, né?, já que ele é integrado por todas as arrecadadoras que a gente tentou derrubar, eles sempre votam, e a gente sempre tá em minoria, e existem conversas sobre mesas de negociações... Mas a mesa de negociações, do que é que adianta uma mesa de negociação se você perde sempre, né? É o que eu tenho conversado com meus amigos da AMAR, a sociedade da qual eu fielmente faço parte, mas... Do que vale uma mesa de negociação onde você sempre é derrotado?

EG: E na AMAR você tá junto com o Nei Lopes...

(interrompendo)

AB: Nei Lopes, Paulo César Pinheiro, o nosso querido lá de São Paulo, o Marcos Vinícius, mas... mas é uma mesa fictícia, entendeu? A gente negocia, negocia, negocia, e perde sempre, eles votam e a gente perde sempre!

EG: Agora, me diga uma coisa... Tem uma história que agora está em voga, que é a história do jabá, com um movimento pra acabar com o jabá, que é o JABASTA . E eu trouxe pra você um trecho de uma entrevista que o Gil deu, recentemente, aqui no Rio. Foi feita uma pergunta pra ele, citando o seu nome: “Francis Hime, Paulo César Pinheiro, Aldir Blanc, Lobão, Beth Carvalho, Nei Lopes, Nelson Sargento, Ivan Lins, estão nesse grupo do JABASTA, lutando contra o jabá”. E a resposta do Gil foi a seguinte: “Esses músicos, na hora de criticar são socialistas. Querem fazer a revolução. Mas na hora de abrir mão de seus direitos autorais em benefício, digamos, de uma escolinha na favela de Salvador, são adeptos de farinha pouca, meu pirão primeiro”.

AB: Hum...

EG: Ele se diz rigorosamente contra o movimento JABASTA, porque entende que o jabá é um troço do jogo, do mercado, e que tem que ser negociado...

AB: Eu acho que... Já posso ir?

EG: Claro!

AB: Eu acho o ministro Gilberto Gil um ministro lamentável. Eu, numa das primeiras declarações dele... “Eu leio o I-Ching...”... Eu já o teria demitido se tivesse alguma autoridade. Acho que ele não mudou coisíssima nenhuma, entendeu? Acho que ele vive à sombra do direito autoral, com negócios com firmas paralelas que o mantém, não é? E que talvez sejam ligadas à esposa dele, então eu acho inteiramente lamentável. Acho essa declaração especificamente de uma infelicidade tremenda, que a gente luta muito, e há muitos anos, e temos mais passado do que ele em lutas de direito autoral. Houve uma manobra que o nomeou Ministro da Cultura, muitas pessoas reclamaram, ele não representa absolutamente nada das posições que a gente defende. Ele não é absolutamente nada em relação a tudo que a gente reivindica.

EG: E você acha que a sua luta, contra o jabá, é uma luta inglória?

AB: É. A luta do jabá é muito inglória, porque eles sempre vão dominar esse mercado, sempre. Nós vamos ter que lutar muito contra isso e infelizmente o governo Lula, né?, aliás, como outros! Nós já tivemos o “grande” Celso Furtado no Ministério da Cultura, da Educação, sei lá, não me lembro agora! Nós tivemos ministros ilustres e eles não fizeram absolutamente nada. Eles foram omissos, eu botei as obras deles à venda, entendeu?, num sebo, de tão decepcionado que eu fiquei. Porque eles não são absolutamente nada em relação à luta do direito autoral. Inclusive o atual Ministro da Cultura que é inteiramente omisso.

Aldir Blanc

EG: Ainda agora você falou em decepção, que pôs no sebo os livros desses caras todos etc. Decepção, acho, que é a palavra que define, hoje, o marasmo das eleições no Brasil. E aí nós estamos entrando na reta final das eleições, o Lula praticamente eleito, né?, com um quadro de opções que me parece lamentável... O PSDB que é a grande oposição ao Lula, apostou num cara que sabidamente vai ser derrotado...

AB: É, o Chuchu...

EG: ... quer dizer, se fosse pra brigar, entendo eu que deveria lançar o Serra...

AB: É...

EG: ... que é um cara que tinha condições, pelas pesquisas, de brigar... Então, hoje, decepção é a palavra que define o sentimento comum dos eleitores. E há uma discussão corrente que é a seguinte: o Brasil tem uma democracia recentíssima. 506 anos de História, 502 anos na mão da elite, na mão dos poderosos que sempre espoliaram, foderam com o povo... E só há 4 anos o Lula está no poder... É verdade que fez uma série de alianças...

AB: ... espúrias!

EG: ... que decepcionaram os eleitores.

AB: É verdade...

EG: Diante desse quadro, a tua opção ainda é o Lula?

AB: Não. Não. Eu, eu... pretendo exercer, à exceção do voto no Vladimir, pra governador, pretendo exercer a desobediência civil. E por que é que eu tô chamando de desobediência civil? Porque eu não pretendia ir lá. Eu pretendia não ir lá. Eu pretendia me recusar a ir lá. E que fosse considerado relapso ou lá o que seja, né? Mas eu vou lá por causa de um candidato...

EG: ... que é o Vladimir.

AB: Que é o Vladimir. Um candidato em quem eu confio. Então eu acho que eu tenho que ir lá e votar no candidato em quem eu confio.

EG: Pro resto você vai anular?

AB: Não vou votar em mais ninguém, a menos que eu tenha muita convicção. Não vou votar pra presidente, nem pra senador, pra absolutamente nada. Eu vou, e lamento que o atual sistema de votação não me permita escrever cacareco, palavrões...

(Mari Blanc chega e intervém)

Mari Blanc: Você está dizendo que não votaria em mais ninguém, pra presidente ou pro resto, Câmara, Senado... E aí, como é que você vê isso? Claro que a gente percebe que você está, assim, exausto – como você usa –, que está cansado...

AB: Eu não tô cansado! Eu tô contestando politicamente o sistema.

MB: Mas supondo que todos fizessem isso que você tá falando. Como você vê que ficaria, por exemplo, o nosso Congresso? Quem iria legislar?

(interrompendo)

AB: Não é a minha preocupação essencial. Eu sou um indivíduo. Eu voto como indivíduo. Eu voto como cidadão. Como cidadão eu contesto o sistema, voto no Vladimir, não voto em mais ninguém, anulo o resto todo e esculhambo o resto todo. Lamentavelmente não posso falar palavrão. Agora, quanto à conjuntura política, e tal, eu acho que quanto mais anarquia e confusão essa eleição criar, melhor! Entendeu? Inclusive o meu voto no Vladimir é muito pensado, porque eu preferia gerar um clima de intensa confusão, de intensa anarquia, e tô convicto de que seria ótimo pro Brasil que esse troço falasse assim...

MB: ... então que fosse isso, a grande maioria passaria isso na eleição...

(interrompendo de novo)

AB: ... eu não sei se a maioria... Aí é que tá a diferença! Não sei se a maioria – que eu não sei direito o que é que é... O que eu sei é que eu tenho absoluta convicção de que esse é o meu dever político! É isso.

MB: Eu sei, Aldir... o que eu quero que a gente pense junto é o seguinte: se a maioria pensasse como você a gente estaria passando uma mensagem que, no fundo, é aquela que todo mundo quer...

AB: Não!

MB: ... a gente não tá satisfeito com o que tá acontecendo, a forma da eleição...

AB: A característica do voto anarquista, que é o que eu tô pregando, não se preocupa, absolutamente, com a opinião da maioria. Se preocupa com o indivíduo. Se preocupa em que um indivíduo diga não, e depois dois indivíduos, e depois três, e depois quatro, e que seja a essência de uma democracia real. Inclusive pregando a não-obrigatoriedade do voto, que é o que defendo.

EG: Então, evidentemente se fosse esse o caso você não iria votar?

AB: Não iria votar, mas poderia ir votar no Vladimir. No Vladimir, com certeza!

EG: Aldir, você já falou isso em dezenas de entrevistas, que “O Bêbado e a Equilibrista” se tornou o hino da anistia à tua revelia.

AB: À minha revelia! É verdade!

EG: Aquele movimento, na verdade, tinha uma esperança muito grande dali pra frente. E nós só temos pouco mais de 20 anos de lá pra cá.

AB: Certo...

EG: E é tempo o suficiente pra você se dizer rigorosamente decepcionado?

AB: Com certeza!

EG: Mas não cansado de lutar?

AB: Não cansado de lutar. Esse movimento... Falta tanta coisa pra esse movimento... Não vi uma única mudança relevante em relação à reforma agrária. Nada, nada, não vi nada relevante em relação à reforma agrária. Não vi nada relevante em relação à justiça social. Não vi um único vagabundo ser punido no imposto de renda, que é facílimo de enquadrar... O Al Capone entrou em cana assim. Maluf, Pittanic, estão soltos entre outras centenas de ladrões...

EG: ACM...

AB: Não conheço corruptores... queimaram o arquivo do PC... não é? Não vi nenhum corruptor ser preso. Quantos eram? Eram centenas! Não vi nenhum corruptor ser preso. Enquanto nós não alterarmos isso, e radicalizarmos mais em relação a torturadores, canalhas, vagabundos, gente ligada ao sistema da ditadura militar, nós nunca teremos chance de nos reerguer como a Argentina tá fazendo agora, inclusive levantando PIB, é... não sei o quê... e renda, sei lá, eu não entendo de economia, mas eles já têm mais do que nós, porque eles tiveram coragem de limpar um pouquinho a casa, e a gente ficou vaselinando mesmo no governo aparentemente ligado a movimentos populares. Nesse sentido o Lula foi uma tremenda decepção.

MB: Será que você acha que a gente teria alguma explicação pra isso? Por que é que esse governo, que a maioria elegeu, e tende a eleger de novo, não conseguiu seguir por esse caminho?

AB: Não. Não, não tenho. Quer dizer, eu tenho. Eu não tenho mas agora eu vou dizer que eu tenho, sim. Nós somos intensamente vaselinas. Nós somente intensamente a favor da conciliação...

MB: Então! Mas você não acha que quando se alcança o poder, então, você tem que abrir concessão, conciliar, pra poder governar, pra ter, como eles dizem, governabilidade?

AB: Não! Não, senhora! Não tô falando isso não! Nós temos que ser rigorosos, nós temos que punir os culpados, sejam eles criminosos, sejam eles fraudadores, sejam eles torturadores, nós temos que punir todos os criminosos. Cada criminoso solto é um cara que contribui contra a democracia que a gente pretende instalar no Brasil!

EG: Você saberia apontaria a hora em que, pra você, o governo desandou? A que horas você jogou a toalha?

AB: No meu caso particular, no meu caso inteiramente particular, quando o Genoíno não soube responder... Eu sofri intensamente. O meu momento particular é esse. Não quero, eu não sou cronista político, né?, não pretendo ser, mas aquele momento me rachou ao meio, eu esperava uma outra atitude... E agora parece que tá trancado em casa, fumando e escrevendo sua biografia, sei lá! Eu vou ler a biografia pela atenção que ele merece pelo passado...

MB: Mas isso doeu...

AB: Mas eu me lembro muito de quando aquele cara que era diretor do Internacional, do Internacional, do futebol, que entrou numa jogada com um Jeep, que ele apareceu e disse “eu nunca tive os olhos rasos de lágrimas...”... Porra... quando ele também apareceu assim eu também chorei muito e vou cobrar isso dele o resto da vida. Não vai ter a menor chance comigo!

EG: Foi, então, esse o marco pra você?

AB: Foi. Eu posso ter demorado, mas foi aí.

EG: Porque eu me recordo de você, na imprensa, dizer “tô brigando na rua”, “eu ainda sou um sujeito que acredita no PT”, “ainda acredito no Lula”, e a partir desse momento você parou.

AB: É. Foi uma espécie de CHEGA!, que eu não sou cínico, não sou burro, não sou cego... Entendeu? E é bom que fique claro isso, eu não sou filiado, né? Eu voto nas pessoas em quem eu acredito. E isso foi o golpe de morte pra mim. Podem botar isso na conta do Genoíno.

EG: Foi o responsável por esse troço?

AB: No meu coração, foi.

Aldir Blanc

EG: Vou mudar um bocado o rumo da prosa. Na imprensa, você é uma das vozes que eu particularmente mais respeito, como é o Fausto, como era o Biondi, que pra mim faz uma falta violenta...

AB: É verdade...

EG: ... um sujeito que... O Biondi, era o único cara que tratava de economia de uma maneira que eu conseguia entender, por exemplo, que tem uma obra brilhante sobre as privatizações onde fica claríssimo o mecanismo...

AB: Claro! Claro! Lógico!

EG: ... e ele morreu, e vocês ficam aí, você e o Fausto, mas efetivamente com um buraco de fechadura, quase, para botar a boca e gritar. E isso se percebe no Brasil como um todo. A imprensa virou um pastiche, você lê todos os jornais e são idênticos, um copidesque, você poucas vezes vê uma voz dissonante como é a de vocês. Eu tenho inclusive um amigo, o Fernando, lá de São Paulo, que costuma dizer sempre o seguinte... “A gente vai ficar velho e vai virar um Fausto, um Aldir, bebendo, falando merda, todo mundo nos julgando loucos...”. Você acha que é possível reverter esse quadro?

AB: Não sei. Mas eu acho que é possível lutar por isso, né?, lutar incansavelmente por isso, lutar até morrer por isso.

EG: Por que mesmo essa luta solitária vale a pena, né?

AB: É! Claro que sim, claro que vale a pena. Até porque quando a gente fala muito na corrupção do governo Lula a gente deve lembrar do Azeredo, deve lembrar do Fernando Henrique, deve lembrar das privatizações, né?, a gente deve lembrar que esse lixo imenso, que essa lama terrível, né?, isso dura muito tempo. Mas o que me choca particularmente é o seguinte... Exigiram que o Palocci fosse pro cacete. Então foda-se! Mas eu não vejo ninguém do governo Fernando Henrique preso. Eu vejo um Monteiro de Barros que é demitido e um Monteiro de Barros que entra. São barros que saem e barros que voltam! Né? Isso parece um emissário submarino, né?, cocô pra lá e pra cá. E pra esses caras só há uma solução: a Receita Federal e a Procuradoria da República. Essas pessoas precisam prender, precisam punir, precisam tirar... Eu tenho feito sistematicamente nas matérias uma pergunta... Por que o Marcola se regeneraria, né? Por que, não é? O Maluf, que é tido como o grande colecionador, independente de qualquer outra corrupção de obras superfaturadas, toda essa lama, ele é tido como o grande colecionar de vinho do país, o grande colecionador de jóias do país, o grande colecionador... Eu não sei o que é que ele coleciona!

(todo mundo ri)

AB: Vá colecionar na puta que o pariu, entendeu? Porra! E ainda entra atrás, o Pitta, o famoso Pittanic, conseguiu encher um túnel em São Paulo...

MB: Ele já sumiu...

AB: Sumiu mas tá na área! Tá punido? Tá em cana?

EG: Você não acha que a Polícia Federal, nesses quatro anos, prendeu como nunca? A Justiça é que vai e solta!

AB: Solta...

EG: Você não acha que há uma mudança nesse rumo, da Polícia Federal efetivamente fazendo as operações...

AB: Há, há. Mas infelizmente na cúpula da Justiça está Marco, Mello, Collor de Mello, mandando, soltando. Soltou o nosso Cacciola, que foi lá pra fora e hoje vive bem em Roma. Entendeu? Esse tipo de canalhice da nossa Justiça tem que acabar!

MB: Mas agora mesmo, esse Marco “collorido”, quer questionar se a eleição...

AB: ... se a eleição, se a reeleição... Pô! Esse cara dá uma linda entrevista sobre o jeitinho, e três dias depois libera geral. Quer dizer, esse tipo de sacanagem do jurídico, a gente tem que combater de uma forma muito dura, e é muito difícil, né?, já que os cargos implicam em nomeações, méritos políticos, indicações, mas é muito difícil. Mas quanto a isso temos a Procuradoria da República, temos a Polícia Federal, e temos pessoas empenhadas em conseguir mudar um pouco esse quadro, lutando de uma forma às vezes quase suicida, que alguns acabam a carreira ali mesmo, ao dar um parecer, eu sei que carreiras terminam assim. Então eu acho que é muito importante o que essas pessoas têm feito. Eu não perdi, de jeito nenhum, a esperança. Embora eu reconheça que ela vai se afunilando, né? Depois da ditadura nós tínhamos um regato, hoje nós temos um fio d´água, né? E daqui a pouco não temos nada!

MB: Mas durante a ditadura não se tinha nada.

AB: Mas eu prefiro não creditar nada à mudanças pós-ditadura. A ditadura torturava, matava, chutava. Eu prefiro acreditar no seguinte: nós estamos mudando, nós estamos tentando mudar. E eu não vou recordar, eu não vou ter uma espécie de nostalgia de quem matou ou não matou por princípios... (debochando) Mas eles chutavam a cara de uma forma mais limpa... Eu não quero saber dessa merda! Eu quero saber do seguinte: a lei, a ordem, esse troço que é tão falado... Quando a gente vai começar a exercer? A Polícia Federal, a Receita Federal, podiam ter um trabalho seriíssimo que nos remetesse a Chicago dos anos 20 e botar todo mundo em cana, que é muito simples, cara! É muito simples. Não é difícil.

MB: Mas Aldir, aí eu quero voltar praquilo que você falou no início. Claro que você tem essa opinião. Se pensando dessa forma, na hora da eleição, você diz “eu não quero saber de votar”...

(interrompendo)

AB: Eu não quero saber da hora da eleição. A única alternativa pro Brasil é não saber da hora da eleição. A única alternativa pro Brasil é ignorar a hora da eleição. Eu não quero saber quem é candidato. Eu voto no meu. Eu sou só uma pessoa, um indivíduo. Não voto pra presidente, porque não quero! Não voto pra senador! Não voto pra deputado federal, mando todo mundo tomar dentro e é assim que eu vou agir. Que a minha consciência, nesse momento, está me mandando agir assim!

MB: Mas como vai ser se a gente não conseguir botar lá as pessoas nas quais a gente acredita?

AB: Não sei! Não sei! Eu já botei as pessoas em quem eu acreditava antes. Não quero saber disso. Isso não é problema meu. Eu já fiz isso antes e não vou fazer de novo.

MB: Mas você ainda acha que mesmo assim ainda não tem ninguém...

AB: Não sei! Não sei! Eu tenho sessenta anos e tô votando com o máximo do meu coração e da minha consciência em Vladimir Palmeira pra governador do Estado e em mais ninguém. É isso que eu posso fazer!

Aldir Blanc

EG: Tá. Vamos deixar a política de lado um bocado. Você recentemente deu uma entrevista dizendo que nada te é mais caro do que o anonimato.

AB: É verdade.

EG: Você é um cara tímido?

AB: Não, eu não sou um cara tímido. Eu sou um cara até bastante agressivo em relação às pessoas que me cercam. Eu quando eu saio, eu saio pra valer. Mas eu acho que a consagração do compositor popular, que é o que eu sou, que é o que eu quero ser, tudo em volta disso é o que eu ganhei a mais, é a hora em que o sujeito canta (cantando) “Tá lá o corpo estendido no chão...”, e o cara não sabe que é você, ou uma vez que eu tava na gafieira, e o cara disse, na hora em que tocou “Dois Pra Lá Dois Pra Cá”, “vou dançar que essa é a minha música”, e eu tenho certeza que ele não sabia que era eu, ou o cara que vem batucando (assobia “Kid Cavaquinho)... E que se dane. Eu acho que essa é a essência do compositor popular. Compositor popular que não sonha com o anonimato é uma besta.

EG: E você é um compositor popular consagrado, né?

AB: É. Em termos... (constrangido)

EG: Pô! Nesses termos! As tuas canções são cantadas a torto e a direito... Tua obra, então, é consagrada!

AB: Consagrada por pessoas que não sabem quem eu sou, ignoram quem eu sou, prezam a obra, que cantam até em momentos de sufoco, de tristeza, de dor, de dar a mão um pro outro, e cantar... Essa é a consagração do compositor popular.

EG: Aldir, outro dia eu assisti uma entrevista do Otto Lara Resende com o Nelson Rodrigues.

MB: Caraca! Que beleza que deve ser esse video!

EG: Fabuloso! Na verdade o Otto começa dizendo que vai fazer uma entrevista sobre o livro do Nelson e falam de tudo, menos do livro!

AB: Eu vi, eu vi! Menos do livro, é!

EG: Eles se sacaneiam, se espetam o tempo inteiro! E ele faz uma pergunta pro Nelson, a certa altura, que eu queria te fazer. O Otto pergunta ao Nelson qual a última frase que diria, a última declaração que faria, e o Nelson diz: “Marx é uma besta!”.

(todo mundo ri)

EG: Se você tivesse que antecipar sua última frase, seria qual?

AB: Bom... Eu não quero plagiar o Alfred Jarry, e pedir um palito, que é uma frase que eu prezo muito. Não sei se vocês sabem que o autor de “D´Ubu Roi”, o Alfred Jarry, no momento de morrer pediu um palito. Mas eu diria... “Tem algum neto meu aqui?”. Com certeza seria isso que eu perguntaria, mesmo desvairado, mesmo olhando em volta. “Tô perto de algum neto pra que possa estender a mão?”. Eu sou um cara essencialmente ligado a valores familiares nesse sentido, com certeza.

EG: Quando você compõe, você compõe pra quem?

AB: Eu não tenho nada desse troço que rola aí que o sujeito, o artista, cria pra si mesmo e tal. Eu não tenho nada a ver com isso. Eu crio pra uma síntese, assim, que tem a ver com o que eu tô trazendo de conclusões íntimas, e com o que eu tento captar “o que é que eles tão pensando agora, hein?”, “pra onde eu posso caminhar que traduza um pouco a voz deles", que sofrem tanto, né, cara? Sem demagogia alguma. Que sofrem tanto... Eu acho que eu tenho essa pretensão.

EG: Tem essa pretensão que é bem-sucedida, né? Grande Basile! (chega o Basile, beija o Aldir) Os seus parceiros mais constantes, e eu não vou fazer a pergunta idiota que todo mundo faz, sobre a tua história com o João... são João Bosco, Moacyr, Guinga, Jayminho...

AB: Jayminho, grande Vignoli...

EG: Pra mim é bastante visível três facetas, e se eu estiver errado você já me corrige. Com o Guinga você é quase que surrealista, grande delírios nas letras loucas, com o Moacyr você tem um troço carioca violentamente presente...

AB: É...

EG: ... a coisa do dia-a-dia, do corriqueiro, da porradaria do casal, do botequim etc e com o João, com quem você tá retomando a parceria agora, tem uma marca clássica, capaz de dizer “É Bosco e Blanc!”. Na hora de compor, você se direciona pra isso ou não?

AB: Não. Não. Não porque em primeiro lugar são parceiros diferentes, né? E eu jamais penso naquilo que eu vou letrar. Eu deixo a letra bater, bater, bater, bater até eu sentir condições de fazer, a menos que tenha prazo, né? Ou coisa assim. Então, elas vêm de um momento muito particular meu, às vezes é na rua, às vezes eu tô, sabe?, dormindo e vem a letra e eu prefiro trabalhar assim. E em noventa por cento dos casos eu trabalho sempre, ao contrário do que as pessoas pensam, fazendo letra em cima de música. Nota por nota. Perseguindo nota por nota, botando sílaba por sílaba em cima de cada nota. Então é um troço complicado porque aí você tem também que considerar o que é que o cara gostaria de ouvir, né? Que é uma tarefa que eu considero meio complicada.

EG: E você é bem sucedido nela?

AB: Acho que sim, eu acho que sim. Eu tenho feito coisas e os parceiros sempre me abraçam, e a gente fica muito comovido com o resultado final. Eu acho que em muitos casos eu consegui dar voz ao parceiro que não faz letra.

EG: Então essa coisa que a gente escuta às vezes, “eu sempre componho pra Elis Regina cantar”, o Milton Nascimento disse isso certa vez...

AB: Nunca! Nunca! A menos que tenha ocorrido uma encomenda muito específica, e isso aconteceu raras vezes e nunca me ocorreu isso. A Elis Regina me procura pra dizer “Oi, tá bom? Gravei “Ela”! Tá contente?”, foi ela que me procurou, cara! E depois ela me liga e diz “Eu soube que você tá fazendo música com um cara novo aí...”... Eu nunca tive esse tipo de experiência, mesmo, cara!, sem nenhum tipo de banca, de nada, né? Nem pra Simone, nem pra Leila Pinheiro, todas as cantoras que eu prezo, modéstia à parte, as parcerias foram procuradas por elas.

Aldir Blanc

EG: Você fez 50 anos e escreveu “50 anos são bodas de sangue”. Você agora tá fazendo 60 e disse recentemente que tá muito mais triste, que tá envelhecendo e tá perdendo amigos...

AB: É terrível... Nos últimos meses, acho que foram, entre os que são conhecidos e os que não são, acho que foram seis. É um negócio que eu não sei nem dimensionar... É uma perda, uma sensação, terrível, né? E é claro que tem hora que você se identifica com as pessoas que foram, né? É muito complicado, bastante complicado.

EG: Mas isso não te desanima a continuar caminhando...?

(interrompendo)

AB: De forma nenhuma, de forma nenhuma. Até por eles! Pô, quando você tem um ... (rindo)... Você tá caminhando, né?, em direção a uma fronteira que não é a sua, e tiro tá disparando de lá pra cá, e caem as pessoas em volta... Ou você se acovarda ou continua, né? Então... e eu sou um cara bom de chinfra nisso, eu vou até o fim e não tenho o menor medo de cair, de nada disso... Eu tenho alguns medos particulares que são meus, que são assim... Como vão ficar meus filhos e meus netos, e tal, essas são as coisas que me ocorrem. Agora... Caminhar pra combater, pra continuar combatendo, não tenho medo nenhum, não tenho medo nenhum. Não tenho medo de morrer, absolutamente nenhum. Eu só não quero é ficar em tubos e comadres e coisas assim... Morrer eu acho mole. Como médico, né?, o difícil é você passar por aquele inferno lá, se a agonia se prolonga.

EG: Então eu imagino que você perdendo os amigos, como você disse que vem perdendo, você vá vendo o seu, digamos, exército, que você escolheu ao longo da vida se reduzindo, não é isso?

AB: Isso.

EG: Você tem perspectiva de que haja pessoas capazes de segurar essa herança, essa herança da tua geração?

AB: Claro que sim! Claro que sim! Eu tenho provas disso quase todo dia. Eu converso muito com pessoas mais novas e dou entrevistas, e sinto uma vontade enorme de... Claro que há uma dose imensa de ingenuidade, mas acho que isso é inevitável, né, cara?, vai aprender na porrada. Mas as pessoas tão aí, com certeza tão aí e a peteca não vai cair. Nessa geração, pelo menos, a peteca não vai cair, não.

EG: Não vai. Mas aí eu vou voltar pra uma pergunta que eu fiz pra você sobre a imprensa. A peteca não vai cair, as pessoas estão aí pra lutar. E os canais pra elas se manifestarem? O que é que você acha que é viável daqui pra frente, a gente vendo a imprensa se fechando num troço que o Biondi, o Veríssimo, chamavam de pensamento único? Quer dizer, essas pessoas cada vez menos têm voz...

AB: É, eu acho que hoje existe um troço lamentável na imprensa, né?, que é o censor interno, né? Aquele sujeito disfarçado de ombudsman que passa, de uma forma meio sorrateira, censurando textos... Isso tem a ver, sempre tem a ver, com patrocínio, que é uma coisa triste mas que tem a ver com patrocínio. Eu lembro quando eu saí do O DIA, que eu prezava muito a coluna lá, o Bumbum-Garoto e Rosinha Gigoga pedem a minha cabeça lá por um artigo muito agressivo em relação ao Garotinho, né? Agora tô no JB, passo por uma ou outra circunstância desse tipo mas... A minha política é a seguinte: eu escrevo meus textos. Se tiverem que censurar, censuram lá dentro, que eu vou continuar a escrever os meus textos até a hora em que alguém vai ter que fazer um movimento pra me demitir, né? E aí eu vou, de novo, denunciar o que ocorreu, e vou lutar mais uma vez e vou tentar ir pra outro jornal. E acho que isso é um destino inevitável.

EG: Aldir, hoje a internet, com essa coisa dos blogs... Você veja esse teu caso recente, com a carta resposta que você mandou pro ACM. Em questão de dias, semanas...

AB: Foi, foi, foi inacreditável!

EG: ... foi uma enxurrada de...

AB: Enxurrada, foi...

EG: ... adesões, né?

AB: Ele mesmo mandou uma mensagem dizendo “já esqueci e não vamos continuar com isso”.

EG: O ACM?

AB: Foi.

EG: Mandou pra você?

AB: Não. Mandou pra alguém que perguntou num desses blogs, o que é que ele pretendia fazer e ele disse “não tenho a menor intenção de continuar com isso, foi um pequeno episódio”, e tal, minimizou, né? Mas achei ótimo porque é assim: o cara bate, e você peita ele e depois o cara tira o time. Acho que é assim que tem que funcionar. Ele tem um poder imenso e eu não sou ninguém, e de repente ele pula.

EG: Você sabe que agora teve uma história parecida com essa tua com o ACM... O Sarney foi alvo de um desenho, uma charge, num outdoor, que dizia “XÔ, SARNEY”. E uma moça foi e publicou aquilo num blog. O Sarney entrou na Justiça e conseguiu cassar o blog da cidadã. E aí no dia seguinte, Aldir, o troço tava em mais de cinco mil blogs no Brasil inteiro.

AB: É, é importante demais.

EG: Então... é um puta veículo hoje...

AB: É um outro mundo... É um outro mundo que eu não sei dimensionar. Eu, por exemplo, eu particularmente lido mal com computador, mas é um mundo tão diferente, é de tal forma novo e... porra... Já aconteceu antes... Pessoas tinham medo de ditaduras caírem antes do fax... No tempo do fax, né?, não era internet... O fax saía e o cara se borrava de medo, né? Então essa comunicação é essencial pra liberdade. Eu acho que nós temos que ter computador na África, na Ásia, na China, não sei aonde... Quanto mais melhor.

EG: É, é um meio violento, né? Quase que revolucionário...

AB: Eu quero dizer o seguinte: por mais monstruosidades que o computador eventualmente perpetre, os ganhos com ele são infinitamente maiores. Tenho certeza disso.

EG: Existe hoje, na internet, num troço chamado ORKUT, sabe, né?, uma comunidade tua, que a Mariana comanda, e as pessoas pedem muito um site teu, que reunirá toda tua obra, por exemplo. É um negócio que você tem vontade de fazer?

AB: Olha... Eu sou um cara feito esses jornalistas turrões, entendeu? Assim que eu for mandado embora de novo, (rindo), eu faço o meu site...

EG: Aldir, você vai morrer brigando!?

AB: Vou morrer brigando. A minha política é morrer atirando!

EG: E isso você aprendeu no Estácio?

AB: Não...

EG: Tem uma história tua que eu escutei uma vez, de uma cabeçada...

(Aldir ri)

AB: É... Mas eu acho que isso é muito meu. Meu pai é um cara pacífico, os avôs eram figuras muito engraçadas... Um cara podia dar uma porrada na mesa e dar até um tiro pro alto num almoço... Mas esse troço turrão, maluco, e tal, eu acho que isso é meu mesmo. Um cromossomo Y que existe nisso... Sou eu!

EG: Não tem, então, a ver com o lugar onde você foi criado?

AB: Não tem, não. Eu sou assim mesmo... Eu sou encrenqueiro mesmo... Com certeza, e jamais me rendo, jamais me curvo, jamais nêgo vai me humilhar, de forma nenhuma!

Aldir Blanc

EG: Vamos mudar de novo o assunto... Vou pedir mais uísque pra nós, tá? Vamos falar de futebol?

AB: Pra caralho!

EG: O futebol também passa por um momento de merda, como passa a imprensa, como passa a política. Você é Vasco pra caralho...

AB: ... pra caralho...

EG: ... tá escrevendo um livro que recentemente você disse, maravilhosamente, aliás, que vai ser um libelo..

AB e AG (ao mesmo tempo): ... contra o Eurico Miranda...

EG: ... e eu vinha comentando há pouco com o Marquinho que o Kleber Leite fez, hoje, com o Zico, a mesma coisa que o Eurico fez com o Roberto Dinamite, botou ele pra fora da Gávea...

AB: Faço idéia...

EG: ... porque ele disse uma verdade, que o Flamengo hoje tá na mão de um único empresário, o Eduardo Uran, que quase foi linchado no jogo passado...

AB: Tudo aquilo que a gente já conversou antes, né? Jetons, jetons intermináveis, né? Jetons capazes de mudar um time inteiro... A gente já conversou sobre isso, né?

EG: Você consegue ver alguma saída pro futebol? O futebol voltar, não àquele romantismo, ao amadorismo que nós chegamos a ver... Mas é possível o Vasco retomar a história dele, o Flamengo a dele, o futebol brasileiro retomar a história dele?

AB: É possível tirar aquele vagabundo lá do Corinthians, que queria entrar no Flamengo. E é possível que o Roberto Dinamite faça uma coisa boa no Vasco, assim como o Zico faça uma coisa decente no Flamengo... Eu acho que é possível, sim.

EG: Acha? Porque eu tenho um medo do caralho que é o seguinte: a decepção que a gente teve com o Lula no governo talvez seja a mesma que a gente vá ter com o Zico no Flamengo ou com o Roberto no Vasco. Porque os times estão na mão dos patrocinadores.

AB: É possível...

EG: Né? E hoje você tem jogadores que jogam bem uma, duas partidas, já são vendidos. E o clube, pra compensar, compra um, dois merdas. Diante disso, você acha que o Eurico, saindo do Vasco, vai significar o começo de uma nova história?

AB: Ah, tem, tem... Olha... Eu não conheço bem a história do Flamengo, do Fluminense. Mas se o Vasco encerra o ciclo do Eurico, tudo o que vem a partir dele, se for Roberto Dinamite, se for um outro...

EG: ... o Fernandão...

AB: ... é, o Fernandão... tudo que vier de lá, certamente vai implicar numa limpeza imensa, numa confusão tremenda, num aspirador de lama que não tem tamanho, e eu tenho muita esperança nisso em relação ao Vasco. O que eu acho de diferença em relação ao Vasco e o Flamengo é o seguinte: é que a gente se acostumou a pensar no Vasco como um tirano, e é verdade, que domina o clube inteiro. E não pensa no Flamengo dessa forma. Pensa no Flamengo como uma nação democrática, em que as pessoas votam...

EG: O que é mentira!

AB: E você sabe que isso é mentira né?. O Flamengo é dominado pelos mesmos caras, pelos mesmos sujeitos que levam jeton, pelas mesmas pessoas que pegam o mesmo dinheiro, e há muitos anos elas pegam esse dinheiro... Cifras faraônicas, cifras de chocar alguém por dirigir o infantil do cu da perua... É um negócio...

EG: Mas o Flamengo vive um momento muito pior que o Vasco, que o Vasco tem uma oposição...

(interrompendo)

AB: Não tem! Não tem! A bem da verdade não tem.

EG: Pô, mas tem uma oposição...

AB: É, mas ela é muito virtual... E o Flamengo aparenta votar, jogar coisas na vidraça, mas é tudo mentira. O Flamengo, o Vasco, um pouco o Fluminense, menos, acredito eu, o Botafogo, vivem momentos de intensa corrupção, entendeu? De intensa corrupção, assim como os times de São Paulo, do Rio Grande do Sul, como no Paraná, em Minas, e isso é muito difícil de você alterar. Até porque o cúmplice dessa estrutura é a CBF... Então...

EG: Que é a sócia maior da FIFA...

AB: É... Terrível, né?

Aldir Blanc com Patrícia, Mariana e Dani

EG: Aldir... falamos de política, falamos de música, falamos de futebol... Vamos falar de carnaval, que também passou e passa por esse mesmo movimento, o que faz a gente perceber que tudo converge pra essa merda do patrocínio. Você é salgueirense.

AB: Salgueiro.

EG: Compositor... Eu estive na quadra quando você recebeu a carteira de compositor da escola...

AB: Mas não sou... Foi uma homenagem. Por questões de princípio eu não sou filiado a escola alguma, não sou compositor de escola alguma, sempre fiz questão de manter minha independência até pra poder criticar.

EG: Mas o carnaval é uma coisa que também não vai voltar ao molde que tinha.

AB: Não tem volta, não há como voltar.

EG: As escolas – escolas mesmo – praticamente terminaram. Os compositores das escolas, os compositores de samba de quadra, isso tá terminando, não tá?

AB: Não sei... Não sei porque aí é mais complicado, porque os sambistas não são a escola, né? Eles vão, voltam, freqüentam, compõem, e eles têm uma força tão grande de renovar... Eu lembro a você um momento, vou lembrar um momento: o samba ficou tão mal, num momento, que ele voltou pro fundo de quintal e gerou até o nome do conjunto, né?, e ele veio com força total, rapaz!, a partir dali, trazendo o grande Zeca Pagodinho, né? Então eu acho que não há nada perdido, não existe nada perdido. Quanto ao patrocínio, quanto a quem paga o quê, eu não me meto muito nisso, não, cara. As escolas são o que são. Eu gostaria que a coisa fosse diferente mas também não quero voltar ao adereço de mão e... (ri)... à sandalinha, entendeu? Mudou demais. Não há como...

EG: Você tá sempre na avenida, né?

AB: Às vezes, eu tenho ido ver, fico muito comovido...

EG: E ver o Salgueiro é uma coisa que mexe contigo?

AB: Fico muito comovido, muito comovido, é uma coisa quase insuportável. Mesmo com todas as confusões, quem matou quem... Aquilo é a minha escola. Eu vou chorar toda vez que ela passa.

EG: Isso é uma coisa impressionante... Minha mãe, que você conhece, e eu sou salgueirense por causa dela, minha mãe morava na descida do morro do Salgueiro, e a babá dela era baiana do Salgueiro. Por isso é que ela tem uma relação doente com a escola. E até hoje, e Dani é testemunha disso, até hoje a gente costuma assistir o desfile juntos, e minha mãe chora violentamente quando o Salgueiro entra na avenida...

AB: É?

EG: Porque é uma coisa que mexe com ela de uma maneira que é quase que indescritível.

AB: É difícil você definir isso pra caramba! Eu, por exemplo... Você quer ter um exemplo absurdo? Eu desfilei uma vez na comissão de frente da Mocidade, numa homenagem a Elis; eu fui bicampeão da Mangueira numa homenagem a poetas, em que se falava do Carlos Drummond, e eu tava na comissão de frente. Eu queria ir! Eu fui convidado e me senti honrado. Eu nunca tinha passado por isso. Quando eu saí no Salgueiro, agora que o Salgueiro fez cinqüenta anos, nós não fomos sequer classificados. Não mudou nada pra mim, cara! Fiquei intensamente comovido em cima do carro, cantei e saí rouco, de ser abanado no final...

EG: A disputa é uma grande besteira...

AB: Uma besteira enorme... uma besteira enorme!

EG: O grande barato é desfilar e ver o escola...

AB: O desfile, a escola, o seu coração ali... É mais ou menos como futebol. Eu sou Vasco, eu não gosto do Eurico, eu sou Salgueiro, posso discordar da diretoria. Mas eu não vou mudar! Eu sou Vasco, sou Salgueiro, como sou Bafo da Onça!!! Que eu nem sei sequer se existe...

(Aldir gargalha)

EG: Do Catumbi... Você freqüentava a quadra lá de cima do Salgueiro, né?

AB: Calça Larga...

EG: Você chegou a ter contato com os compositores da escola?

AB: Nenhum. Eu cheguei a disputar um pernil lá, bebendo, quase ganhamos...

EG: E você atribui o seu amor, que é o imenso, pelo Salgueiro, a quê? Memória... é o quê?

AB: Olha...pra tu ter idéia, isso não tem muita explicação, não... Porque eu nasci no Estácio. Fui pra Vila Isabel. Voltei pro Estácio, né? Passei um tempinho no Largo da Segunda-Feira... Acho que foi um primo meu, que me levou pra subir a Calça Larga e eu fiquei apaixonado, nesse intervalo, eu fiquei louco pela escola. Eu poderia ser Vila Isabel ou Estácio: não sou! Assim como você é filho de vascaíno e é Flamengo. Isso não tem explicação, cara! É um negócio, é uma paixão, é uma loucura e a gente não sabe explicar direito... E eu choro e entendo a sua mãe... Eu tô disfarçando em casa dizendo... (imitando a si mesmo!)... “Ah, eu hoje não vou nem ver, caralho!”... Mas passa e eu choro pra caralho e é uma merda! Com qualquer desfile. Choro muito, fico intensamente comovido e é uma confusão, cara... E ela tem que vir com o famoso abanador da Brahma e perco o fôlego... É minha escola, porra!, não tem que explicar... Ali tá o meu coração... Sabe? Meu coração tá no Vasco da Gama, pra viver ou morrer... E sou um torcedor, como meu pai era, crítico.

EG: Você freqüentou o Maracanã?

AB: Nunca mais. Até porque depois que a perna quebrou eu não tô qualificado a correr, né? Então eu prefiro ficar quietinho. Mas eu sofro muito, cara... Eu recebi um telefonema do Paulinho da Viola, que pode fechar a entrevista, que foi magnífico... “Depois que o Eurico trouxe aquelas três estátuas da Ilha de Páscoa pra ficarem parados na defesa...”

(Aldir ri muito, e chega a Dani)

Dani: Sabe tudo! Tudo!

(Dani beija o Aldir)

EG: Sabe tudo o quê?

D: Sabe tudo! Aldir sabe tudo!

AB: Ahhhhhh... Eu tenho uma história legal pra contar pra caramba, sobre o Zeca (Mello Menezes), que eu acho linda. Uma vez a gente tava bebendo e o Zeca disse assim: “As mulheres vão ser sempre superiores...”.

(Dani ri)

AB: E eu, né, cara?, naquele movimento, desvio a cara do copo, que o cara que tá bebendo pressente o momento da asneira, né?, mas da asneira clássica, aquela que vai entrar pra antologia (Dani gargalha)... “Mas por que?”... E ele fala: “Trompas”. E eu: “Hein?”. “Trompas, nós não temos trompas...”... (Aldir aponta pros ouvidos)... “Mas nós temos, ó!”. E ele: “Essas não! Eu me refiro àquelas que se ligam ao útero, que se ligam à matriz... Trompas. É a coisa mais bonita que tem, é você já de madrugada, quatro e meia, um troço desses, vem uma moça já um pouco prejudicada e já bebeu, e você tenta conversar com ela, e ela... ai, eu tô com problemas...” (Dani não pára de rir)... E continua o Zeca: “E não há nada mais bonito que isso, e eu tenho um sonho...”. E eu: “Conta pra nós...”. E ele: “Um dia eu vou fazer uma mulher gozar tanto que quando eu encostar a orelha na barriga dela, as trompas dela vão tocar o Hino Nacional”...

(todos três gargalham violentamente)

EG: Grande Mello!

AB: Mello Menezes! É lindo, né?

EG: Desde quando você conhece o Mello?

AB: Ih! Eu tinha dezessete anos, cara! Tu não conhece esse começo?

EG: Conta! Conta!

AB: Eu passei de bicicleta...

EG: Em Paquetá...

AB: É... Aí o cara tava na parede encostado assim, com as pernas cruzadas, com uma flauta, fazendo assim... (cantarola a introdução de “Ponteio”)... Ele tava fazendo isso... Aí eu parei a bicicleta e disse: “Ué... tu quer ir a uma seresta?” Porque havia uma rivalidade, entendeu? Quem ficava lá pro lado da Imbuca não se dava com quem ficava pro lado de cá, nos Coqueiros...

D: Tipo Volta Redonda e Barra Mansa...

AB: Aí eu paro a bicicleta e digo: “Porra, um troço do caralho...” E ele fala: “Pô, claro que eu vou...”. E eu: “Você quer ir a uma seresta nos Coqueiros hoje?”, e ele, “Claro que eu vou!” e eu “Leva a flauta!”. E aí ele leva a porra da flauta.

(Mari, que chega, ri)

AB: Bom... o que aconteceu foi o seguinte, cara... Uma, duas, três, quatro músicas... Aí alguém disse: “Nós trouxemos, hoje, um flautista emérito, Mello Menezes, que vai nos acompanhar em ´Ponteio´”. E era o Silvinho! (Sílvio da Silva Jr.) (imita o violão e a flauta) Aí entra: “Era um, era dois, era cem...” (imita a flauta) Aí eu notei que havia alguma merda errada ali, né? Mas o melhor, Dani...

D: Fala, querido!

AB: Próxima música! Alguma moça diz assim: (imita a voz da moça) “Ah, toca ´Minha Namorada´”. Aí o sujeito faz um acorde enorme e diz: “Não há amor sozinho... (cantando)”... E o que é que aconteceu, cara? (imita a introdução de “Ponteio” na flauta) Ele só sabia essa merda, cara!

(Aldir gargalha)

AB: Cara! Na quarta vez pintou: “Vamos cantar blues!” E aí entram (cantando): “They say, ruby you're like a flame…” (volta a imitar a flauta com a introdução de “Ponteio”)... Aí nêgo quase linchou ele, quis jogar ele na água e foi assim...

D: E foi assim que você conheceu o Mello?

AB: Foi. Maravilhoso.

D: Essa pessoa estranha e maravilhosa...

(Aldir gargalha)

EG: É o maior maluco que você conhece, né?

AB: É. Eu posso te contar até a tua fita acabar e vocês vão ficar em estado de choque. Vão ficar em estado de choque. Uma vez, essa vocês não sabem... Uma vez ele foi a uma feira dessas, de arte, e conheceu uma japonesa. E ele ficou completamente apaixonado. E dois dias depois ele voltou pra encontrar a japonesa e ajeitou a banqueta e ficou em frente... Que ele faz gênero, né, cara? Ninguém faz mais isso, mas ele faz. (imita o Mello admirando a japonesa desenhando na banqueta). E a japonesa: “Que é, porra?” E ele olhando, olhando, e isso ficou rolando, rolando, até que na quinta vez que ele fez essa merda, a japonesa, exausta, disse:

(todo mundo ri)

AB: “O que é que você quer, hein, caralho?” E ele (imitando o Mello): “Quero levar você no Capela...”. Bom, ele conseguiu sair com a japonesa. Mas passou antes num bar, bebeu pra caralho, encheu os cornos, mesmo!, no bar, bebeu chope e disse que ela era linda e dizia “esses olhos... eu sei o que é que vai me aguardar, bilubilubilu no corrimão”, fez todas as merdas imaginárias... Aí foi pro Capela. E disse: “Daqui nós vamos subir lá pra minha casa, lá em Santa Teresa... E como eu vou te dar um trato lá em cima, e tu nunca mais vai esquecer... (imitando o Mello)... Cícero! Cícero! (chamando o garçom do Capela)... Filé e molho de espinafre!"... Cara... a japonesa levantou ele com a cara dentro do molho de espinafre, no Capela, assim... (imita) Escornado... e ela fez assim: “Ei...”. Levantou ele pelo cabelo, espinafre em tudo... E ele: “Oi...”, e ela: “Porra, tu caiu...”. De repente, cara, ele: “Eu? Caralho! Porra!”. Foi lá lavar a cara. Lavou a cara, se preparou todo, sentou em frente a ela, naquelas posições que já não fazem sentido (imita o Mello cruzando as pernas)... E disse: “Vamos lá pra minha casa, lá em Santa Teresa...”. Bom, foram, cara. Aí ele foi com a japonesa, a japonesa tirou a roupa toda e ele deitou em cima da japonesa e teve a maior vontade de fazer cocô e disse pra japonesa: “Você esperaria um pouco que eu vou buscar o Proseco?”.

(gargalhada geral)

AB: Eu nunca mais vou esquecer o que é que é buscar o Proseco! Bom... Foi pro banheiro da empregada, chegou no banheiro da empregada, ficou nu, puto com o mundo e tal... Sentou no vaso e (imitando Mello dormindo)... Quando eram mais ou menos oito e dez, a japonesa, que procurava ele pela casa inteira entrou no banheiro de empregada e disse: “Oi... Será que daria pra você chamar um táxi...”.

(todos riem muito)

Aldir Blanc

EG: Aldir, pra fechar! Você sempre foi um cara de botequim, né?

AB: De pé-sujo! Não freqüento restaurante, não gosto de nada...

EG: O Rio hoje, e eu não sei se você acompanha esses troços, tem um movimento, que a imprensa vem adulando, que é o crescimento dos “pés-sujos fashion”, ou os “botecos grifados”, que é um troço que vem tentando transformar o buteco pé-sujo numa coisa pré-fabricada, moldada... Na mesma medida em que esses lugares não param de crescer...

AB: Proliferam, né?

EG: ... os botequins vão morrendo!

AB: É...

EG: ... por que, até mesmo as políticas de postura jogam contra... proíbem os paliteiros, proíbem os saleiros...

AB: Acabei de escrever um artigo, cara, tem vinte e quatro horas que eu escrevi um artigo... Não me interessa a cozinha, não me interessa a decoração, a limpeza, não me interessa merda nenhuma, cara, botequim é o papo, botequim é o papo... Se eu tenho os meus caras, e se a gente conversa, esse é o meu botequim. Se não tem conversa, não tem botequim.

EG: Mas aí é que tá a questão! O grande papo, no final das contas, está nesse pé-sujo! É no pé-sujo que se reúne a corja, né?, a nossa tribo, onde está o papo, o jogador, tem a porrinha, tem o cara do cavalo, esses caras tão nesses lugares que tão morrendo...

AB: Tão morrendo...

EG: ... tão sumindo, porque vão crescendo esses bares, né?

AB: ... os mauricinhos... Os limpinhos, os pés-limpos...

EG: O que é que você mais ama, ou amava, no Rio, que você vê que tá desaparecendo?

AB: Com certeza, botequim e papo. O Ivan Lessa tem uma grande frase, cara, uma frase inesquecível: “Papo é civilização”. Toda vez que a gente conversar, ninguém joga bomba... É uma frase que eu amo muito. E no botequim tem isso... Você deve lembrar uma época, aqui, que o Maurinho Judeu, que tinha esse apelido, não sou eu que tô botando, conversava com o Alemão, e eles faziam piadas completamente alopradas sobre campo de concentração que é um negócio absurdo, mas eles faziam isso! Isso não é culpa minha! Depois eles dois sumiram, né? Mas eu acho que o essencial, rapaz, é conversar, entendeu? No botequim não interessa o tira-gosto, o Bar da Maria foi consagrado sem ter um único pedaço de queijo pra vender, até porque são uns idiotas, entendeu? E outros tantos, né? O que interessava eram as pessoas que você encontrava pra falar, falar, falar, falar... Depois podia vir o queijo, não vir... O que você estiver bebendo é essencial, tem que estar gelado... Tem que ter limão...

EG: Você tem o seu buteco de fé?

AB: Eu gosto do Momo. O Momo é pé-sujo, cara, mas o Momo tem o seguinte: o Momo serve feijoada, rabada, mocotó, não sei o quê, tudo direitinho. Você pede a cerveja, ela tá gelada. Você vai ao balcão e toma um limão impecável, cara. Hoje é, sem dúvida, é o meu buteco. Aquilo lá é... E digo-lhe mais! Os garçons te tratam como pessoas da família, né? O Tonhão é meu irmão, ele é filho do meu pai, aquilo não existe, cara... Aquilo acabou faz tempo...

EG: Aldir, pra fechar mesmo! Você falou do Maurinho Judeu e do Alemão e me lembrou um troço que eu conversei com o Fausto no Bar Brasil e ele falou uma frase hilariante sobre isso... O que é que você acha dessa merda de papo politicamente correto, que te impede de falar Maurinho Judeu, Alemão, sem ser tolhido...

AB: O politicamente correto é a morte da criatividade e do botequim. É o que posso dizer.

EG: Tá bom!

AB: Se a gente for se guiar por aquilo que é politicamente correto, nós vamos morrer com certeza...

EG: Tá bom, querido. Obrigado!

25 comentários:

Bruno Ribeiro disse...

Maravilha, meu irmão! Delícia de papo, deu até pra ouvir o barulhinho do gelo no vidro dos copos! Impecável. Não é só o pé-sujo e o futebol que estão morrendo, mas entrevistas como essa também! Abração.

Renato Machado disse...

Quero reforçar o que eu disse recentemente aqui mesmo, que o Buteco é de longe a melhor opção entre os blogs não-oficiais e não sei se me faço entender. Entre os que não fazem publicidade, não comandados por jornalistas, famosos, artistas etc E essa entrevista com o Aldir Blanc está maravilhosa, digna de qualquer caderno de cultura em qualquer jornal do país. Parabéns, Edu!

Marcelo disse...

Sensacional a conversa! Vou pôr uma chamada no Pentimento!

Elizete disse...

Excelente Edu... amei!!!!

Eduardo Goldenberg disse...

Brunão: evidente que se ouvem os gelos nos copos... Porque se houve um troço presente antes, durante e depois, foi gelo e malte! Muito malte!

Renato: obrigado, mas convenhamos que você exagera, né?

MM: valeu a força! Nunca é demais espalhar a palavra do Aldir por aí!

Elizete: bom que você tenha gostado e voltado ao balcão!

Vera Mello disse...

Queridíssimo Edu:

só não digo que morro de saudade de entrevistas como essas, porque você sabe que elas têm sido o ar que eu respiro desde a juventude.

Se não fosse por meu filho, minha família, amigos como os que tenho
(tipo você), e pelo olhar do Aldir,
eu não teria mais muita razão para viver feliz por essas plagas.

Fazer poesia cotidiana é isso, é entrevistar pessoas como ele, que mudam a direção do olhar sobre as coisas.

Agora... aquelas duas do Mello foram preciosas.

Nunca mais tomarei um Prosecco do mesmo jeito e torço para que nenhum homem peça um ao meu lado.

Acho que nunca mais pensarei também em minhas próprias trompas, sem ouvi-las fazendo a "introdução do virudum".

Parabéns, querido, eu não estava lá, mas você me fez sentir como se estivesse e salvou a minha noite.

Beijo,
Verinha Mello

Eduardo Goldenberg disse...

Ô, Verinha: mas é justo por isso, para isso, para registro, para reflexão, para memória, para salvar os dias, as noites, que eu faço esses troços!

Obrigado, de coração!

Fefê disse...

O maior!!! Acho que vou demitir os cozinheiros do Estephanio's!! Foda-se a cozinha! O importante são os amigos reunidos...
Parabéns Du. Excelente entrevista!

fraga disse...

Capitão-do-mato,

De antologia. Passo definitivo e irreversível rumo às redações.

E pensar que diariamente nos é imposta, entre outras, a farsa do homúnculo de alcunha "j".

Saravá!

Eduardo Goldenberg disse...

Fefê: você é suspeitíssimo; além de meu siamês é vascaíno e fã do Aldir. Pô! Não vale!

Fraga: que redações, malandro? Você está fundando um jornal? Fora essa possibilidade, mano... neca!

Favela disse...

Edu, ontem mesmo comentei com o Szegeri, na seresta, sobre a entrevista, que (engo)li em tempo recorde (5 minutos, rs), de tão boa! Boa pra cacete!

Renato Povolleri disse...

Entrevistas como essas infelizmente não se publicam mais. Geralmente por causa de espaço, que é caríssimo, ou por falta de interesse dos editores ou por falta de inteligência de quem entrevista, ou ainda porque nem se fazem mais entrevistas assim olho no olho. Reforço tudo o que se disse. Está de antologia, maravilhosa, sensacional, boa pra cacete!

Mascavinhas disse...

Grande entrevista, Edu - no tamanho e principalmente no conteúdo (em tempo: impagáveis os causos do Mello Menezes). Já li, reli e vou linkar no Mascavinhas. Grande abraço.

ipaco disse...

Edu, cheguei aqui por dica do Marcelo Moutinho. Muito maneiro seu buteco. Quando tiver tempo visite o meu também. abração
paulo thiago

Eduardo Goldenberg disse...

Favela, meu caro, você sempre na área abrilhantando o balcão! Valeu, mano! E quando é que você dá as caras no RJ, hein?

Renato: salvo engano meu, é sua primeira intervenção no balcão do Buteco, né? Obrigadíssimo. E seja bem chegado.

Pedro Paulo: obrigado por ajudar a espalhar a voz do Aldir, que nunca é demais!

Paulo Thiago: vira-e-mexe eu tô lá, rapaz, até já te pedi uma dica de câmera digital, não sei se você lembra. Seja, também, bem chegado. Sempre cabe mais um no balcão!

Jean Scharlau disse...

Coloquei o início lá n'O Lobo, o que não poderia faltar. Abraço. Jean.

Lucas Porto disse...

Beleza de entrevista! Vendo o papo, dá uma vontade danada de pegar o integração pra Muda, entrar no bar da Dona Maria, pedir a primeira gelada e ficar quietinho, igual ao Arrasa-Curió, esperando uma oportunidade de encher o copo de amizade. Dá-lhe, Blanc!

Ava Araujo disse...

Edu, como eu já te disse essa entrevista é uma coisa deliciosa! Até parece que eu tb tava no balcão ouvindo tudinho de perto...hehehe Virei sua fã e aumentei minha tietisse com relação ao Aldir...ADOREIIIIIIIIIIIIIIIIII

Ava Araujo disse...

Outra coisa que não poderia deixar de dizer: seu Buteco é ótimo! Já o linkei no meu Blog também! Espero suas visitas lá de vez em quando. Beijos,

Pituco disse...

Edu,li e me sinto mais 'vivo',no sentido bíblico...só me resta agradacer...namaste

Anônimo disse...

"Vou buscar um proseco"

Tô rindo até agora dessa história

Juan Trasmonte disse...

Edu, muito obrigado. Com a tua entrevista fizeste da minha vida nessa última hora um território de felicidade.

Leandro disse...

Edu, parabéns!!!
Essa entrevista com o Aldir, foi uma aula.
Agora, eu que sou apreciador dos pés-sujos, gostaria de saber onde fica o Momo.Se o Aldir disse que lá é o lugar, é porque é mesmooooo! rs

Zeca Barreto disse...

Isso é um presente pros músicos brasileiros...obrigado!!!

Guilherme disse...

Adorei este bate papo com o Aldir.
E espero ansiosamente, há tempos, este livro sobre o Vasco da Gama...