5.9.06

RIO-BRASÍLIA

Vamos, hoje, mudar o papo, de pato a ganso, no Buteco. A regra aqui tem sido bater, mais do que fazer festa. A gente bate no Jota, a gente bate na ACR, a gente bate no Jota Éle, a gente bate na Éle, e acaba que ficamos sem tempo - até mesmo porque é divertido o exercício - de dar espaço a quem merece espaço. Razão pela qual inauguro, à direita no menu do blog, a sessão "BUTECOS DE FÉ".

Terezinha e Joaquim

E o faço cheio de um justificável orgulho.

Na semana passada, mesmo, na quinta-feira, tive a honra de apresentar esse portento encravado na Tijuca, o RIO-BRASÍLIA, ao Bruno Ribeiro, parceiro novo, de Campinas, de passagem pelo Rio, que apareceu com a Bia Fontes a tiracolo, que por sua vez levou, no colo, o Flávio Moreira, seu namorado.

Comandado pelo casal Joaquim - cearense, e não português como faz crer o nome - e Terezinha, o RIO-BRASÍLIA é, de fato, extensão da minha casa. Fica na minúscula Rua Almirante Gavião, entre as ruas Hadock Lobo e Dr. Satamini, e nem preciso lhes dizer o número, que buteco sério dispensa essas formalidades. É o único bar da rua, fica sob um toldo verde, e o bochincho permanente é seu autêntico outdoor.

Rio-Brasília

Eu não sei se vocês sabem do que estou falando, mas apresentar um buteco desses a gente de peso, conhecedora da matéria, como o Szegeri, o Augusto, o Zé Sergio, o Borgonovi, o Fraga, o Caio, o Bruninho, o Bruno Ribeiro, o Dalton - só pra citar alguns - e vê-los lambendo os beiços dá um orgulho danado.

O RIO-BRASÍLIA tem todos os componentes capazes de nos fazer apaixonados de cara. A começar pelos anfitriões, que o Joaquim e a Terezinha têm sorrisos permanentes no rosto e atenção olímpica aos pedidos dos freqüentadores - lá, tudo pode. Azulejos avoengos, azuis e pretos. Piso hidráulico. Mesas ancestrais que pertenceram ao refeitório do Instituto Lafayette. Um permanentemente renovado pé de arruda no balcão. Uma cozinha que produz comida de fazer a Alaíde, do Bracarense, perder a cor, de vergonha.

São inigualáveis a carne de panela com batatas coradas, servida em porções ou mesmo como refeição, o bife de fígado acebolado (idem, idem), a dobradinha, a feijoada, o caldinho de feijão, as sardinhas expostas no balcão sempre farto, a batidinha de maracujá a inacreditáveis R$1,50 a dose industrial, servida em copo americano até a boca.

Rio-Brasília

A cerveja está sempre gelada e eu gozo, na área, o Bruno Ribeiro é a mais recente testemunha disso, de uma imunidade que nem Ministro de Estado conhece.

Troco cheque, recebo recado pelo telefone, dou pitaco nas receitas, decido o cardápio, e já que falei no Bruno Ribeiro quero contar um episódio ocorrido na quinta-feira passada.

Mantendo uma de minhas tradições mais arraigadas, fruto da educação austera que recebi, não permiti que meus convidados pagassem a conta da noite.

Fui ao balcão quitar o débito, com o talão de cheques já aberto, dizendo baixinho pro Joaquim, "é minha, é minha...".

E vem atrás de mim, o Bruno. O malandro estica em direção ao Joaquim a nota solitária de R$50,00 - que não dava nem pra saída em razão da prodigalidade dos pedidos - e diz:

- A conta é minha!

O Joaquim, sem levantar, do balcão, os olhos:

- Quem manda aqui é o doutor! - e nem toca na onça pintada que rugia, tímida, já de volta às mãos do Bruno.

Rio-Brasília

O amor que nutro por espeluncas como o RIO-BRASÍLIA, um buteco vagabundo ao qual não resisto, é a força-motriz da ira santa que sustenta a briga que compro, incessantemente, contra as vergonhas exaltadas pelo Jota.

O Joaquim e a Terezinha, cada vez que suspendem, de manhã bem cedo, as portas de ferro do RIO-BRASÍLIA, estão fazendo sua parte, tirando mais uma flecha do peito do meu padroeiro, que São Sebastião do Rio de Janeiro ainda pode se salvar; com a devida licença, que peço a Moacyr Luz, Aldir Blanc e Paulinho Pinheiro.

Até.

12 comentários:

Anônimo disse...

ONÇA PINTADA! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! Você anda mesmo inspiradíssimo!

Anônimo disse...

Hummmmm... Que vontade de comer aquele pastel de carne...

Unknown disse...

Grande Edu! E devo dizer que aquela carne assada com coradas me faz salivar ainda hoje! Com certeza terei de voltar ao Rio-Brasília para prová-la novamente, com aquele maracujá e a tua companhia! E quanto à conta: você foi mais rápido no gatilho, mas a volta será aqui no meu território e aí vamos ver quem tem a preferência na dolorosa. Aguardo sua vinda e a do Szegeri. Abração!
PS - ao olhar as fotos do buteco, do Joaquim e até dos azulejos, me bateu uma puta saudade, dessas que a gente já tinha e não sabia.

Eduardo Goldenberg disse...

Maria Paula: ô, MP, sabe como é que se mata saudade nesse caso, né? Indo, ué!

Brunão, meu velho: Campinas vai ficar pra próxima, que nem a São Paulo eu vou mais, adiando esse encontro que já se anuncia histórico, eu, você e o Coelho, um sujeito que eu faço questão que você conheça. Mas já tá com saudade, velho? Ó, mesmo recado que eu mandei pra MP... Desembarca aqui de novo, malandro. Além do Rio-Brasília tem uma penca de tesouros escondidos na região... Abração!

Anônimo disse...

Olá Edu!
Voltei ontem de férias e estive a ler, aos poucos, os seus textos das últimas 3 semanas.
Delicioso....

No silencio, mas continuo aqui.
Cumprimentos calorosos,
Susana.

Anônimo disse...

Fala Edu!!

Agradeço até hoje a oportunidade de conhecer 2 lugares dos mais maravilhosos desse Rio de Janeiro.
O Pernil(Maiúsculo mesmo) acebolado com pãozinho e limão com o maracujá mágico do Rio-Brasília e logo depois o chopp ,maravilhoso e o caldinho de feijão do Estephanio´s, tudo acompanhando de um bom bate-papo, pra ficar perfeito!!
Recomendo a todos, com um gostinho na boca de quero mais e com muita vontade de conhecer essa isquinha de fígado cuja fama precede seu nome...
Um Abraço!!!
Caio

Eduardo Goldenberg disse...

Oi, Susy: seja bem chegada, de volta ao Buteco! Apareça sempre, como sempre, dê sempre seus pitacos e é isso aí!

Grande Caio: quem agradece sou eu, malandro! Como eu disse, é um prazer indizível mostrar nossos butecos de fé pros mais chegados. E quando quiser, mano, mande um alô e nós marcamos nova visita ao Rio-Brasília. Sem esquecer que eu estou te devendo uma ida aos cafundós da Barra / Jacarepaguá, na tua área, pra (re)conhecer os teus tesouros! Abração!

Anônimo disse...

Então vamos! Quando? Me diga você! Beijos e muitas saudades...

Anônimo disse...

Edu querido, Campinas te espera de braços abertos. A conta é nossa claro, minha e do Bruno, o mando de campo é nosso. Mas o local eu deixo por conta do Bruno, que eu ainda não conheço pessoalmente, mas leio todos os domingos...
Grande abraço

Anônimo disse...

Espero que estes verdadeiros botecos fiquem apenas no mundo "blogueano" e não caiam na grande mídia. Vou visitar, o mais rápido possível, este autêntico boteco.

Felipe Torreira disse...

Edu, que lhe fala é o Felipinho, amigo do Zé, tudo bem? Como sabes, sou frequentador do Joaquim há uns 18 anos e realmente aquele é um canto maravilhoso, onde estamos em casa e esquecemos de tudo. Nos concentramos somente naquele maracujá e nas estupidamente geladas... Só estou sentindo falta do Tarciso e do Helio (cozinheiro) que sairam recentemente da casa.
Bom qualquer hora nos encontramos por lá.
Grande abraço.

caíque disse...

já tô aqui edu! já sei onde é e qualquer hora pinto aí, valeu? um abraço niteroiense.