17.10.06

SZEGERI E A RAINHA DO FREVO

Eu sempre que falo do Szegeri, meu irmão paulista, faço questão de dizer que ele chora mais que bebê recém-nascido com cólicas olímpicas. Se bem que, em nome da precisão do início ao fim que me caracteriza, devo dizer que depois que conheci o Simas, outro emotivo crônico, não tenho mais certeza de que é ele, o Szegeri, o maior chorão que conheço. Papai é um que, por exemplo, sempre que falo do cara, manda essa:

- Pai, ontem à noite eu falei com o Szegeri e ele me disse que...

- Ele chorou por que dessa vez?

Vão tomando nota da fama szegeriana.

Mas se eu, por um lado, não sei mais dizer com certeza quem chora com mais freqüência, tenho, depois de cinco dias em sua companhia, uma certeza incontestável: ninguém, nunca, ao menos diante de mim, chorou por motivo tão banal, ou, se eu não quiser usar a palavra banal, que pode soar pejorativa demais para um homem de coração tão bom quanto o meu siamês, por motivo tão inusual, transformando seu gesto num quadro hilário dentro daquele delicioso domingo, quando comemorávamos o aniversário da Dani.

A seresta corria solta.

Violão, flauta, as pastoras Railídia e Roberta Valente cantando lindamente, até que o Szegeri pediu:

- Rui! Dó maior, por favor!

Rui, violão de ouro, fez o acorde.

E começou, meu irmão, a cantar:

"Dora, rainha do frevo e do maracatu
Dora, rainha cafuza de um maracatu
Te conheci no Recife
Dos rios cortados de pontes
Dos bairros, das fontes coloniais...
Dora, chamei
Ô Dora!... Ô Dora!"

Dora

Foi quando veio, em sua direção, a Dora, a cachorra de seu cunhado, o Capitão Leo Golla, que lá passava o feriado em razão da viagem do dono.

Já soluçando, o Szegeri continuou:

"Eu vim à cidade
Pra ver você passar
Ô Dora...
Agora no meu pensamento eu te vejo requebrando
Pra cá, ora prá lá
Meu bem!"

Dora abanava o rabo freneticamente, e meu irmão paulista chorava fungando dentro da orelha direita da cachorra.

"Os clarins da banda militar, tocam para anunciar
Sua Dora, agora vai passar
Venham ver o que é bom
Ô Dora, rainha do frevo e do maracatu
Ninguém requebra, nem dança, melhor que tu!"

Os presentes, incrédulos, assistiam à cena, até que o Szegeri, já no chão, e já agarrado à peluda cachorra, ambos imundos, bateu o telefone pro Capitão Leo:

- Leo? Eu nunca - NUNCA!!!!! - nunca mais te devolvo a Dora...

E danou de fungar.

Até.

2 comentários:

Pratinha disse...

Mestre Dorival, nome que inclusive dei a meu carro... iria adorar essa historia.. mas quem iria pular de alegria e chorar muito com isso é nosso querido Marechal

Beijo
Tiago Prata

Bruno Ribeiro disse...

Edu, que lindo!

Outra coisa: já tenho Skype e microfone. É só bater um fio!

PS: Hoje não que terei visita.

Beijos