30.11.06

TÁ DIFÍCIL...

Antes de mais nada eu quero, com o cotovelo apoiado no balcão imaginário, me desculpar por não ter escrito rigorosamente nada ontem. Seguramente isso não fez diferença pra ninguém, seguramente ninguém teve crise de abstinência por conta disso, mas eu confesso que fiquei ligeiramente chateado por interromper a rotina. Mas as atribulações do dia não me deram o mínimo refresco. E isso somado à frustração que tive quando soube que minha menina chegaria apenas amanhã, sexta-feira. Feita a introdução, vamos ao que lhes quero contar.

O Jota, vocês que me lêem estão cansados de saber disso, é alvo de permanentes críticas minhas por conta da publicidade escancarada que faz em prol dos bares-de-merda que vêm destruindo, aos poucos, os butecos carioquíssimos que são a cara da cidade que eles, investidores ávidos apenas por lucro, ajudam a destruir. Mas notem: eles, investidores, que deveriam buscar o lucro noutra atividade que não uma tão nociva à cultura do Rio de Janeiro, estão cumprindo o papel que lhes cabe, o de vorazes empresários cagando para tradição, para cultura, para manutenção dos hábitos do povo. O que me causa indignação é que um sujeito que tem uma coluneta de página inteira em um dos principais jornais do país, que assina uma coluna às segundas-feiras, preste um desserviço à cidade adulando, puxando o saco, babando as bolas, os ovos, desses caras e dessas anomalias a que chamam "botequim pé-limpo", ou "pé-sujo fashion", essas merdas.

Pois bem. Ontem e hoje esse homúnculo dedicou-se a dar publicidade a duas babaquices sem tamanho. Vamos a elas.

Numa nota publicada ontem, intitulada "Vou de táxi", diz o consoante:

"O Rio ganhou sua primeira cooperativa de táxis especializada em atender o público GLS. É a Nova Aliança. A frota tem 20 carros, trafega principalmente pela Zona Sul, e tem como símbolo o mesmo arco-íris do movimento gay."

Apenas um comentário, e tirem vocês as conclusões que quiserem: onde mais, se não na zona sul, poderia trafegar uma merda dessas? E depois de apenas esse comentário, uma pergunta, que se alguém puder me responder eu agradeço intensamente: o que significa uma cooperativa especializada (vou repetir... especializada) em atender o público GLS????? E o Jota, especializado em promover merda, dá nota!

Parou por aí?

Não. Numa nota publicada hoje, intitulada "Turismo de alegria", denotando que o Jota anda numa fase afetadíssima, diz o consoante:

"O Rio, que só perde em turismo gay para São Francisco, já tem cinco grandes festas raves programadas entre 29 de dezembro e 1º de janeiro: Alegria, X-Demente, R.Evolution (duas edições) e Pool Party."

Sobre essa propaganda imunda do homúnculo (ganhando o quê em troca?), tenho a dizer o seguinte: todo mundo sabe, até o Pepperoni, meu fiel vira-lata, que festa rave nada mais é do que um pretexto para uso indiscriminado de drogas sintéticas, ecstasy, bala (como eles chama essas merdas, nem sei direito o que vem a ser) e outras bostas do gênero.

E isso é anunciado com festa (da alegria, segundo o Jota) em um dos mais importantes jornais do país. Agora... baile funk no morro é motivo para que os pais dos merdas que se drogam nas raves estendam faixas escrito "BASTA" em suas varandas. Tá difícil, tá difícil...

Parei por aqui?

Não.

Termino com uma notícia bastante elucidativa, que dá bem a dimensão dos tempos sombrios que vivemos. Uma criminosa recebeu a Medalha Pedro Ernesto, concedida pela Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, leia aqui. Um assassino como o Coronel Ustra, torturador covarde com mais de 500 crimes nas costas, evidentemente sem o negrito, é bajulado num banquete para 400 pessoas, em São Paulo, com direito a discurso de Jarbas Passarinho, com 82 anos, ainda vivo, infelizmente capaz de dizer as barbaridades que disse para uma platéia patética babando diante de um monstro. Uma milionária é assassinada no Leblon e no dia seguinte o cartunista de O GLOBO desenha o Rio de Janeiro sangrando, como se não sangrasse diariamente com a morte de anônimos em lugares ditos menos nobres que o bairro preferido do Jota. O irmão desse colunista, na mesma oportunidade, e aparentemente pelo mesmo motivo, desenha, na capa do JB, um negrinho assaltando o Cristo Redentor, mais detalhes aqui.

E o que aconteceu mais recentemente para que eu puxasse tanto gancho podre como intróito?

Está para ser inaugurada mais uma estação de metrô no Rio de Janeiro. Na zona sul. Mais precisamente em Copacabana. Próximo ao Corte de Cantagalo. Mais precisamente na Praça Eugênio Jardim. E vive-se a celeuma: como se chamará a estação? Estação Cantagalo ou Estação Eugênio Jardim?

Pois bem. A Associação de Moradores e Amigos de Copacabana - a AMACOPA - está promovendo um abaixo-assinado para ser entregue ao Governo do Estado pedindo que a estação não se chame Cantagalo, e sim Eugênio Jardim. A razão?

Leiam, vomitem e concordem comigo que a coisa tá feia, muito feia.

"3. Todos nós devemos, sempre que possível, enaltecer os bons exemplos, para que nossos filhos e para que a própria sociedade tenha modelos a seguir.

4. Ao mesmo tempo, todos nós devemos evitar toda e qualquer possibilidade de - inadvertidamente ou não - enfatizar ou evidenciar, os maus exemplos, passíveis de alusões ou associações, ao crime, a contravenção e a delinqüência, o que infelizmente, a denominação ´Cantagalo´ tem hoje, com o narcotráfico."


Eu confesso que, tomado de ódio, de nojo, de repugnância e de um sentimento quase-assassino, nem consigo mais escrever. Quero que Dalva Bezerro Camanho, que assina esse troço mal escrito, mal pontuado, cheio de um preconceito odioso e repugnante, se foda - esse "se fôda" lido assim, com o circunflexo pontuado, lido com ênfase szegeriana - como quero que se fodam todos os filhos das putas capazes de assinar um cocô desses.

Como quero que, como último ato como governadora do Estado, Rosinha Garotinho bata o martelo (antes de fazê-lo na própria cabeça e na de seu marido) e batize aquela estação como "Estação Cantagalo".

A boa notícia, que vem junto, anuncia que o Ministério Público entrará com ação contra essa associação de merda por discriminação territorial, de origem e crime de racismo.

Até.

28.11.06

O APELIDO

O átimo entre a percepção interna e o verbo externado que dá apelido a alguém é, pra mim, um mistério. Um mistério ao mesmo tempo sacralizado. O cara fica ali, na dele, no canto do balcão, bebericando feito passarinho sua bebida, saca os caras à sua volta, pensa, ri sozinho, e espera o momento certo para cravar o apelido que, no mais das vezes, se eterniza.

Feito o intróito, vamos aos fatos.

Ontem fui ao bate-papo promovido pelo jornalista Marco Antônio de Carvalho com Aldir Blanc, no Céu Aberto, na Lapa. Durante o dia, trocando emails com o Fausto Wolff, dei a ele a sugestão do programa. Não levei fé. Mas quando eu cheguei, já lá estava o Velho Lobo, jornalista maiúsculo. Como lá estavam Alvinho Marechal, Baffinha, Rodrigo Folha Seca, Mello Menezes, minha comadre Mariana Blanc, Marquinho Presidente, Bel Blanc, Mari Blanc, Vera Mello (que recitou um texto magnífico do Aldir, no final, levando o bardo às lágrimas), Pratinha, entre outros.

Reconheço de público o horror desse "entre outros". Até porque eu gostaria de me referir especificamente a um casal que lá estava, ela fotografando e ele de cabelos nazarenos, mas não me lembro - deve ser a senilidade me dando bom-dia - de jeito nenhum seus nomes. E justo ele que, disso bem me lembro, foi o primeiro da fila no dia 12 de dezembro do ano passado, quando lancei meu livro no Estephanio´s (comprem! comprem! comprem!). Comprem através do link ou ao vivo, em carne e osso, na Livraria Folha Seca, a livraria do meu coração, na Rua do Ouvidor 37. Vale a visita, vale um papo com o Rodrigo ou com a Dani, que cuidam daquilo com esmero e têm sempre uma dica perfeita. Vão por mim! Feita a publicidade, de coração, vamos em frente.

Comprovando, uma vez mais, que "papo é civilização", frase cunhada pelo Ivan Lessa e lembrada ontem pelo Aldir, a noite foi absolutamente agradável, os presentes fizeram perguntas, as perguntas se multiplicaram, e viveu-se, ali, literalmente, uma aula de civilização e de carioquice. Devo dizer que um dos momentos que eu mais gostei foi quando Aldir e Fausto sentaram a piaba nesses bares de merda que eu tanto espanco por aqui.

De lá partimos para o Capela.

E foi lá que deu-se o átimo a que me referi no primeiro parágrafo.

Mas ainda no Céu Aberto, tive o prazer de apresentar o Aldir ao Pratinha e vice-versa (como é que se diz essa merda sem precisar recorrer a esse "vice-versa"? Ajude-me, Szegeri, por favor). Disse eu ao Aldir:

- Esse é o malandro que junto comigo levou o "Bola Preta", cantado de cor! - eu frisei o "cantado de cor" porque o autor da magnífica e extensa letra duvidara da coisa.

Aldir fez festa, o Prata avermelhou-se - ele é o segundo maior conhecedor da obra blanquiana - e tomamos o rumo, então, do Capela.

Chope, chope, chope - exatamente três para cada um - e partimos, eu, Prata e Rodrigo Folha Seca, deixando por lá, ainda - típica noite sem fim - Aldir, Fausto e comitiva.

Quando eu já estava na porta, gritou-me o Aldir:

- Edu! Edu! Edu! - e fazia um vem-cá com a mão.

Cochichou-me no ouvido:

- Por favor, Edu... Deixa o Querubim em casa direitinho, hein!

Eu explodi de gargalhar. E fui contar a ele, Prata Querubim, seu apelido daqui pra frente.

Falei em explodir de rir e fecho com uma frase-resposta do Aldir, durante o bate-papo, que fez a platéia rolar no chão.

Perguntou o jornalista:

- Aldir... Se você pudesse mandar um recado, dizer uma frase ao Presidente Lula, qual seria?

E ele, de voleio:

- Não vai sujar o shortinho, hein!

Até.

27.11.06

ALDIR, DICA PRA HOJE

A dica pra hoje é a seguinte: às 19h, no Céu Aberto, na Rua do Lavradio 170, na Lapa, comandado pelo Themudo e projetado pelo Toledo, o pai do ilustrador, o jornalista Marco Antônio de Carvalho comanda um bate-papo com um dos maiores papos que eu conheço, Aldir Blanc, dentro do projeto "Histórias Cariocas".

Se tem alguém que tem história pra contar, e uma mais carioca que a outra, é ele: o ourives do palavreado.

Ah, sim. E é de graça.

Até.

DE CARONA COM O PRATINHA

Isso, sim, é uma segunda-feira clássica. Céu nubladíssimo, como eu, há exatos sete dias sem o mais lindo sorriso do mundo ao meu lado. Curitiba é, há uma semana, um lugar mais bonito e justamente por isso. Os curitibanos e curitibanas, tenho certeza disso e ai de quem duvidar de mim, sequer desconfiam disso, mas notam um troço diferente, a cidade mais iluminada, e é por causa dela. Mas quarta-feira, ainda que o tempo se mantenha nublado, como agora, será dia de céu azul em mim. Feita a romântica introdução, já que sonhei com minha Sorriso Maracanã, vamos em frente.

Antes de ir em frente eu tenho - infelizmente - que citar o Jota mais uma vez. Saquem uma das notas de hoje na coluneta:

"Nova Profissão

Dono de sete botecos no Rio, entre eles a Taberna do Juca, na Lapa, o português Juca Ribeiro, 67 anos, virou consultor para assuntos de botequim. Recebeu cachê de R$1.600 para ensinar os segredos de um bom boteco aos formandos de Turismo da Facha. No início do mês, ganhou hospedagem em hotel cinco estrelas para professorar numa festa da Ambev em São Paulo: ´O segredo de um bom boteco é o cozinheiro e, como disse meu amigo Moacyr Luz, banheiro limpinho´, ensina."


Como é possível isso? Antes de qualquer coisa me chama a atenção a qualidade do curso de Turismo da Facha. O quê - meu Deus - um investidor, dono de sete bares espalhados pela cidade, tem a ensinar a alunos de turismo????? E mais: depois de incensar garçons-estrela, de incensar pesquisadores de comida de buteco, agora mais essa: consultor para assuntos de botequim. Parece até sacanagem.

E pra fechar o texto dessa segunda-feira chuvosa - começou a chover há segundos - um relato rápido sobre minha primeira experiência como carona do Pratinha. E explico. O Prata, muito recentemente, tirou carteira de motorista. E evidentemente, é sempre assim quando se obtém a habilitação, com a carteira exibida como troféu, o Prata pega o carro até pra comprar pão na esquina de casa.

Bateu-me o telefone ontem cedo:

- Edu? Vamos ao lançamento do CD da Velha Guarda do Império Serrano?

Nem titubeei:

- Vamos.

E ele, numa euforia menineira:

- Eu vou dirigindo! Eu vou dirigindo!

Nem titubeei:

- O.K. - disse disfarçando o medo.

E arranjamos a coisa. Prata ficou de passar aqui em casa às duas. Foi desligar o telefone com ele e eu disquei pro Simas:

- Simão? Vamos ao...

- Prata já me ligou...

- Vamos?

- Vamos.

- Ele passará aqui às duas.

E o Simas, num tom que me pareceu preocupado:

- Vamos nos encontrar uma hora antes no Rio-Brasília.

- O.K.

Cheguei no Rio-Brasília e lá estava, já com a cara enterrada num copo de maracujá, o meu amigo mais calvo:

- Edu, estou preocupadíssimo...

- Eu também.

- Você já andou com ele?

- Nunca. E você?

- Também não.

E ficamos ali, os dois, numa neura que não alcança um menino de 19 anos.

Antes da história propriamente dita, um detalhe: o Prata gosta tanto de seu carango que até batizou o bicho. O carro se chama Dorival. E ele vive dizendo isso: "Ontem saímos eu, Luisa e o Dorival", "Vou almoçar na casa de minha tia, em Vila Isabel, com o Dorival", "Fui pro Escravos da Mauá com o Dorival", sempre assim.

Eis que chega o Dorival.

E chega numa espécie de galope, quicando desde a esquina da Hadock Lobo até parar diante do bar. Eu e Simas com a expressão do mais absoluto pânico. E salta o Prata:

- Acho que acabando a gasolina.

- Então não vamos! - gritamos os dois em uníssono.

Ele aflitíssimo:

- Vamos, gente, vamos que eu quero aprender o caminho pra Madureira!

Entramos os dois no banco traseiro. E o Prata manda a piada evidente:

- Pô! Eu vou de motorista?

Um par ou ímpar decidiu. Eu pedi par. Um-dois-três e já! Pus 1. O Simas pôs 2.

- Ganhei! Vai você na frente!

Fui.

Eis a realidade. Fomos e voltamos sem arranhão. Mas vivemos momentos inconcebíveis. Antes de qualquer coisa, Prata e Dorival são incompatíveis. Ou melhor, o automóvel e o Prata são incompatíveis. Dono de pernas muito longas, o menino mantém o banco do motorista colado ao volante, e o carona tem uma visão terrível. Os joelhos esbarram ora no comando das setas, ora no comando do limpador do pára-brisa. Mais grave, ainda, é o fato de que ele foi, daqui à Madureira, sem olhar uma única vez pra frente por mais de 10 segundos seguidos. Trocava as faixas do CD, falava no celular, o Simas entoando cânticos religiosos deitado no banco de trás e eu dando a direção, o caminho, e Prata, desligado, subindo em gelo baiano, jogando o pobre Dorival sobre os sinalizadores da pista, submetendo os pneus e a suspensão a testes que nem a Quatro Rodas admite fazer, avançando sinal, quase-atropelando pedestres, um horror, um horror.

Quarenta minutos depois, chegamos.

Atentem para o final! Atentem, que a perícia do menino ao volante é inversamente proporcional a que demonstra com o sete cordas nas mãos.

- Onde eu vou arrumar vaga?

- Ali! Ali! - disse eu apontando um guardador que fazia sinal com os braços, como os bonecos de pláticos dos postos de gasolina.

Lá fomos nós. Prata engatou a primeira, o Dorival ricocheteou no asfalto (por sorte os cintos de segurança funcionam a contento) e ainda em primeira, devagarinho:

- Ali?

- É. Ali.

O guardador pôs uma tremenda tábua de madeira no asfalto para reduzir a altura da calçada e, evidentemente, o impacto sobre os veículos.

Eis que o Prata sobe em direção à vaga, a absurdos 60km/h, e freia bruscamente diante dos portões de ferro de uma loja, ainda bem, fechada. Sorri, orgulhoso do feito.

Eu, branco até a alma, de pânico.

Simas, verde até a alma, enjoado.

Bebemos para esquecer que teríamos de voltar.

E quando chegamos ao Estephanio´s, na volta, humildemente o menino pediu:

- Estaciona pra mim?

Em menos de 10 segundos Dorival estava estacionado entre um BMW e um HONDA, numa vaga mínima, exígua.

Quando eu saí do carro, o Prata, gentilíssimo, com a mão no meu ombro esquerdo, disse, pela primeira e provavelmente pela última vez, o que eu digo a ele com freqüência:

- Gênio!

Até.

24.11.06

JOTA E O VADE-MÉCUM

Era evidente que isso aconteceria, convenhamos.

Dois dias depois da festa de lançamento da sétima edição do "Guia Rio Botequim", no Circo Voador, não poderia ser outra a manchete da coluneta d´O GLOBO: "Viva os botequins do Rio!"

Mas como eu sou radical - e obrigado, Bruno Ribeiro, pelo comentário feito em um dos textos de ontem - quero expôr, na vitrine do ridículo, algumas das besteiras, pra variar, escritas ali. E digo "algumas das besteiras escritas ali" com uma certeza do acerto que chega a me acalmar, tamanha a verdade do troço... Ou porque a coluneta escreve besteira ou porque é uma besteira o que ela noticia.

Vamos em frente. Abre assim a coluneta:

"Carlos Eduardo Thomé, o Kadu, do Bracarense, e Antônio Rodrigues, do Belmonte, se cumprimentaram e posaram no mesmo grupinho para as fotos no lançamento anteontem do Rio Botequim, no Circo Voador. Foi uma breve pausa na velha rixa dos dois empresários de bares da Zona Sul. Logo depois Kadu reclamaria da comida servida na festa, oferecida pelo Belmonte: ´O bolinho de camarão parece uma bola de golfe, se você jogar em alguém, mata´."

Há uma acerto nisso aí. É quando o Jota se refere aos dois investidores como "empresários de bares da Zona Sul". Da mesma nota emerge uma vergonha que eu já havia denunciado, depois de ler a barbaridade no blog do Juarez Becosa: foi o Belmonte que ofereceu (de graça? em troca de quê?) a comida servida na festa. Como pode, porra? Podendo. Sem o mínimo de ética, tudo pode. Pode o mesmo Belmonte fazer propaganda de todas as suas filiais dentro do próprio guia e ainda oferecer (de graça? em troca de quê?) a comida no dia do lançamento. E isso sem falar na apenas aparente rusga entre os dois investidores (ou representantes de investidores), apontada em tom de fofoca nojenta. Tudo jogo de cena para render nota atrás de nota.

Há outro tijolinho dentro da mesma nota, dando conta de que o chope foi servido em copo de plástico. E aproveita, o Jota, para dizer que, por exemplo, "o compositor Moacyr Luz, boêmio veterano, nem reclamou do copo ser de plástico". Eu duvido. Trata-se de mais uma mentira ventilada pelo homúnculo. Chope servido em copo de plástico?! Essa foi apenas uma das razões pelas quais estava lotado o Bar Brasil, na Mem de Sá, pertinho do Circo Voador, de convidados para o lançamento. Somada, também, à luta travada entre os civilizados convidados que, à base de cotoveladas ferozes, disputavam a comida como bárbaros.

Em outro tijolinho, o Jota, que não dá ponto sem nó - esse é seu vigésimo sexto atentado apontado por nós, veja no menu à direita - faz, mais uma vez, propaganda para o homem (de graça? em troca de quê?). Vejamos a nota:

"Antonio Rodrigues, do Belmonte, anunciava que vai abrir em janeiro, na esquina da Lavradio com Mem de Sá, o Antonio´s, com piano, jazz e uísque no segundo andar. Depois, vai transformar um pé sujo que tem em Ipanema, o Lago Mar, na Vinicius, num filial do Antonio´s. ´Mas não vou deixar de servir prato feito a R$5,00 para a peãozada.´ Por dia, hoje, saem 300 PFs no pé sujo."

Vamos por partes... O mesmíssimo Jota já havia anunciado mais essa nova empreitada do Antonio Rodrigues, leiam aqui. Pra quê - ou em troca de quê? - dar a mesma notícia outra vez? Pra quê, também, valer-se do aposto "do Belmonte", se três tijolinhos acima já havia conseguido escrever o nome do bar-mentira do tal cidadão? Em troca de quê? E a barbaridade das barbaridades!!!!! Dentro de uma nota com a manchete "Viva os botequins do Rio!" o Jota anuncia que seu amigo irá acabar com um pé-sujo para abrir "novo bar em janeiro, agora de padrão sofisticado, em Ipanema. Nada de chope. Será especializado em uísque e destilados." - não sou eu que estou dizendo, é o próprio homúnculo, leiam aqui. E ele quer que eu acredite que a peãozada vai ter direito a comer PF a R$5,00 em Ipanema, dentro de um bar de padrão sofisticado? Então tá.

Pra terminar, só mais um comentário que dará bem a vocês a dimensão da imundice e da podridão de tudo isso. Não faço a menor idéia do critério utilizado para a seleção dos convidados. Mas é que a certa altura da imunda nota, diz o Jota que "os donos de botequim, citados no guia, como os melhores petiscos e comidas de bar, saíram da festa com diplomas...".

Hoje, passeando com meu mui fiel vira-lata, passei em frente ao Rio-Brasília.

- E aí, Joaquim? Boa noite, Terezinha! Gostaram de ver o Rio-Brasília no "Rio Botequim"?

Disse ele:

- Aonde?

E ela:

- Rio o quê?

Expliquei.

Não sabiam de nada.

Dentre os quase mil convidados para a festa, selecionados segundo um critério tão babaca quanto inexplicável, não estavam dois patrimônios da zona norte, Joaquim e Terezinha, que conduzem o Rio-Brasília (citado no guia) com um carinho que os "empresários de bares da zona sul" não têm. Talvez, por não serem essa merda, por não fazerem parte dessa corja, os dois não tenham sido convidados.

Até.

23.11.06

MAIS ÉTICA

Acabo de ler no blog do Juarez Becosa - aqui - que ontem, durante o lançamento da sétima edição do "Guia Rio Botequim", no Circo Voador, os petiscos servidos aos 500 convidados ficaram a cargo...

De quem? De quem?

Do Belmonte, evidentemente.

E depois neguinho ainda diz que eu é que sou radical.

Então tá.

Até.

E SAIU O RIO BOTEQUIM

Eu costumo repetir, como em ladainha, que sou preciso do início ao fim. E é em nome dessa precisão, e de uma honestidade olímpica, que quero lhes dizer que, dos palpites que dei no texto "SAINDO NA FRENTE", escrito em 31 de outubro de 2006, errei apenas um, e por pouco.

Eu escrevi à certa altura:

"A carne assada com coradas do Rio-Brasília, buteco comandado com maestria pelo Joaquim e pela Terezinha, estará no tal guia? Evidentemente que não."

E não está mesmo. Mas está lá - eis minha maior surpresa - a sardinha frita, impecável. Eu digo "minha maior surpresa" mas ao mesmo tempo sou tomado por calafrios, só de imaginar os bobalhões, que seguem esses guias à risca, invadindo o minúsculo buteco e reclamando do único banheiro, reclamando da textura do guardanapo, enchendo, enfim, o saco dos fiéis de todos os dias.

No mais - prossigo em tom de confissão - passei a vista muito por alto, e foi me parecendo melhor que todas as versões anteriores, e a razão ficou clara depois de ler os textos que apresentam o livro. Ainda está por vir o verdadeiro "Rio Botequim"!!!!! Esse que foi lançado ontem é apenas um guia, que usa o mesmo nome, parte do mesmo projeto, exclusivamente sobre comida de buteco. Reparem trecho do texto de apresentação, assinado por Laura Reis Fagundes e Martha Ribas:

"Lembramos que essa seleção de bares foi feita com base, apenas, no prato escolhido. Bebidas, ambiente e serviço não foram levados em conta. Mas os donos dos bares que fiquem atentos, pois a qualquer momento uma nova edição com a já tradicional seleção dos cinqüenta melhores bares da cidade começará a ser produzida."

Eis o mistério desfeito. O verdadeiro vade-mécum de otário ainda está por vir.

E antes de terminar, duas palavrinhas.

É evidente - eu não tinha a menor dúvida disso - que os bares mais citados no guia lançado ontem são o Jobi e o Belmonte, com quatro pratos cada um.

Ambos no bairro-cenário do Manoel Carlos (sem o negrito, já que o Borgonovi o considera um horror!).

E pra fechar, um detalhe curioso: o livro, um projeto "Memória Brasil" e "Casa da Palavra", com apoio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e da Secretaria Municipal das Culturas tem apenas UM anúncio.

De quem?

Do Boteco Belmonte (Belmonte Flamengo, Belmonte Leblon, Belmonte Ipanema, Belmonte Jardim Botânico, Belmonte Copacabana e Belmonte Lavradio). Anúncio de página inteira, no final do livro.

Ético, não?

Até.

22.11.06

HÁ POUCO MAIS DE VINTE ANOS

No dia 09 de junho deste ano escrevi, aqui no Buteco, um texto chamado "1986-2006", em homenagem ao Vidal, a Lenda, e acabo de relê-lo e acabo de ficar, de novo, emocionado, como no instante em que o escrevi. Explico.

Estávamos, naquela altura, a dois dias da abertura da Copa do Mundo. Leiam o tal texto - repito o link - e notem que o Vidal, naquele 9 de junho, me fez a pergunta fatal:

- Edu... ´cê tá lembrando que depois de amanhã começa a Copa e que há exatos vinte anos assistimos ao primeiro jogo do Brasil juntos, na casa do Marquinho, na Grajaú?

Evidente que eu lembrava. E ainda mais evidente que, da pergunta em diante, fui um nostálgico com agudíssimas saudades de tudo e de todos, mesmo que sem qualquer razão aparente, até mesmo porque não quero nada daquilo de volta, embora atribua tudo o que sou, a cada dia, a cada hora, a cada minuto passado desde o 27 de abril de 1969, a cada pessoa que me cruzou o caminho, incluindo as vacas que tentaram destruir, em vão, meu pasto.

Mas eis que o Vidal, dia desses, me bate o telefone e me convoca, grave, para um encontro rápido:

- Tenho um troço para ti.

Eu ganindo do outro lado da linha:

- O que é? O que é?

- Surpresa. Seis horas no Rio-Brasília.

Cheguei às quatro.

E vivi duas horas de angústia.

E ele, que foi pontualíssimo, entregou-me, em forma de fotografia, aquele primeiro de junho de 1986 a que me refiro no texto "1986-2006".

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Não é possível que isso aconteça só comigo.

Foi ele me entregar a tal fotografia e eu vi, um por um, diante do balcão do Rio-Brasília, pedindo carne assada com coradas e maracujá ao Joaquim, comemorando aquele gol do Sócrates no macérrimo um a zero contra a Espanha.

Pela ordem, vamos lá.

Em cima, da esquerda pra direita: Bandoli, Nêga, Denise, Telmo e Zacour, formando um "v" na fotografia. De amarelo, Claudinha Lyra, Janine (com os óculos escuros nos cabelos) e Claudinho Braga atrás. Abaixo dele, Patrícia Rocha, Duda, Alexandre Viana, eu (de boné) e o Lula, com a flor na orelha. No chão, Marcelo Vidal, Marcinha e Piúma.

No canto da foto, embaixo à direita, a data, para os incrédulos: jun.86.

Muitos eu nunca mais vi.

Mas é impressionante - as fotografias nos revelam troços inescrutáveis - como todos estão comigo. Ainda.

Até.

21.11.06

TUDO DE NOVO

No dia 14 de março, de 2006 mesmo, anunciei, aqui, com pompa e circunstância: parei de fumar! Antes de prosseguir preciso lhes confessar que bastou digitar a palavra "pompa" para que ele, o Pompa, meu mano Szegeri, viesse à lembrança. Corrijo-me. O Szegeri nunca me vem à lembrança. Não posso lembrar de um sujeito que está vivo e atuante, em mim, as 24 horas do dia. Ele é, já disse isso milhares de vezes e repito, mais uma vez, para que fique ainda mais evidente, o homem a quem recorro diuturnamente. E para tudo. Não foi uma, não foram duas, não foram três vezes, por exemplo, que diante da minha Sorriso Maracanã, num restaurante qualquer, com o cardápio aberto, bati o telefone pra ele:

- Szegeri, querido... O que eu peço para jantar?

E ele - tenho de fazer a confissão em nome da precisão - jamais me negou a ajuda, o help necessário.

- Filé com fritas!

- Peixe assado com banana!

- Uma massa!

Dito isso, em frente.

Voltei a fumar em meados de setembro, eu penso.

Mas eis que, menos de dois meses depois, abateu-se sobre mim o peso do pânico novamente.

E fui ao Zyban.

E parei de fumar (podem rir) no dia 16 de novembro.

De lá pra cá - não pensem nos poucos dias, pensem nas muitas horas sem nenhum dos 60 cigarros que me diziam "olá" ao longo de todos os dias - já resisti a algumas rodas de samba, a uma tarde inteira de praia, aos silêncios de depois e quero crer - riam de novo! - que dessa vez é definitivo.

Antes de fechar, um grifo: quem mais ri, eu sei, é meu velho pai.

Não saberia dimensionar para vocês o tamanho da gargalhada quando, na quinta-feira passada, lhe disse com as mãos em seus ombros:

- Pai, parei de fumar.

Foi constrangedor, até.

Até.

20.11.06

20 DE NOVEMBRO

Hoje é 20 de novembro, feriado. Comemora-se, neste dia, o Dia da Consciência Negra, em razão de que a data nos remete à luta resistente de Zumbi dos Palmares. Aliás, faço aqui uma breve pausa, não sem antes protestar contra essa barbaridade que faz com que as crianças brasileiras desconheçam, por completo, a história desse e de outros grandes heróis da história brasileira, e idolatrem cachorros idiotas como um tal de Clifford, um gigante retardado, e outros lixos impostos pelo Discovery Kids, a verdadeira babá eletrônica da imensa maioria dos pais.

Eis aí, hoje, uma bela oportunidade, uma bela data, para avaliarmos quem nos cerca. Ouvir "quero ver quando vai ter o dia da consciência branca", "grandes merdas esse feriado por causa dos pretos", e outras imbecilidades do mesmo gênero, serve para que saibamos quem é quem, e creio que me faço entender. Voltando, então.

Vai soar repetitivo, confesso, eis que há poucos dias recomendei a leitura de seu blog, de maneira intensa. Mas é que lendo, ontem, o belíssimo texto que o Simas escreveu para homenagear o Anescar, do Salgueiro, tive olímpica vontade de ouvir, de novo, o monumental samba "Quilombo dos Palmares", de autoria dos imortais Noel Rosa de Oliveira e Anescar Rodrigues.

E o ouvi. Diversas vezes.

E hoje, nesse 20 de novembro, quando vou comemorar a data à minha moda, com gente que eu amo, sobre as pedras sagradas da sagrada Rua do Ouvidor, quero transportar-me, seja lá como for, para o Ó do Borogodó, onde uma festa promete ser imperdível, como anunciou meu mano Szegeri, aqui.

Tomara que ele cante esse samba pra mim:

"No tempo em que o Brasil ainda era
Um simples país colonial,
Pernambuco foi palco da história
Que apresentamos neste carnaval.
Com a invasão dos holandeses
Os escravos fugiram da opressão
E do jugo dos portugueses.
Esses revoltosos
Ansiosos pela liberdade
Nos arraiais dos Palmares
Buscavam a tranqüilidade.

Ô-ô-ô-ô-ô-ô
Ô-ô, ô-ô, ô-ô.

Surgiu nessa história um protetor.
Zumbi, o divino imperador,
Resistiu com seus guerreiros em sua tróia,
Muitos anos, ao furor dos opressores,
Ao qual os negros refugiados
Rendiam respeito e louvor.
Quarenta e oito anos depois

De luta e glória,
Terminou o conflito dos Palmares,
E lá no alto da serra,
Contemplando a sua terra,
Viu em chamas a sua tróia,
E num lance impressionante
Zumbi no seu orgulho se precipitou
Lá do alto da Serra do Gigante.

Meu maracatu
É da coroa imperial.
É de Pernambuco,
Ele é da casa real."


Até.

15.11.06

RIO BOTEQUIM: VADE-MÉCUM DE OTÁRIO

Nada como o tempo, aquele nos bate à parte e que nos faz beber um pouquinho pra ter argumento, pra fazer emergir uma meia dúzia de verdades que nos dão um alívio quase que inexplicável. Um dos caras que eu mais respeito, pelo que tem de história e de vivência, de sabedoria e de experiência, é José Sergio Rocha. E foi dele que recebi o email que transcrevo, literalmente, abaixo. Depois da transcrição, comentários meus:

"Edu, sabe essa tolice em que se transformou o RIO BOTEQUIM? Não era para virar o esculacho que virou. Acompanho atentamente as porradas que você dá nessa gente e concordo contigo e com os postadores do BUTECO, quando desancam os barezinhos sob medida para os bobocas que só vão a esses lugares "da moda".

Tá bom que pai e mãe são os que criam, mas até hoje fiquei caladinho de oliveira e silva, apenas vendo o moleque crescer, apenas acompanhando e vibrando com suas travessuras. No entanto — aqui, del Rey! —, tenho alguma autoridade para falar sobre o pestinha por ter sido um dos criadores do projeto que o pariu.

Só uns poucos amigos — você e o Fernando Szegeri incluídos — foram informados por mim a respeito dessa paternidade biológica. Agora me dirijo a outros amigos e a seus leitores, fazendo minhas as palavras do falecido Jack Palance: acreditem, se quiserem.

Os patrocinadores, os que ganham grana à custa de uma idéia desvirtuada, podem ficar tranqüilos: não vou me queixar ao bispo nem vou ao Ratinho requerer o exame de DNA. Não estou atrás de propina, não sou candidato a porra nenhuma e já deixei de ir a um boteco maravilhoso, o PAULISTINHA da Gomes Freire, porque nas duas vezes em que fui não me deixavam pagar o que eu comia e bebia. Ordens do bicheiro que mandava lá, um bicheiro, aliás, simpaticíssimo. O Zinho não deixava jornalista pagar no PAULISTINHA. Uma pena. Eu teria ido mais vezes, e não apenas duas. Não sei se ainda funciona assim.

Voltando ao RIO BOTEQUIM, me inspirei a falar algumas coisas a respeito desse troço depois de visitar, por sugestão sua, o belíssimo blog PINDORAMA, escrito por um pioneiro do GUIA RIO BOTEQUIM, Paulo Thiago, a quem conheço apenas de vista, de algum boteco ou redação (eu o reconheci numa das fotos, mais jovem). Lá está uma parte importante da história dessa meleca. Agora, se você me permite, vou contar outra parte, referente à pré-história.

Em meados dos anos 1990, eu trabalhava no GLOBO ou no JB — não me lembro, foi numa das minhas idas e vindas da Avenida Brasil 500 para a Rua Irineu Marinho 35 — e fazia frilas para a Margem Editora. O dono da empresa era meu ex-editor de política no GLOBO, Luiz Alberto Bittencourt, o Luizinho, que fora o dono do REPÓRTER, um dos jornais da imprensa nanica no tempo da ditadura.

Na MARGEM — onde também estavam a Flávia Cavalcanti, o José Truda e a Sônia Beatriz — eram minhas tarefas ajudar o Luizinho a fazer jornais e outras publicações do INMETRO e da Construtora ENCOL, aquela tal que demorava tanto a entregar os prédios que construía que acabou levando um monte de processos até falir de vez.

O Luizinho, na época, prestava também assessoria ao então prefeito Cesar Maia, que estava se despedindo do cargo e tentando fazer seu sucessor, o arquiteto Luiz Paulo Conde, na ocasião com míseros 6% ou 8% no IBOPE. Era o quarto colocado nas pesquisas.

Um dia, eu disse ao Luizinho que não poderia ficar mais, pois fora convidado a escrever a biografia de Roberto Silveira, grande governador do antigo Estado do Rio, morto num acidente de helicóptero em 1961, no jardim do Palácio Rio Negro, em Petrópolis. Até indiquei alguém para o meu lugar, o jornalista João Batista de Abreu, meu ex-companheiro de trabalho no JB e no GLOBO, ex-colega do curso de jornalismo da UFF, hoje dirigido por ele.

Nessa conversa, numa daquelas salinhas da empresa, que ficava e ainda fica na Barão do Flamengo, brinquei com o Luizinho dizendo que tinha planos para fazer minha própria empresa de comunicação, a RIVE GAUCHE, a MARGEM ESQUERDA, que nunca saiu do papel. Rimos muito disso. No mesmo papo, Luizinho me entregou o derradeiro frila: produzir um jornalzinho de campanha pro Conde, o primeiro jornal da campanha dele. Fiz uma ou duas matérias, outras já estavam prontas e foram copidescadas e tituladas por mim, o panfletão ficou pronto e, então, pedi meu boné oficialmente. Luizinho me pagou o que devia, tudo certo, me mandei pra casa.

Antes disso, o Luizinho me contou que tivera uma idéia — ele sempre foi bom nisso — e pensava em apresentá-la ao próprio Cesar ou, quem sabe, caso conseguisse se eleger, ao Conde. O projeto só tinha nome, RIO BOTEQUIM. Luizinho não sabia se aquilo daria certo, pra que serviria, se a idéia empolgaria ou não o prefeito atual ou o futuro. Perguntou-me o que eu achava. Respondi no ato: é o máximo! E prometi dar de presente algumas sugestões para que fosse viabilizado.

Saí de lá com um troço na cabeça. O tal Conde ia emplacar. Eu mal sabia quem era, só conhecia de nome, um pouco de sua fama como arquiteto, e mais nada. No entanto, após fazer o jornal de campanha, tive a certeza de que ganharia a eleição. Por um motivo simples: o sujeito era gordo, bonachão, gostava de uma biritinha e de umas empadinhas feitas aí na Tijuca. Mais carioca, impossível! Se seria bom ou mau prefeito, eu não poderia adivinhar. Mas que o gordo tinha tudo para ganhar o eleitorado, lá isso tinha. Ainda mais com o apoio da "máquina"...

Pois saibam, contemporâneos e pósteros, que o degas aqui deu sua "contribuiçãozinha" para que a idéia não fosse parar na lata de lixo.

Chegando em casa, alinhavei alguns pontos. No dia seguinte, antes de sair para o trabalho, sentei diante do meu primeiro micro e escrevi seis a oito telas, com o prazer que sempre tive em produzir trabalhos não remunerados. Terminada a tarefa insana, mandei o calhamaço por e-mail, pelo meu provedor na época, um INTER qualquer coisa, aqui de Niterói. Confirmei o recebimento por telefone e larguei de mão aquilo. Guardei durante algum tempo e, como sempre faço, um dia joguei na lixeira virtual. Eu não ia ganhar nada mesmo com aquilo, nem havia me proposto a tal, que se foda!

Que prazer, Edu, tive ao escrevinhar aquele projetinho!

Pensei em desenvolver um MICHELIN dos pobres e foi o que saiu. Imodestamente, lá estava tudo aquilo que vigorou até um dia desses no RIO BOTEQUIM. A escolha dos melhores botecos da cidade por um júri de responsa; eleição do melhor chope e da batida mais caprichada; dos pastéis, empadinhas e sandubas mais apetitosos; um calendário de eventos com abertura para patrocínios do bem; edição de uma revista (o guia! o guia!) anual; o conceito de fazer daquela idéia do Luizinho (o principal pai biológico desse troço, que só editou, salvo engano, o primeiro guia) um incentivo para que se consolidasse a cultura da comida de buteco; a valorização dos botecos e adegas suburbanos, e não apenas de lugares maravilhosos como a ADEGA PÉROLA e o BRACARENSE que então existia...

Porra! Até nomes para compor o corpo de jurados estavam naquelas seis ou oito telas, 120 a 150 linhas de texto. Me lembro de alguns: Sargentelli, Jaguar, Sergio Cabral pai, Aldir Blanc, destes nomes me lembro bem.

Tava tudo formatadinho beleza!

Botecos, restaurantes com jeito de botecos, adegas, bares tradicionais do Rio, como o LAMAS, o BRASIL, o BAR LUIZ, o CAPELA, evidente que não poderiam ficar de fora daquele negócio.

Esqueci aquela porra. Semanas depois, o Conde venceu a eleição e Luizinho tornou-se seu assessor de imprensa, consultor, sei lá. Só muito tempo depois, fiquei sabendo que o RIO BOTEQUIM acabou saindo, exatamente do jeito que fora parido no meu pranteado computadorzinho que morava no meu apê da Rua Lopes Trovão, Icaraí, Niterói, de frente para o Caio Martins. Sem tirar nem pôr, caraca!

De vez em quando, evidente, uma dorzinha de cotovelo por saber que aquele projetinho bacana tinha sido aproveitado quase integralmente, sem tirar o mérito da equipe, nela incluída alguns chapas de redação, que mandou ver nos primórdios, e mandou bem!

Por que, agora, essa coisa que mais parece uma choradeira, se a culpa de não sair bem na fita foi toda minha, se o interesse não foi e continua não sendo material?

Foi pelo que fizeram ao moleque, hoje entregue a uns e outros que não parecem ter tanto respeito pela instituição "buteco". Pelos rumos que o projeto tomou, pela tolice que hoje impera e que merece o apelido dado pelo Szegeri: o RIO BOTEQUIM virou mesmo um vade-mécum de otário.

Não era para ter acontecido assim. O moleque tinha berço. Foi parido e amamentado por muita gente boa. Hoje está aí no mundo, tomando grana de bestalhões que, como você diz, se sentem o máximo por serem reconhecidos pelo Chico e pelo Paiva.

O RIO BOTEQUIM, malandragem, tem muito mais a ver é com o COSTA, o PETRÓPOLIS, o PAULINHO e o seu Real do LAMAS; com o Bengala do AMARELINHO, depois do VERMELHINHO(cuja candidatura a vereador em Santa Isabel, bairro de São Gonçalo, pelo falecido Partidão, foi noticiada, a meu pedido, pela coluna Swann, já sob a responsabilidade do Boechat); com o Gatão, do DEFRONTE; com o Candinho, o Israel e o Kojak, do falecido BAR NATAL; com o Pierre, do BAR DO NELSON, no Ingá; com todos os garçons de verdade, tenham nascido aqui ou em Nova Russas, no Ceará, o maior pólo garçonífero do Brasil, no dizer de meu amigo Milson Bezerra.

Tem a ver com boêmios de estirpe, alguns já meio aposentados, outros ainda na ativa, que bebericam e comem os acepipes do RIO-BRASÍLIA, do ESTEPHANIO´S, do CANECO GELADO DO MÁRIO, do REI DO BACALHAU, do BAR DO PERNAMBUCO, do AMENDOEIRA, do ZINHO BIER. Salve a Tijuca! Salve o Encantado! Salve Maria da Graça e Benfica! Salve Niterói!

Tem a ver, isto sim, com os saudosos freqüentadores do CAIXOTE, que ficava na Francisco Sá, onde menino eu vi — meninos, eu vi! — Vinicius, Caimmy, Paulo Mendes Campos secando ampolas nos anos 1960, ampolas que se equilibravam em caixotes de bacalhau. Com o BAR BICO, que nunca fechava, em frente à 13ª DP, quase ao lado da Galeria Alaska. Com o BOCA SECA, na Gustavo Sampaio, pra não dizerem que não falei na Zona Sul.

É um horror o que fizeram e fazem esses negociantes de botecos-franquias, esses baba-ovos do tal jornalismo culinário e das colunas indecentes que não passam dois dias sem lamber as botas dos belmontes, devassas e companhia bela!

Pisei num bar pela primeira vez na vida, que me lembre, quando tive condições de ficar de pé. Foi no FLOR DO RIO BAR, hoje o Fórum da cidade de Propriá, em Sergipe. Era do meu avô e foi nas mesas de sinuca do FLOR que um tal de Carne Frita aprendeu a matar a bola sete. O mesmo Carne Frita que vi jogando com Lincoln uma inesquecível partida no BAR E BILHAR IDEAL, na Francisco Sá, Posto Seis, Copacabana. Outro bar inesquecível, pra mim, foi um em que estive aos oito ou nove anos de idade, e ainda hoje na mesma esquina da São João com a Ipiranga, em São Paulo, o querido BRAHMA, que meu pai me levou não sei em que ano, mas num dia 9 de julho. Sei a data porque os fregueses que entravam diziam alto "Ê viva Sambaulo!". Ainda diziam essas coisas em 1959 ou 1960. Passei alguns dos melhores anos de minha vida em lugares como o BAR NATAL, famoso pela sopa Lavoisier (nada se perde, tudo se transforma), onde hoje se ergue o Plaza Shopping de Niterói. Tomei muitas cervejas na birosca do Fininho, em Oswaldo Cruz.

E muitos, muitos mais, que conheço ou que nunca fui! Botecos e butecos de verdade continuam de pé. Tal como o carnaval carioca, que os ignorantes desconhecem (preferem aquela merda que fazem em Salvador!!!).

É isso aí. Acreditem se quiserem, mas esta é uma parte da história, ou da pré-história de uma bela idéia que perdeu a alma. Quem não acreditar, foda-se!

Rio Botequim? Hahahahahaha! Cadê o eco, Simas?

Saudações etílicas do seu leitor,

Zé Sergio"


O email é longo, é verdade, mas se você chegou até aqui já sabe o quão legítima é a minha revolta contra esse lixo, contra essa mentira, contra esse vade-mécum de otário, que é o guiazinho de merda que está pra ser lançado.

Ergo, de pé, diante do balcão imaginário do Buteco, um copo cheio de chope bem tirado, em homenagem a ele, José Sergio Rocha, um amigo que conheci, e reconheci, numa mesa de bar.

Bar, diga-se, que não está listado - ainda bem - entre os notáveis visitados pela cambada de idiotas que seleciona os que figuram nas páginas sujas do livro de merda que será - anotem!, anotem!, anotem! - festejado e anunciado pelo Jota e seus asseclas.

Até.

14.11.06

DISCUSSÃO NO BALCÃO

O assunto - buteco - é tema permanente de discussões intermináveis, e ainda bem que intermináveis, porque enquanto há discussão, há garrafas e copos como pano de fundo. E havendo garrafas e copos, todos querem uma pausa de mil compassos para ver as vitrinas e suas sardinhas e moelas e pastéis, e vamos em frente.

Tendo em vista que estamos a poucos dias do lançamento do "Guia Rio Botequim" edição 2006, sua sétima edição, que eu esculhambei aqui, e o fiz radicalmente, como é praxe em se tratando de mim, a tendência é que a discussão sobre o tal livro, o tal guia, o tal vade-mécum de otário (cada um chama como quiser), cresça. Sempre haverá os eufóricos com o lançamento, sempre haverá os enfadados com a coisa, e assim a gente tem assunto pra levar à mesa e aos balcões, sejam eles reais ou virtuais.

Dia desses chegou-se ao balcão do Buteco o Paulo Thiago. Não sei exatamente como, mas sei que chegou pisando devagar, prova de extremo bom senso e de bom caráter segundo meus critérios de avaliação, que cada um tem o seu particular critério também pra isso. Daí trocamos alguns emails e já temos marcada - ou ao menos planejada - uma visita ao Rio-Brasília, o que muito me honra. Foram comigo, pela primeira vez, ao melhor buteco da cidade, o Szegeri, o Borgonovi, o Augusto Diniz, o Caio Vinícius, o Bruno Ribeiro, o Simas, o Rodrigo Folha Seca, o Pratinha. E para minha intensa satisfação, todos, sem exceção, tornaram-se fãs de carteirinha do melhor maracujá do mundo (vejam se eu exagero), do Joaquim, da Terezinha, de Deus (que é garçom da casa), da carne de panela com coradas e de cada metro quadrado desse pé-sujo que - é preciso dizer - jamais foi visitado por qualquer estudioso do malfadado guia.

Voltando ao Paulo Thiago.

Quero recomendar a vocês, meus poucos mas fiéis leitores, a leitura de um texto honesto, publicado no blog do malandro, chamado "Meu bar é o botequim". Muito mais que escrever um texto meramente opinativo, o Paulo Thiago, que é jornalista, faz um grande apanhado sobre a trajetória do "Guia Rio Botequim", desde sua primeira edição. É evidente que eu ingressei na discussão que já rendeu, até o momento, 28 comentários, muitos deles meus, do próprio Paulo Thiago e até do Moacyr Luz, o que demonstra ser verdadeira a afirmação que fiz no começo deste texto.

Leiam! E entrem na discussão!

Até.

13.11.06

A FORÇA DAS PALAVRAS DO SIMAS

Vai parecer a quem quiser me defenestrar, que estou preguiçoso nesta segunda-feira gelada, impensada para um mês de novembro no Rio de Janeiro. Mas não é verdade. Estou, eis aí o adjetivo certo, sim, embasbacado com a qualidade do texto do meu queridíssimo Simas, que - diz ele, motivado por mim - passou a escrever quase que diariamente em seu excpecional blog, o Histórias do Brasil.

E eu tenho desses troços.

Empolgo-me com alguma coisa e saio, por aí, como um mercador, vendendo o peixe alheio. Estou sendo preciso do início ao fim. Já dividi com vocês, empolgadíssimo, o Rio-Brasília, o melhor buteco do Rio de Janeiro. Já dividi com vocês, igualmente empolgado, o talento do Pratinha, e está bom de exemplos, vou parar por aqui. Vivo, permanentemente, a euforia dos encontros que, como um louco, busco sempre promover, com a intenção maior, de engrossar o exército em defesa do que há de mais carioca, de reunir gente que pensa, que opina, que faz a gente crescer a cada papo, a cada rodada de cerveja, a cada encontro, enfim.

E é mais-do-empolgado que quero recomendar, expressamente, os dois últimos textos escritos pelo Simas, de quem tenho tremendo e quase que inexplicável orgulho.

No primeiro deles, o bardo conta sobre o dia em que quase matou o desprezível cantor Agnaldo Timóteo, sem o negrito, evidentemente. É de chorar de rir. Leiam aqui.

E o segundo - o de hoje - é de uma beleza indizível.

Diz o bom Simas:

"O que se passou, por exemplo, durante a República Velha na zona do Mangue, entre garrafas de cerveja, conhaques vagabundos e delírios suicidas de velhas putas, me interessa mais que as tramóias urdidas nos gabinetes presidenciais, abastecidas, diga-se de passagem, por litros de café-com-leite e cafetinas de luxo."

Chama-se "Para todas as flores da noite" e é de leitura obrigatória. Como todo o blog, aliás.

Mas a intensidade deste último texto, meus poucos mas fiéis leitores, me obrigou a, de cotovelo apoiado no balcão imaginário, gritar: leiam!, leiam!, leiam!

Até.

12.11.06

RECADO PARA ALESSANDRO SOLER

Estou, como vocês sabem, desde ontem, sem receber O GLOBO em minha casa, já que cancelei a assinatura. Mas foi Fefê, meu siamês, quem me chamou a atenção para uma matéria babaca no jornal de hoje. Fui ao "GLOBO DIGITAL" atrás da dica. Sob o título nojento "Novos garçons conquistam modernos boêmios - profissionais dos pés-limpos - versão século 21 dos antigos botequins - ganham a preferência dos mais jovens", o jornalista (pausa para gargalhar) Alessandro Soler, sem o negrito que ele não merece, dá de imitar o Jota, igualmente sem o destaque imerecido, e assina a matéria.

Não vou dar destaque ao que diz o sujeito.

Mas ele - que escreve mal pacas - faz uma ameaça e quero respondê-lo. Ele diz, a certa altura:

"Pé limpo. Se ainda não tem um numa esquina perto de você, aguarde."

Digo eu daqui: eu moro na Tijuca, Alessandro, na zona norte, que é feito cigana lendo a minha sorte. E aqui não tem lugar pra babaquices como essa, de pé-limpo. Os lixos que você cita (Espelunca Chic, Conversa Fiada, Drinkeria Maldita, Devassa), os mesmos que seu consoante colega de redação vira e mexe exalta, nunca (eu digo nunca com ênfase szegeriana) chegarão nem perto de qualquer esquina daqui. Vá rogar essa praga pros teus.

O coro aqui é forte, comandado pelo Simas: não passarão!

Até.

11.11.06

PRIMEIRO SÁBADO SEM O GLOBO

Cá estou eu, nessa manhã cinzenta de sábado, de pé, diante do balcão imaginário do Buteco, me dirigindo a vocês, meus poucos mas fiéis leitores. O faço, um pouco, para escapar das intermináveis brincadeiras entre a minha Dani Sorriso Maracanã, e duas sobrinhas queridas, Maria Helena e Ana Clara, nossa afilhada também, filhas da irmã que eu não tive, mas que agora tenho, a Magali, e que dormiram aqui em casa ontem. É impressionante a capacidade das meninas, e da Dani, de não-parar, assim mesmo, com hífen, que é essa a melhor maneira de (tentar) descrever a energia que emana a cada segundo pela fresta da porta.

Mas cá estou, também, porque não resisti e fui ao "GLOBO DIGITAL". Antes que os zagueiros das almas me apontem os indicadores, sorrindo, me acusando de capitular, quero dizer: fui ao jornal eletrônico porque, como diria Vinícius de Moraes, hoje é sábado. E se é sábado eu sei: é dia de ACR no Caderno Ela d´O GLOBO. ACR, a plagiadora, é a Editora do tal suplemento, o que dá, bem, a dimensão do detrito. Daí abro o troço.

Na capa, uma foto de Caetano Veloso com a seguinte manchete: "ROXO-CAETANO", com o sub-título "Na onde púrpura que inunda a moda, Caetano estréia show em que celebra a cor, o rock e o ser macho". Diante de tamanha babaquice - e sobre ser babaca, leia aqui - fui ler a matéria, assinada por um tal de Roni Filgueiras (vai também sem o negrito, que ele não merece).

Não vou, aqui, transcrever todas as merdas que o jornalista escreveu (rio muito, sempre, quando me refiro a lamentáveis figuras que se dizem jornalistas, substantivo que define um homem como o Fausto Wolff, por exemplo, mas jamais bacharéis que trabalham como meros colunistas), mas apenas uns trechos. Uns poucos trechos capazes de dar a vocês uma idéia de como me sinto aliviado de não mais receber esse cocô em minha casa. Vamos a eles:

"Jaqueta jeans Helmut Lang, calça Alexander Herchcovitch, camiseta Nossa Design - de Cassiano, DJ e produtor brasileiro radicado em NY -, relógio Bulgari e tênis Reebok. Apesar de grifadíssimo, é um look simples, roqueiro e de tom roxo, (...), que Caetano Veloso vai subir aos palcos (...). O cavaleiro da MPB empunha o estandarte deep purple da regeneração e recebe o ELA, numa terça-feira chuvosa, e fala de como está vivendo uma fase de misoginia soft."

Paro por aqui.

Caetano Veloso está vivendo uma fase de misoginia soft?

Mas o show - diz a azêmola que assina a matéria - não celebra o "ser macho"?

Ou eu não sei mais o que é misoginia?

Vou ao Houaiss. E está lá, na definição de misoginia:

"substantivo feminino
1 ódio ou aversão às mulheres
2 aversão ao contato sexual com as mulheres"


PQP. Me perdoem.

Mas é que as coisas estão ficando cada vez mais feias. Mais podres. Mais escrotas. Temo pelas gerações mais novas. Não é por acaso que cruzar com craques como o Miguel Folha Seca - leiam sobre o menino aqui - é cada vez mais raro.

Mas eu não desisto nem perco a esperança: não passarão!

Até.

10.11.06

SER BABACA É...

Antes que alguém venha me acusar de calúnia, injúria ou difamação - troço cada vez mais freqüente na grande rede - faço questão de dizer que valho-me da expressão "babaca", no título, com fulcro - estou advogado até a alma hoje - na terceira definição do Houaiss:

"Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
3. sem conteúdo ou interesse; irrelevante, superficial
Ex.: um filme babaca; um comentário babaca"


Dito isso, em frente.

O Jota (sem negrito), em sua coluneta de ontem, 09 de novembro, prosseguiu sua escalada rumo ao insuperável em termos de babaquice, como se isso fosse possível em sede de homúnculo. Breve pausa... Amanhã recebo meu último exemplar de O GLOBO, razão pela qual apelo aos meus leitores - ao Caio Vinícius em especial, zagueirão em defesa do Rio autêntico - para que me municiem de informações a cada pisada de bola do dito cujo. Outra pausa... Já são muitos os que conheço que cancelaram a assinatura do jornaleco, e sempre pelo mesmo motivo... Intolerância aguda com o Jota, com a Cora Rónai, com o Arnaldo Jabor e outras figuras, todas sem o negrito imerecido. Pigarreio e sigo.

Mas vamos ao Jota de ontem.

À direita da coluneta (continuo sem minha câmera digital), bem no alto, uma coluna em negrito cujo título é "SER MODELO É" (inspiração do meu título de hoje). Vamos à parte da lista imunda e babaca do homúnculo:

"... não beber cerveja porque ´incha´.

... não falar Milão e sim ´Milano´.

... conhecer cabeleireiros e maquiadores e chamá-los de ´bi´. Assim: ´Oi, bi!´, um jeitinho carinhoso de dizer ´Oi, bicha!´.

... achar o fotógrafo Mario Testino ´um luxo´.

... não ter maquiador e, sim, um ´beauty make up´"


Paro por aqui. Tem mais, muito mais merda, mas estas são as cinco maiores babaquices.

Notem bem! O nome da coluneta é "GENTE BOA", e vejam que tipo de gente o homúnculo exalta!

Daí eu li "beauty make up" e lembrei-me de outra nefasta figura, Antonia Leite Barbosa, também sem o negrito. Lançou, a moça - eu soube pela Cora Rónai (por quem mais?) - um livro (?!?!?!?!?!) chamado "Agenda Carioca". Trata-se de uma espécie de guia, editado pelo SENAC RIO, lotado de publicidade, no qual a autora (?!?!?!?!?!)... Fogem de mim as palavras. Vamos à resenha:

"Na Agenda Carioca é possível encontrar mais de 300 endereços descolados e curiosos da cidade do Rio de Janeiro.

Foram mais de três anos garimpando dicas sobre a cidade. Primeira saída com um pretendente e não sabe onde marcar o encontro? No capítulo dedicado a bares, restaurantes e baladas, estão todas as respostas. Um amigo convidou para uma festa à fantasia e você não tem idéia de como se vestir? Vá às páginas dedicadas ao assunto que está tudo lá. E, agora, o que dar de presente para aquelas pessoas antenadas com as tendências internacionais? Não precisa mais sofrer. A Agenda Carioca, lançamento da Editora Senac Rio, criada e organizada pela jornalista Antonia Leite Barbosa, com carinho e dedicação, tem todas as saídas para as situações mais diversas do dia-a-dia. São dicas de entretenimento, gastronomia, moda, cultura e serviços em geral sobre a cidade que se esconde entre a praia e a montanha: o Rio de Janeiro.

A Agenda Carioca é dividida em dez capítulos: festas; arte e decoração; beleza; moda; mente e corpo; turismo; cursos; entretenimento; comer, beber, sair; e profissionais liberais. Dentro de cada assunto, contatos de promoters, fotógrafos, DJs, salões de beleza e lojas de roupas, sapatos e bolsas exclusivas... Os textos e as indicações são apresentados de uma maneira leve, divertida e com ilustrações, para orientar o leitor a achar o que procura sem deixar que entre numa roubada.

O projeto começou quando Antonia se deu conta de que era uma fonte de consulta para amigos e amigas. "Virei uma espécie de páginas amarelas ambulante", conta a autora, que dava sugestões sobre os mais inusitados temas. "Chegou a tal ponto que pensei em copiar minha agenda e distribuir para os mais chegados", relembra.

Mas não foi necessário providenciar cópia alguma do caderno de telefones. A partir do aumento das consultas, Antonia mergulhou numa rotina intensa para complementar a coleção que já fazia de cartões pessoais e de lugares. Durante esse tempo, quase bateu de carro olhando um letreiro ainda desconhecido e se endividou comprando. "Ficava sem graça de entrar fazendo mil perguntas e acabar não levando nada", explica. "Meu critério de seleção foi acima de tudo afetivo. Tentei fugir do óbvio e do que já era consagrado; quis apresentar um guia para quem mora na cidade e para quem vem para cá e não sabe dos cantinhos que existem", resume Antonia, já preparada para driblar os ciúmes daqueles que não figuram na Agenda Carioca."


Que nojo! Mas que nojo!

Ontem à noitinha pude folhear um exemplar dessa merda, tendo ao meu lado um portentoso carioca como o Simas.

A bobalhona diz que "tentou fugir do óbvio e do que já era consagrado".

Uma mentira imunda que não resiste a uma passada de olhos no livro-cocô.

Estão lá os bares-mentira, estão lá os restaurantes de sempre (rigorosamente todos na zona sul da cidade), estão lá barbaridades como consultores de automotivos (se eu chamar o João Paulo, meu mecânico de confiança, por esse nome, sou posto pra fora da oficina, no Andaraí, debaixo de porrada com uma chave de roda), indicação de um ludólogo (um bobo que ganha os tubos para gerenciar brincadeiras durante as festas dos descolados), está lá uma indicação de uma sobremesa chamada frapê de goiabada com calda de catupiry, que nada mais é do que a brasileiríssima goiabada com queijo, mas que com aquele nome, pernóstico como a genial (preciso parar para gargalhar) autora do livro-bosta, custa os olhos da cara.

Ou seja: mais um vade-mécum de otário, que só otário compra e recomenda.

Até.

9.11.06

JORNAL VAIA

Foi um puta prazer receber, em setembro deste ano, um convite, por email, do Fernando Ramos, editor de um jornal em Porto Alegre. Eis o convite:

"Eduardo, li, gostei, adorei, amei, achei do caralho - puta que pariu! - a entrevista com o Aldir. Conheci por acaso o teu buteco virtual. Legal demais! A crônica sobre a Luana Piovani é hilária pacas. E outras também muito boas! E tô divulgando por aí o teu blog. Cara, edito um jornaleco cultural aqui em Porto Alegre. Chama-se VAIA e tem um bando de escritores e jornalistas bons, de várias partes do Brasil, publicando nele. E a gente também produz shows por aqui, e em agosto fizemos uma grande festa pra comemorar os 60 do João Bosco e do Aldir. Reunimos um belo time de músicos de Porto Alegre pra tocar e cantar as músicas da dupla e ler poemas e crônicas do Aldir. Bela festa. Queria saber de você se essa entrevista com o Aldir foi publicada em algum jornal e se você teria interesse em publicá-la em nosso jornal. Se quiser posso remeter alguns exemplares pelo correio. Diz aí. Seu blog já tá nos meus favoritos. Sigo lendo. Saudações butequinescas e grande e fraterno abraço, Fernando Ramos - editor do jornal VAIA, Porto Alegre-RS"

Daí fomos trocando emails, identificando afinidades, e acabei por escrever um primeiro artigo para o VAIA, que foi publicado no mês de outubro.

É com prazer redobrado que apresento a vocês o site do VAIA.

Meu primeiro artigo.

E a entrevista do Aldir, já publicada no Buteco e agora ganhando ainda mais força e espaço por aí.

Até.

7.11.06

NOVA ATLANTA F.C.

Vejam vocês que beleza! Quando eu contei, aqui, em 13 de julho deste ano, que de um simples encontro com o Fefê brotou, em mim, acesíssima, a chama da paixão pelo futebol de botão, não poderia imaginar que o reencontro com uma de minhas obessões de infância geraria tanta coisa boa. Explico.

Naquele instante, em julho de 2006, eu fora convidado pelo Índio (leiam aqui) para participar de um campeonato de futebol de botão em seu prédio, na Tijuca (onde mais?), mas por um desses imprevistos ocasionais acabei não podendo ir. Fiquei frustradíssimo, lembro-me bem disso.

Semanas depois, Fefê e Índio gentilíssimos, fui convidado para um torneio amistoso no Estephanio´s, com 10 times participantes. E eu fui, meus poucos mas fiéis leitores, o terceiro colocado, e isso mais de 20 anos depois de segurar pela última vez na palheta cor de abóbora que me acompanha desde que eu era um moleque de bermudas e camisa de malha listrada ajoelhado no chão, disputando intermináveis partidas na vila número 84 da Rua São Francisco Xavier, na Tijuca (onde mais?).

escudo do Nova Atlanta

Pois bem.

No dia 10 de dezembro entrará em campo, mais uma vez, para mais um campeonato, o Nova Atlanta Futebol Clube!!!!! Mas notem a beleza do convite oficial, transcrito abaixo:

"É isso aí, galera Monteavisana!! CONFIRMADÍSSIMO!!

CARLÃO DE NATAL DIA 10 DE DEZEMBRO!!!

Só não vai jogar quem não quiser!! Quem tem agenda cheia já pode reservar a data com mais de um mês de antecedência, e quem vai trabalhar nesse dia já pode falar com o chefe ou com o sócio pra trocar de dia!!! Só teremos mesmo o desfalque dos paulistas.

Segue em anexo, o CONVITE com TODAS AS INFORMAÇÕES DO EVENTO. Todas as ATRAÇÕES listadas no convite serão CUMPRIDAS!!!

Peço, por gentileza, que os senhores confirmem presença VIA EMAIL, assim como a QUANTIDADE DE ACOMPANHANTES para o SUPER-CHURRASCO!!!

A confirmação é importante para que a comissão faça as compras de forma correta.

A comissão, escolhida pelo Índio foi: Daniel, Marcellinho, Fernando(Estephanio´s), Índio e Ricardinho.

Nesse CARLÃO DE NATAL HISTÓRICO teremos a inclusão de 2 novas agremiações:

NOVA ATLANTA: Time do Eduardo, irmão do Fernando, que já estava convidado a ingressar na CMAB desde a 4ª Edição, mas que por motivos familiares não pôde estrear.

DÉCIMO QUATORZE: Time de nome estranho, porém justificável. Bruno, primo do Alan e dono do time, ao ver o elevador do Monte Aviz do 14° andar exclamou: "O elevador está no décimo quatorze!!". E essa frase virou sua marca registrada. Para quem não conhece, o Bruno é monteavisano por opção, assim como Magoo e Rodrigão, e passou boa parte da sua infância com a gente. Bruno também foi protagonista de uma passagem hilária, num dos campeonatos de botão que eram realizados no corredor do 10° andar, na década de 90. Diogo foi sua vítima. Não vou relatar o fato aqui, deixo essa missão para a vítima, isso se ela quiser se manifestar!!

Bruno e Eduardo estão incluídos nesse e-mail.

Namoradas, esposas, filhos e animais de estimação serão BEM-VINDOS!!!

Aguardo as confirmações."


Ou seja. Estou riscando a lápis, dia após dia, a folhinha imaginária, esperando o dia 10 de dezembro chegar.

Quero vencer o campeonato e dedicar o título ao meu mano Szegeri. Quer entender o por que? Leia!

Até.

6.11.06

MIGUEL FOLHA SECA

Quando o Simas, durante uma apresentação do Pratinha, gemeu entre lágrimas "O Brasil tá salvo!" - leiam aqui - quis, com isso, dizer muita coisa, não sei se vocês perceberam, mas quero explicar.

O Simas, que é dos meus, via (e vê) naqueles meninos, tocando samba e choro da melhor qualidade, uma geração não conspurcada pela música-lixo que aliena e capaz de manter acesa e viva a chama de nomes como Bide e Marçal, por exemplo.

Pausa mínima: uma geração incapaz de babaquices olímpicas como a exaltada, hoje, só podia ser, pelo Jota (sem o negrito que ele não merece). Notem a manchete da coluneta: "Bonequinho agora é coisa de homem - É a nova mania entre os moderninhos da cidade. Mas entre eles, o nome bacana da coisa é ´art toys´".

Vou prosseguir valendo-me do gancho.

O Simas via (e vê) naqueles meninos a antítese dos "moderninhos", dos stylist, nova praga que o homúnculo vem exaltando diariamente.

Mas notem bem uma coisa... O Pratinha está com 19 anos. Não se pode dizer mais que seja exatamente um menino, mesmo se tomarmos nossa idade como parâmetro. Mas é de um menino, de seis anos de idade (eu disse 6!!!!!), que quero falar hoje.

O Rodrigo Folha Seca, que é também, de batismo, Rodrigo Ferrari, sobrenome que diz muito sobre sua personalidade (o homem é uma máquina!), tem um filho chamado Miguel. Miguel Folha Seca, para todos os efeitos. E vejam, meus poucos mas fiéis leitores, que banho de carioquice dá esse menino nessas pseudo-personalidades que vão e vêm sem deixar uma mísera marca que seja na história da cidade.

O Rodrigo é um pai zeloso. E tem tios igualmente zelosos, daqueles que não medem esforços para agradar as crianças da família. Pois bem.

E foi justo um tio que, há muitos meses, comprou dois ingressos para uma das apresentações do Cirque du Soleil no Rio de Janeiro. Na Barra da Tijuca (onde mais?). Um para o sobrinho - o Rodrigo - e outro para o sobrinho-neto - o Miguel.

E lá se foram, pai e filho, na sexta-feira passada, de van, para o pranteado circo. Ingressos no valor de duzentos, trezentos, até setecentos reais. Sacos de pipoca a doze reais, valor suficiente para comprar um milharal no Paraná. Um refrigerante a lunáticos cinco reais. Um espetáculo de som, luzes, coreografias milaborantes, malabarismos que desafiam as leis da física, e chega ao fim, repeitável público, o espetáculo.

Rodrigo, notando a mudez do menino, espana o cabelo no alto da cabeça do Miguel e forja uma empolgação:

- E aí, filhão? Gostou?

Constrangido, num sem-pulo, Miguel responde:

- Não. Prefiro o circo de Pirenópolis.

Pirenópolis, cidade histórica fundada pelos bandeirantes, e que fica entre Goiânia e Brasília, é onde mora o avô do Miguel.

O pai, atônito:

- Mas, filhão... Você não gostou de nada?

- Gostei, pai.

E o Rodrigo eufórico:

- De quê? De quê?

Eis a resposta do craque:

- Do intervalo.

Como diz o Simas, soldado na linha de frente do meu exército pessoal, o Brasil, nas mãos pequeninas do Miguel, está salvo.

Não passarão!

Até.

3.11.06

PRATO CHEIO PARA O SUICÍDIO

Vejam vocês como estou.

Em frangalhos.

Com a alma e a estima em baixa, mais em baixa do que Geraldo Alckmin (sem o negrito, que ele não merece), que perdeu mais de dois milhões de votos do primeiro para o segundo turno.

Bateu o telefone hoje, pra mim, o Flavinho, o meu querido Xerife:

- Edu! Vou abrir hoje, aqui em casa, um Green Label! Coisa de duzentos dólares! Duzentos dólares!

Não sei se vocês sabem - ou lembram - mas o Flavinho, egresso do Cachambi, é um obcecado pelo preço do que bebe. Mas - diga-se em nome da precisão - a obsessão começou quando foi morar com a Betinha, no Flamengo, já que quando residia no bairro do qual não tem, confessa-me sempre, nem sombra de saudade, bebia o que havia de pior.

Mas prosseguiu no telefonema:

- Pensei em chamar você, a Dani, o Fefê e o Vidal. Você topa? Hein? Duzentos dólares! Topa?

Topei.

Mas eis que bateu-me o telefone há pouco, de novo, o Flavinho:

- Edu?

- Fala!

- O Vidal está em Búzios. O Fefê trabalha hoje à noite. Vamos deixar pra outro dia.

Eu disse:

- Mas eu posso!

E ele, cruel:

- Vamos deixar pra outro dia.

Insisti:

- Flávio... Eu e Dani queremos ir...

Obtuso, ele foi áspero e econômico quando repetiu a frase pela metade:

- Outro dia.

E desligou.

Vejam bem. Eu, possivelmente num daqueles delírios e numa daquelas ilusões tristíssimas, me considero uma boa companhia. Um sujeito de bom papo, de humor inteligente, capaz de transformar uma noite num acontecimento, em caso de inspiração, que considero, sem modéstia (eis aí a ilusão em estado bruto), uma constante.

Mas veio o Flavinho, sem sequer resquício de sutileza, e me dispensa, me chuta, me joga pra escanteio, me humilha e me lança numa depressão que, por pouco, não me fez escancarar as janelas do décimo segundo andar, onde trabalho, numa espécie de prólogo do mergulho para a morte.

Até.

1.11.06

AUTOPROMOÇÃO

Terminada a disputa eleitoral, terminado o mês de outubro, penso que é chegada a hora de uma brevíssima autopromoção, que isso não faz mal a ninguém, ainda mais quando confiamos no nosso próprio taco e quando não há sinuca capaz de nos fazer, mesmo com o fancho, desistir do jogo.

Quero dividir com vocês, meus poucos mas fiéis leitores, a alegria de mais um recorde que o Buteco quebrou. Mais de 3.000 pessoas passaram por aqui em outubro, o que me dá ânimo, crescente, para, diariamente, vir ao teclado, diante do monitor, dizer o que penso, contar minhas histórias, dividir minhas angústias, partilhar minhas aflições, acusar o que penso errado e apontar o que considero acertos.

Ainda na onda das eleições, vamos aos números.

Quero agradecer, primeiramente, aos maiores fomentadores de visitas ao Buteco. Ao meu irmão Szegeri, que com o seu "Só Dói Quando eu Rio", é responsável por 8,21% das visitas, ao Marcelo Moutinho, do "Pentimento", que trouxe pra cá 7,88% dos visitantes, à Vanessa Ornella, do "VanOr", que carreou 5,49% dos leitores, ao Bruno Ribeiro, do "Pátria Futebol Clube", com uma ajuda de 3,58%, à Maria Paula, do "SegredinhosSecretinhos", com 1,30%, e ao Tartaglia, do "Front do Rio", que mostrou o caminho para 1,11% das visitas.

Paro por aqui, já que os demais - a quem também agradeço -, como se diz durante a apresentação das pesquisas eleitorais, não atingiram 1%!!!!! Mas seria leviano da minha parte não dividir esses números com o Simas, do "Histórias do Brasil", com o Mauro, do "Você que é Biólogo", com a Inês, do "Casaco Amarelo", gente que está sempre com o cotovelo apoiado no balcão, transformando o Buteco num troço - olha a autopromoção em cores vivas! - divertidíssimo.

O Buteco, acima de tudo, me serve como uma espécie de filtro, e quero explicar. Chegam a mim, através dele, diversas pessoas, e o ano de 2006 foi fértil nesse quesito. Devo a ele a honra e a glória de conhecer (mais de perto) e de conviver (cada vez mais) com gente da mais alta qualidade como o Fraga, o Bruno Ribeiro, o Caio Vinícius, o Simas, o Rodrigo Folha Seca, o Pratinha, e devo - também, e muito! - ao Buteco a alegria de ter publicado meu primeiro livro, "Meu Lar é o Botequim" (pode ser encontrado na Livraria Folha Seca ou por aqui), já que foi graças ao Buteco que me conheceu minha mui querida editora, Marcia Silveira, por indicação de outro grande que me chegou graças ao blog, José Sergio Rocha.

Graças, também, ao Buteco, gente que mora longe está sempre comigo, como o Robson, a Railídia, a Stefânia, a Roberta, o Borgonovi, o Coelho, o Bruno Ribeiro, o Marcão, o Julio Vellozo, o Felipe Tartaruga, a Inês, a Crespita, a Susana, o Próspero, a Cidália, a Elizete, a Luciana Machado Matos, irmã do meu saudoso irmão Fábio Machado Matos, provando que de surpresas, e das boas, o Buteco está cheio.

Ergo, portanto, uma caldeireta com quatro dedos de espuma espessa de chope a todos vocês, que fazem desse canto um troço especialíssimo que, se me rende desafetos (que dão coerência a tudo em que acredito), me ajuda no alistamento dos soldados do meu exército pessoal, uma coisa fundamental na vida de um homem de bem.

E, em especial, um brinde à minha Dani Sorriso Maracanã, que é pra quem escrevo - tenho de confessar isso em nome da precisão - todo santo dia.

Até.