31.12.07

A ÚLTIMA DOSE DE 2007

pôr do sol em Ipanema em 30 de dezembro de 2007É incrível, meus poucos mas fiéis leitores, a sensação de que alguém disse, antes de nós, exatamente o que gostaríamos de ter dito.

Encerro 2007, então citando Aldir Blanc.

Perdôo a todos, não peço desculpas. Foi isso que eu quis viver.

Até.

28.12.07

A CONTA DISCRIMINADA

Não preciso lhes dizer sobre o que penso desse portentoso buteco tijucano, o Rio-Brasília - já disse o que tinha pra dizer aqui.

É lá que celebro a arte de incontáveis encontros, como esse, por exemplo, no dia 22 de dezembro, cuja fototeca encontra-se aqui.

Nesse dia, nesse sábado, depois de mais uma roda de samba na rua do Ouvidor, dirigimo-nos pra lá - como sempre.

E como sempre, também, esse gentil maiúsculo, o Felipinho Cereal, não permitiu que ninguém pagasse rigorosamente nada.

- Se estou à mesa ninguém paga porra nenhuma!!!!! - diz com a costumeira polidez da Tijuca.

Eis o registro da conta, discriminada, que me foi entregue, após incontáveis apelos meus, pelo Joaquim.

conta do Rio-Brasília de 22 de dezembro de 2007

Escrita à mão. No papel de pão. Com preços inacreditáveis. E escrita em códigos, não de barra, que somente os iniciados no pedaço compreendem.

Está lançado o desafio...

Quem mata, item por item, o que consta da conta?!

Não vale participar, é evidente, quem lá esteve ontem comigo e me ouviu decifrando o papiro joaquino - Fefê, Simas, Fraga, Prata, Augusto Diniz, Borgonovi e, é claro, Felipinho Cereal.

Até.

27.12.07

21.12.07

BABAQUICE OLÍMPICA

Estávamos em São Paulo, no interior do que viria a ser o Sabiá (ainda não o conheci depois de oficialmente inaugurado), quando chegaram a máquina de café expresso e a embalagem com os sachês contendo o pó do italianíssimo.

No instante em que bati os olhos na caixa, quase-vomitei diante da nojeira que li: PROTEGIDO POR ATMOSFERA MODIFICADA.

a nova maneira de se dizer embalado a vácuo

Pensei não ser possível.

Mas fui direto à mocinha que faria uma pequena demonstração sobre o funcionamento do troço:

- O que é isso? - perguntei, apontando.

- É uma maneira soft e mais elegante de dizer "embalado a vácuo"...

Não a agredi graças a intervenção do Marcão (conheça-o aqui). Puxou-me pelo braço, o bom Marcão, enquanto ria de chorar:

- Edu... já sei como anunciar peido em festa de grã-fino...

Eu, ainda revoltado com a politicamente correta, não saquei. Ele prosseguiu:

- Senhoras e senhores... Vou dar uma ligeira modificada na atmosfera...

Até.

O BLOG DA CORA RÓNAI

Dirá meu irmão Luiz Antonio Simas que estou acendendo muita vela pra pouco defunto. Mas como as velas estão em promoção no Mundial da rua do Matoso, seguirei em frente.

Ser expulso do blog de uma empregada d´O GLOBO - eles chamam expulsão de bloqueio - é, com a licença do exagero, quase uma medalha no peito, um prêmio a ostentar, um troféu na parede imaginária. Refiro-me ao insuportável blog de Cora Rónai (vejam o post exato aqui).

comentários no m blog da Cora Rónai

Eu apenas cobrara, da dona daquele pedaço, uma cobrança (a repetição é proposital) da lista, da famosa lista (não entendeu? veja aqui e aqui).

Aliás, diga-se a respeito da dita lista: NENHUMA linha n´O GLOBO de hoje sobre o assunto. Quem são - eu me pergunto - os intocáveis (artistas, jornalistas e jogadores de futebol) citados nas escutas telefônicas capazes de gerar tamanha censura nas redações????? Eis a razão pela qual sugeri ao Pedro Bial uma edição extraordinária do insuportável BBB (vejam aqui) apenas para tratar do palpitante assunto.

E sugeri isso à Cora Rónai por uma razão muito simples: como desconfio da censura na redação d´O GLOBO e como seu blog é independente, ou seja, não é hospedado pelo jornal, achei que ela poderia ter a coragem de, pelo menos, cobrar uma postura de seus coleguinhas de redação.

Mas, voltando.

Bastou eu cobrar a lista para que um cidadão, um fanático pela Cora (já falo sobre isso), estrilasse. Ele, depois outro, depois outro, depois outro... Lembrando que dirigi-me a ela, não a nenhum dos que se arvoraram de defensores (contra o quê, hein?!) da jornalista.

Breve pausa.

Blog de jornalista é um problema. Os freqüentadores - traço comum a todos os blogs, diga-se de passagem - se sentem íntimos do blogueiro (ou da blogueira, no caso) e passam a comentar TUDO, rigorosamente TUDO. No caso do blog da Cora Rónai, então, esse comportamento patológico vai às raias do inacreditável.

Ela publica, por exemplo, uma foto de seus gatos comendo atum (seu blog é, praticamente, um gatil), vejam aqui. E pipocam os comentários: um escreve "No atum, muito atuam. Mutuamente, não se metem, nem se matam?"; outra responde "Eles também adoram peito de peru defumado, blanquet light, manjubinha, presunto cozido, sashimi e franguinho desfiado. Lógico que eu não dou isso tudo para eles, só uma 'lasquinha' de vez em quando. Agora, eles detestam sardinha. Devem achar que é 'coisa de pobre'!!!", por aí.

Eu, que já implicava olimpicamente com a Cora Rónai desde muito antes da Copa do Mundo de 2006, quando ela foi inacreditavelmente escalada para escrever sobre seus passeios com uma capivara de pelúcia na Alemanha (duvida? Veja isso aqui, o inacreditável blog, também por ela mantido, chamado OS DIÁRIOS DA CAPIVARA...), eu que já desconfiava de sua postura corporativista quando denunciei, por email, o vergonhoso plágio de autoria de uma colega sua de redação (vejam aqui), agora fecho - digamos - o ciclo capaz de fixar em mim o desenho de seu papel na combalida imprensa carioca (e eu poderia dizer brasileira sem medo do erro).

Expulsou a mim (uma honra!, uma honra!, uma honra!) mas lá manteve os comentários a mim ofensivos - e vindo de quem vieram, repito, é um elogio. Aliás... ela expulsou, não... Alguém, covarde, que assina - vejam que nojo - Síndico de Plantão. E logo atrás - basta ir lá pra conferir - vieram os fanáticos aplaudindo a iniciativa.

Os mesmos que babam em bicho de pelúcia, os que dão a vida por um celular igual ao da jornalista, os mesmos que mandam cartas para a redação do jornal em nome dos gatos da dita cuja.

Tudo coerente, como se vê.

Até.

20.12.07

BIG BROTHER BRASIL

BBBEu já havia cobrado, aqui, - quem sou eu? - a lista dos vips (artistas, jornalistas e jogadores de futebol) citados em escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal durante a Operação Naufrágio que prendeu, no começo da semana, 17 pessoas.

Até agora, nada.

A manchete sumiu dos blogs de O GLOBO.

Por que não - eis a sugestão que faço - um BIG BROTHER BRASIL EXTRAORDINÁRIO, já que eles adoram fuxicar a vida alheia, contando detalhes da Operação Naufrágio, expondo as gravações em que são citados os membros da canalha, entrevistando os figurões que devem estar, à essa altura, com o perdão da palavra, com o cu na mão?????

Não seria uma boa idéia, Pedro Bial?

Até.

ENTREVISTARAM O CARLINHOS!

fotoblog do Tulípio, 20 de dezembro de 2007Clicando na imagem você vai parar no fotoblog dos caras!

Até!

DEU NO TULÍPIO!

fotoblog do Tulípio, 20 de dezembro de 2007Clicando na imagem você vai parar no fotoblog dos caras!

Até!

19.12.07

ABRI!

Jack Daniel´sValeu, Craudio!

A GREVE DE FOME DO BISPO

O GLOBO DIGITAL, 19 de dezembro de 2007Desmaiou?

Sinceramente, foda-se.

Até.

CADÊ A LISTA, GLOBO?????

GLOBO DIGITAL, 19 de dezembro de 2007As ORGANIZAÇÕES GLOBO têm a obrigação de divulgar, logo, a lista dos dezenove nomes citados nas gravações feitas durante as escutas telefônicas decorrentes das investigações da Polícia Federal no combate ao tráfico de drogas.

Aqui, no balcão do BUTECO, a marcação será cerrada e a cobrança, constante.

Até.

DO DOSADOR

* Eu jamais me deixei iludir pelos elogios nepotistas de mamãe e de vovó, tampouco pelas carinhosas - mas visivelmente forçadas - observações da minha menina, feitas geralmente na saída do banho, tipo "você tá lindo", "que coisinha mais fofa", esses troços que, aliás, a gente sempre ouve, sejamos ou não merecedores da coisa. Eu sei que eu sou feio para caralho, e sei que minha cara é uma espécie de máscara rejeitada pelo controle de qualidade da fábrica; mas é uma só.

* Um sujeito que se aproxima, como quem não quer nada, com uma garrafa de querosene numa das mãos, uma caixa de fósforos na outra, uma idéia incendiária na cabeça e uma vontade manifesta de ver VOCÊ fazer o estrago, não é um fazedor de merda, mas um grandissíssimo filho da puta. E covarde.

* Wagner Montes e Marcelo Crivella disputam a preferência do eleitorado, até o momento, para as eleições do ano que vem para a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Correndo por fora, Solange Amaral. Assim não há, nem haverá, São Sebastião que dê jeito nisso aqui.

* Dia desses, enquanto bebíamos juntos, eu e Luiz Antonio Simas, uma moça hippie tentou atracar-se com um amigo comum (tenho as fotos para provar mas NÃO vou publicá-las, mesmo que um sujeito como ao que me refiro na segunda dose sugira). E o Simas, coçando a cabeça, vendo a moça descalça, com os pés pretos de lama, o cabelo vertendo lêndeas, piolhos e caspa, o vestido imundo e aqueles olhos de acabei-de-comer-maconha, soltou mais uma observação genial:

- Eu sempre disse que os hippies confundem filosofia de vida com falta de higiene.

* O maniqueísta nada mais é do que um idiota que, mais à frente, se contradirá.

* O Cordão da Bola Preta completa, hoje, 89 anos, e em situação de penúria, correndo o risco de não abrir o Carnaval em 2008, no sábado - o que seria, pra dizer o mínimo, trágico. Enquanto isso, o Governo Federal, através da Petrobras, negocia uma mãozinha de doze milhões de reais às milionárias Escolas de Samba do Grupo Especial, da LIESA. Nenhuma das Escolas de Samba do Grupo Especial, depois de terem se transformado no que se transformaram (vitrine de exposição de artistas, jogadores de futebol e jornalistas - remissão proposital - vejam aqui), tem mais valor que o glorioso Bola Preta.

* Em solenidade ontem, no Palácio da Cidade, Márcio Braga - presidente do Flamengo, que não o merece - e César Maia se emocionaram durante homenagem-babaca do clube ao alcaide, que vestiu, mesmo sendo torcedor do Botafogo, camisa e boné do mais-querido. Momentoso episódio capaz de demonstrar o caráter de ambos. Reitero, palavra por palavra, o que já disse aqui.

* Seguramente alguém mais tendente à onda globalizante terá na ponta da língua argumentos bastantes para me convencer de que não há nada demais na coisa. Mas não compreendo a razão para que o portal do Governo Brasileiro seja alcançado, também, através do www.brazil.gov.br (aqui).

Até.

ABAIXO A PODRIDÃO

primeira página de O GLOBO de 19 de dezembro de 2007Atores, jogadores de futebol e artistas... Sei... Sei... O pessoal das áreas VIP.

Espero, sinceramente, que divulguem o quanto antes o nome dos membros da canalha.

Fossem "desconhecidos" - adjetivo do qual valeu-se uma chucra, recentemente, pra atacar minha garota - e os nomes estariam em destaque numa lista, com foto (ou caricatura) e tudo.

Pau neles!

Até.

18.12.07

17.12.07

25 ANOS DE SAUDADE - 1982/2007

Quando eu ficava de castigo por conta de qualquer travessura mais ousada, quando chovia muito forte e os raios e trovões eram intensos, quando eu tinha muito sono graças à presença de João Pestana, quando eu tinha medo - fosse do que fosse -, quando eu queria apenas um cafuné, quando eu queria só ouvir histórias ou pedir proteção, seu colo era o lugar mais seguro do mundo.

Mariazinha Goldenberg (mamãe), eu, Mathilde (vovó) e Mathilde (bisavó)

Ontem, pela manhã, enquanto eu desfiava bacalhau para um almoço que faria - e fiz! - à tarde, ouvindo Clara Nunes - um de seus pratos favoritos, uma de suas cantoras prediletas, e tudo por mero acaso (acaso?!) - senti uma saudade doída de minha bisavó.

Não foi triste, minha dor.

Ao contrário, foi uma saudade vívida e confortável.

Senti sua presença, e pouco me importa que nome dão a isso: espírito, alma, energia, não importa.

Ontem, vinte e cinco anos depois, completados hoje, 17 de dezembro de 2007, minha bisavó me fez menino, por alguns minutos, e deitado em seu colo.

Até.

KAKÁ, UM MENTIROSO

Poucas transmissões de uma partida de futebol foram tão revoltantes quanto a de ontem, quando a TV GLOBO, através de seu cada-vez-pior Galvão Bueno (sem o imerecido negrito), mostrou, às 8h30min, a final do Mundial Interclubes entre Milan (do brasileiro Kaká, também sem o negrito), da Itália, e Boca Juniors, da Argentina.

Como se não bastassem as incontáveis baboseiras proferidas pelo locutor esportivo mais chato do mundo, assistimos a uma patética cena protagonizada por um dos jogadores brasileiros do time do italiano.

Kaká, 16 de dezembro de 2007, após a final do Mundial Interclubes, em Tóquio

Mentindo fragorosamente (pertence a Jesus é o caralho, ele pertence mesmo é a um empresário desses da panelinha da FIFA), Kaká voltou a fazer propaganda da Igreja Renascer, da qual faz parte e, conseqüentemente, a defender o casal de pastores-escroques, responsáveis por crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

E fez propaganda em inglês: não foi em português, sua língua-pátria, nem mesmo em italiano, língua do país em que joga futebol.

Um nojo, um completo e abjeto nojo.

Como foi nojento, também, ouvir o babaca-mor babando o ovo do menino-bonitinho (que receberá hoje, é evidente, o prêmio da FIFA de melhor jogador do mundo em 2007) e torcendo, sem disfarçar, pelo Milan.

Até.

15.12.07

ELE, NO ELA, DE NOVO

Quem acompanha o BUTECO sabe que poucas coisas são mais abjetas, na paupérrima imprensa carioca, do que o caderno ELA, encartado aos sábados em O GLOBO, caderno esse que é editado pela plagiadora (vejam aqui o plágio escancarado).

Quando escrevi o texto A CANALHA PORCA DE SÃO PAULO (leiam aqui), em 22 de outubro de 2007, escrevi, transcrevendo trecho de uma lastimável crônica assinada por um coleguinha de caderno da plagiadora:

"Falei em Brasil e faço uma pausa... N´O GLOBO de sábado, um jornalista cujo nome não repito sob pena de vomitar sobre o teclado, escreveu a seguinte merda:

"Quando a crônica acima for publicada, vou estar de férias no continente que realmente importa."

Deveria, o coleguinha de caderno da plagiadora (vejam aqui!) - se o jornal O GLOBO fosse sério - ser sumariamente demitido e convidado a passar o resto de seus dias no continente que realmente importa pra ele. Mas é evidente que nada disso acontecerá... Até mesmo porque a editora do caderno ELA, onde foi publicado o lixo acima transcrito, é a própria plagiadora. Dito isso, em frente."


Em 03 de novembro de 2007, duas semanas depois, escrevi O COLEGUINHA DA PLAGIADORA (leiam aqui), quando descobri - e disse isso a vocês no mesmo dia! - que o sujeito se referira à Europa, já que escrevia a crônica daquele sábado, ininteligível como todas, de Berlim.

E hoje, mostrando-se incansável na arte da futilidade, escreve um lixo chamado GENTE FEIA, onde vocifera contra a gente do subúrbio, contra os freqüentadores de rodas de samba, contra a população da Barra da Tijuca, contra os moradores do Leblon, por conta da presença, em uma festa, de quatro caras que destoavam do "clima discretamente pansexual" - o texto podre é dele - do ambiente. É de vomitar, por exemplo, quando escreve:

"Seja como for, destoavam dos outros convivas, fina flor da boemia intelectual carioca."

publicado no caderno ELA de O GLOBO de 15 de dezembro de 2007

Por aí vocês vêem como anda O GLOBO, esse caderno ELA, a imprensa carioca.

Ele deveria ter coragem de dar nome aos bois. E dizer quem compõem a "fina flor da boemia intelectual carioca".

Ficaria mais fácil fazer a comparação e convidar a canalha preconceituosa presente à festinha pansexual para beber uma cerveja decente por essas bandas, onde - digamos - os pingos seriam postos nos "is".

Façam uma idéia...

De um lado, os descolados que se sentem usurpados por terem perdido a exclusividade - tudo no texto... - para freqüentar o Baixo Leblon, o Baixo Gávea, o Coqueirão... E de outro... Luiz Antonio Simas, Luiz Carlos Fraga, Paulo Amarelo, Fefê, Zé Colméia, Arthur Favela, Brunão Tirone, Bruno Ribeiro, Zé Sergio, Gordo, Szegeri...

Covardia.

Até.

14.12.07

REGISTROS

Terça-feira próxima passada, 11 de dezembro, almocei - a trabalho - com Luiz Carlos Fraga, o Fragata, como prefere chamá-lo Rodrigo Ferrari, esse poço artesiano de doçura. Eu, aliás, que não sou muito chegado a alto-mar e travessias marítimas, detesto o epíteto. Mas vamos em frente.

Eu disse isso apenas para manter a fama de polemista.

Marcamos o almoço, eu vindo do Tribunal de Justiça e ele do Tribunal do Trabalho, no Antigamente, na rua do Ouvidor 43.

Devo dizer que antigamente eu detestava o Antigamente. Tudo ali era estranho, tudo ali era anti-carioca, tudo ali impedia e repelia minha freqüência, ainda que mínima ou esporádica para uma única cerveja - que jamais bebi. Mas eis que o Antigamente foi vendido e uma bela figura tomou a frente do negócio: o Carlinhos.

O Antigamente tem, portanto, seu divisor de águas, sua demarcação de eras, o Carlinhos. Há o Antigamente AC e o Antigamente DC. Eis a verdade e vamos ao almoço.

Aliás... não vamos ao almoço eis que não quero lhes contar nada sobre o almoço, que foi todo ele, das 15h às 17h, dedicado a trabalho, e eu sou, na matéria, um sigiloso.

Fazia uma canícula na cidade. À certa altura, já terminando os trabalhos, depois de correr os olhos pelo cardápio mais uma vez e não encontrar o que me apetecia naquele momento, pedi que chamassem o Carlinhos.

- Há como mandar preparar um steak tartar, Carlinhos? Vimos que não consta do cardápio...

Luiz Antonio Simas chegou exatamente nesse momento e sentou-se à mesa conosco.

O Carlinhos, provando a fidalguia da era DC, apenas sorriu, fez sinal para que esperássemos, ouviu de cada um de nós um pedido diferente com relação ao prato - que tem incontáveis variantes! - e em menos de quinze minutos veio à mesa um fabuloso steak tartar.

Dito isso, vamos ao que quero lhes dizer hoje, precípuamente.

Poucas coisas na vida são mais importantes do que fazer registros. E registros, que fique registrado, de tudo. Eis aí uma das grandes vantagens dos avanços tecnológicos, que permitem que saquemos da pasta, do bolso, das bolsas, uma câmera digital, uma filmadora do tamanho de uma câmera digital, um telefone celular de última geração, um gravador digital do tamanho de um isqueiro, e façamos o registro dos momentos que vivemos para que a saudade seja melhor documentada, as histórias sejam melhor contadas, a vida seja mais bem revista.

E eu, um obsessivo com esse troço do registro, após lambermos os beiços, os três à mesa, com o primeiro steak tartar do Antigamente, saquei de uma toalha de papel e mandei ver:

"Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 2007

Serviu-se hoje, 11 de dezembro de 2007, o primeiro steak tartar do Antigamente na rua do Ouvidor, 43. Presentes,

Eduardo Goldenberg
Luiz Antonio Simas
Luiz Carlos Fraga"


E o Fraga pôs um PS:

"O nascimento do prato deveu-se à maiúscula figura de Carlinhos, após Eduardo Goldenberg"

registro do primeiro steak tartar servido no Antigamente, na rua do Ouvidor, 11 de dezembro de 2007

Não satisfeito com o primeiro registro feito, ao chegar à mesa a conta pedi ao Carlinhos que destacasse a comanda do steak tartar e assinasse, para que eu a guardasse comigo.

E assim foi feito.

A comanda da mesa 6, com o steak tartar comandado a R$25,90, tem o carimbo do Antigamente e o autógrafo - o cara é um artista, pô! - do Carlinhos.

comanda do primeiro pedido de steak tartar, no Antigamente, na rua doi Ouvidor, assinada pelo Carlinhos, 11 de dezembro de 2007

Partimos, então, em direção à livraria do meu coração, a Folha Seca, ao lado do Antigamente.

Lá chegando, cerveja que vem, cerveja que vai, cutuca-me o Simas:

- Edu... Fiz um samba em homenagem a Oyá...

- É? Pô, Simão, canta aí...

Ele, num gesto clássico que o caracteriza, coçou a testa com o dedo mindinho, o seu vizinho, o pai de todos e o fura-bolo da mão direita, o punho bem no alto da careca, o cotovelo apontado para o lado e para o alto:

- Não sei se lembro... Não sei se lembro...

Saquei, na hora, do telefone celular, liguei o gravador e disse:

- Canta, Simão, canta!

E ele cantou.

A gravação está cheia de chiados porque eu sou uma negação no domínio dessas novidades. Gravei no celular, depois passei para o gravador digital e só então para o computador, e mesmo assim contando com o auxílio luxuoso da minha comadre Mariana Blanc, que transformou o arquivo em MP3.

Mas vale - como já disse - o registro.

Pedi a letra ao Simas, que mandou-me o email abaixo reproduzido.

No final, o acesso à gravação do samba, lindíssimo. A gravação está tão cheia de chiado, mas tão cheia de chiado, com a taxa de bits tão baixa, que o programa DivShare, que disponibiliza o arquivo, não o reconhece vez por outra. Eis a razão pela qual optei, desta vez, pela disponibilização do acesso ao arquivo, e não ao arquivo diretamente postado no BUTECO.

""A mãe dos nove espaços do Orum
É madeira que cupim não incomoda
Yabasse prepare o acarajé
Hoje tem batucajé, tem candomblé, samba de roda.

A borboleta encantada
Fez morada em Ifé
Atrás desse búfalo selvagem
Há uma imagem de mulher

Que amou Ogum
Com todo fervor
Até o dia
Em que conheceu Xangô
Trocou o ferreiro
Por um novo amor.

Oyá se apaixonou
Foi ventania
Se amaram noite e dia.

Põe epô que dá o axé
Para receber as bençãos da senhora do Balé

Ke matim alaba ê
Ê mabo
Olha o vento dando nó
Conduzindo Egum
Ke matim, alaba ê
A guerreira de Olorum"

Lembrando: em certos mitos Iansã é um búfalo da floresta, em outros foi seduzida por uma borboleta encantada. O último refrão louva a posição de Iansã no culto aos mortos. Balé é a casa onde são cultuados os eguns. Iansã comanda os eguns e dança no reino dos mortos. O acarajé é uma de suas comidas prediletas. Dizem que Oyá comanda os nove espaços do Orum, o invisível..."


PARA OUVIR CLIQUE AQUI


Até.

13.12.07

FOTOTECA - AS FOTOS DO GORDO

Arthur Favela, Bruno Tirone, Edu Goldenberg e Daniel Frangiotti na rua do Ouvidor, 08 de dezembro de 2007
Daniel Frangiotti, Bruno Tirone, Leudo, Rodrigo Ferrari e Arthur Favela na rua do Ouvidor, 08 de dezembro de 2007
Bruno Tirone, Edu Goldenberg e Daniel Frangiotti, Buteco do Edu, 08 de dezembro de 2007
Edu Goldenberg, Tiago Prata, Fernando Szegeri, Luciane Tavares, Danielli Pureza, Bruno Tirone e Arthur Favela, Trapiche Gamboa, 08 de dezembro de 2007
Luiz Antonio Simas, Arthur Favela, Bruno Tirone e Edu Goldenberg, Trapiche Gamboa, 08 de dezembro de 2007
Flavinho, Edu Goldenberg, Marcelo Vidal e Betinha, Trapiche Gamboa, 08 de dezembro de 2007

FAVELA NO RJ - PARTE III

Eu lhes disse ontem que a belezura do sábado (sobre o qual falei aqui e aqui) foi prenúncio de um domingo mais-que-perfeito. Vamos, então, a ele.

Antes, um intróito.

Fui, na segunda-feira, um dia depois da partida dos quatro (Arthur Favela, Milena, Brunão e Daniel, carinhosamente chamado de Gordo), comprar pão na Padaria Milú, na esquina da Hadock Lobo com a rua do Matoso.

O malandro que atende no balcão dos lanches, ao me ver na fila do caixa, fez como os bonecos infláveis dos postos de gasolina e me chamou:

- Diga lá, malandro, bom dia.

E ele, coçando o ouvido com a tampa da caneta que mantém equilibrada na orelha direita:

- Cadê seus amigos?

Estranhei:

- Que amigos?

- Dois paulistas que tomaram café da manhã ontem aqui...

Lembrei-me, então, do que os dois - Brunão e Gordo - haviam me contado no final da manhã de domingo, quando bateram lá em casa.

- Ah, foram embora ontem à noite...

E ele, com aquela classe da Tijuca:

- Porra... dois porcos, Edu...

Eis o que os dois me contaram cheios de um orgulho da Barra Funda, do Bom Retiro, bairros co-irmãos da minha Tijuca - e leiam com os erres dobrados, com todo o sotaque possível:

- Porra, Eduzão... Eu e o Gordo comemos doze mistos-quentes hoje da manhã na padaria da esquina... O tiozinho que nos atendeu, Eduzão, porra, não tava acreditando... E o Gordo ainda pediu um bolo de cenoura no final, Edu, do tamanho de um paralelepípedo!

E por aí.

Às onze da manhã de domingo, quando eu voltava do passeio com o meu fiel vira-latas, e enquanto reinava a paz em nossa casa, Dani, Favela e Milena ainda no oitavo sono, deparei-me com os dois ogros na portaria do prédio.

Subimos e, de cara, abri a primeira Brahma.

Todos de pé por volta de uma da tarde - nós já na caninha também - e tomamos o rumo do Salete, a pedidos.

Daniel Frangiotti no Salete, 09 de dezembro de 2007

Um troço impressionante, confesso.

Eu já havia me impressionado, recentemente, quando levei o Prata, também pela primeira vez, ao Salete. O menino de 87 comeu seis empadas.

O Brunão e o Gordo, em questão de minutos, devastaram - somente os dois! - vinte e seis empadas! Eu disse VINTE E SEIS, com a ênfase szegeriana.

E notem bem que as empadas do Salete não são do tamanho dessas empadas que vendem as redes de franquia de empadas, não. São enormes. Têm polpudo recheio.

E os caras sorviam, junto com as empadas, litros de chope. Pensei com meus botões estufados da camisa apertada:

- Se tudo der certo hoje, como dizia o avô do Simas, vai dar merda.

empadas do Salete, Tijuca, 09 de dezembro de 2007
Daniel Frangiotti, Arthur Favela, Milena, Bruno Tirone e Dani Pureza, Salete, Tijuca, 09 de dezembro de 2007

Ali ficamos por uma hora, hora e meia.

Atravessamos a rua, então, e tomamos a direção do Bar do Chico - de novo e de novo a pedidos.

Minha garota, que estava mais-linda-que-nunca de bicicleta pra lá e pra cá pelas ruas da Tijuca, parando pra um chope conosco no glorioso Salete, tomou o rumo de casa.

Derrubamos algumas garrafas de Brahma enquanto esperávamos o preparo dos impressionantes lombos de bacalhau por mim encomendados com o próprio Chico, que vira-e-mexe organiza uma compra industrial pra baratear o custo. Meus queridos de São Paulo não me deixarão mentir: os lombos de bacalhau que recebi mais parecem os mais altos saltos dos monstruosos sapatos da Carmen Miranda.

Conta paga, alma lavada, tomamos a direção da casa do casal anfitrião do Trapiche Gamboa, Claudinha e Clevison, em Botafogo, onde um churrasco preparado em homenagem aos Inimigos do Batente nos aguardava.

Começamos a subir o caminho rumo ao Mundo Novo e os quatro, dentro do carro, ganiam diante da beleza aguda da cidade.

Enontramos lá uma pá de gente querida, uma pá de cerveja de gelada, uma pá de samba de primeira - reencontrei, depois de um bom tempo, Jayminho Vignolli, Mariana e a dupla dinâmica, Chico e Flora!.

Arthur Favela, Piruca, Daniel Frangiotti e Arthur Mitke, 09 de dezembro de 2007

Eis a nota triste da tarde, a única.

Bastou que chegássemos pro Szegeri me cutucar:

- O que você está fazendo aqui?

Eu, nada constrangido - acho que por conta das cervejas da manhã - respondi:

- Ué... o Clevison me convidou ontem...

E ele, seco como a carapinha negra que ostenta:

- Estou indo embora.

E foi.

Não sem antes impingir-me mais uma humilhação:

- Está de carro?

- Arrã.

- Leve-me até lá embaixo.

Resignado e mudo, o atendi.

De lá saímos às sete para encontrarmos Luiz Antonio Simas no Rio-Brasília, marcando meu retorno ao buteco do meu coração depois de ligeiro entrevero com o Joaquim, resolvido num cessar-fogo comovente no sábado pela manhã.

E foi fabuloso estarmos lá.

Notem a seqüência.

Simas entrega ao Favela, assim que chegamos, uma camisa do Nova Iguaçu Futebol Clube (site oficial, aqui). O Favela, emocionadíssimo, entrega ao Simas uma camisa da Camisa Verde e Branco, de SP, onde se lê, no peito, "100% BARRA FUNDA". E não se tratou de retribuição por conveniência, não. Desde a véspera que eu já sabia das intenções do Favela. Beto Mussa, à mesa conosco, desfia comovente, impressionante e inacreditável repertório de sambas-de-enredo. Estrila meu celular e em segundos chega o Vidal. Minha menina também aparece, na esquina, e minha alma gane que só fico à vontade na minha cidade.

Chegam Craudio e Eva, o malandro trazendo nas mãos uma garrafa de Jack Daniels que eu não merecia. As garrafas de cerveja se acumulam à mesa, doses magníficas de maracujá, carne assada com batatas coradas, tudo constrói um cenário de uma ceia santa que irmana almas afins num final de domingo carioca, suburbano, tijucano, da várzea.

Descobri no domingo que meu coração é um campo de várzea.

À certa altura precisam se despedir Brunão e Daniel, o Gordo.

Eu puxei, tímido e esperando a adesão imediata - que aconteceu! -, Roda de Sampa, do Kiko Dinucci.

Talvez isso explique o por quê do choro convulsivo daquela doce figura do Daniel, gordo de tanto afeto que traz dentro de si, enquanto se despedia de nós, com um até breve engasgado na voz que teimava em não sair.

Até.

12.12.07

FAVELA NO RJ - PARTE II

Dando continuidade à saga do final de semana (FAVELA NO RJ - PARTE I pode ser lido aqui), vou lhes contar, hoje, sobre a noite de sábado.

Notem bem um troço... Estava tão bonito o dia, estava tão alto o astral na rua do Ouvidor, que simplesmente todo mundo (com a ênfase szegeriana) que lá estava transferiu-se para o Trapiche Gamboa, com exceção dos pobrezinhos que optaram pelo show do The Police. Mas até esses (entre os quais a minha menina, Vidal, Flavinho e Betinha) saíram correndo do Maracanã e foram em busca do samba.

Candinha e Luiz Antonio Simas, Trapiche Gamboa, 08 de dezembro de 2007

E não se arrependeram, tenho certeza.

Os Inimigos do Batente, só pra variar um bocadinho, comandaram uma roda de samba da melhor qualidade, fortíssima. E quando nós chegamos ao samba - eu, Favela, Milena, Brunão e Gordo - um troço que vi me deu a certeza (que eu já tinha) da dimensão, da extensão e do peso moral de Fernando José Szegeri (dirigiu-me não mais do que cinco, seis palavras, desta vez).

Isaac Goldenberg, meu velho pai, que NUNCA (com a ênfase szegeriana novamente) sai de casa à noite, lá estava, sentado num banco e sozinho à mesa às vinte e três horas, hora em que chegamos. Lá estava e lá estava num estado de euforia como eu, depois de trinta e oito anos, sete meses e onze dias de convívio com o coroa, poucas vezes vi.

Isaac Goldenberg, Trapiche Gamboa, 08 de dezembro de 2007

O copo cheio na mão, a garrafa de cerveja diante de si, e apresentei meu velho pai a meus amigos. Disse eu:

- Pai, essa é a Milena, esse é o Brunão, esse é o Daniel, esse é o Favela...

E ele, tijucaníssimo (depois não sabem porque sou como sou):

- Que nível! Que nível!

Papai estava num estado tal, por exemplo, que encasquetou com um troço a noite inteira, que me repetia:

- Esse Daniel é primo do Zé Colméia, porra, é evidente!

E papai só foi sossegar - mas já era tarde, se é que vocês me entendem... - quando mamãe chegou.

Arthur Favela e Milena, Trapiche Gamboa, 08 de dezembro de 2007

A belezura do sábado foi - creiam, por mais que lhes pareça incredível - prenúncio de um domingo mais-que-perfeito.

Às quatro e meia da manhã, mais ou menos, para não fazer o que sempre faz o Borgonovi (vejam aqui), o Marcão (vejam aqui), o Stocker (vejam aqui) e o que fazia meu querido mano Favela em pleno salão do Trapiche Gamboa há mais de uma hora àquela altura, implorei à Dani que fôssemos embora.

Minha Sorriso Maracanã fazia carinhas, boquinhas, muxoxava - eu ficando louco! - e pedia pra ficar. Até que dei a justificativa definitiva:

- Dani, pelo amor dos deuses... Eu não posso, sob pena de macular minha biografia, dormir diante do Simas, do Szegeri, vamos embora que eu simplesmente não consigo mais manter meus olhos abertos...

E minha menina cedeu!

Dani Pureza, Lina, Fefê, Mariazinha Goldenberg, Trapiche Gamboa, 08 de dezembro de 2007

Amanhã lhes conto sobre o domingo, sobre o espetacular domingo, que teve de novo o Salete, o Bar do Chico, um churrasco em Botafogo na casa dos anfitriões do Trapiche Gamboa, e um retorno glorioso ao Rio-Brasília, de onde ontem, durante jantar na companhia do Gabriel Cavalcante e do Daniel, amigo pessoal do meu guarda-costas, bati o celular pro Favela apenas e tão-somente para dizer de minha saudade.

Até.