4.1.07

LAYLA 10 X 0 PEPPERONI

Vocês manjam aquele papo de reclamar de barriga cheia? Pois é. Eu, quando lhes contei ontem sobre a cagada que o Pepperoni fez durante nossa viagem pra Cabo Frio, leiam aqui, estava praticamente reclamando do pobrezinho. Até porque nada houve de destrutivo no gesto tresloucado do nosso garoto. E se eu quiser ser preciso do início ao fim, como sempre, tenho que confessar que as únicas coisas que, até o momento, o glorioso vira-lata destruiu, foram os únicos dois livros que ganhei egressos do tempo em que vacas tentavam sem êxito destruir meu pasto, duas grandes bostas pernósticas sobre vinhos, e escritos em francês, o que é bem a cara (o focinho, quero dizer) da vaca-mãe. Breves pigarros e vamos em frente.

Recebi ontem email do Miguel, leitor assíduo do Buteco. Dizia-me ele justamente isso: que eu reclamara em vão do pobre Pepperoni, um santo. Mandou-me duas fotografias anexadas, que ilustram este texto.

São fotos da Layla, sua cadela de um ano de idade. Mas não são exatamente fotos DA Layla, mas fotografias que mais parecem fotografias tiradas por peritos da polícia, com imagens da cena do crime, para análise cuidadosa da extensão dos danos. E o crime, neste caso, foi cometido justamente pela cadelinha do Miguel.

Contou-me ele que ela come parede. Vou repetir: a Layla come parede. E neste dia, no dia em que foram tiradas as duas fotografias, na época em que a Layla morava com o Miguel (hoje mora em Cabo Frio), quando ele chegou do trabalho e abriu a porta de casa ansioso para abraçar a garota, deparou-se com a destruição, na íntegra, da sala do apartamento. Eis o rol dos objetos devastados: um óculos de sol Armani, um par de sapatos italianos, um relógio Nike, todos os dois sofás e as quatro poltronas da sala, dois abajures inteiros (incluindo fios e lâmpadas), a fiação da NET e da TELEMAR, uma gaveta da cômoda, o controle remoto do ar-condicionado, duas gravuras emolduradas e um tapete persa que mais parecia confete, todo espalhado pela sala.

Eis as fotos...

Layla
Layla

E o que é mais bonito de toda a história?

A frase com que o Miguel fecha o email:

"Mas para quem gosta de cachorros (só eu tenho quatro, espalhados pelo Rio e Cabo Frio) tudo é festa."

Até.

4 comentários:

juliana amaral disse...

deus pai, e eu reclamo do meu gato que morde os fiapinhos da manta do sofá. Vocês são heróis...

Olga disse...

Não, gente! Tudo tem limite! Não sei se meu amor resistiria a tamanha destruição.

Bruno Ribeiro disse...

Cacetada! Essa doeu em mim!

VanOr disse...

Cara, eu já disse pro Miguel: isso é ansiedade de separação retroalimentada pela festa que o dono faz ao chegar em casa. Se quando o dono está em casa é o céu, quando ele sai é o inferno. E o bicho precisa aliviar essa ansiedade sem tarja preta ou divã, imagina a neura! Ele só tem três coisas a fazer, então: cocô, xixi (de preferência no lugar com o cheiro mais intenso do dono -- e reparem como fazer xixi e cocô são coisas que dão um puta alívio!) ou atividade física. E existe atividade física melhor, num apertamento apertadinho, sem esteira automática, sem bicicleta e sem piscina, que destruir um sofá? Ou um tapete?

O mais engraçado nisso tudo é o dono achar a coisa mais fofa do mundo chegar em casa e encontrar um cenário de destruição como esses. De certa forma, isso neutraliza toda a culpa da clausura forçada e poupa meses de psicanálise. Para ambos: cão e dono. :)