26.1.07

MAIS UM PRESENTE IRRETRIBUÍVEL

Eu já perdi a conta de quantas vezes disse, aqui mesmo, no balcão do Buteco, que uma das maiores lições que recebi - e aprendi, e apreendi - de meus pais foi a que me ensinou a cultivar o sentimento da gratidão. Essa, e não outra, a razão que me fez escrever, em setembro do ano passado, um texto chamado "Os Presentes Irretribuíveis", que pode ser lido aqui.

Pois ontem, 25 de janeiro de 2007, recebi mais uma irretribuível prenda.

Pausa: escrevo "prenda" e me bate uma aguda saudade dos queridíssimos Inês, Crespita, Eurico, Próspero e Cidália. A eles, meu carinho transatlântico. Dito isso, em frente.

Rodrigo Folha Seca, um dos sujeitos mais carinhosos de que se tem notícia - o homem é tátil como eu - bateu-me o telefone ontem:

- Edu! Deixaram um presente pra você aqui na Folha Seca... Vem buscar!

Eu, curiosíssimo, fui. Aliás, ninguém mais curioso que eu. Ninguém. Estivesse eu em São Paulo, em Manaus, em Porto Alegre, e eu seria um homem em estado de nervos à espera da passagem aérea que me traria para o Rio de Janeiro, mais precisamente para a Rua do Ouvidor. Eu posso, inclusive, do alto da minha experiência no assunto dizer em altíssimo som: curiosidade não mata. Ou eu já seria um fóssil.

Eis que chego à livraria Folha Seca esbaforido e já entro atropelando clientes:

- Cadê? Cadê? Cadê?

Esqueço-me - confesso - de cumprimentar o Bruno, a Dani, o próprio Rodrigo.

E ele, Rodrigo, ciente de que nada me desviaria do foco, estende em minha direção um embrulho, lindíssimo, que eu destruo com a fúria de uma criança de cinco anos de idade ansiosa pelo presente de Papai Noel.

Antes, porém - fingindo fleuma, confesso - abro o cartão pregado no embrulho. Leio. E quase-morro. Ei-lo:

cartão

No verso, minha caricatura, obra do Bruno, braços direito e esquerdo da Dani e do Digão, discípulo confesso do mestre Loredano. Ei-la:

caricatura de Eduardo Goldenberg, por Bruno Cesar

E só então, já explodindo de felicidade, deparo-me com a garrafa de White Horse, devidamente aberta naquele mesmo instante, celebrando o comovente brinde naquele meio de tarde.

Disse-me o Rodrigo, o Carinhoso, fazendo festinha na minha mão, valendo-se de um de seus bordões:

- Gostou, velhinho?

Eu disse:

- Muito mais do cartão... muito mais do cartão...

A eles três, daqui, diante do balcão imaginário, ergo o copo com espessa espuma, jurando eterna gratidão por mais uma indizível página da minha já não tão curta vida.

Até.

6 comentários:

Bruno Ribeiro disse...

A caricatura ficou ótima. Hahaha.

zé sergio disse...

Porra, desde aquele dia que tu tirou foto junto com o Noel ficou que nem o cara. Mimetizou, malandro.

Luiz Antonio Simas disse...

Salve Bruno Cesar. Moleque bom de jogo, tremendo talento e, mais que tudo, atento discípulo do mestre Cássio Loredano, patrono da Folha Seca!
Edu, a Velha Guarda da Folha Seca, em assembléia extraordinária, já lhe considera membro honorário. Mas aproveita que esse negócio de ganhar uísque de presente é só no início, OUVIU, RODRIGO FERRARI!

4rthur disse...

Em poucos minutos de prosa, já tinha notado - como escrevi pra você em e-mail recente - que o Digão é essa figura carinhosa. E o desenho está impagável e inconfundível, ehehehh!

∫nês disse...

Saudade Tua, Vossa e da Cidade Maravilhosa também, entradas irreversíveis na minha vida e que a tornam mais colorida.

fraga disse...

Capitão-do-Mato e Digão,

Presente irretribuível foi o prazer de estar com vocês no ágape de hoje; pena nosso glorioso Comandante-em-Chefe não ter podido comparecer.

Saravá!