27.8.07

ELE MERECIA QUE FOSSE COMO FOI

Ele merecia que fosse como de fato foi. Ele merecia que a festa transcorresse num dia de céu claro, com a rua cheia, com os amigos presentes, ele merecia a roda de choro e a roda de samba, ele merecia o filho presente com um sorriso idêntico ao dele, ele merecia o olhar orgulhoso da mãe, ele merecia o desfecho perfeito, no interior da livraria do meu coração, a Folha Seca, nome gravado no peito do malandro, merecedor daquela boniteza toda, tremendo poço artesiano de doçura, o quase-quadragenário, Rodrigo Ferrari.

Rodrigo Ferrari, 25 de agosto de 2007, na rua do Ouvidor

Debruçado, diversas vezes, nas sacadas da centenária rua do Ouvidor, a mais carioca das ruas, o malandro esteve, mais que nunca, senhor de si. Distanciava-se, vez por outra, e eu percebi em diversos momentos os olhos marejados, para observar aquela beleza, aquela festa, aquele movimento de pessoas que atestavam - como se preciso fosse - a vocação do Rio de Janeiro para fazer festa na rua. E eu imagino a emoção do cara, um dos sujeitos mais sensíveis que conheci (agradeça-me, seu puto!). Ele era a razão da festa, e cada copo erguido (e foram muitos, e incontáveis vezes...) foi à sua saúde, e cada sorriso, e cada abraço, e cada acorde, e cada emoção, desagüava nas mãos imensas do caboclo, que não escondia o orgulho por aquilo tudo.

roda de samba na rua do Ouvidor

A quantidade de gente querida por metro quadrado não cabe num simples texto. Dar o nome de um, dar o nome de outro, será tarefa inglória que não quero enfrentar. Basta o que já enfrentei no sábado, eu que sou - e a cada dia esse troço piora - um emotivo incorrigível.

Emocionei-me em vários momentos.

Desde quando cheguei, às onze da manhã, para dividir com o malandro a ansiedade pelo que viria.

E até às dez da noite, quando de lá saímos, eu e minha Sorriso Maracanã, embriagados de tanta coisa boa e felizes pelo presente que a vida nos deu.

rua do Ouvidor, 25 de agosto de 2007

Amanhã, quando o malandro completa quarenta anos, estarei - sou, já disse, incorrigível, além de previsível para o enfrentamento de determinadas situações... - rigorosamente emocionado e bobo.

Dia de dar presente pro cara. E de agradecer, no fundo é isso, pelo presente que ele é.

Até.

2 comentários:

Felipe Torreira disse...

Realmente foi a tarde. Foi completo. Tudo porque era aniversário do Mais Velho. Tinha que ser assim.

Guto Senra disse...

Hora de festejar, não?