9.10.07

DISSIDENTE DE MIM MESMO

Quando o Aldir escreveu o prefácio de meu livro, MEU LAR É O BOTEQUIM, na íntegra aqui, disse muito sobre mim, provando, como se precisasse..., que é um craque, aquele que vê e antevê. Criou, eu digo sempre, meu epitáfio: AQUI JAZ O EDU, QUE NASCEU DISSIDENTE ATÉ DE SI MESMO. Feito o intróito, que pode lhes parecer sem sentido a princípio, vamos ao que quero falar.

Lapa, 06 de outubro de 2007

Antes, porém, um trecho do prefácio, com grifo meu:

"(...) papo em torno do limão da casa, do caldinho de feijão, dos torresmos e moelas, das porções de queijo ou de salaminho; saudade dos amigos de outras épocas, e copo; muito suor e gelo; mulheres e, eventualmente, porrada."

Porrada. Sim, porrada. Sem porrada, na melhor acepção que a palavra pode ter (e tem!), qualquer balcão de qualquer buteco tem menos graça. E aqui, no BUTECO, não é diferente.

Mas a porrada que estanca, aqui, desde que publiquei o texto A MAIOR TORCIDA DO MUNDO (já são 50 comentários!), confesso de pé diante do balcão imaginário, passou dos limites.

Consigo ouvir, daqui, ohs e ahs admirados de gente que me tem na conta dos irracionais. Consigo ver uns pares de olhos arregalados e incrédulos diante do que pode lhes soar como uma mudança de ventos. Consigo notar neguinho fazendo pilhéria com a minha, digamos (pausa para o pigarro), pipocada. Nada disso. Vou explicar.

É preciso que minha trincheira esteja bem estruturada e, conseqüentemente, preparada para qualquer ataque, venha de onde vier. É preciso que eu mantenha firme meus propósitos e altas as bandeiras que defendo aqui (quem lê o BUTECO sabe quais são). É preciso continuar marcando firme os jornalistas que não fazem jornalismo (quem lê o BUTECO sabe quem são). É preciso continuar denunciando as colunetas de jornal que fazem papel de outdoor (quem lê o BUTECO sabe quais são). E é preciso, sobretudo, continuar combatendo a canalha, esteja onde estiver.

Razão pela qual - eis aí o que queria lhes dizer - não mais vou permitir, e para isso me serve o mecanismo de moderação de comentários - ofensas, ataques ou achaques contra quem quer que seja, guardadas as devidas proporções, e explico.

Não mais vou permitir ataques de ordem pessoal, não mais vou permitir ataques de golpe baixo, não mais vou permitir babaquices como a praticada pelo leitor Victor Alves (ao menos é o nome usado para postagem de comentários), que chamou pra porrada, no braço, outro leitor (ou ex-leitor, como ele mesmo anunciou...), Marcelo Moutinho.

Se eu concordo ou não com o que escreve o Moutinho, e ele sabe que discordamos em quase tudo, isso não vem ao caso.

Isto aqui, o BUTECO, não mais será palco para a solução de pendengas de terceiros.

O tempo e a energia que desperdicei ontem administrando essa pancadaria, mesmo que virtual, e pra usar um verbo que vem sendo gasto pela canalha... me cansou. Ainda que eu tenha, a certa altura do dia, me animado com a coisa. Mas passou, eis a confissão impensável, passou mesmo, dos limites do aceitável.

Até.

6 comentários:

Luiz Antonio Simas disse...

Perfeito e coerente!

caíque disse...

isso aí, véio! garanto a você que a porrada que o aldir mencionou é aquela que termina com os dois pinguços abraçados, chorando e confessando "te amo prá caralho, cara! a sua mãe fazia um picadinho de vagem inesquecível!" ponha ordem na casa; "pelos estatutos da nossa gafieira, dance a noite inteira mas dance direito!".
um abraço de niterói.
abre outra.
Caíque.

Andréa Augusto - angelblue83 disse...

Nossa, cai no meio de uma briga e só queria um "garotinho" como se chama no RJ um chopinho, rsss
Eu volto para brindar a paz :)

abrs
Andrea

Wan disse...

Boa Edu, ontem quando comecei ler os comentários até estranhei.

Salve o samba e os verdadeiros butecos!

Wan

Eduardo Goldenberg disse...

Simão, malandro: você, além de suspeito, é um bocado dissidente de si mesmo também... Beijo!

Caíque: é evidente que é a essa porrada que eu me refiro, não à porrada que estancou no balcão virtual do BUTECO... E essa a razão pela qual pus o pau na mesa (pra manter a finesse tijucana) e baixei um decreto com umas regras que vão manter o ambiente mais civilizado.

Andréa: seja bem chegada ao balcão. Mas paz aqui é um troço assim, como direi..., meio utópico, sabe? A cobra fuma por aqui sem qualquer repressão.

Wan: salve!

4rthur disse...

buteco sem porrada não é buteco. Mas porrada - que fique claro - no plano das idéias, com argumentos inflamados e apaixonados na rouquidão da ébria madrugada. Porrada ipsis literis, sair no braço, não costuma ser coisa de buteco. É, isso sim, coisa de pitboy frequentador do Belmonte.