17.10.07

UM SÁBADO MAIS-QUE-CARIOCA

Em setembro de 2006, como lhes contei aqui, a rua do Ouvidor foi palco de um troço bonito demais, que me fez escrever, àquela altura, que "havia, entre os presentes, a consciência da beleza contemporânea que a todos envolvia, numa espécie de missa campal, ao lado da Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, em festa naquele sábado sagrado e profano.". Foi, de fato, um sábado inesquecível, como foram tantos outros sábados para poucos - como este último.

Começamos a tarde, eu e minha Sorriso Maracanã, em Santa Teresa, na agradabilíssima companhia do Fefê e da Lina (na foto, com a Dani) - dona da casa igualmente agradabilíssima - que receberam a nós e a mais alguns poucos amigos para um churrasco que foi prenúncio e parte de um grande dia.

Lina Rivera e Dani Pureza, Santa Teresa, 13 de ouubro de 2007

Partimos de lá, embriagados com a vista da cidade e com o carinho da anfitriã, em direção, justamente, à rua do Ouvidor, já que havíamos combinado, eu, Rodrigo Folha Seca e Arthur Mitke, uma roda de samba na base do chama-um-chama-outro-e-não-espalha - receita que transforma esses encontros em momentos indizíveis!

E foi, ó, batata!

Chegamos e nos encontramos no Al-Fárábi (clica!), do Carlos, na rua do Rosário, centro histórico do Rio.

Moacyr Luz e Gabriel Cavalcante (veja-o aqui tocando ao lado do Prata e acompanhando Moyseis Marques) assistiam ao jogo do Flamengo com o Paraná ali pertinho. E foram chegando os convocados, e o troço foi ficando bonito demais.

Daniel Scisinio, rua do Rosário, 13 de outubro de 2007

Daniel Scisinio tava com a macaca! Mandou ver no cavaco, cantou pra burro, e bem pra burro, e desfiou um repertório impressionante.

Gabriel Cavalcante, coração do tamanho da Tijuca, sentou-se à mesa assim que o jogo terminou, com aquele sorrisão que só os vitoriosos têm, sacou do cavaco e fez o bonito de sempre.

Chegaram Rodrigo Jesus, Jorginho, o Prata acompanhado da minha nora, Luísa, e do sete cordas, e formou-se, então, a roda de samba que deu ao sábado uma cara que só mesmo no Rio, e que me perdoem os que não são daqui...

Chegaram também meu mano Fernando Szegeri com minha sereia, a Iara, e mais a Railídia, a voz que adoça o canto dos Inimigos do Batente (que tocaram na véspera, naquela noite de sábado e no domingo, fechando a visita à cidade) e Maurinho de Jesus, também de São Paulo, que engrossou o coro dos cavacos.

Rodrigo Jesus, rua do Rosário, 13 de outubro de 2007
Tiago Prata, rua do Rosário, 13 de outubro de 2007
Jorginho, rua do Rosário, 13 de outubro de 2007

Daí veio chegando a noite, que é o dia que morre segundo as tradições que vêm lá de Madureira, e nós ali, cantando, bebendo, bebendo e cantando, brindando à arte e à graça do encontro raro que há de se repetir.

roda de samba, rua do Rosário, 13 de outubro de 2007

É coisa fina, sinhá, que (quase) ninguém mais acha.

Até.

9 comentários:

Caio Bodin disse...

Mas vc bem q podia avisar antes pra gente poder beber da mesma fonte né?

Craudio disse...

Fernandão, ou Szegeri, seu mano e meu mestre, havia me alertado:

- Craudio: Rio, feriado, Inimigos...

E eu não o escutei.

Dói na alma a beleza dessas coisas. Lá pro fim do ano eu tô chegando por aí de novo.

Abraços!

Eduardo Goldenberg disse...

Caio: mas eu disse justamente que... Deixa pra lá.

Craudio: pois é, cara... O Rio não se deixa pra depois. Nunca. Abração.

Milton Molon disse...

Mas é mesmo muito privilégio viver numa cidade como o Rio de Janeiro. Daqui do norte do Brasil mando meu abraço com uma pontinha de inveja boa. Saudações acreanas.

Márcia C. Lima disse...

O que é que o Digão está fazendo com a mão espalmada no rosto? Jogando beijo, é? (risos) Pra quem?

caique disse...

edu, montões de invejas - do bem! - importadas diretamente de itaipú, república dos estados unidos de niterói. um dia eu ainda apareço...quando não mais, para registrar a efeméride, já que eu sou metido a fotógrafo (e - modéstia à parte - sou bom nisso: www.olhares.com/caique, veja lá)
abração, véio.
caíque.

Gabriel Cavalcante disse...

Realmente o dia foi maravilhoso, só teve um contra: ao chegar no Capela ao lado do Rodrigo Folha seca, fomos informados pelo Cícero que não poderíamos sentar na mesa escolhida pois estava reservada para um grupo de Ipanema que por sua vez só ia pro Capela se fosse atendido pelo Cícero.

Aí já é demais.

Mas não teve problema, fomos atendidos pelo Miro, e em seguida ainda fomos para o Bar da Ladeira ver o Inimigos do Batente e num ato de total loucura ainda fomos eu, Rodrigo e Mariana para o Carica da Gema ver nosso querido Moyseis.

Abraço a todos

Rodrigo Ferrari disse...

Caraca Gabriel!
Ainda bem que você contou tudo isso, eu tava louco tentando lembrar o que tinha feito no sábado à noite!
Acho que sublimei esses momentos por conta da decepção ocorrida no Capela. O Cícero era nosso baluarte! Trocados por um grupo (que podia vir de qualquer lugar, mas que sintomaticamente vinha de Ipanema) que talvez nunca tenha ido lá e provavelmente jamais voltará (notei quando entraram que nenhum deles conhecia o Cícero).
Fiquemos então, por algum tempo, com o Miro, também grande figura, até o dia em que o Cícero se redimir com a gente.
Reserva no Capela, nem o Marecha eu tinha visto conseguir...
Mas se a gente viesse de Ipanema...

Szegeri disse...

Ih, olha a Vila Maria aí no Buteco do Edu...