28.11.07

BREVE RECESSO

Eduardo Goldenberg e Danielli Pureza, Cabo Frio, 07 de abril de 2007Hoje é dia de partir em direção à Cabo Frio, para um justo recesso e merecido descanso até o dia 02 de dezembro, onde serei, seguramente, um homem feliz.

O BUTECO, por isso, fica fechado até minha volta.

Se você é novo no pedaço é uma boa oportunidade para dar uma xeretada no balcão. São, até o momento, 800 textos - desde março de 2004.

Até.

PROJETOS, PROJETOS, PROJETOS...

Muito já se falou - e muito mal - sobre essa praga que invadiu, de uns anos pra cá, o Brasil: os projetos culturais. Explico (serei breve pois meu foco hoje é outro).

Tudo - dito com a ênfase szegeriana - agora é projeto. E na esteira desse troço vieram os (pausa para o vômito) formatadores de projeto, os captadores de verbas para projeto, os divulgadores de projeto e outras profissões, ó, daqui (polegar e indicador apertando e balançando, de leve, o lóbulo da orelha direita), que vivem, mesmo, e bem, é disso.

Não vou ficar aqui citando nomes de projetos pois já disse, no primeiro parêntese do primeiro parágrafo, que meu foco hoje é outro. Mas todos vocês devem conhecer alguém que já ganhou um bom dinheiro (embolsou um bom dinheiro, pra ser mais claro) com uma merda dessas. Não são poucos, por exemplo, os projetos faraônicos que captam uma fortuna, prevendo 1.001 eventos, e que na hora agá rendem uma coisinha humilde, uma festinha estranha pra gente esquisita que não consome nem dez por cento da verba captada e que é, ploft!, desviada pra dentro do bolso do povo que - repetindo - vive disso. É o que se vê embora haja exceções, o que confirma a regra.

Mas não é sobre isso que quero falar, como já lhes contei. Quero lhes contar sobre a noite de ontem.

Fomos, eu e Dani Sorriso Maracanã, ao lançamento da segunda caixa, contendo três livros, do projeto ÁLBUM DE RETRATOS (também não é sobre ele que quero falar), patrocinado pela PETROBRAS com base nas leis brasileiras de incentivo à cultura e realizado por uma empresa chamada TRIO DE JANEIRO PRODUÇÕES ARTÍSTICAS, que captou, para executá-lo, segundo o site do Ministério da Cultura, R$1.187.200,00 (um milhão cento e oitenta e sete mil e duzentos reais) embora tenha sido solicitada a módica quantia de R$2.245.128,00 (dois milhões duzentos e quarenta e cinco mil e cento e vinte e oito reais). Mas isso não vem, definitivamente, ao caso.

Fomos convidados pelos mais-queridos Rodrigo Folha Seca e Daniela Duarte, editores dos livros.

A noite tinha tudo pra ser agradável e, de certa forma, foi. Encontrei-me com gente que não via há algum tempo, como a Mary Debs, o Hugo Sukman, o Marcelo Ferreira, o Lan, a Valéria, e com gente que está sempre (e nunca é demais!) por perto, como o Prata, a Maria Helena, o Leal, o Miguel Folha Seca, Bruno César, e o Rodrigo e a Dani, é claro.

Antes, uma breve pausa.

Como bons tijucanos, fomos dos primeiros a chegar. Pouco depois de nós chegou o Moacyr Luz, autor do projeto, e é sobre uma tirada sua, iluminada, que quero lhes contar para amenizar o azedume do que quero, de fato, lhes dizer.

Caminhava pelo salão um rapaz com o corpo todo pintado, semi-nu, visivelmente um desses artistas que interpretam estátuas vivas e que faria, digamos, parte da decoração.

Perguntou-me o Môa olhando pro cara e já rindo:

- Edu, que horas são?

Eu, sacando que vinha sacanagem:

- Sete e cinqüenta e sete...

E o Môa, dirigindo-se ao sujeito:

- Ô, meu irmão... Anda enquanto você pode, hein!, faltam só três minutos!

Escangalhou-se de rir, o cara.

Dito isso, em frente.

A festa, para 400 convidados (informação que colhi com um dos quatro seguranças de plantão na porta de entrada), não juntou mais do que 80, 90, 100 pessoas.

Dentre essas 100 pessoas, um caricaturista. Foi fácil reconhecê-lo. Uma prancheta na mão com várias cartolinas, dois ou três lápis na outra. Esbarramo-nos à certa altura, nos apresentamos, apresentei Dani a ele, e ele:

- Muito bonita, a senhora. Posso desenhá-la?

- Claro... - disse minha garota já com o sorriso mais bonito do mundo estampado no rosto.

E eis que o caricaturista é interrompido por uma mulher mal-ajambrada:

- O que é que você está fazendo? - o tom era arrogante, pernóstico, humilhante.

Ele, sem interromper o trabalho:

- Como assim?

E notem a pérola que saiu da boquinha da mulher:

- Cheio de gente famosa... Lan, Nelson Sargento, Ruth de Souza, Cacá Diegues, e você fica aí desenhando desconhecidos?!

O cara:

- Posso acabar?

E a chucra, com o tonzinho autoritário que é comum a quem detém, ainda que por uma noite, o poder:

- Rápido! Rápido!

Ele, com a autoridade que os cabelos brancos dão, pondo a mão no meu ombro:

- Deixa pra lá, amigo. Falta finesse...

E foi em respeito a ele, ao pedido dulcíssimo da minha menina, em respeito ao convite que me fora feito por dois amigos queridos, que evitei dizer à chucra o que ela merecia ouvir.

Até.

PS: Aldir Blanc manifestou-se sobre o mesmo tema em 08 de dezembro de 2007, em seu próprio blog, o PALMEIRA DO MANGUE, com o texto PAU NO LOMBO, que pode ser lido aqui.

FOTOTECA PRA MEU PAI - PAQUETÁ

Fiquei devendo essas fotos pro meu pai.

Paquetá, 24 de novembro de 2007
Paquetá, 24 de novembro de 2007
Paquetá, 24 de novembro de 2007
Paquetá, 24 de novembro de 2007

Paquetá, 24 de novembro de 2007
Paquetá, 24 de novembro de 2007

Paquetá, 24 de novembro de 2007

Até.

27.11.07

ARREMESSO AO PASSADO EM PAQUETÁ

Assim que chegamos à Paquetá, no sábado, a primeira pessoa que me veio à cabeça foi meu pai. Desde pequeno que ouço histórias de meu pai em Paquetá, ilha que o viu tantas vezes, em tantas férias, de calças curtas, juntamente com seu irmão, Leopoldo, e com seus pais, meus avós Elisa e Oizer (sobre meu avô, leiam VENTOS EM MEU CORAÇÃO, aqui, e O PAI ME DISSE, aqui).

Mal desembarquei e disquei pra ele (acho uma fantasia nostálgica belíssima o uso do verbo "discar" na era do telefone celular):

- Pai? Em que casa você ficava quando era menino aqui em Paquetá?

- Você está em Paquetá? - a voz engasgada denunciava o susto.

- Arrã.

E ele, preciso:

- Praia dos Tamoios, 557. Se por acaso não existir mais esse número, pergunte pela casa do seu João.

Estávamos, mesmo, na Praia dos Tamoios, e sugeri que seguíssemos direto pra lá.

Dei a mão pra minha menina e eu já era, no instante em que desligara o telefone, um sujeito guinchado abruptamente em direção ao passado. E eu já pisava a terra batida do piso na beira da praia em direção à casa buscando as pegadas deixadas por meu pai há mais de sessenta anos.

Estacamos diante da casa.

Paquetá, 24 de novembro de 2007

Um imenso portão branco fechado e eu, branco, acho que de medo (sou um poltrão diante de fantasmas que não vejo), permaneci estacado diante da placa 557. Foi a Betinha quem primeiro empurrou o portão, por onde entrou com a Dani. Eu, ainda do lado de fora, tornei a discar pro meu pai:

- Achei.

E ele, de primeira:

- Está de frente pra casa?

- Arrã.

- Do lado direito... tem um varandão? Uma espécie de alpendre?

- Arrã.

E desliguei quando avistei um homem vindo em nossa direção, saído de dentro da casa.

Paquetá, 24 de novembro de 2007

Dani já me conhece e, tenho certeza, me reconheceu, naquele momento, como um homem congelado pela emoção misturada com o medo. E foi ela quem perguntou:

- Boa tarde... Aqui é que é a casa do seu João?

O homem, altíssimo, barbado, riu. E disse ajeitando os óculos:

- Seu João morreu em 1970. Hoje quem mora aqui é a filha dele, com quem fui casado.

E riu.

Quando ele riu, depois de ter dito isso, pensei pra dentro:

- Fudeu. Esse é o seu João...

A Dani, então, apontando pra mim:

- É que o pai dele passou a infância aqui... A gente pode fazer umas fotos da casa?

E ele, simpaticíssimo, abriu os braços e disse:

- À vontade e com o maior prazer...

Paquetá, 24 de novembro de 2007

Evidentemente que movido e acionado pelo turbilhão emocional que me perturbava, fiz dezenas de fotos sem nexo enquanto suava excessivamente. E eu cheguei a ter, à certa altura, certeza absoluta de que nosso guia não só percebera meu estado como me sacaneava de forma aviltante e aguda. Ou não teria dito coisas como:

- Seu pai seguramente almoçou e jantou muitas vezes com esses talheres... - e me apontou uma cristaleira imensa que exibia faqueiros de prata exibidos como num museu.

- Tira fotos desse piso aí onde você está pisando... Seu pai deve ter brincado muito nesse chão...

E eu sentindo um zumbido nos ouvidos e vendo a casa girar.

Paquetá, 24 de novembro de 2007

A casa estava girando quando entrou, na sala, uma senhora. O gorducho, diante do silêncio, adiantou-se:

- Eles vieram em busca da casa e procurando pelo seu pai... O pai dele - e apontou o indicador em minha direção - passou a infância aqui!

Ela disse coisas, ele disse outras tantas coisas, eu percebia que eles quatro conversavam amistosa e animadamente, só que o piso, com desenhos e geometria capazes de piorar a sensação de tontura, me fazia estar muito longe, há anos dali, brincando de rolimã com meu pai diante dos olhos azuis de meu avô.

Paquetá, 24 de novembro de 2007

Até.

26.11.07

COMO PENSA O COORDENADOR EDITORIAL

Já disse o que tinha de dizer sobre o projeto (pausa para o vômito) AMORES EXPRESSOS. Publiquei AMORES EXPRESSOS: NOJO ANUNCIADO (leia aqui) em 23 de março de 2007, O NOJO ANUNCIADO EM FORMA DE BLOG (leia aqui) em 15 de maio de 2007, O COORDENADOR EDITORIAL (leia aqui) em 24 de maio de 2007, AMORES EXPRESSOS: E ELES SÃO GENIAIS (leia aqui) em 15 de agosto de 2007 e EU SOU UM HUNO (leia aqui) em 31 de agosto de 2007.

Já disse o que tinha de dizer mas preciso, diante da leitura deste trecho, pinçado do blog mantido n´O GLOBO ON LINE pelo coordenador editorial do malfadado projeto, que é intensamente bonito perceber a força e a integridade da coerência do que nos move.

É impressionante o descompromisso com o Brasil do coordenador editorial do projeto beneficiado com dinheiro advindo das benesses de uma lei brasileira. Um nojo, em resumo.

E uma perguntinha, antes de terminar: quereria, o coordenador editorial, quando refere-se a "barzinhos literários", mencinonar a Mercearia São Pedro, em São Paulo?

Até.

SÁBADO EM PAQUETÁ

O Rio viveu, no sábado, um dia glorioso, um dia desses que nos enche o coração de alegria, um dia desses em que sentimos uma flecha a menos no peito do padroeiro e que nos dá a certeza de que estamos salvos.

Teve samba na mais carioca das ruas, a rua do Ouvidor, em frente à livraria do meu coração, a Folha Seca, pra comemorar lançamento de livro do Pimentel e CD do Zé Luiz do Império.

E teve samba, também, em Paquetá, para o lançamento carioca do CD que registra a presença da Cristina Buarque no terreiro da rapaziada, competentíssima, do Terreiro Grande.

Minha garota queria, há anos, conhecer Paquetá. Surgiu, então, a oportunidade perfeita, capaz de me fazer, não sem dor, abrir mão de mais um sábado naquele canto da velha cidade, onde assenta-se o verdadeiro axé que mantém pulsante o coração carioca.

Não estive, portanto, no samba da Ouvidor. Mas quem lá esteve, como meu querido Luiz Antonio Simas, viveu uma grande tarde, o que pode ser atestado com a leitura de ANTOLOGIA CARIOCA, crônica escrita por um sóbrio Simas, que nada bebeu durante todo o sábado - leiam aqui. Sobre o samba de lá, também escreveu Maria Helena Ferrari, mãe do poço artesiano de ternura, aqui.

O furdunço em Paquetá começou com o embarque na Itapetininga; eu, minha Sorriso Maracanã e a Betinha juntamo-nos à multidão que partia, feliz da vida, em direção à ilha.

Teve samba no embarque, teve samba durante a agradabilíssima viagem de pouco mais de uma hora, e teve samba - e muito, e muito bom! - na esquina das ruas Doutor Lacerda e Pinheiro Freire, em frente a um bar que, verdade seja dita, manteve a cerveja, do primeiro ao último minuto, gelada, geladíssima, com capa nevada de gelo - o que é, convenhamos, raríssimo.

roda de samba em Paquetá, 24 de novembro de 2007
roda de samba em Paquetá, 24 de novembro de 2007
roda de samba em Paquetá, 24 de novembro de 2007

Assim que desembarcamos em Paquetá fomos dar uma volta pela ilha. Amanhã, sem falta, conto a vocês sobre o passeio que me lançou ao passado com uma força e uma intensidade difíceis de segurar.

vista da barca, saindo de Paquetá, 24 de novembro de 2007

Até.

24.11.07

UM APELO PATÉTICO

Na segunda-feira passada, dia em que o Jota escreve, além da coluneta GENTE BOA, uma crônica de meia página também no SEGUNDO CADERNO de O GLOBO, o homúnculo publicou, como se vê abaixo (o título é indicativo de seu caradurismo), um texto de uma desfaçatez impressionante. E se não salta, ou não saltou aos olhos do leitor médio a desfaçatez olímpica do patético apelo feito pelo colunista, foi por falta de atenção ou por excesso de condescendência com o autor do troço.

crônica publicada no jornal O GLOBO de 19 de novembro de 2007

Não custa repetir uma vez mais: desde que passou a ser publicada a coluna GENTE BOA (que é a antítese disso) que eu, daqui do balcão, marco em cima a coluneta que representa o que há de pior e de mais destrutivo, o que há de mais anti-carioca na imprensa escrita aqui no Rio de Janeiro. Até onde cataloguei, apontei 34 atentados contra a cidade, contra nossa gente, contra nossas mais caras tradições. 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34 atentados que podem ser lidos, um a um, bastando clicar sobre cada um dos números! São radiografias nítidas, límpidas, que prescindem de laudo para que emerja, de cada uma delas, a podridão putrefata (a redundância é proposital) da tal coluna.

E veio, o homúnculo, na segunda-feira passada, fazer um apelo patético (os destinatários do apelo são os jurados do prêmio RIOSHOW de gastronomia, promovido pelo jornal O GLOBO, como se eles pudessem salvar os butecos, os restaurantes mais simples, as biroscas, os pés-sujos...!!!!!!!!!!), implorando pela manutenção de tudo aquilo que é destruído pelos investidores e pelos predadores que são, diuturnamente, exaltados, bajulados e festejados no espaço que ele próprio mantém no jornal.

Como diria uma amigo meu: que nojo!!!

Até.

23.11.07

FOTOTECA - DOIS JANTARES

Dia desses publiquei, no BUTECO, no que chamei FOTOTECA (vejam aqui), três fotografias que fiz durante um jantar, em casa, que preparei, no capricho, pra minha garota. Publiquei as três fotos e meu mano Szegeri, rabugento como uma múmia intolerante, vociferou:

- O quê, diabos, é isso??? Tá bom pra publicar na Veja São Paulo...

Notem a insensibilidade do malandro. Diante da, digamos, beleza dos pratos, o homem da barba amazônica revoltou-se como um huno, como se fora do PF tudo fosse detestável. Como eu não sou radical - tenho repetido isso com freqüência - publicarei, hoje, fotografias de dois jantares recentes, ambos feitos por mim, numa tentativa - sei que em vão... - de sensibilizar meu mano paulista.

Antes, porém, leiam PÉROLA... AOS MEUS IRMÃOS (aqui), publicado em 07 de junho de 2005, texto no qual relato o que foi o jantar que eu e minha menina oferecemos a eles, Szegeri e Stê, em nossa casa. Vocês entenderão, imagino, o por quê da repulsa que o homem sente por tudo o que é ligeiramente refinado.

Mas vamos aos jantares.

O primeiro em casa, quando eu e Dani Sorriso Maracanã oferecemos a noite de 16 de novembro para Daniela Duarte e Rodrigo Ferrari, os nossos queridos da Folha Seca, a livraria do meu coração.

Rodrigo Ferrari, 16 de novembro de 2007
risoto de açafrão com pimenta rosa e contrafilé grelhado
sobremesa
Moscatel de Setúbal
Daniela Duarte e Danielli Pureza, 16 de novembro de 2007


E o segundo no dia 19 de novembro, segunda-feira, véspera de feriado, na casa da Lina e do Fefê em Santa Teresa, para o qual foi convidado, também, Vidal, o legendário Vidal.

Fui escalado para fazer um risotto de funghi e não fiz feio - creiam!.

Foi, é preciso que se faça o registro, uma noite memorável, um jantar memorável, na companhia de pessoas adoráveis em um cenário de cinema (tijucano adora alçar tudo o que é maravilhoso à categoria cinematográfica).

Com vocês, as fotos.

pão e vinho, 19 de novembro de 2007
Danielli Pureza, 19 de novembro de 2007
Eduardo Goldenberg, 19 de novembro de 2007
Lina Rivera e Fefê, 19 de novembro de 2007
Clos de Los Siete, vinho argentino
risotto de funghi
Marcelo Vidal, 19 de novembro de 2007
Santa Teresa, 19 de novembro de 2007


Até.

22.11.07

UM RECADO ELUCIDATIVO

É na memória que tudo o que amei sobrevive, apud Aldir Blanc. Eu sou um homem que coleciona papéis, jornais, fotografias, registros de tudo o que vivi, de tudo o que vivo, de tudo, inclusive, o que sequer pude viver mas que são registros de coisas que me comovem profundamente. Como por exemplo os jornais com as manchetes das conquistas de 1958, 1962 e 1970, que papai, dia desses, entregou-me.

Contei-lhes isso, no intróito, e quero lhes dizer que até mesmo recados eu coleciono. Explico.

Em 21 de agosto de 2006 meu mano paulista, Fernando Szegeri, deixou recado em minha secretária eletrônica e guardei aqui. Em 09 de fevereiro de 2007 foi a vez de Tiago Prata deixar-me um recado, assumindo publicamente sua condição de meu filho mais novo, e que também guardei, aqui. Em primeiro de março de 2007, novamente Fernando Szegeri, dessa vez completamente embriagado, deixou recado em minha secretária eletrônica, e eu guardei aqui.

E ontem, meus poucos mas fiéis leitores, recebi um recado - que ouvi apenas na manhã de hoje - deixado por dois paulistas queridos, Fernando Borgonovi e Arthur Favela. São meus, os caras. E são, meu mano Szegeri não me deixará mentir, delicadíssimos, umas flores de pessoa. Juntos, então, como vocês poderão ver (e ouvir), formam um jardim florido.

Por isso eles são meus. Não têm papas na língua nem preocupação com a babaquice do politicamente correto, troço que está - estou apenas mantendo a linha dos caras... - fodendo com o mundo.

Eis o recado, transcrito abaixo, e que pode ser - notem que beleza! - também ouvido. E faço, daqui, um pedido ao Favela: se você conseguir reconhecer o que diz à certa altura do recado, malandro, diga-me que eu tiro a palavra ininteligível.


Eis a transcrição:

"Eduardo Goldenberg, só estou ligando a essa altura da noite para revelar, para você, que após a vitória da Seleção Brasileira em que a torcida paulista envergonhou mais uma vez o Brasil, nós saímos do estádio do São Paulo Futebol Clube ao som de Village People... você acha que é revelador da conduta deste clube abjeto ou não? O Favela tá aqui e quer falar também...

Edu... não satisfeitos em tocar uma música famosa de viados... Eu não sei, sinceramente, a letra... Tô saindo do estádio agora ao som de It´s Raining Man... está chovendo homem... o clube das bichas loucas do Brasil! Um beijo, querido, salve!
"

Até.

21.11.07

FOTOTECA SP - OS QUATRO DO SABIÁ

Stefânia Gola, Sabiá, São Paulo, 15 de novembro de 2007
Fernando Szegeri, Sabiá, São Paulo, 15 de novembro de 2007
Deco, Sabiá, São Paulo, 15 de novembro de 2007
Leo Golla, Sabiá, São Paulo, 15 de novembro de 2007

EM SÃO PAULO

Conforme lhes contei aqui, fui para São Paulo no dia 14 de novembro, véspera do feriado, para encontrar a Sorriso Maracanã, meus irmãos Szegeri e Stê, amigos e amigas queridas e, principalmente, para rever o espaço que há de se transformar, em brevíssimo, em um dos maiores bares de que se tem notícia, o Sabiá.

Eu disse que fui rever o espaço pois em junho, mais precisamente no dia 23 de junho, lá estive para ver as obras do imóvel.

Fernando Szegeri nas obras do Sabiá, São Paulo, em 23 de junho de 2007

Estive lá em junho e juro, com a precisão que me é peculiar, que o que vi foi um cenário de horror. O imóvel, que abrigava uma padaria, estava, como se diz, no osso. Piso, paredes, teto, instalações elétricas e hidráulicas, tudo era o caos e, ao mesmo tempo, o prenúncio de uma transformação quase mágica.

E fui, durante minha estadia, testemunha dessa transformação e dessa mágica.

No dia 14, quando estive à noite, com meu mano Szegeri, no Palestra Itália para assistir ao modorrento jogo entre Palmeiras e Fluminense (saímos no intervalo depois de acossados por uma chuva inclemente), passei o dia no interior do Sabiá, em fase final de obra.

E o que fiz no dia 15?

Leo Golla, Stefânia Gola, Eduardo Goldenberg, Fernando Szegeri e Deco, Sabiá, São Paulo, 14 de novembro de 2007

Internei-me no Sabiá. Lá chegamos às dez da manhã e pouco depois das dez da manhã recebi inesperada revelação que, creiam, deu novas cores ao meu dia e, sabe-se lá, à minha vida dali em diante. E lá ficamos até exatamente uma hora da manhã do dia 16 de novembro.

Foi, e não estou sendo nada exagerado, um dos grandes dias da minha já não tão curta vida. E não poderia ter sido diferente. Anotem o time presente (eventuais omissões são, desde já, atribuídas à quantidade industrial de chope que foi sorvida) por ordem de chegada ao gramado: eu, Sorriso Maracanã, Szegeri, Stê, Rosa, Leo Golla, Deco, Flávia, Marcão Gramegna (num dia inspiradíssimo!), Julio Vellozo, Marina, Favela, Milena, Roberta Valente, Erick e Dani.

E eu, um sujeito de sorte pelos amigos que tenho e pelos presentes irretribuíveis que recebo (leiam aqui), ainda fui agraciado, no final da noite, com um tesouro, literalmente, que me foi entregue por um comovido Favela.

Arthur Tirone Favela e Eduardo Goldenberg, Sabiá, São Paulo, 15 de novembro de 2007

No domingo passado, 18 de novembro, já de volta ao Rio, enverguei, orgulhoso, na esquina da rua dos Artistas com Ribeiro Guimarães, durante roda de samba comandada pelo Prata, a gloriosa camisa rubro-negra do Anhangüera (leia sobre o clube, aqui).

Bati o telefone, à certa altura, pro Favela, a quem agradeci, uma vez mais, ainda comovido, o presente.

Até.

18.11.07

SEM COMENTÁRIOS

publicado no Jornal do Brasil de 18 de novembro de 2007
Aliás, um único comentário; ou melhor, uma única pergunta: quem é mais podre? A jornalista (pausa para o vômito) que a(ssa)ssina a coluna ou a cidadã (pausa para o vômito) que faz pose para a fotografia?

Se não der pra ler a bosta toda com clareza, clique na fotografia. Bom domingo a todos.

Até.

14.11.07

RJ X SP X RJ

São dez pras oito da manhã. Acordei há pouco de um sono reparador mais-que-necessário após uma segunda-feira assoberbadíssima que não me permitiu passar a costumeira centena de minutos diante do monitor contando as histórias que quicam no balcão imaginário do BUTECO com impressionante regularidade.

Parto, ao meio-dia, para São Paulo.

Vou, hoje, se os deuses assim permitirem, ao Palestra Itália, assistir à partida entre o Palmeiras, de meus queridos Fernando Szegeri e Fernando Borgonovi, contra o Fluminense. Antes de terminar, uma pequena confissão e uma espécie de apelo aos meus poucos mas fiéis leitores paulistas.

Fernando Szegeri, embora esteja hospedando minha Sorriso Maracanã desde ontem, a trabalho em São Paulo, não me atende ao telefone em nenhuma hipótese. Quero ir ao jogo, comprar o ingresso, obter o mínimo de informações sobre a partida, mas o homem da barba amazônica mantém sua triste determinação de impingir a mim as piores humilhações.

E se você é leitor recente, veja as razões pelas quais afirmo, sem medo do erro, que esse homem dedica-se, com afinco invejável, a fazer de mim um homem rejeitado, lendo O ESPELHO DO BANHEIRO (aqui), SIMAS, UM ASTRO (aqui), BALANÇO DE MINHA PRÓPRIA AUSÊNCIA (aqui) e RESGATANDO MEU LIVRO (aqui).

Na sexta-feira, de volta, conto sobre a viagem.

Até.

12.11.07

O MUNDO É PEQUENO MAS A TIJUCA É MAIS

Na semana passada recebi extenso e atencioso email de uma leitora recente do BUTECO, a Ione, de Brasília. Contava-me, no tal email, a Ione, como chegara ao balcão imaginário, contava-me sobre os textos que mais gostara, contava-me sobre sua infância no Rio de Janeiro, até que disse, à certa altura, o seguinte:

"Olha, eu adorei os seus comentários, especialmente sobre o consultor automotivo! Fiquei imaginando um cara bem tosco, como aqueles que via na rua da minha avó, que tinha várias oficinas mecânicas (ela morava no início da Barão de Mesquita, em frente ao colégio Militar), o que faria ao ser chamado de Consultor Automotivo... O prédio da minha avó (em que até hoje ainda moram alguns tios) é o 48 da Barão de Mesquita, que fica na esquina com a Morales de Los Rios. Eu decorei o nome dessa rua porque, além de ter uma memória impressionante (que funciona terrivelmente bem para coisas bestas), achava muito engraçado aquela ruazinha minúscula ter um nome tão pomposo! E na mesma calçada, esquina com a São Francisco Xavier, tinha uma lanchonete que fazia o melhor cheeseburger da Terra."

Ao ler o número do prédio, 48, senti o tranco do arremesso em direção ao passado. Foi nessa rua, a Barão de Mesquita, que morei quando nasci. É até engraçado dizer "morei quando nasci"... Papai e mamãe moraram ali, parece, por uns dois ou três anos no máximo, o que significa dizer que não tenho nenhuma (com a ênfase szegeriana) memória ou lembrança desse período. Ou melhor, tenho, sim. Mas as lembranças que guardo são as que me foram contadas - choro intensamente enquanto escrevo -, como a do episódio passado no dia 6 de maio de 1969.

Minha bisavó, nascida em 6 de maio - leiam aqui o texto SEIS DE MAIO -, dia também do aniversário do Colégio Militar, que fica exatamente em frente ao prédio em que morávamos, dormiu, naquele 5 de maio de 69, ao lado de meu berço, apenas para que, às seis horas da manhã, ela pudesse me tomar nos braços e me proteger do barulho dos tiros de canhão que fazem parte, desde a fundação do colégio, das comemorações de 6 de maio. O menino, então com nove dias de vida, - será que minha bisavó vislumbrava ter a importância que tem em minha vida enquanto me aninhava? - experimentava, ali, naquele momento, o calor e o aconchego do colo mais doce, e que busco, ainda, nos braços de mamãe e de vovó.

Mas enfim... Senti o tranco do arremesso ao passado e precisava de uma confirmação.

- Pai? Qual o número do prédio em que moramos na Barão de Mesquita?

- E eu lembro!? Pra que você quer saber isso? Lá vem merda...

Desliguei.

- Mãe? Você lembra o número do prédio em que moramos na Barão de Mesquita?

- Ihhhhh... melhor perguntar pro seu pai...

Tentei minha avó.

Em vão.

O máximo que ela me disse, e que me fez ter novo tranco:

- Fica quase na esquina da Morales de Los Rios... Tenho uma amiga que mora lá até hoje... Vou falar com ela e depois te digo, está bem?

Minha ansiedade não permitiu a espera.

Tomei da bicicleta e da câmera fotográfica e parti, ansioso, em direção ao prédio de pastilhas azuis tantas vezes apontado por papai e mamãe, sempre que por ali passávamos de carro:

- Foi aqui que você nasceu...

E quase sempre mamãe repetindo a história daquele 6 de maio.

Barão de Mesquita 48

Ao chegar diante do prédio na manhã de sábado, eu ouvi tiros de canhão, mas dentro de mim. Senti o cheiro da pastilha de hortelã preferida de minha bisavó, seu cheirinho permanente de talco, ouvi a voz de meu pai e ouvi o som de seu assovio em meus olhos pra me fazer dormir, a voz de minha mãe cantando um samba do Salgueiro, ouvi cânticos de índios, ouvi o zumbido de flechas passando rente a meu rosto, até que, trêmulo, pus-me a fotografar o edifício diante dos olhares de meia-dúzia de velhinhos que jogavam carteado num buteco ao lado da portaria do 48, o prédio que me viu bebê.

Dirigi-me ao balcão, pedi uma Brahma, fui me refazendo aos poucos, até que tocou meu telefone.

Era minha garota.

E ri, enxugando as lágrimas, enquanto me lembrava de nosso começo e de meus argumentos apaixonadíssimos para convencê-la a trocar Copacabana pela Tijuca.

Barão de Mesquita 48

Quando perguntei ao homem por trás do balcão quanto eu lhe devia pela água e pela cerveja, ouvi a voz que veio da mesa de jogo:

- Deixa essa com a gente, menino. Vá com Deus.

Voltei pedalando, chorando ainda mais, com essa certeza ainda mais solidificada dentro de mim: o mundo é pequeno. Mas a Tijuca é mais.

Até.

9.11.07

BACALHAU, A RECEITA

ESTA RECEITA AGORA PODE SER LIDA AQUI.

7.11.07

O BACALHAU DE DOMINGO

Eu dei como título a este texto, de hoje, O BACALHAU DE DOMINGO, mas minha vontade inicial, confesso, era que fosse FLAVINHO, O ANFITRIÃO, e explico.

Antes de explicar, porém, quero pedir a vocês que leiam os textos ROYAL SALUT E UMA DO PAPAI (aqui) e PRATO CHEIO PARA O SUICÍDIO (aqui), ambos contendo importantes dados sobre essa faceta, de anfitrião, do meu dileto e querido amigo Flavinho, o Xerife do balcão imaginário do BUTECO.

Flavinho e Betinha nos receberam no domingo passado para uma bacalhoada - essa monumental que se vê, abaixo, sendo cuidadosamente preparada (clique na imagem para que sua boca encha d´água) por uma Betinha a cada dia mais apurada na cozinha.

bacalhau na casa do Flavinho e da Betinha, 04 de novembro de 2007
Mas vamos ao Flavinho.

O Flavinho, já lhes contei, é egresso do Cachambi, bairro onde já exercia com maestria - é preciso fazer justiça - o papel de anfitrião. Com maestria, é verdade, mas com ingredientes bem diferentes, vou explicar melhor.

O Flavinho recebia seus convidados na laje de sua casa pedindo a todos, sempre, - prática lamentável... - que levassem cerveja. Servia, como entrada, pãozinho sacadura, broas de milho e pão careca. E o almoço era, geralmente, churrasco de músculo ou, num dia de vaca gorda, de chã de dentro.

Para que salte aos olhos de vocês a diferença que se vê agora, vou transcrever meu breve diálogo com o Xerife na manhã do domingo. Estava eu no Mundial da Matoso:

- Flavinho, quer que leve alguma coisa? Cerveja?

E ele, do outro lado, telefone na mão esquerda e a pistola na direita apontada para o alto:

- Nada! Nada! Rigorosamente nada! Dinheiro há! Dinheiro há! Dinheiro há!

E desligamos.

É preciso que se diga, ainda, em nome da precisão, que a catapulta que o arremessou do Cachambi em direção ao Flamengo tem um nome: Roberta Oliveira, minha querida e cada vez mais querida Betinha, que já morava lá. Foi, portanto, um movimento conveniente, prático, óbvio, natural. Mas é preciso que se diga mais!

O que moveu meu emérito amigo foi a obsessão e o amor que nutria - e ainda nutre, lhes garanto - pela mulher com quem hoje divide a vida, o apartamento, as contas, tudo.

Pequena pausa: num desses domingos recentes almoçávamos, no Salete, eu, Dani Sorriso Maracanã, papai, mamãe, e justamente eles, Flavinho e Betinha. E meu protagonista de hoje fez, a certa altura, tão comovida declaração de amor à Betinha, que meu pai, já levemente embriagado, chorou de soluçar diante de uma mamãe enternecida. Voltemos ao assunto.

Faço questão de lhes dizer isso já que a regra - bem sei a regra, eu que tanto tempo convivi com vacas que tentaram, em vão, destruir meu pasto - é um movimento semelhante ao protagonizado pelo Flavinho - de ascenção social - por meios e interesses menos nobres. Há os pobres de espírito que têm a obsessão do apart-hotel na zona sul da cidade, a obsessão doentia da caminhada no calçadão do Leblon, a cupidez desmedida que a mim, pelo menos, enoja.

Ele, não. Ele, batalhador como pouca gente, estudioso até o último fio de cabelo (fadado aos primeiros lugares, aguardem), mudou-se para o Flamengo por questões meramente práticas. E foi lá, no Flamengo, que adquiriu gostos refinados.

No lugar da cerveja pedida (e as marcas que chegavam eram Malt 90, Belco, Cristal), litros e mais litros de Therezópolis Gold, Erdinger, Stella Artois, Guinness. No lugar do pãozinho sacadura, da broa de milho e do pão careca, pães caseiros feitos com farinha de trigo e semolina, ambos os produtos importados, por ele mesmo, que exibe orgulhoso, como um Olivier Anquier, tesouros recheados com cebola argentina, camembert francês, azeitonas gregas, rúcula italiana. E no lugar do churrasco, pratos refinados como o bacalhau, servido com fartura impressionante.

E cutucava os convidados:

- Quer mais azeite?

Um "não, obrigado" era tomado como ofensa:

- Não?! Custou 80 reais o vidro! É italiano!

E derramava azeite no prato alheio, depois de tirar o dosador:

- Prove! Prove!

Eu vi - eis a confissão final - o Flavinho servindo azeite na boca de Rodrigo Ferrari, com o auxílio de uma colher de sopa, dizendo baixinho:

- Degusta, Digão! Sinta o sabor das oliveiras em flor...

Foi, mesmo com a derrota do Flamengo (que ainda assim manteve-se, até então, entre os classificados para a Libertadores 2008), um domingo auspicioso.

Até.

6.11.07

A IMAGEM DO GOL DE NUNES

OS GOLS DA FINAL DE 1980

Conforme lhes prometi quando escrevi o texto NUNES, O FURACÃO - leiam aqui -, eis a prova de que o artilheiro da camisa número 9 da Gávea era mesmo chamado de Furacão.

Deixo com vocês as narrações dos gols do Flamengo na final do Campeonato Brasileiro de 1980, mais especificamente os da final contra o Atlético Mineiro, no Maracanã, onde eu estava.


Até.

OS 40 ANOS DO SIMAS

Sábado passado, 03 de novembro, Luiz Antonio Simas, o mais novo quadragenário do pedaço, recebeu os mais-chegados para uma feijoada no Al-Fárábi, na carioquíssima rua do Rosário, a poucos metros da livraria Folha Seca, onde o furdunço começou por volta do meio-dia. Foi, e chega a ser redundante dizer isso em função do que se viu nos últimos encontros realizados naquele pedaço da cidade, uma tarde absolutamente formidável. Não faltou nada: teve muito chope no Casual da esquina da rua do Ouvidor com a travessa do Comércio, muito feijão, muita batidinha de maracujá, muito uísque, muito samba, muitos amigos, muito calor e muita chuva no final do dia, refrescando a alma de todos nós. Com vocês, alguns momentos do sábado.

Rodrigo Ferrari, Dani Pureza, Tiago Prata, Santos, Leo Bemoreira Boechat, Marcelo Vidal, Felipinho Cereal e Heloísa, no Casual, 03 de novembro de 2007
Dani Pureza e Fefê, Al-Fárábi, 03 de novembro de 2007
criança, Al-Fárabi, 03 de novembro de 2007
Leo Bemoreira Boechat, Santos e Luiz Antonio Simas, Al-Fárábi, 03 de novembro de 2007
Rogério, Luiz Antonio Simas e Tiago Prata, Al-Fárábi, 03 de novembro de 2007
Cassio Loredano, Al-Fárábi, 03 de novembro de 2007
Lina Rivera e Marcelo Vidal, Al-Fárábi, 03 de novembro de 2007

Até.