17.12.07

25 ANOS DE SAUDADE - 1982/2007

Quando eu ficava de castigo por conta de qualquer travessura mais ousada, quando chovia muito forte e os raios e trovões eram intensos, quando eu tinha muito sono graças à presença de João Pestana, quando eu tinha medo - fosse do que fosse -, quando eu queria apenas um cafuné, quando eu queria só ouvir histórias ou pedir proteção, seu colo era o lugar mais seguro do mundo.

Mariazinha Goldenberg (mamãe), eu, Mathilde (vovó) e Mathilde (bisavó)

Ontem, pela manhã, enquanto eu desfiava bacalhau para um almoço que faria - e fiz! - à tarde, ouvindo Clara Nunes - um de seus pratos favoritos, uma de suas cantoras prediletas, e tudo por mero acaso (acaso?!) - senti uma saudade doída de minha bisavó.

Não foi triste, minha dor.

Ao contrário, foi uma saudade vívida e confortável.

Senti sua presença, e pouco me importa que nome dão a isso: espírito, alma, energia, não importa.

Ontem, vinte e cinco anos depois, completados hoje, 17 de dezembro de 2007, minha bisavó me fez menino, por alguns minutos, e deitado em seu colo.

Até.

Um comentário:

Anônimo disse...

Porra, Edu!

Que texto maravilhoso, é sempre bom ter estas recordações.