11.12.07

FAVELA NO RJ - PARTE I

A sexta-feira foi tumultuadíssima! Fomos a um casamento no Alto da Boa Vista e depois, de lá direto, seguimos (eu, Sorriso Maracanã, Lina e Fefê) em direção ao Estephanio´s para um beijo e um abraço no Vidal, a Lenda, que fazia e comemorava aniversário. Aliás, pausa mínima para lhes contar uma passagem digna de registro. Chegamos lá, os quatro, bastante calibrados pelas incontáveis doses de Red Label servidas durante a festa do casamento. Mas encontramos o Vidal - presumi, depois do que vou lhes contar - ainda mais alto. Eu o abraçava quando tomei um tapão no lado esquerdo do peito. E disse-me a Lenda:

- Valeu pelo seu blog, Edu, valeu pelo blog!

Eu sem entender nada. E ele continuou:

- Grande blog, fundamental blog, salve, salve o blog!

Pus nas mãos dele dois dos mais de vinte bem-casados que roubei do casamento e o cara sossegou do incompreensível surto. Aliás, eu parecia, naquela esquina, estar distribuindo doce em dia de Cosme e Damião. Só pra Betinha, salvo engano meu, eu dei quatro docinhos. Vamos em frente.

Fomos dormir por volta das quatro da madrugada e estabeleceu-se o pânico em mim. Favela e Milena chegariam às sete da manhã de sábado e eu teria de estar inteiro.

Às sete bati o telefone pro malandro. Um acidente na estrada envolvendo duas ou três carretas atrasara a viagem em mais de três horas. Voltei a dormir como um anjo e pouco depois das onze eu já estava na rodoviária pra receber o casal.

Pepperoni e Arthur Favela no Buteco do Edu, manhã de 08 de dezembro de 2007

Exatamente ao meio-dia abrimos a primeira garrafa de Brahma no Buteco do Edu que mantenho em casa (sobre a gênese do buteco, leiam aqui).

E acompanhem meu raciocínio para que vocês percebam a beleza das coisas que acontecem na vida da gente sem nenhuma forçação de barra, fingimento, nada disso.

Em julho de 2006 escrevi um texto chamado O OLHAR NATIVO, AGORA SIM (leiam aqui), pouco depois de chegarmos de viagem.

E foi nesse texto, que é sobre um passeio que fiz numa manhã de sábado pelo centro histórico do Rio, salvo engano meu mais uma vez, que o Favela manifestou-se pela primeira vez no balcão do BUTECO. Saquem só:

"Edu, parabéns! Eu como um legítimo "Barra Fundense", que adoro as coisas antigas, também fiquei emocionado com o texto e as fotos. Ah, e não são somente os cariocas que reclamam do pão de sua terra. Os mineiros, goianos, paranaenses também reclamam dos seus... Bem, há um tempo atrás já cheguei a conclusão que o que há de melhor mesmo em Sampa é o pão! Quanto ao chope, o que o Szegeri disser também assino embaixo. De olhos fechados!!!! Abração! Arthur Tirone (Favela)"

Logo abaixo do comentário do Favela, disse eu:

"Favela, meu caro, que bom que você se comoveu, meu velho. Faço de público a promessa e o convite: arme uma vinda ao Rio. Faço QUESTÃO de rodar o Centro da cidade contigo parando nos grandes bares, cheios de história, pra que tenhamos um dia daqueles. Aguardo notícias suas!"

Puta merda - me perdoem! -, mas isso é de uma boniteza cortante.

Quase um ano e cinco meses depois, eis que recebo - sem cobranças, como eu já disse, sem forçação de barra, sem teatrinho e sem fingimento - o Favela e a Milena já na condição de um dos meus.

Bebemos uma meia-dúzia em casa e fomos, os três, em direção ao Salete, um dos bares preferidos do Szegeri aqui no Rio. Bebemos uns chopes, comemos umas empadas e atravessamos a rua em direção ao Bar do Chico quando estrilou o celular do Favela.

Era o Bruno, seu irmão. Dizia já estar com o Gordo na rua do Ouvidor, para onde seguiríamos. Haveria lá - e houve, e foi perfeita! - uma roda de samba comandada pelo Gabriel Cavalcante, meu guarda-costas - comparado pelo Cesinha Tartaglia ao Jamelão! -, e pelo Prata.

Antes de partirmos ao encontro deles, disse-me o Favela, um obsessivo como eu:

- Edu, sabe o que quero fazer amanhã?

E eu:

- Hã...

- Salete e Bar do Chico! De novo!

E me permitam derramar sobre o balcão mais provas das belezas que a vida apronta. Escrevi, em julho de 2007, um texto chamado BABAQUICE TEM LIMITE, leiam aqui. Nele, falo sobre o Bruno e sobre o Daniel, o Gordo, que veio com ele ao Rio. Vejam isso:

"Anseio, veementemente (redudância proposital), pelos comentários do camarada Favela a este troço que exponho hoje, puto dentro das calças, no balcão virtual do BUTECO. Mais que os do Favela, anseio pelos comentários de seu irmão Bruno, um sujeito que tem, visivelmente, a Tijuca dentro de si. Como anseio pelas palavras, que serão seguramente delicadas, do Daniel, o santista, um cara que tem - vê-se pelo desenho de seu corpo - vaidades agudas com a aparência."

Lá chegamos e nem vou me dar ao trabalho de escrever o óbvio. Foi tudo perfeito, inclusive a chuva que caiu, inclemente, durante vinte minutos, tempo suficiente para de lá enxotar os chatos.

Daniel Frangiotti (de costas), Milena Carmo, Arthur Fabela e Bruno Tirone, rua do Ouvidor, 08 de dezembro de 2007

Samba na rua do Ouvidor é certeza de encontrar muita gente querida, beber muita cerveja muito gelada, só ouvir muito samba de muita qualidade. Citar o nome dos presentes é sempre um grande risco, mas vamos lá.

Eis parte do time que se valia do poderoso axé daquele canto da cidade: Simas com Candinha, Fefê com Lina, Blas Rivera (conheça o malandro, aqui), Bemoreira, Tiago Prata, Gabriel Cavalcante, Cesinha Tartaglia, Rodrigo Ferrari, Daniela Duarte, Leal com Maria Helena, Arthur Mitke com a Carla, Daniel Scisínio, Rodrigo Jesus, Anderson Balbueno, Jorge Alexandre, Marechal, gente pra burro!

Arthur Mitke, Edu Goldenberg, Leo Bemoreira Boechat e Luiz Antonio Simas, rua do Ouvidor, 08 de dezembro de 2007

À certa altura, já por volta das sete da noite, eis que surge Fernando José Szegeri.

Surge Fernando Szegeri e muda-se o eixo da rua em direção a ele. O cara é um portento. Rouba as atenções, é mais assediado que o Sting em qualquer lugar do mundo, e começamos, ali, então, a fazer os planos para a noite, quando os Inimigos do Batente se apresentariam - e se apresentaram, e foi lindo! - no Trapiche Gamboa.

Amanhã, evidentemente, conto a vocês o que foi a noite desse sábado inacreditavelmente bonito.

Bruno Tirone, Fernando Szegeri e Daniel Frangiotti na livraria Folha Seca, 08 de dezembro de 2007

Adianto, entretanto, que eu estava derrubado às quatro horas da manhã, implorando à minha Sorriso Maracanã para que fôssemos embora.

Fernando Szegeri, Brunão, Gordo e Luiz Antonio Simas ainda ficaram bebendo numa espelunca, na esquina da rua Camerino com Sacadura Cabral, até sete e meia da manhã.

E pra fechar por hoje, esses dois sorrisos que embelezam qualquer parada... Minha garota, a Sorriso Maracanã, e Railídia Carvalho, minha comadre querida.

Dani Pureza e Railídia no Trapiche Gamboa, 08 de dezembro de 2007

Até.

12 comentários:

Vidal disse...

Edu, valeu pelo blog!
hehe

Diniz disse...

Edu, Só posso dizer o mesmo que o Vidal!

Eduardo Goldenberg disse...

Meu Deus...

Lys Fest disse...

Ainda bem que tem foto nova do Bruno! :-) E hoje tem o Arthur Mitke. Você podia abrir uma agência de modelos com seus amigos. :-) E cadê o Vidal, o Pratinha e o Rodrigo Folha Seca? :-)

Arthur Tirone disse...

Milena, meus irmãos e eu ainda estamos atônitos.

Tua recepção, os bares, os sambas, as ruas, as casas, as pessoas e as coisas lindas que vivemos neste final de semana não me permitem, neste momento, ter qualquer frieza pra escrever algo. Ainda estou aí no Rio de Janeiro.

Você é - sabe do que digo - o "fazedor".

Beijo!

Dan disse...

Tudo muito bonito mesmo.

Craudio disse...

Edu, permita-me o desabafo depois do teu relato: QUERO MEU DINHEIRO DE VOLTA, STING!

E o Favela disse tudo. Quem vai ao Rio de Janeiro fica embriagado por semanas...

Abraços!

Daniel Liberto disse...

Edu,
Sou leitor do seu blog há pouco tempo, mas tentei recuperar o tempo perdido lendo os textos antigos. O seu blog vale a pena ser lido pela sua coerência. Meus parabéns. Fiquei com "inveja" do seu buteco que tens em casa. Mas queria ter uma informação: essa rode de samba na Rua do Ouvidor acontece com que frequência.
Abs

fraga disse...

lys fest,

com o devido respeito, está tudo em dia com você?

saravá!

Eduardo Goldenberg disse...

Daniel Liberto: a roda acontece quinzenalmente. A próxima será no dia 22 de dezembro. E obrigadíssimo por suas palavras. Aquele abraço.

Luiz Antonio Simas disse...

O blog está cada vez melhor. Já os comentários...

Eduardo Goldenberg disse...

É, Simão... nosso bom Szegeri já nos alertava, há tempos, sobre esse tipo de frqüência no balcão... mas fazer o quê?

Esteja à vontade, como já conversamos, para espanar o que for necessário.

Beijo!