3.1.08

DO DOSADOR

* Um morto em Ipanema e cinco feridos por armas de fogo em Copacabana. Festa rave e muita música eletrônica em Ipanema e funk em Copacabana. Só uma besta para achar que trata-se de uma infeliz coincidência. Tanto uma quanto a outra são músicas (e energias) capazes de perturbar violentamente (advérbio escolhido a dedo) o ser humano. E nosso alcaide, uma besta, mandou avisar, alegremente, no dia primeiro, que a festa rave de Ipanema entrará, definitivamente, para o calendário oficial da cidade. Pobre São Sebastião...

* Boa notícia é essa... Aldir Blanc vem mantendo, com regularidade, seu blog, o PALMEIRA DO MANGUE, que pode ser lido aqui. Imperdível, como tudo o que é blanquiano.

* Outra boa notícia... Depois de amanhã, sábado, 05 de janeiro, haverá a primeira roda de samba do ano naquele pedaço sagrado da cidade onde reside o axé do Rio de Janeiro, a rua do Ouvidor. Oferecida pelo Antigamente, pelo Casual, pela Folha Seca e pela Toca do Baiacu (ordem alfabética para não ferir suscetibilidades), é a grande pedida do final de semana.

* Aproxima-se o carnaval e eu, pela primeira vez em muitos anos, mas em muitos anos mesmo (sou capaz de arriscar mais de vinte anos!), não pisei na quadra de uma única escola de samba desde o início dos ensaios, ainda em 2007, para o carnaval de 2008. A invasão de modelos que nada têm a ver com as escolas (e falo do meu querido Salgueiro em especial...), o menosprezo generalizado (salvo uma ou outra exceção) pelas Velhas-Guardas, guardiãs legítimas das escolas de samba, o samba-enredo prostituído, tudo isso me afastou de vez das quadras. Resisti o quanto pude e, confesso, posterguei demais a decisão que me alivia. O Salgueiro, pra mim, será sempre o Salgueiro que me chegava aos ouvidos através dos sambas cantados por minha mãe, para me distrair, quando eu era um menino. Quem fez boa análise do lixo que vem aí (na Sapucaí!, pra manter a rima óbvia dos sambas atuais), foi meu irmão Luiz Antonio Simas, aqui e aqui.

* No penúltimo dia do ano minha menina pediu com muito jeito e eu não resisti... Estávamos na praia e saímos depois do magnífico pôr-do-sol para fazermos um brinde com uns amigos seus. O pedido, com muito jeito, deveu-se à lamentável sugestão de sei-lá-quem: Espelunca Chic, de Ipanema. Façam uma idéia de meu humor e dimensionem a força de minha resignação. Como num seqüestro com reféns (eu era o refém de minha própria coerência), fiz minhas duas exigências, prontamente atendidas: não sentaríamos em hipótese alguma e ficaríamos pouco tempo. Foi assim que fui, pela primeira (e última) vez, a um desses lixos que tanto combato. Bebemos em pé em torno de uma dessas mesinhas altas que estão em voga. Servi-me de uma das garrafas de cerveja Original. Estava quente. Peguei o cardápio sobre a mesa e conferi. Aquela garrafa custava R$7,15 (sete reais e quinze centavos), com os 10%. De novo: SETE REAIS E QUINZE CENTAVOS. Comuniquei aos presentes o preço do troço. Aproveitei e disse que, do lado, a menos de dez metros, um buteco pé-sujo chamado Sabugosa vendia a mesmíssima cerveja a R$2,80. Retirei-me e fui beber, com minha menina, no Bar Lagoa. No dia seguinte recebi um efusivo telefonema, a voz ligeiramente sem-jeito:

- Obrigada por ter me avisado sobre o preço da cerveja...

Até.

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