8.2.08

DO DOSADOR

* Amanhã, sábado, 09 de fevereiro, a partir das 14h, a rua do Ouvidor será palco, mais uma vez, de uma roda de samba que já é, de longe, o melhor programa da cidade. Como disse, dia desses, uma mais velha que merece todo o respeito que os sabidos merecem, a quem meu mano Szegeri me apresentou, "festas populares, alegrias do povo, como as festas religiosas, o circo, o mercado, as conversas nas esquinas, as feiras livres, o escambo a céu aberto, as festas de rua, as praças cheias, as cadeiras nos portões, precisam ser constantemente retomadas". A cada roda de samba na Ouvidor, com a rua cheia, com os bares abertos, com os braços dos amigos abertos, com os copos erguidos brindando à graça daquele momento, a vida fica mais bonita. Podem crer nisso.

* Um dos grandes momentos do Carnaval foi, como já lhes contei aqui, a Feijoada da Apuração, na mansão da Manguassônia. Muitos amigos presentes, muita gente querida, mas nada que tenha superado a alegria de reencontrar o João Vitor, hoje com nove anos de idade, (falo dele aqui, quando conto sobre o lançamento de meu livro no Rio), a quem não via há muito tempo graças à vilania de gente que não merece menção.

* Poucos troços foram mais divertidos do que a concentração para o desfile da Boi da Ilha do Governador, que ficou em nono lugar entre as quatorze agremiações que disputaram o Grupo de Acesso B do Rio de Janeiro em 2008. Como lhes contei ontem, também aqui, minha Sorriso Maracanã e meu irmão mais novo, o Cristiano, conseguiram, em cima da hora, duas vagas no carro alegórico abre-alas da escola. E lá fomos nós três para a Presidente Vargas, altura do prédio dos Correios, às duas e meia da manhã. Cristiano para o carnavalesco, assim que chegamos:

- Oi. Eu sou o Cristiano e essa é a Dani. Nossas fantasias?

- Ihhhhh! Ainda não estão prontas, mas estão chegando, já, já.

Faltam duas horas pra escola desfilar. Diante da ausência de notícias, volta o Cristiano:

- E aí? Alguma notícia?

O gênio:

- Olha, meu querido... ficar sem desfilar vocês não vão, tá? Nem que seja com a roupa que vocês estão!

Falta uma hora e meia pro desfile e vem galopando, em nossa direção, o carnavalesco com um saco preto nas mãos:

- As calças chegaram, as calças!

Dani, pela primeira vez se dirigindo ao cara:

- Só as calças? E o resto?

- Paciência, meu amoreco, a gente dá um jeito.

Uma hora pra entrarem na avenida e volta o cara:

- Olha, melhor vocês vestirem mesmo o chapéu da bateria, e... hum... coloca essa camisa, ó! - e estende uma camisa visivelmente de outra fantasia.

A Dani:

- E o sapato? Estou de chinelo!

Ele olhou em volta, correu duas pistas adiante na Presidente Vargas, abaixou-se, meteu a mão numa poça abjeta e voltou com duas alpargatas brancas, imundas e molhadas:

- Veste isso, ó! Melhor que ir de chinelo!

E meu irmão:

- E eu?

- Seu chinelo pelo menos é preto. Combina!

E assim desfilaram os dois no carro abre-alas. Foram descobrir, a menos de dez metros da boca da avenida, que havia uma coreografia para os destaques do carro, que foram aprender somente na Praça da Apoteose.

Como me disse o Simas, que a tudo assistia das frisas, na companhia do Mussa:

- Avante, Boi!

Para que vocês tenham uma noção do espetáculo que foi o desfile do Boi da Ilha, o enredo era sobre o Apocalipse. O primeiro carro representava os Quatro Cavaleiros do Apocalipse. O segundo, um posto de gasolina. O terceiro, uma biblioteca. E o quarto, fechando o desfile, uma gaiola!

* Outra boa coisa desse Carnaval foi a derrocada da Viradouro e, conseqüentemente, dessa mentira forjada que atende pelo nome de Paulo Barros. Catapultado à categoria de gênio do Carnaval (não faz nem cócegas num Fernando Pamplona, num Júlio Matos, numa Maria Augusta, num Joãozinho Trinta), Paulo Barros criou uma comissão de frente formada por personagens de um desenho animado americano (Mr. Freeze, ou algo que o valha), um carro alegórico com Edward Mãos de Tesoura, outro personagem americano, esse do cinema, uma ala de Alien, mais bosta enlatada, e merecia uma sonora vaia da imprensa, se a imprensa fosse séria. Mas para Paulo Barros, só adulação. Com tantos elementos nada brasileiros na avenida, justo na mais famosa festa popular do mundo, ele deveria abandonar o Carnaval e tentar a carreira em Hollywood. Eu aposto que ele não arrumaria nem estágio.

Até.

4 comentários:

Anônimo disse...

Esse idiota do Paulo Barros, em entrevista, disse que lamenta a aversão dos jurados ao que ele considera uma tendência moderna de carnaval.

Disse, ainda, que vai insistir em seu estilo e que tem certeza que será vitorioso em um futuro próximo.

Sei não, mas ele me pareceu ser da turma do Chateaubriant.

abs.,

Daniel A.

alberto disse...

O carnavalesco do Boi da Ilha está anos na frente do Paulo Barros. Nada define melhor o apocalipse do que a seqüência: posto de gasolina, biblioteca e gaiola. É ou não é?
abração
Mussa

Eugenia disse...

a roda da Ouvidor é maravilhosa!
só tem um defeito... não é todo sábado...
e a história do Boi da Ilha foi hilária!

daniel disse...

E o carnaval nao poderia acabar melhor: Fluzão 4x1!!!