18.8.08

A OXUM MAIS BONITA

(encontrado numa folha de papel A4 deixada sobre uma mesa do Rio-Brasília na noite de ontem)

"Quando ela dobrou a esquina, de surpresa, e iluminou ainda mais a rua já banhada da prata que a lua cheia derramava sobre a ruazinha tijucana, foi emoção demais pros meus anseios. Ela veio, você sabe, ela veio - eu disse olhando pra bola redonda que boiava sobre nós. Quando ela abraçou meus amigos com braços de aconchego e mãos de afeto e depois sentou-se a meu lado com os olhos um pouco menos marejados que os meus, senti minhas mãos trêmulas e fui encontrar amparo em suas mãos, pousadas sobre suas pernas. Ofereci a ela uma cerveja, e ela disse que não. Segundos depois, eu com os olhos cabisbaixos e um pouco sem-graça com a sugestão que julguei inoportuna, ela me disse com um sorriso embriagante que gostaria de uma batida de maracujá. Ergui o braço, pedi quatro batidas ao dono do bar e fui o homem mais feliz do mundo a cada gole meu, a cada gole seu, e nem me chateei quando ela se despediu, meio hora depois, dobrando de volta a mesma esquina que a trouxe. Eu e meus amigos choramos sem motivo aparente. Estávamos felizes, plenamente felizes, depois da acachapante presença da Oxum mais bonita entre nós."

4 comentários:

Felipinho disse...

Que noite, que noite! Tudo de bonito aconteceu, fazia tempo que não saíamos abraçados e com nossas almas lavadas. A noite de ontem foi o começo do final feliz, tenho certeza. Beijo, mano.

Eduardo Goldenberg disse...

E o que foi nosso Luiz Antonio Simas desfiando praticamente todo o repertório do Caymmi?! Hein?! Grande noite, malandro, grande noite. Dessas de nunca mais esquecer. Beijo.

Felipinho disse...

O Simas tem uma memória invejável. O caboclo é demais da conta. Quanto a noite, abençoados os que estavam lá. Beijo grande.

leo boechat disse...

Eita!