7.11.08

PALMEIRAS: UM FENÔMENO NO RIO

Há tempos que estou para escrever sobre o assunto que hoje me traz aqui, ao balcão. Há tempos. É testemunha disso meu irmão paulista, o fabuloso homem da barba amazônica, Fernando José Szegeri. Eu já comentei com ele, algumas vezes, em diversas oportunidades, sobre esse troço que, quero confessar, não compreendo bem. Talvez saibam dar uma explicação para o fenômeno os estudiosos do assunto, como Luiz Antonio Simas, como Bruno Ribeiro, como o próprio Fernando José Szegeri (notem que escrevi, sem qualquer peso na consciência, o nome completo desses três grandes brasileiros, amantes do futebol). Como o Ivan Soter, que não me lê mas que poderia ser provocado por um de meus poucos mas fiéis leitores (assim quero crer), Rodrigo Ferrari, o Folha Seca, que tem acesso ao Ivan como um padre à sacristia. Dito isso, em frente.

Sei que a afirmação que farei (e que é fruto de uma observação diária e que já dura anos!) incomodará a alguns de meus leitores de São Paulo. Consigo ouvir daqui os protestos dos corinthianos Claudio, Favela, Julio Vellozo e Leonor Macedo (em ordem alfabética para não ferir suscetibilidades), consigo ouvir os são-paulinos Dado e José Szegeri (pai do homem da barba amazônica) bradando contra mim, consigo ouvir a chiadeira do Gordo, santista desde criança - não dá pra citar todo mundo, pô!. Consigo, mesmo, saber que vou criar polêmica - mas o que vou lhes contar, meus poucos mas fiéis leitores, é a mais pura expressão da verdade.

Antes, pausa: terminei esse parágrafo e uma dúvida me acomete... Será mesmo, o Favela, torcedor do Corinthians? O Favela é tão apaixonado pelo futebol de várzea que, pra mim, e dentro de mim, ele é Anhangüera, apenas Anhangüera.

Todos os dias - eu disse TODOS, com a ênfase szegeriana - eu esbarro com pelo menos uma pessoa envergando, orgulhosa, a camisa do Palmeiras. E eu disse "pelo menos uma" porque às vezes - estou sendo preciso do início ao fim - eu esbarro com duas, três, quatro, cinco camisas do Palmeiras, no mesmo dia, em horários e locais diferentes.

Ontem, por exemplo, estava eu almoçando no local de sempre, numa modesta galeria comercial em Laranjeiras, quando sentou-se diante de mim um sujeito com uma camisa do Palmeiras, antiga, da Adidas, com patrocínio da Coca-Cola, um clássico! Eu estava justamente terminando de almoçar. Levantei-me, fingi que estava fazendo uma ligação e - clique! - fotografei a camisa do caboclo. Fotografia feita, vali-me das tecnologias que mal-domino e mandei o flagrante para o homem da barba amazônica (foto abaixo).

camisa do Palmeiras no Rio de Janeiro, fotografia de Eduardo Goldenberg, pelo celular

Em segundos, estrilou meu celular. Eu, com o humor preparado pelo BINA, fui eufórico:

- Fala, mano!

E ele, pela primeira vez eufórico em muitos anos:

- Escreva sobre isso! Escreva sobre isso! É chegada a hora!

Eu ia começar a responder quando ele continuou:

- Antes que eu me esqueça...

- Diga.

- Sabe se aquele cara, o Rodrigo, já emoldurou meu autógrafo?

- Não...

Ouvi uma fungada - algo como um princíprio de chôro ou mesmo um simples muxôxo - e ele continuou:

- Voltando ao assunto...

- Diga.

- Escreva, Edu! Quando eu conto ninguém acredita!

E eu, prometendo a ele que o faria, disse:

- O.K.! Pode deixar. Amanhã mesmo!

Despedimo-nos efusivamente e eis-me aqui cumprindo minha palavra (eu cumpro a palavra que empenho).

Eis o que eu queria lhes dizer sobre o Palmeiras...

No Rio de Janeiro, por razões óbvias, é fácil dar de cara com camisas do Flamengo, do Vasco, do Fluminense, do Botafogo, do América.

Mas por que razão - esta a pergunta que faço com as mãos espalmadas pedindo ajuda - a camisa do Palmeiras é onipresente na cidade do Rio?!

Aqui na Tijuca - vão tomando nota, leitores palestrinos!!!!! - o troço chega a ser vergonhoso. Não é só o Imperador, garçom do falecido RIO-BRASÍLIA, vejam aqui, que exibe, orgulhoso, a camisa do Palmeiras. Vira-e-mexe, na Tijuca, surge o alviverde imponente - e eu quase sempre disco pro Szegeri:

- Mais uma!

- É impressionante!

E ele gargalha de lá, cofiando a barba (ouço o farfalhar de sua densa barba negra).

Quando o Palmeiras joga, então, você tem a impressão, em plena Tijuca, de que está caminhando pela rua Turiassu ou descendo, animadamente, a avenida Francisco Matarazzo.

Dia desses, inclusive, eu estava dentro do 239, voltando pra casa. Era dia de jogo do Palmeiras (não me lembro qual, nem à fórceps). O ônibus parou no sinal (no farol, palestrinos), na esquina da Frei Caneca com a Marquês de Pombal, onde há um buteco de primeira, vagabundo, como devem ser os grandes butecos. E do teto do bar - creiam! - pendia uma enorme, uma gigantesca, uma impressionante bandeira do Palmeiras. Diante do balcão da espelunca, uns dez, doze, sei-lá-quantos homens vestidos a caráter bebiam e faziam algazarra, como se estivessem devastando sanduíches de pernil com cerveja numa das kombis da Turiassu e prestes a entrar no estádio. Liguei, evidentemente, pro homem da barba amazônica. Ele, gemendo:

- Mentira, Edu...

- Juro! - e fiz o som dos dois beijinhos com os indicadores em cruz, apoiando o celular entre o ombro e a orelha esquerda.

- Quando eu for ao Rio quero conhecer esse buteco!

E é assim, meus poucos mas fiéis leitores. Desconheço a razão desse fenômeno. Pois é, de fato, um fenômeno.

(agora mesmo é que serei vaiado pelos paulistas não-palestrinos)

Muito raramente - muito, muito mesmo! - encontro alguém com a camisa do Corinthians (no reveillón e no Carnaval, com a cidade invadida por turistas, vê-se mais). Guarani, Santos, Portuguesa, Ponte Preta, São Caetano, Bragantino - encontrar uma dessas é quase que impossível, mas vê-se, uma na vida e outra na morte.

O que eu NUNCA vi (com a ênfase szegeriana) - NUNCA!!!!! - foi uma camisa do São Paulo.

Campeão não sei quantas vezes, campeão disso, campeão daquilo, a camisa do São Paulo NUNCA - e digo isso com 100% de certeza - foi vista por essas plagas.

Com vocês, por favor, a palavra.

Até.

59 comentários:

Bruno Ribeiro disse...

É óbvio, querido: para além dos limites do Morumbi e dos luxuosos Jardins, ninguém torce para o São Paulo. Ninguém! Beijo.

Luiz Antonio Simas disse...

Edu, menos. Você disse que no Rio de Janeiro é fácil encontrar alguém com a camisa do ... América ? Não sacaneia. A frase poderia ser "é fácil encontrar o Felipinho Cereal, o Rodrigão e o Murilão com a camisa do América". A torcida do mequinha é atualmente formada por um diminutivo e dois aumentativos.
Beijo.

ClaudioYidaJr disse...

Edu, nunca - nunca mesmo - haverá fenômeno maior na Cidade Maravilhosa do que aquele que houve em 05 de dezembro de 1976.

No mais, voltamos! E eu ainda tenho esperança no Mengo!

Abraços.

Eduardo Goldenberg disse...

Bruno, meu caro: acho que você não compreendeu qual o fenômeno que quero desvendar... Por que, querido, por que o Palmeiras e apenas o Palmeiras, dentre todos os times brasileiros (exceto os do Rio, é claro), veste um número considerável de seres humanos nessa mui leal e amada cidade de São Sebastião?! Beijo, mano.

Simão: sacanagem é você escrever "mequinha" com letra minúscula... Beijo.

Cláudio: seu arroubo não elide a questão que me atormenta. O que se viu em dezembro de 1976 foi apenas - sim, apenas - a invasão de corinthianos, que só aconteceu, diga-se, graças à diminuta torcida do Fluminense, que permitiu o troço. Sobre o assunto que tratei no texto... alguma palavra? Abração!

Craudio disse...

Edu, talvez o motivo seja a torcida do Vasco, que tem um acordo de cavalheiros com os alviverdes e transitam livremente entre si. Ali no Pq. Antártica, também se vê a camisa cruzmaltina em grande quantidade. Então, o que você vê só pode se tratar de vascaínos - com exceção do Imperador.

Abraço!

Eduardo Goldenberg disse...

Craudio (que vem a ser o claudioyidajr): com a devida vênia, sua explicação não me convence. Eu conheço centenas de torcedores do Vasco da Gama. NENHUM deles tem a camisa do Palmeiras. É evidente, meu caro, é evidente, que são palmeirenses os caras aos quais me refiro no texto. Prossegue minha dúvida. Abraço.

Arthur Tirone disse...

Edu, é preciso dizer há quanto tempo acontece esse troço das camisas alviverdes colorirem o Rio. Será que antes de 1970 era assim? Vejamos...

Credito o fenômeno ao paulita mais carioca do Brasil, justamente ele, Fernando José Szegeri. A cada ida sua ao Rio - e foram muitas, incontáveis, nos últimos 38 anos, né? -, uma massa se converte. Em cada carnaval uns cem foliões - no mínimo - do Bola Preta viram palestrinos ao esbarrarem com o homem. Em cada buteco que o barbudo entrou, em todos os cantos da cidade, alguém foi contaminado por sua forza fanática.

Sua influência é assim. Não se brinca com o Szegeri, não, você bem sabe disso. Só o Rodrigo que ainda não sacou isso...

Beijo.

PS: Sou corinthiano pra caralho, velho. Mas sou, antes, Anhangüera!

Bruno Ribeiro disse...

Edu, entendi sim. Mas não sei qual é a razão de haver tantos palmeirenses no Rio. Talvez possa ser a influência grandiosa e atemporal que Fernando José Szegeri, este brasileiro onipresente, exerce sobre todos nós.

Bruno Ribeiro disse...

Eita! Acabo de ler o que escreveu o Favela. Chegamos, pois, à mesma conclusão. Acho que matamos a charada...

Borgonovi disse...

Edu e amigos,

volto após longo período de ostracismo para comentar a predominância do Glorioso Clube Esmeraldino do Parque Antárctica na mais bela cidade do mundo:

1) Há o bom senso do povo carioca;
2) Há o bom gosto do povo carioca;
3) Há a beleza da cidade e do povo carioca; e
4) Não sei se explica, mas é uma história linda que compõe a linda história do Rio e do Palmeiras. Na década de 50 - ou seria de 40, não me lembro - um sujeito perambulava perdido pelas cercanias do morro da Mangueira - roto, doente e sem um vintém de mel coado no bolso. Um autêntico indigente. Pois esse cidadão foi, como manda a hospitalidade desse magestoso povo, adotado pelos moradores do morro de Mangueira.

Era ele um autêntico e doente palmeirense. O sujeito em questão virou uma espécie de bem-amado na Mangueira, um mascote, um amuleto. Safo, ele começou a pregar seu amor pelo Verdão. De maneira que, pelo menos na Mangueira, angariou muitos adeptos.

Quem conta essa bela história é Dona Neuma, enrolada numa bandeira do Alviverde, numa revista do Palmeiras que comprei quando moleque-de-tudo e tenho, até hoje, em minha casa. Comprometo-me a levar o exemplar ao Rio para que você, Simão e outros arqueólogos tenham acesso.

Um abraço,

Borgonovi

Eduardo Goldenberg disse...

Favela e Bruno: com uma diferença de 4min, vocês chegaram à mesma conclusão - como bem disse o mano de Campinas, às 11h16mmin! Há que se considerar essa tese.

Aguardemos as consistentes opiniões dos demais.

Beijo!

Eduardo Goldenberg disse...

Que beleza, Borgonovi!!!!! Que história! Escaneia a revista, pô! Eu duvido que na UJS ou que no PCdoB não tenha scanner!

Beijo, saudade sua.

Daniel A. de Andrade disse...

Edu,

Acredito que pode ser influência do F.J. Szegeri sim. Certa vez você escreveu que o sujeito já nasceu do jeito que é, sabe-se lá há quantos anos. Pode ser esta a explicação, talvez.

Seja como for, na Rua Efigênio Sales, no Cosme Velho, onde moro, há um apartamento no qual, diariamente, paira na janela uma imensa bandeira branca, com um "P" verde inserido dentro de um circulo, também verde. Desde que lá moro sempre tive a convicção de que em tal residência habitam palestrinos. Vou bater uma foto do pavilhão e dia desses encaminho.

Grande abraço,

Eduardo Goldenberg disse...

Meus leitores: vejam que lindo o que me ocorreu agora!

"(...) um sujeito perambulava perdido (...) - roto, (...) e sem um vintém de mel coado no bolso. Um autêntico indigente. Pois esse cidadão foi, como manda a hospitalidade desse majestoso povo, adotado (...). Era ele um autêntico e doente palmeirense. O sujeito em questão virou uma espécie de bem-amado (...), um mascote, um amuleto. Safo, ele começou a pregar seu amor pelo Verdão. De maneira que, (...), angariou muitos adeptos."

Esse é o Szegeri, pô!

Que lindo!

Eduardo Goldenberg disse...

Daniel: faça isso, malandro! Fotografe a bandeira palestrina. Aproveito o ensejo e peço aos que me lerem aqui, o mesmo: mandem para mim, pelo edugoldenberg@gmail.com, fotografias de camisas e bandeiras do Palmeiras que vocês encontrarem por aí. Quero dar sustento probatório à minha declaração.

Zé Sergio disse...

Aqui em Niterói, depois do Botafogo e do Canto do Rio, a maior torcida é a do Moleque Travesso.

Bruno Ribeiro disse...

Essa história do Borgonovi é maravilhosa, merecia um post inteiro só pra ela! Endosso o coro: escaneia a revista, pô!

E eu diria mais, mano, em relação à tese defendida por mim e pelo Favela: creio que pensamos e escrevemos ao mesmo tempo. Demorei quatro minutos para postar porque tenho a mania de reler e corrigir o que escrevo, antes de enviar. Tivesse eu postado no momento em que terminei a primeira versão do comentário, talvez os horários de publicação, pelas minhas contas, fossem rigorosamente idênticos!

Que lindo!

Zé Sergio disse...

Ah, temos também torcedores fanáticos do Ferencvaros. Eles têm até facções (Fúria Ferenquina, Jovens Magiares, Comando Budapest etc.) e uma charanga com violinos e guitarras ciganas. São um pouco violentos. Não é raro acontecer até assassinatos sempre que o Ferencvaros enfrenta o Debreceni, que tem torcida um pouco menor.

Eduardo Goldenberg disse...

Zé Sergio: como sempre, querido, sua contribuição foi - como dizer? - imprescindível.

Bruno: com relação a isso, mano, a esses fenômenos, melhor poderá dizer Luiz Antonio Simas. Mas eu diria que o Espírito que soprou no ouvido do Favela, em São Paulo, soprou em Campinas, ao mesmo tempo, no seu ouvido. Beijo.

Arthur Tirone disse...

É isso, Edu. As peças vão se encaixando! O Borgonovi provou, inconteste, o que mano Bruno Ribeiro e eu dissemos sem medo de errar.
Veja: o Szegeri, desde longínquos tempos, é Mangueira. Depois, passou a torcer também pela Portela. Só tem uma explicação: Decidiu, um dia, sair do Morro de Mangueira - onde fora adotado por D. Neuma, para "pregar" o verde nas bandas de Madureira. Tia Surica, então, o adotou. E assim o Rio vai ficando palmeirense...

Grande Szegeri!

Eduardo Goldenberg disse...

Favela: que história bonita, essa!!!!!

Rodrigo disse...

Velhinho, deixe comigo que o Ivan vai saber desse texto, aliás, ele lê o Buteco, bem como uns 90% dos frequentadores da sua livraria do coração (quero crer que os outros 10% não tenham computador).
Quanto à questão dos palmeirenses, não tenho resposta, nem sei dizer porque, apesar de flamengo, eu tenha mais simpatia pelo Verdão entre os paulistas, embora também goste do Corinthians.
Mas uma coisa eu sei: outro grande brasileiro que vive aqui no Rio e torce para o Palmeiras é o Ratinho, emérito tirador de chope do casual Retrô. O que reforça a teoria da supremacia palmeirense entre os times de Sampa no Rio.
Abraços,
Digão

Eduardo Goldenberg disse...

Digão: Flamengo é com letra maiúscula, pô! Logo você!

Aguardo, ansioso, a explicação do bom Ivan.

Bom tê-lo de volta ao balcão.

Grande beijo.

Flavio disse...

Me mijei de rir com essa perola da historia hungara no Brasil do Ze Sergio. So faltou um clube de linguas de origem turca do outro lado da ponte. Se eu fosse para Niteroi alguma vez na vida teria um medo terrivel dos torcedores do Ferencvaros.

Rodrigo disse...

Edu, meu caro.

Essa estória do autografo deu o que falar. Calma Favela, meu caro, que sei o quem o Fernando é. Não apenas o Fernando, mais o Bruno, você, o Edu é uma turma da pesada. Aprendi muitas coisas com vocês. Sei meu caro Szgeri que estou lhe devendo o prometido, mais farei.

Abraço

Eduardo Goldenberg disse...

Flavinho: é o que eu digo sempre sobre o Zé Sergio... ele traz contribuições que em muito ultrapassam nossos parcos conhecimentos sobre as coisas importantes da vida! Beijo, saudade de você!

Rodrigo: não adianta prometer, cara. Você já o magoou o bastante. Faça. Pare de falar e faça. Emoldure logo a porra do autógrafo dele. Faça uma simbólica inauguração em sua casa. Convide o malandro. Fotografe. Registre tudo para a posteridade. Se você tivesse, de fato, aprendido muita coisa como diz (com o Favela, com o Brunão, com o próprio Szegeri), já teria cumprido a palavra empenhada há muito tempo. Se o problema for dinheiro, diga. Nós nos cotizaremos e pagaremos o serviço. Um fraterno abraço.

Vanessa Dantas disse...

Uau! O Borgonovi matou a pau! Que história! Adorei o post! Tomei a liberdade de colocar um link do texto no meu BLOG.

Eduardo Goldenberg disse...

Seja bem chegada, Vanessa. E obrigado pela citação. Beijo.

ps: você conhece o Borgonovi? Ele não mata NADA a pau. Seguramente você não o conhece...

Vanessa Dantas disse...

Eu não conheço o Borgonovi. Mas ele mandou muito bem. Aliás, fiquei curiosa pela tal reportagem com a Dona Neuma, enrolada numa bandeira do Alviverde. Bem, se ele escanear, você bem que podia me enviar, não?! Beijo.

Szegeri disse...

As teorias, as deixo por conta dos especuladores. Sou apenas um modesto observador do gênero humano. E o fato, nobres senhores, caríssimo Galo, é que esse fenômeno que você constata na Cidade Maravilhosa, capital espiritual do Brasil, se repete EM TODOS OS MAIS RECÔNDITOS ESCONSOS DESTA NAÇÃO. E olha que eu andei! Vi camisas alvi-verdes de Santa Catarina ao Amapá. Vi no interior do Pará(e há testemunhas!) uma velha roleta daquelas de parque de diversão, onde se aposta em um dos dois times, o enorme círculo dividido em triângulinhos que alternavam distintivos do Flamengo e do Palmeiras! Indagando o dono do parque sobre o porquê da escolha, ele disse: "se puser Remo e Paysandu, sai briga no bar todo dia. Então, resolvi colocar os dois times maiores times do Brasil!"

Daniel disse...

Edu eu também acho que isso é culpa do Fernando José Szegeri. Mas existe sim uma união entre as torcidas do palmeiras e do vascu, e é comum ver camisas do vascu nos jogos do palmeiras e vice-versa, acho que isso tem uma pequena influência.
Queria mandar um grande abraço para o Zé Sergio e também pro Simas, porque as nossas torcidas foram amigas durante muitos anos e foi uma pena ter acabado a amizade por causa de brigas banais, e queria revelar uma coisa extremamente secreta. Se eu não fosse Santista eu seria Botafoguense e iria morar no Rio!
Um brinde ao Fernando José Szegeri (o verdadeiro fenômeno), ao Botafogo e para o meu Glorioso Alvinegro Praiano!

Abraço Edu!

carolina disse...

A partir de amanhã só piso na Folha Seca com a camisa do São Paulo!

Rodrigo disse...

Você pode Carol, você pode.
E Edu, no caso não era nome próprio, mas tudo bem, você está certo. Lendo agora ficou mesmo chato o Mengo em letra minúscula e os outros em caixa alta. Mas, como você bem me alertou uma vez, não somos flamenguistas, somos flamengos.
E nunca duvide: estou sempre por aqui.
Beijo,
Digão

Bruno Ribeiro disse...

Há que se chamar a atenção para um detalhe importantíssimo, que não deixa dúvidas quanto à procedência da foto tirada pelo Edu e que ilustra tão bem este post. Ela realmente foi feita no Rio de Janeiro: o rapaz tem à sua frente um copo de Chá Matte Leão! Em que outra cidade do Brasil, que não a Maravilhosa, alguém consegue almoçar ingerindo chá de erva mate?

Eduardo Goldenberg disse...

Mano Szegeri: modesto, você, como sempre. A constatação coletiva aponta para isso... O andarilho que foi parar na Mangueira, entre 40 e 50, é você, redivivo, responsável pela massa palmeirense no Rio de Janeiro. E como você andou (segundo disse) pelo Brasil todo, fecha-se o círculo da verdade... Você é o semeador da paixão palestrina em todo o país. Beijo.

Gordo: quando é que você aparece de novo aqui, hein?! Abração, saudade sua.

Digão: quem é a Carolina, querido? Beijo.

Brunão: é que o restaurante é um natureba radicalíssimo! Beijo.

Luiz Souza disse...

Edu,

Como cliente antigo deste boteco, tomo a liberdade de postar entre esses grandes brasileiros que aqui estão.

Eu, como palestrino fervoroso, devo informar que a ligação Palmeiras / Estação Primeira foi lindamente relatada pelo grande palestrino Jota Christianini aqui:

http://terceiraviaverdao.blogspot.com/2008/02/estao-primeira-de-mangueira.html

Quando fui ao Engenhão ver Botafogo x Palmeiras, foi comovente ver alguns irmãos cariocas perguntando se morávamos no Rio e dando o endereço de outro boteco, lá pelos lados de Copacabana, que também reúne palestrinos em dias de jogo. Camisas "Devotos de São Marcos - Rio de Janeiro" eram vistas ao borbotões.

Abraço,
Luiz.

"Somos palmeirenses, sempre fomos!" - Dona Neuma

Zé Sergio disse...

ATENÇÃO FLAVINHO. Site do jornal O Fluminense": a PM de Niterói acaba de prender torcedores que trocavam tiros na Alameda São Boaventura. O clima no Fonseca é tenso. No Horto Florestal, a torcida do Fenerbahce fazia um churrasco de confraternização quando o local foi invadido por uma facção rival, ligada ao Galatasaray. Os dois times são da Turquia. Houve troca de tiros por mais de meia hora. Uma bala perdida acertou um torcedor húngaro que passava do outro lado do canal, comendo um italiano. Italiano é como o povo de Niterói chama o salgado conhecido do outro lado da baía como joelho. O hooligan magiar, que pertence também a uma gangue, a Fúria Ferenquina, foi socorrido por uma multidão de palmeirenses, inicialmente revoltada com a informação de que a vítima havia comido um italiano. Quando tudo ficou esclarecido, levaram o húngaro, que além de baleado levou muita porrada ("Fogo amigo é o caralho!", berrava o húngaro, todo ensanguentado), para o Hospital Azevedo Lima. Os palmeirenses foram interrogados na 76ª DP e disseram que estavam a caminho do Parque Antártica, vindos de Jundiaí. O delegado, também fã do esporte, após declarar-se torcedor do Juventude, dispensou o grupo e anunciou que nas próximas horas, com retratos falados espalhados por toda a cidade, vai prender todos os turcos brigões.

Rodrigo disse...

Velhinho, a Carol você conheceu rapidamente no dia do meu aniversário, lá na Folha Seca. Não disse que quem vai à livraria do seu coração freqüenta o Buteco? Ela está meio chateada comigo pelo meu comentário, mas quero dizer em minha defesa que antes de conhecê-la eu não tinha nenhum motivo para gostar do tricolor paulista. Agora já estou até torcendo para ela encontrar logo uma camisa para vender pois estou saudoso, ela anda meio sumida e quero crer que seja por isso.
Beijo, querido,
Digão

Bruno Ribeiro disse...

E que tal isso:

http://palmeirasrj.wordpress.com/historia/

Achei por acaso.

Szegeri disse...

Gente, o que é que o Dinda bebe?

Zé Sergio disse...

PORRA! Queria saber o que o Edu anda bebendo para inventar essa multidão de palmeirenses no Rio. Só se for na Tijuca.

Vanessa Dantas disse...

Olá Edu! Viajando a trabalho neste final de semana, passei pela Comunidade Quilombola do Camburi - Ubatuba. Trata-se da última praia do estado de São Paulo, que faz divisa com o Rio de Janeiro. E para minha grata surpresa, encontrei o Sr. Leonel (morador local) com o boné do Verdão. Postei a foto no meu blog. Dá uma espiada lá. Beijo.

Szegeri disse...

Entre os quilombolas, então, estejam certos de que o Glorioso é absolutamente predominante, por lógica elementar. As fotos, Zé Sérgio, as fotos não mentem!

Lela disse...

Edu, desculpe o atraso para vir aqui dizer a minha tese. O caso é que só há uma explicação: não é o número de palmeirenses no Rio de Janeiro que tem aumentado. É você que tem um azar do caraleo para encontrá-los, todos. Vá se benzer!

Um beijão!

(Leonor Macedo)

Eduardo Goldenberg disse...

Leonor: fui me benzer, acredite. Tentei várias linhas - digamos assim.

O pai de santo era palmeirense.

Um pouco mais à frente, noutra casa, o babalaô tinha uma bandeira do Palmeiras estendida na janela.

Fui tomar um passe: o médium estava com a camisa do Palmeiras por baixo do jaleco branco...

E o padre, da Capuchinhos, também (a batina não cobria o escudo todo).

Impressionante!

Beijo.

michele disse...

Será pelo fato da torcida do Vasco ser unificada com o Verdão num momento em que o time carioca passa por um campeonato ruim?

emerson disse...

Achei o seu blog procurando por Palmeiras RJ. Realmente, o número de palmeirenses aqui no Rio é imprecionante! E eu sou apenas mais um a exibir orgulhosamente o manto sagrado pelas ruas do Rio!

Aliás, alguém conhece algum bar (de preferencia na Zona Sul) onde os palestrinos se reunem pra assistir aos jogos?

Obrigado!!

Parabens pelo POST!

Eduardo Goldenberg disse...

Emerson: na zona sul? Não sei, não. Mas na zona norte, pertinho do Sambódromo, há um buteco na esquina da Frei Caneca que chega a estender bandeira e tudo. É impressionante. Um abraço, seja bem chegado.

rafael disse...

Edu tenho um amigo que é fanatico pelo palmeiras e quero muito ajudar a ele.Ele me pediu que eu procurasse um bar em niterói ou no RJ que tivesse encontros de palmeirenses para ele poder ir assistir os jogos. Queria que você me desse o endereço de algum. , por favor me ajude. obrigado.

alexandre disse...

Engraçado.... sou Palmeirense de familia Palestrina.
Gosto tanto do Rio como de São Paulo, e não sei o porque, mas gosto muito do America.
Qdo viajo para a cidade maravilhosa levo meu estoque de camisas do Verdão.
e qdo estou em casa sempre que é possivel uso com orgulho o manto sagrado do America FC Campeão dos campeões de 1982.

Parabens pelo texto.

Drt disse...

Interessantissimo mesmo !

ha anos venho observando. até informalmente, em reportagens no publico, nas regiões centrais já vi varias pessoas com a camisa do palmeiras.

minha teoria é a seguinte

o palmeiras é o clube menos 'paulista' dos grandes de sp.

o spfc pelo nome, o corinthians é excessivamente mostrado pela midia de sp, o que aborrece os espectadores do rio, o santos era muito popular na epoca do pelé no rio, mas decaiu demais.

o palmeiras sempre grandes jogadores cariocas no elenco - da guia, djalma dias pai e filho, zinho, cesar, edmundo. e agora luxa, diego souza

a cor da camisa verde e branca. nao tem correspondente com outro clube do rio de janeiro.

muitos titulos, especialmente na era parmalat

realmente o palmeiras é o mais popular entre os cariocas.

Rapaduraman disse...

Caro Edu,

sou palmeirense no Rio de Janeiro e temos um grupo de quase 60 pessoas que se reunem em Botafogo para assistirmos juntos o jogo do glorioso palestra.
Pode apostar que o número de paulistas que vem trabalhar aqui é grande, não é o meu caso, pois sou sergipano.
Abraço!

Marcello disse...

Caro Edu,

tenho ido ao Rio com certa frequência, fico em média 1 semana a cada 45 dias, sempre em um hotel no Flamengo. Da última vez, tinha que ir a uma feira em Macaé. Nessa viagem vi algumas camisas sendo usadas por garotos perto das zonas urbanas, normalmente a verde-limão. Outro dia tinha um rapaz numa das "Casas do Alemão" com a namorada e vestindo a camisa, cheguei perto do casal só para ouvir o sotaque, para minha surpresa o cara tinha um sotaque carioca bem forte. Tenho vergonha mas sempre tento tirar uma foto disfarçado.

Saudações Palestrinas e parabéns pelo blog, muito legal!

Cassiano disse...

Em viagens ao Rio, principalmente nas cidades do litoral fora da baixada Fluminense, já havia notado tal fenômeno, pensei que fosse apenas por sorte minha, mas pelo visto é realmente fato reincidente.

Parabéns pelo post,

Cassiano
Palmeirense de SP

José Carlos disse...

Há algum tempo, eu ia muito ao Rio. Só vi uma camisa do VERDÃO uma única vez, num restaurante na Cobal de Botafogo. Acho que uma explicação possível para a popularidade do Palmeiras no Rio é o fato de ter vencido a Copa Rio em 1951, logo após o fracasso do Brasil na Copa do Mundo em pleno Maracanã. Foi uma lavada da alma nacional, valeu para todas as torcidas. A memória coletiva, porque a memória histórica é pouco divulgada, permanece. E viva o VERDÃO que, em homenagem ao Rio, hoje pega o Flu no Parque Antarctica. Estarei lá, de camisa nova.

Bianco, Rosso e Verdão disse...

Eduardo,

Sou de SP, sócio e fanático pelo Alvi-verde, e recebi link se seu texto por email e gostaria de parabenizá-lo.

A nossa torcida não se auto denominando “fiel” , “religião” ou coisa do gênero, e que precisa ir na televisão toda hora falar disso pra convencer os outros, e até a eles próprios desse papo furado. Nós sabemos nosso valor, e isso já nos basta!


O número de blogs sobre o Palestra é insano (devemos der mais de 100)e a maioria deles é muito boa também !! Inclusive atingimos a própria diretoria do Clube...

Segue o meu e de mais uns malucos...

http://bianco.futblog.com.br/

Grande Abraço

marcelo rio preto disse...

Caro Edu,

Eu, palmeirense desde 1972, fiquei muito feliz em saber que no Rio há muitos palestrinos.
Ainda terei a oportunidade de conhecer o Rio de Janeiro e, certamente, irei ao boteco em que se reunem os palestrinos.
Abraço,
marcelo rio preto.

Daniel Rodrigues disse...

Fala Edu.
Muito legal o blog, tenho acompanhado há algumas semanas.

Sou paulistano e palmeirense, e vou te contar a minha teoria:

A torcida do Palmeiras é diferente das outras de sp. O sao-paulino é aquele torcedor arroz de festa, que só torce quando o time tá ganhando e não usa a camisa fora do estádio. O corintiano (eca) é o torcedor da massa, apaixonado pelo time e tal, mas ainda assim é muito restrito a sao paulo.

Já o torcedor palmeirense tem uma relação diferente com o clube e com a camisa. O palestrino vem de família, sou palmeirense porque meu pai me ensinou a amar esse time e essa camisa. O Verdão amargou uma fila de muitos anos sem títulos, e ainda assim a gente usava a camisa na rua, como quem diz: Olha aqui, eu amo essas cores, e torço por elas mesmo sem nunca ter gritado "campeão". O palmeirense tem orgulho da sua origem, e faz questão de ostentar a camisa.

Um dos motivos da popularização no Rio pode ser, também, o sucesso do time na década de 90. Em qualquer conversa de boteco, se você tentar listar os melhores times que viu jogar, aquele Palmeiras está presente.

Grande blog, parabéns!
Abração
Daniel Rodrigues

Sassa Mutema disse...

Ser Palestra é muito além dos limites imaginários de municípios, de estados, países , etc.
Um Palmeirense sempre carrega consigo o orgulho de ser e exibir as cores Palestrinas