5.3.09

CARTAS N´O GLOBO

Li, hoje pela manhã, enquanto me dirigia, de ônibus, para Búzios, a trabalho, uma carta publicada na seção CARTAS DOS LEITORES do lastimável diário carioca.

Pausa brevíssima: lastimável e a cada dia mais lastimável.

Eu estava me preparando para embarcar de volta, às 17h, e estrilou meu celular. Era um amigo com a voz embandeirada:

- Leste o Joaquim Ferreira dos Santos na segunda-feira?!

- Não. Por que?

E ele respondeu-me aos atropelos:

- Não sou dado a ler coisas do tipo, mas um amigo me chamou a atenção para o troço ontem à noite, quando nos encontramos pra um chope rapido que durou até as três da matina! É sobre, obviamente, o Jota... O que o sujeito escreveu na segunda-feira, rapaz... rapaz... bate todos, rigorosamente todos os recordes do canalhismo, esse neologismo feito sob medida pra juntar (pseudo)jornalismo com canalhice. Meu amigo me deu o toque e hoje corri pra pegar uma edição de segunda-feira, tomar coragem e tentar engolir o que se não é o mais abjeto texto da imprensa das duas últimas glaciações, chega muito perto. Eu consegui, sem vomitar, ler até a metade do primeiro período. Depois disso, a bílis me tomou o esôfago e nao houve jeito de prosseguir. Tente fazer o esforço e leia. Talvez você esteja mais imune do que eu, até porque eu li nas entrelinhas do pouco que consegui mastigar uma não assumida resposta a algumas das porradas que você, mui justamente, desfere no sujeito... Vá lá se divertir um pouco...

Foi quando eu o cortei.

Jamais dei porrada no homúnculo (Joaquim é mirradíssimo, eis a razão pela qual referi-me a ele como homúnculo) como quis fazer crer meu interlocutor. Combati, sempre, a condução lamentável da coluneta diária mantida no igualmente lamentável SEGUNDO CADERNO de O GLOBO.

Acabo de ler, na internet, a tal coluna (publicada no espaço nobre do SEGUNDO CADERNO, leiam aqui) e, francamente, não vou me dar ao trabalho de dizer um "a" sobre o troço. Basta lhes dizer que Joaquim, à certa altura, diz querer que "Paulo Barros ponha a mão o título que tanto merece", justo ele, um dos maiores engodos dos últimos anos, atropelando as escolas, infinitamente maiores que esses (pausa) carnavalescos - carnavalesco sou eu, pô!, que saio em blocos de rua (que o homúnculo parece ter descoberto apenas em 2009) há anos!, é o Szegeri, é José Sergio Rocha... E o colunista ainda comemora, felicíssimo - fecha assim mais uma das suas - o fato de que "pela primeira vez a cidade tem um prefeito que toca chocalho na Portela". Sem mais comentários e voltando ao início.

Deparei-me com a seguinte carta n´O GLOBO de hoje:

publicada na seção CARTA DOS LEITORES de O GLOBO em 05 de março de 2009

O que dizer da frase "o problema do Rio de Janeiro é, sim, a formação de um número enorme de cidadãos cujo padrão de comportamento é violento e cruel"????? E dessa outra, "o problema não é a droga que é comercializada em todos os países do mundo, mas o elemento humano que se forma nas favelas cariocas"?????.

Li diversas vezes.

Custei a crer no que lia.

Chegando em casa, não resistindo à curiosidade que me martelava - como pode alguém pensar assim????? - fui pesquisar o nome do missivista.

E percebi que o cara é reincidente.

Vejam essas outras duas cartas, publicadas no mesmíssimo O GLOBO (aqui e aqui):

publicada na seção CARTA DOS LEITORES de O GLOBO em 16 de julho de 2008
publicada na seção CARTA DOS LEITORES de O GLOBO em 23 de novembro de 2008

O cara só tem razão numa coisa: o problema é o elemento humano.

(pra bom entendedor, meia-palavra: bosta.)

Mais à frente, volto ao tema (o tema é palpitante). Vocês, meus poucos mas fiéis leitores, por favor, soltem o verbo. A favor ou contra a opinião do sujeito, um contumaz freqüentador (não consegui largar o trema) d´O GLOBO. A favor ou contra o elemento humano.

Fico pensando, às vezes. Será que o jornal, sem coragem para dizer tamanhas barbaridades, cria esses personagens?!

Até.

9 pitacos:

Capilo disse...

Caro Edu, acho que o jornal cria mesmo esses personagens, porém, cria não falaciosamente, mas ao longo das informações que veicula. E estão cheios de Bichara por aí, infelizmente.

A vinculação de moradores de favelas com bandidos é muito comum, tanto pela mídia, como pelos leitores, como até mesmo pelos nosso 'representantes'.

Cabral, logo depois de assumir o governo, disse que as favelas são fábricas de marginais, apoiando o aborto. Revoltante, mas real.

O que posso dizer é que exitem vozes destoantes desse discurso - além da sua.

abs.

Daniel A. de Andrade disse...

Edu,

Esse termo, elemento humano, não me agrada. E, agrada-me menos ainda, a forma como é tratado pelo comentarista Fabiano Bichara. Minha concepção é de pensar o ser humano como solução, e não como problema.

Eu indicaria ao Fabiano um pouco mais de ponderação, e, inicialmente, a leitura das 50 primeiras páginas do livro “A Afirmação Histórica dos Direitos Humanos", de autoria do jurista Fábio Konder Comparato. São linhas tão bem escritas, como profundas, e que nos dão uma noção de dignidade humana que vejo faltar no comentarista em questão.

Como pontapé inicial, transcrevo um pequeno trecho retirado do livro citado, em sua primeira página: "Todos os seres humanos, apesar das inúmeras diferenças biológicas e culturais que os distinguem entre si, merecem igual respeito, como únicos entes no mundo capazes de amar, descobrir a verdade e criar a beleza. É o reconhecimento universal de que, em razão dessa radical igualdade, ninguém - nenhum indivíduo, gênero, etnia, classe social, grupo religioso ou nação - pode afirmar-se superior aos demais”.

Um grande abraço,

Daniel A

carolina disse...

Edu, não duvido que as cartas sejam coisas do pp jornal...muito triste isso.

Bruno Ribeiro disse...

Querido, não creio que os jornais precisem criar estes leitores reacionários. Infelizmente eles existem, escrevem para os jornais e se sentem tolhidos em seus direitos quando não têm suas opiniões publicadas. Falo por experiência própria: recebo, por semana, dezenas de e-mails iguais à deste tal de Fabiano Bichara. Beijo!

Diego Moreira disse...

Lembrei do velho slogan: "Bandido bom é bandido morto". Talvez, para o tal Bichara, o slogan deva ser aplicado, ao pé da letra, para moradores das favelas.

Reacionário demais. Cacete!

Abraço!

Eduardo disse...

Acho que o problema é a educação.

Viva o Prof. Ribeiro, Viva o Dr. Brizola!

Daniel disse...

Edu,

Me dá asno este jornal. Devem receber milhares de cartas e emails por dia e ainda publicam um comentário imbecil. Pior, não foi apenas uma vez, mas como você mostrou, três vezes !
Um elemento humano totalmente irracional.

Daniel Liberto

Daniel disse...

Edu,

Me dá asno este jornal. Devem receber milhares de cartas e emails por dia e ainda publicam um comentário imbecil. Pior, não foi apenas uma vez, mas como você mostrou, três vezes !
Um elemento humano totalmente irracional.

Daniel Liberto

ipaco disse...

Querido Edu, infelizmente o reacionarismo está voltando com toda força e o Globo é apenas um dos veículos dessa tendência. A Folha de S.Paulo, com seu editorial classificando a ditadura de ditabranda, é outro exemplo lamentável. Como trabalho no Globo, sei que esse personagem de fato existe, o que é triste, pois e-mails como esses chegam aos borbotões, sobretudo em cima de campanhas como "Ilegal e daí" e "choque de ordem", que estimulam todo tipo de preconceito social (contra ambulantes, mendigos, sem-teto, camelôs, favelados etc.). Mas uma coisa me anima: o distanciamento dos jornais em relação à população anda tão grande, que sua influência também perdeu vigor. E, além disso, o leitor não é tão passivo como se pensa. Um exemplo: na campanha presidencial todos os jornais jogaram pesado para eleger o Alckmin e o resultado foi o que se viu...