6.4.09

PEQUENAS DELÍCIAS EM EXTINÇÃO

Ontem vivi mais uma das (como diz meu irmão, Szegeri, com pungente saudade disso) "manhãs de domingo na Tijuca".

Sentei-me com bons amigos, que me têm sido vitais, pouco antes das 11h, na gloriosa esquina de Afonso Pena com Pardal Mallet, no BAR DO CHICO, que tem se mostrado, a cada final de semana, um portento.

Brahma mofada, como anuncia a cada pedido o grande Antônio, caipivodka de kiwi e de maracaujá, carne de sol à moda de Cesar Tartaglia, e um almoço dos inesquecíveis no cinquentenário SALETE.

O papo fluia como as águas do rio Maracanã, meu rio, até que ela disse, com os olhos brilhando e emoldurados por uma espécie de orgulho que compreenderíamos mais à frente:

- Sabe que dia desses fui almoçar novamente no Vilarino...

Musa é musa, e fez-se silêncio à mesa.

- Assim que eu me sentei veio à mesa um dos garçons da casa, que não é o que me atende, sabe?

Ela segurava uma garrafinha d´água graças à abstinência quaresmeira.

- Enquanto meu garçom de fé servia-me a taça de vinho de sempre e confirmava meu pedido, o mesmíssimo de costume também, o senhor me disse com os olhos visivelmente marejados: "Senhorita... não se fazem mais clientes clássicos como a senhorita!"...

Ela continuou:

- E ele ficou ali, a meu lado, emocionado, dizendo que reparava, a cada visita minha, que meu pedido era o mesmo, que minha taça de vinho era a mesma, e que isso quase que não existe mais...

Até.

1 pitacos:

Arthur Tirone disse...

O Bar do Chico é o bar que mais gosto de beber no Rio. Tenho, por ele, aquela coisa da paixão arrebatadora, do amor à primeira vista. Desde que lá bebi, jamais outro boteco - e conheci muitos depois! - o bateu.