16.4.09

SZEGERI NO METRÔ DE SÃO PAULO

Dia desses, no começo do mês de abril, bateu-me o telefone o homem da barba amazônica, Fernando José Szegeri - e digo seu nome todo com a certeza de que não receberei pedido algum no sentido de não mais fazê-lo, como tantos que já recebi. Fernando José Szegeri é um homem que sabe, como poucos, que nada teme, que nada deve, que nada tem a esconder.

(leiam sobre ele aqui (FERNANDO JOSÉ SZEGERI, O MITO) e aqui (A IDADE DE FERNANDO JOSÉ SZEGERI))

Comecei dizerndo que ele bateu-me o telefone mas é preciso fazer a correção em nome da precisão que me acompanha: Fernando José Szegeri bateu-me mesmo foi o rádio. Compramos, os dois, e ao mesmo tempo, visando a necessária economia depois de meses suportando contas caríssimas em razão das ligações interurbanas, daqui pra lá e de lá pra cá, aparelhos NEXTEL (eis a propaganda sem custo para a empresa). Falamos, agora, com uma freqüência ainda mais inimaginável.

Pois estava eu, umbigo encostado no balcão do AMÉRICA ESPORTIVO tomando um café preto e fumando meu primeiro cigarro do dia, quando estrilou meu rádio. Na tela, o nome indicava o chamado de meu irmão.

- Edu, Edu, Edu! - ele estava chorando.

- O que houve, mano?! - devolvi, sob o olhar atento da assistência.

- Estou no metrô, querido... E com ar-condicionado!

Não entendi a comoção do homem da barba amazônica.

- NUNCA - e ele disse esse "nunca" com a ênfase szegeriana que nele é, por óbvio, ainda mais enfática - NUNCA andei no metrô de São Paulo no ar-condicionado! É a primeira vez! Inaugurou um dia desses! - e fungava enquanto falava, para assombro da assistência, que eu, quando falo com ele, deixo o rádio no viva-voz para que toda gente absorva a sabedoria que sua fala esparge.

Não tive o que dizer.

- Estou na linha verde, na estação Vila Madalena!

Terminei o café, adentrei o SALÃO AMÉRICA, sentei-me na cadeira do seu Ernesto e tornou a tocar o rádio.

- Não vou trabalhar hoje! Não vou! Vou ficar no ar-condicionado do metropolitano!

Sei que ele foi da estação Ana Rosa à Vila Madalena. Da Vila Madalena à Alto do Ipiranga. Da Alto do Ipiranga à Vila Madalena. Da Vila Madalena à Alto do Ipiranga.

Ao longo do dia, o comício pelo rádio:

- Os vagões têm, além do ar-condicionado, diversas câmeras, portas bem mais largas, luzinhas que mostram as estações percorridas! Que luxo, Edu, que luxo!

- A temperatura oscila entre 22ºC e 24ºC. E é possível ajustá-lo até 7ºC abaixo da temperatura externa!!!!!

Fernando José Szegeri teve, naquela manhã, cinco, seis, sete anos de idade. Troço inédito, se vocês me entendem.

Até.

4 comentários:

Bruno Ribeiro disse...

É o Rio, uma vez mais, influenciando o modo de vida paulistano, querido.

Acabamos de voltar do Rio, Mari e eu, totalmente danificados pela exposição forçada ao ar-condicionado - essa máquina de espalhar gripe que só vocês gostam.

Beijo!

Lucio Lemos disse...

Você tá fumando de novo, mano?
Depois de brigar tanto comigo pra parar de fumar lá no Cantinho do céu...

Outra, o metrô é o meio de transporte mais infernal que já vi. O sujeito fica ilhado, feito um verme, dentro da terra.
Deus me livre...

Diego Moreira disse...

Enquanto isso a porrada come em Madureira. Tivesse tempo e ânimo, escreveria sobre isso no GS. O tempo das chibatadas na classe trabalhadora desse país parece não ter acabado, literalmente.

Como dizia o samba da Em Cima da Hora de 84, lembrado pelo Simas no Histórias, é preciso "sublimar em poesia a razão do dia a dia pra ganhar o pão". Mas na base da porrada tá foda.

Abraço, querido.

Luiz Souza disse...

Usuários da Linha Verde - a que conta com ar-condicionado:

http://noticias.terra.com.br/popular/galerias/0,,OI98866-EI1140,00-Grupo+tira+a+calca+e+fica+de+cueca+e+calcinha+no+metro+de+SP.html