A feira da Vicente Licínio, meus poucos mas fiéis leitores, simpaticíssima rua que fica entre a Campos Sales e a Gonçalves Crespo (numa geometria que somente o tijucano entenderá), e que acontece aos domingos, é - confesso - e é há anos, minha cachaça. Aqui onde moro, no coração da Tijuca, a poucos metros da IGREJA DOS CAPUCHINHOS, onde fui batizado, a poucos metros do INSTITUTO LA-FAYETE, onde estudou papai, a oferta de feiras é farta. Há quatro, pelo menos. Uma na rua Aguiar, uma na Barão de Sertório, uma na Zamenhof e a da Vicente Licínio. A todas vou a pé, com exceção da de domingo, já que é quando compro a maior quantidade e as duas bolsas de palha, dessas que não existem mais, voltam cheias.
A feira da Vicente Licínio é um caso sério.
Como é séria a rotina cumprida de domingo a domingo.
Estaciono o carro diante do CENTRO CULTURAL DA CHINA e o deixo aos cuidados do velho malandro, preto retinto, muitas vezes caneado, que está sempre com o sorriso a postos para receber quem chega.
Aprendi com papai a fazer a feira. Corro o mercado de rua - e gosto a cada dia mais do mercado de rua - de ponta a ponta de olho nos preços, comprando tudo na volta. Na Campos Sales, é certo um pastel e um caldo de cana recheado com o sensacional molho à campanha que eles preparam. Em frente, o florista. Raras são as vezes que saio da feira sem uma flores, que a casa precisa ter sempre flores pra ficar à altura da flor que me embeleza os dias.
Em frente ao florista, compro as bananas.
Tomando a direção oposta, de onde parti, à esquerda fica meu peixeiro de fé, que aceita encomendas feitas na sexta-feira, pelo telefone (o troço é sério, como eu lhes disse). Um pouco antes do peixeiro, uma barraca-de-tudo. Foi onde achei as bolsas de palha que ele, o rapaz que a comanda, raramente leva pra vender.
O alho e o louro, compra obrigatória, são escolhidos num dos vendedores que expõem suas mercadorias em caixotes de madeira ao longo da feira. Não tenho o meu preferido, escolho pela qualidade do alho, e geralmente é o caboclo de bigodão quem tem a melhor mercadoria.
Logo depois do peixeiro, do lado direito, o fruteiro que tem de tudo: caquis imensos, mangas de tudo quanto é tipo, ameixas em mel, frutas dificílimas de encontrar, caro - é verdade - mas tudo vale a pena.
Um pouco mais à frente, à direita, os garotos que trabalham com a mãe e que vendem água de côco, geladíssima, na fruta ou nas garrafinhas. Geralmente bato dois côcos, que o depois-da-feira é que são elas...
Cebola eu compro na kombi à direita, um verdadeiro armazém de quatro rodas. Batatas também.
Adiante, também à direita, os ovos tamanho jumbo na kombi que vende um frango de granja de respeito. Um casal comanda a quitanda e o cabra é craque nos cortes feitos da maneira que você pedir, como é craque sua mulher na arte de embalar, numa velocidade impressionate, a dúzia de ovos de todos os domingos.
Ao lado, outra kombi. Vale a parada.
Em frente, à esquerda, os aipins mais macios do planeta vendidos por um coroa que vende apenas os aipins. E que assim seja para todo o sempre. São os melhores!
Logo depois, a gigantesca barraca de verduras onde deixo sempre um bom dinheiro: é a alface, a couve, o brócolis, a salsinha, os vidros de palmito CAPELISTA, os aspargos, os cogumelos frescos, e o Homero, homem que comanda com o coração o melhor japonês da cidade, o MITSUBA, não me deixa mentir.
Bem em frente, a barraca de uma tia que gentilmente, vez por outra, pica na hora a couve-manteiga pra alguma receita que me vem à mente (no dia da feijoada de meus 40 anos ela picou nada mais nada menos do que 60 molhos de couve!).
Um tanto mais adiante compro a melancia, sempre com uma generosa prova durante a escolha.
Tomo a direção do carro e do carro ao BAR DO CHICO.
O Chicão guarda os peixes na geladeira enquanto vejo o dia passar na gloriosa esquina da Pardal Malet com Afonso Pena.
A vida, meus caros, a vida vale muito a pena.
São - como diria o homem da barba amazônica - os domingos na Tijuca.
Não disse o nome de nenhum dos personagens dessa feira que é a melhor do bairro.
Descubram vocês mesmos, ao vivo, a cores, num desses domingos em que acordarem dispostos a conhecer, mais de perto, os segredos, os fascínios, os tesouros do bairro onde nasci e fui criado.
Pra que vocês tenham uma idéia do que é esse fascínio a que me refiro, ouçam bem o que disse dia desses Luiz Antonio Simas mexendo com o indicador o gelo de sua capivodka de maracujá preparada pelo Chicão:
- Decidi um troço!
Depois do gole dado de olhos fechados, a sentença:
- Não saio mais da Tijuca nos finais de semana. Pra nada! Pra nada!
Até.
A feira da Vicente Licínio é um caso sério.
Como é séria a rotina cumprida de domingo a domingo.
Estaciono o carro diante do CENTRO CULTURAL DA CHINA e o deixo aos cuidados do velho malandro, preto retinto, muitas vezes caneado, que está sempre com o sorriso a postos para receber quem chega.
Aprendi com papai a fazer a feira. Corro o mercado de rua - e gosto a cada dia mais do mercado de rua - de ponta a ponta de olho nos preços, comprando tudo na volta. Na Campos Sales, é certo um pastel e um caldo de cana recheado com o sensacional molho à campanha que eles preparam. Em frente, o florista. Raras são as vezes que saio da feira sem uma flores, que a casa precisa ter sempre flores pra ficar à altura da flor que me embeleza os dias.
Em frente ao florista, compro as bananas.
Tomando a direção oposta, de onde parti, à esquerda fica meu peixeiro de fé, que aceita encomendas feitas na sexta-feira, pelo telefone (o troço é sério, como eu lhes disse). Um pouco antes do peixeiro, uma barraca-de-tudo. Foi onde achei as bolsas de palha que ele, o rapaz que a comanda, raramente leva pra vender.
O alho e o louro, compra obrigatória, são escolhidos num dos vendedores que expõem suas mercadorias em caixotes de madeira ao longo da feira. Não tenho o meu preferido, escolho pela qualidade do alho, e geralmente é o caboclo de bigodão quem tem a melhor mercadoria.
Logo depois do peixeiro, do lado direito, o fruteiro que tem de tudo: caquis imensos, mangas de tudo quanto é tipo, ameixas em mel, frutas dificílimas de encontrar, caro - é verdade - mas tudo vale a pena.
Um pouco mais à frente, à direita, os garotos que trabalham com a mãe e que vendem água de côco, geladíssima, na fruta ou nas garrafinhas. Geralmente bato dois côcos, que o depois-da-feira é que são elas...
Cebola eu compro na kombi à direita, um verdadeiro armazém de quatro rodas. Batatas também.
Adiante, também à direita, os ovos tamanho jumbo na kombi que vende um frango de granja de respeito. Um casal comanda a quitanda e o cabra é craque nos cortes feitos da maneira que você pedir, como é craque sua mulher na arte de embalar, numa velocidade impressionate, a dúzia de ovos de todos os domingos.
Ao lado, outra kombi. Vale a parada.
Em frente, à esquerda, os aipins mais macios do planeta vendidos por um coroa que vende apenas os aipins. E que assim seja para todo o sempre. São os melhores!
Logo depois, a gigantesca barraca de verduras onde deixo sempre um bom dinheiro: é a alface, a couve, o brócolis, a salsinha, os vidros de palmito CAPELISTA, os aspargos, os cogumelos frescos, e o Homero, homem que comanda com o coração o melhor japonês da cidade, o MITSUBA, não me deixa mentir.
Bem em frente, a barraca de uma tia que gentilmente, vez por outra, pica na hora a couve-manteiga pra alguma receita que me vem à mente (no dia da feijoada de meus 40 anos ela picou nada mais nada menos do que 60 molhos de couve!).
Um tanto mais adiante compro a melancia, sempre com uma generosa prova durante a escolha.
Tomo a direção do carro e do carro ao BAR DO CHICO.
O Chicão guarda os peixes na geladeira enquanto vejo o dia passar na gloriosa esquina da Pardal Malet com Afonso Pena.
A vida, meus caros, a vida vale muito a pena.
São - como diria o homem da barba amazônica - os domingos na Tijuca.
Não disse o nome de nenhum dos personagens dessa feira que é a melhor do bairro.
Descubram vocês mesmos, ao vivo, a cores, num desses domingos em que acordarem dispostos a conhecer, mais de perto, os segredos, os fascínios, os tesouros do bairro onde nasci e fui criado.
Pra que vocês tenham uma idéia do que é esse fascínio a que me refiro, ouçam bem o que disse dia desses Luiz Antonio Simas mexendo com o indicador o gelo de sua capivodka de maracujá preparada pelo Chicão:
- Decidi um troço!
Depois do gole dado de olhos fechados, a sentença:
- Não saio mais da Tijuca nos finais de semana. Pra nada! Pra nada!
Até.
2 pitacos:
Depois de ler esse texto, eu e a Camila já começamos a fazer as malas. Pode ser que elas demorem um pouco a ficar prontas, mas um dia a gente ainda chega na Tijuca.
Adoro fazer feira, Edu! Mas há tempos não faço mais. As flores eram sempre obrigatórias, mesmo nos dias em que não sobrava dinheiro, o moço da banca não me deixava voltar para casa de mãos vazias - uma rosa, uma gérbera ou um vasinho de violeta estavam sempre a me esperar! Você está certo "a vida vale muito a pena".
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