29.8.09

FASCISTAS NA TIJUCA

Vou aqui, hoje, finalzinho de sábado, lançar luzes (e dar a eles a possibilidade da assistência que jamais tiveram) sobre um blog que nada mais é do que a reunião histérica de quatro chatos olímpicos adulados pelo jornal O GLOBO (por quem mais, além desse que é o mais podre dos jornais cariocas?????) - vejam aqui - que vêm, sob o pretexto do exercício da cidadania, perseguindo a Tijuca e sua gente, a Tijuca e seu povo, a Tijuca e seus moradores, a Tijuca e seus hábitos, a Tijuca - enfim.

Trata-se do inacreditável (tirem as crianças da sala) - o nome já é repugnante - CITY TOUR DA DESORDEM URBANA.

Como se não bastasse a perseguição aos bares mais simples (e por isso mesmo fundamentais), como se não bastasse o exercício perigoso da denúncia pela denúncia, como se não bastasse o incentivo à prática repugnante do preconceito mais odioso, como se não bastasse a propagação da filosofia-porca que reza que "no capitalismo quem paga manda", os quatro deram de bolar (como se gênios fossem) um abaixo-assinado contra uma mais-que-louvável iniciativa da Secretaria Municipal de Habitação de criar, na Tijuca, um conjunto habitacional onde hoje fica o esqueleto em que se transformou um supermercado que fechou as portas na rua Conde de Bonfim, na altura da Usina.

Por puro preconceito, os quatro - que se dizem "envolvidos e comprometidos com o desenvolvimento do nosso município, e partidários de uma melhor qualidade de vida na Grande Tijuca" - vão percebendo o tom do troço!!!!! - pretendem impedir a transferência de 400 famílias de uma favela da região para o que seria (será, há de ser!!!!!) um futuro conjunto habitacional (que ali se pretende construir).

Se rebelam, os fascistas, contra a criação do "possível lar de uma das favelas da Tijuca". Gritando que são "pagadores de altos impostos" (argumento corriqueiro da canalha), preocupados (apenas) com seus "bens sendo cada vez mais desvalorizados", esses chatos (que fazem mais mal à Tijuca do que imaginam fazer bem) não terão êxito.

Daqui, do balcão imaginário do BUTECO, deixo todo o meu apoio ao Secretário Municipal de Habitação e à Prefeitura nesta empreitada (alô, Pian!). Não dêem ouvidos a essa gente preconceituosa, recalcada, desumana e infeliz.

O abaixo-assinado (um atentado) - para vocês verem que não é mentira e que existe gente capaz de torcer contra a melhor qualidade de vida dos mais humildes - está aqui.

Até.

PS: não percam seu tempo tentando fazer qualquer comentário nesse blog-canalha. Como de se esperar, se for contrário às barbaridades ali proferidas (e defendidas) será excluído imediatamente.

25 comentários:

Claudio Renato disse...

Bom dia,

O mais interessante é a apresentação do negócio, uma apropriação indébita. Reparou isso?

"O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons." Martin Luther King

Quer dizer: ELES SÃO OS BONS!

Bom domingo

Rodrigo Nonno disse...

Chego a ter medo, caro Edu, já que aqui na minha Ilha, este palanque neofascista (não tão NEO assim, mas fascista elevado ao quadrado) é acessado e exaltado por gente de mesma arrogância disfarçada. Em terras insulanas, como sempre, “iluminados”, como estes nojentos, apareceram com a mesma idéia.

Aparecer na mídia - com todo tipo de pretexto -, ainda tentando garantir o valor de seus imóveis é realmente o grande negócio deste povo metido a moderninho.

A Tijuca não precisa mesmo do ato ridículo desses quatro.

Antonio disse...

Po Edu, não bastasse toda esta palhaçada de gente que não dá valor a vida humana, pois achar que a sua é mais valiosa que a dos outros por pagar maiores impostos é, pra mim, pura vilania e desprezo pelo semelhante; eles ainda colocam na foto que estampa o alto da página do blogue a foto de um Karmann-Ghia enferrujado ao lado da mensagem "desordem urbana"! Uma cena que deveria suscitar compaixão, vendo um carro tão importante e belo nesse estado, é utilizada como demonstração de desordem urbana. Desejo apenas coisas ofensivas a eles.
Desculpa a revolta, mas sou fã de carros e o Karmann-Ghia é um dos meus prediletos.

Abraço!

Bruno Ribeiro disse...

Querido Edu, a existência desta canalha é mais uma prova de que nós estamos no caminho certo (eles são o melhor parâmetro: se são a favor, somos contra) e de que butecos como o seu são fundamentais na batalha de ideias, cada vez mais necessária. Não passarão!

PS: o mais irônico é que essa gente não se considera pobre para morar na Barra da Tijuca. Por que, então, não se mudam?

Claudio Renato disse...

Um deles lá é fascistão mesmo!!!

Quem manda é quem tem dinheiro...é quem paga!!

Quer que faça um choque de ordem mesmo...porque esse que taí é brincadeira...

Quer mais o quê? Choque elétrico???

CHOQUE E ORDEM são duas palavras, essencialmente, fascistas...Podia ser o lema da bandeira desses quatro imbecis...ORDEM E CHOQUE....

Rapaz, agora que vi o vídeo...Patético não fosse estarrecedor!

Um abraço

Eduardo Goldenberg disse...

Claudio Renato, Rodrigo Nonno, Antonio e Bruno Ribeiro, atenção à íntegra do discurso do analista de sistemas (que sistemas, hein?!), Renato Fraga:

“Bom, é..., nós vivemos no capitalismo. E no capitalismo quem paga manda. A gente podia fazer, exercer esse nosso direito e cobrar, porque a gente paga bastante por impostos, é..., já teve uma pesquisa que diz que pagamos um terço do que ganhamos e a gente não cobra, então, usar esse direito nosso, não é?, e cobrar, a gente não tá fazendo nada de errado, e sim o que é justo. E pedir ao prefeito que efetivamente faça um choque de ordem decente, não é?, porque se isso é choque de ordem, se isso que tá sendo feito é um choque de ordem, acho que quem tá cho..., quem estão chocados somos nós.”

O cara não erra apenas na concordância. Ele erra em tudo.

Claudio Renato disse...

É por isso que somos socialistas!

Eduardo Goldenberg disse...

Eu, particularmente, sou brizolista, socialista-moreno e trabalhista, não necessariamente nessa ordem. Abraço.

Antonio disse...

Este cara é tão babaca que tem até vergonha de falar o que pensa. Olha a insegurança no início, medindo as palavras "Bom, é..., nós vivemos no capitalismo". E ainda tenta justificar seu fascismo com o capitalismo.

ipaco disse...

Isso me lembra, querido Edu, a mesma grita que ocorreu no Leblon dos anos 60, quando Dom Helder encabeçou o movimento que culminou na construção da Cruzada São Sebastião, dando lar a moradores da extinta (incendiada) favela da Praia do Pinto. Até hoje a elite do bairro não perdoa Dom Helder e considera a Cruzada um "quisto social" no Leblon, como se referiram nos jornais da época. Em 40 anos, aparentemente nada mudou. Abraços.

Monica Araujo disse...

Deixei lá um comentário, pois fiquei chocada com o que disse a senhora Vanessa, que não suporta a visão da favela da sua janela e outro que disse: "Tá com peninha? Leva pra sua casa".
Tô besta !!!!!!!

Diego Moreira disse...

Desvalorização imobiliária? Maior do que a já foi produzida na área? Bem difícil...

Essa gente tem nojo do povo.

Não passarão!

Carlos Andreazza disse...

Não passarão!

Rodrigo Pian disse...

Se essa discussão fosse na zona sul, a histeria seria bem maior, podem ter certeza.

As pessoas querem soluções para os problemas sociais que assolam a cidade e, ao mesmo tempo, não conseguem enxergá-las (principalmente) quando estão diante delas.

Um dos desafios mais difíceis de qualquer gestão pública de habitação é a realocação (decente!) de pessoas que perdem suas casas em comunidades por conta de intervenções do poder público.

E que se faça um registro rápido: por mais cruéis e desumanos que esses desalojamentos em favelas possam parecer, é importante conter o crescimento de construções irregulares em áreas de proteção ambiental (APA). Importante para o município e para a própria família que ali se instala, já que está mais do que sujeita a deslizes, desabamentos e outros incidentes naturais.

Volto. A possibilidade de se conseguir um terreno para a construção de um complexo habitacional é louvável. Deixe que reclamem, deixe que falem.

A Tijuca jamais deixará de ser nobre por conta de uma construção desta natureza. Muito pelo contrário.

Vou tentar voltar com novidades.

alexandre disse...

Aqui em SP acontece a mesma coisa.
Só que a limpeza social acontece as margens da Av.jornalista roberto marinho proximo a rede globosta.
Estão expulsando familias de uma favela pra onde não sei. Para que o cenario do Jornal das oito fique mais bonito....

Isso tudo me lembra um filme....
V de vingança ou V de Vendetta.

Vanessa disse...

Não entendo pq vcs são tão a favor disso??

Onde vcs moram?? Na Rua Conde de Bonfim exatamente em frente ao Carrefour??

Poxa, no meu prédio um senhor super gente boa levou um tiro de fuzil de bala perdida no peito dentro do quarto dele de dia, e vcs acham q eu não vou sentir medo??
Se nos fundos do meu prédio eu vejo o Borel, imagina se tiver favela tbm na frente? E aí??
Não sou preconceituosa, muito menos fascista. Moro aqui desde q nasci, conheço muito mais pessoas q moram tanto no Morro do Borel quanto na Favela Indiana q todos vcs do Blog juntos, e expresso essa minha opinião pra eles q não acho justo isso.
Com certeza vcs já viram o Conjunto na Rua São Miguel logo depois do número 400, vcs se lembram como era e como está hj??
Vcs já entraram lá??
Quem vai me garantir q se o "esqueleto" do Carrefour realmente virar um Conjunto Habitacional não vai ter tráfico lá dentro? Não vai ter tiro? Não vai haver desordem?
Não quero agredir ninguém, só quero expressar o q sinto...será q vcs conseguem me entender??

Obrigado.

Olga disse...

Vanessa, eu entendo o seu medo. De verdade, entendo. Quando você diz que tem medo do traficante, eu também morro de medo, posso compreender, sim, o seu medo. É um medo real. Mas a questão é: o que fazer com essas pessoas de bem, que vivem tão precariamente e que não estão ali por opção?

Monica Araujo disse...

A questão é que muitos estão em busca de melhorias e temos a obrigação de oferecer oportunidades e definitivamente não é criando "ilhas" que resolveremos nossos problemas.

O medo é dissipado com o enfrentamento e posicionamento, afinal quantos não convivem cara a cara com o tráfico e bala perdida no seu dia a dia , eu morei anos em Botafogo e por diversas vezes fiquei na linha de frente do tiro dado por playboy enfurecido de torcida organizada na frente do Botafogo Praia Shopping ou o bicho pegando na Ciqueira Campos com Toneleros em Copa. Ou seja, outros bairros e outros motivos.
Ou alguém aqui tem ilusão sobre local perfeito para morar. O que entendi Vanessa do pleito de vocês foi o seguinte: Desde que se mantenha bem longe do nosso pedaço , não quero saber se o tráfico vai matar ou aumentar, o governo que lhes dê melhoria onde estão. Só não pode é desvalorizar minha área. Tem muita gente de asfalto que mora muito "bem" e sobe amarradona para os bailes no morro, por motivos diversos. Acho o medo relativo.

Vanessa disse...

Não acho o medo relativo não Monica, acho q exista medo real.
Lógico q tiro hj em dia tem em todos os lugares, mais vc consegue se imaginar dentro da sua casa com medo?? Como o meu corpo é a moradia da minha alma a minha casa é a moradia do meu corpo. Eu não posso ter medo de viver dentro do meu corpo como não posso viver com medo dentro da minha casa, e a minha casa é o único lugar no mundo q posso chamar de MEU... e tenho medo...
Eu não tenho esse elitismo q vcs aqui do Blog talvez pensem q eu tenha, lógico q eu discordo de algumas coisas q foram escritas lá no abaixo assinado como concordo com algumas coisas q foram escritas aqui no Blog. E com vc eu concordo em partes.
Eu não penso na desvalorização do meu imóvel, muito menos em achar q exista um lugar perfeito para morar.
Acho sim q não só devemos oferecer melhorias como devemos dar oportunidades para essas pessoas, não fecho os meus olhos para os problemas dos outros.
O q nós precisamos aqui é de cultura, esporte e lazer, q não existe. Pq não vai adiantar dar moradia e as crianças e adolescentes continuarem entrando no mundo do crack, pq aqui é isso q acontece. Pq no Morro da Mangueira, Complexo, Maré e outros, existem projetos de educação, esporte e lazer e aqui não?
As crianças e adolescentes daqui estão entregues a própria sorte e ao tráfico de drogas, caberia a eles mesmos escolherem o melhor, mais como se eles não tem outra opção??
Enfim, mais uma vez não sei se consegui me expressar da forma como gostaria, mais tentei.
Abçs,
Vanessa Silva.

Monica Araujo disse...

É uma discussão muito longa Vanessa. Imaginar que junto com as familias virão os tiros e ídéia pré-concebida.
Me coloco com muita propriedade no lugar de quem já sofreu este tipo de constrangimento , sendo objeto de um abaixo assinado e motivo da desgraça alheia e principalmente de comentários irresponsáveis , pois por mais que tentem amenizar o discurso agora , para quem leu, sendo morador de Indiana deve estar se sentindo um lixo.
Mas foi muito válido , vejo que tocou seu coração de alguma forma e fico feliz por isso, o meu objetivo (falo por mim) e acredito que dos outros aqui neste espaço, é parar com esta história por aí.

Um grande abraço!

Alfredo disse...

Meu querido Edu, isso acontece no país inteiro. Aqui em Manaus não é diferente. Esta canalha de boçais não enxerga além do próprio umbigo. Este é o perfil dos idiotas que se acham acima de tudo e de todos. Como disse certa vez o Zé Simão, eles tem cara de "nojo de nós". É a tucanalha paulistana fazendo escola.

Betina disse...

Acho que a Vanessa conseguiu expressar muito bem o sentimento de medo em relação a ocupação do prédio do Carrefour.
Não é pq é pobre que vai ter violência, mas o poder público não cumpre a parte que lhe cabe. É por isso que a Tijuca anda tão violenta, é por isso que hoje temos famílias que precisam ser reassentadas...
Me preocupo sim com a desvalorização do meu imóvel, pq trabalhei muito para consegui-lo e o governo não vai me reassentar qdo eu não conseguir mais conviver com a violência.
Não se trata de “ilha”, não se trata de ter a violência em outros lugares, bem longe de nós. Mas nós não temos como acabar com a violência na cidade ou no país inteiro de uma vez. Mas podemos tentar pelos bairros, evitando que a violência venha a aumentar na área. O melhor é ter um espaço como o existente na Mangueira e em outros locais, que a cidadania possa ser exercida, em que oportunidades possam ser oferecidas.

Sophia disse...

olá Eduardo Goldenberg
vou perder um pouquinho do meu tempo postando um comentário que nem sei se será bem recebido, mas a verdade é que sou contra essa tolice que o Bittar está querendo fazer. Na minha humilíssima opinião, os moradores transferidos é que sairiam perdendo, e não os babacas-classe-média-tijucana-que-se-acha. O problema não é favela em si. Todo mundo sabe que o problema do Rio, na zona sul, leste, oeste ou norte, é a guerra do tráfico. Tirar gente honesta do seu chão, da sua cultura, é muito fácil. Difícil é enfrentar a raiz do problema: as drogas, os drogados, a dependência química e psicológica que alimenta um círculo vicioso perverso. E quem paga o pato? O trabalhador que mora "em zona de risco". As favelas cariocas já foram alvo de vários estudos (antropológicos, sociológicos, econômicos e até filosóficos). As favelas têm sua cultura, sua tradição, seu chão. É injusto retirar meninos que jogam bola e soltam pipas coloridas livremente, sob a alegação de que serão recrutados pelo tráfico, e jogá-los num "play" de cimento armado, pois aí sim é que eles estariam sujeitos aos mesmos problemas que os filhinhos da classe média sofrem, afinal, o envolvimento com as drogas, muitas vezes, não começa nos plays dos prédios da classe média? O que falta mesmo são políticas públicas de prevenção e controle às drogas, todo mundo está cansado de saber disso. Agora, se querem retirar a população da favela para combater o tráfico com Caveirão, aí já é outra história...

Eduardo Goldenberg disse...

Sophia: todo comentário feito aqui é sempre bem recebido, com exceção dos que não são exatamente comentários, mas dejetos expelidos sob a mais odiosa forma de preconceito e geralmente sob o manto podre do anonimato.

Duas coisinhas:

01) a senhora quer me convencer, então, que aquela canalha quer o bem dos "moradores transferidos (...) que sairiam perdendo". Sei...

02) fiquei sem entender se a senhora é favorável ao uso do chamado caveirão...

Aquele abraço.

Sophia disse...

Eduardo Goldenberg olá
em primeiro lugar, "senhora" está no céu. Em segundo lugar, longe de mim ser favorável ao tal Caveirão, mas é o que se pode crer que esteja por trás dessa política de retirada dos moradores da favela. O que eu quis apenas dizer é que o real problema a ser enfrentado - as drogas, que levam à guerra do tráfico, com todas as suas consequências - é muito mais difícil do que a simples remoção de moradores para um conjunto habitacional. Mas, se as pessoas interessadas realmente desejam isso, que sejam felizes em sua nova moradia.
Atenciosamente