2.9.09

AINDA SOBRE O CARREFOUR

(ou "COMO OS COVARDES AGEM")

A polêmica está longe de acabar, basta ler isso aqui, isso aqui e isso aqui.

E hoje, atendendo a pedidos (e acatando conselhos) de três grandes amigos deste BUTECO, Bruno Ribeiro, Carlos Andreazza e Diego Moreira (em ordem alfabética para não ferir suscetibilidades), vou transcrever, na íntegra, dois comentários postados anonimamente (modus operandi recorrente da canalha covarde) aqui no blog.

Antes, porém, quero lhes chamar a atenção para um troço muito curioso, e lhes explico o por quê de fazer menção à coisa. Morreu, anteontem, Carlos Alberto Menezes Direito, Ministro do STF que foi, na década de 80, Secretário de Educação de Moreira Franco ("a única pessoa no mundo que (...) não tem serventia alguma" segundo Fausto Wolff, leiam aqui). Menezes Direito, de mãos dadas com o então Governador do Estado, foi fundamental para o desmonte dos CIEPS, obra-maior de Leonel de Moura Brizola. Atenção para frase dita, à época, pelo de cujus:

- Quando você privilegia os Cieps, está beneficiando uma parcela inferior a 5% da população em idade escolar no Rio.

Duvidam? Leiam aqui.

Vai daí que, reavivada a memória da triste atuação de Menezes Direito na condição de Secretário de Educação por conta da notícia de sua morte, fui xeretar, de novo, os comentários (lamentáveis, quase todos) feitos por gente que renega a condição de fascista e preconceituosa. Prestem atenção (comentários na íntegra, aqui):

"(...) na área em que está a favela deveria ser construída uma vila olímpica igual a da Mangueira, onde as crianças das comunidades possam ir se afastando da manipulação do tráfico."

"Conjunto habitacional nem pensar, tem destinações muito mais importantes e que beneficiariam muito mais pessoas, como um novo batalhão de polícia, uma vila olímpica e uma escola profissionalizante."

"Sou a favor de transformar este espaço numa vila olímpica para a comunidade."

"Apóio. Batalhão da PM ou um Centro Cultural."

"(...) ideal seria transformar o espaço numa espécie de FAETEC ou centro cultural (...)."

"(...) poderíamos construir um Centro Social que assistisse de perto as famílias da Indiana (...)".


Aposto, meus poucos mas fiéis leitores, aposto todas (com a ênfase szegeriana) as minhas fichas, que essa mesma gente era contra, radical, visceral e incondicionalmente contra o projeto dos CIEPS - que eles agora pleiteiam, nas entrelinhas, como alternativa à construção de um conjunto habitacional. Essa gente não tolera - nunca tolerou! - que seja dada a oportunidade de acesso ao que há de bom e de melhor a quem tem menos. Ouço, ainda, os discursos da época: "Um absurdo escola em tempo integral com ampla assistência médica para esse povo", "Um nojo a construção dos CIEPS perto das favelas e das comunidades carentes de beira de estrada!", "Isso nada mais é do que propaganda do Brizola", por aí.

A mim, não enganam.

Vamos, pois, transcrever os dois comentários anônimos que recebi sem qualquer correção, os erros pululam:

"O que na verdade eu vejo aqui é nada mais que pura hipocrisia. Hipocrisia sim dessa defensoria que você tem com essa implementação absurda da favela. Você muito provavelmente não mora naquela área.. e se morasse, não iria querer se sentir dentro do morro, dentro de uma nova cidade de Deus.. você gosta tanto do povo assim? esse povo que vive sustentado em homicidios, tráficos e etc? Ou vai la no morro só pra comprar seu baseadinho e depois entra no seu carrinho e vai seguro pra sua casa? eu tenho nojo sim.. nojo de quem assalta, nojo de quem estpra, nojo de quem mata em troca de algum dinheiro. NOJO e sempre vou ter. Vamos lembrar que favelização anda junto com criminalidade e violência.. é NOJO sim andar naquela área e se sentir acuada, com medo.. ou você anda por ali tranquilo? Pelo amor de Deus.. vamos descer dos seus carrinhos e acordar pra realidade. Não é passar a mão na cabeça de pessoas que não pagam impostos e fazem parte da grande porcentagem de violencia e arrumar CASINHAS pra eles que só em seus sonhos ficarão comportadinhas com familias fofas. Mais uma vez essa merda de governo dando soluções a curto prazo. Vai ser mais um pretexto para estar TUDO DOMINADO e ali, se tornar uma região INVIÁVEL de se passar. é muito fácil defender quando você vive num mundo de conto de fadas e acha que ali vai se tornar uma região melhor. Vamos cair na realidade seus burguesinhos defensores de po**a nenhuma!"

"Sou totalmente contra todos esses demagogos de primeira... que usam da influência da internet para ficarem debatendo se o carrefour vai virar ou não uma comunidade do Pac façam oque tem que ser feito, tirem os menos favorecidos da favela indiana e colequem na casa de vocês! Se a polícia entra na comunidade atirando é porque são mal treinados, se a Politica tenta acabar com as favelas não podém porque existe esse tal de abaixo assinado... então deixe como está... deixe os bandidos andarem que nem faroeste caboclo ou cangaceiros, Ou como vocês preferirem?. Vocês não querem que tirem os moradores da comunidade indiana e coloquem no carrefour, mas querem coloca-los em frente a Puc-Rio... muito sensato. ass: Alguém pela qual não faz nada para melhoria das comunidades do Rio de Janeiro, mas alguém também que não se mete quando querem fazer algo que melhore esse quadro caótico. Sonhos são gratuitos. Transformá-los em realidade tem um preço."

Desafio esses dois covardes, esses dois fascistas, a assumirem a autoria do que escreveram. Como sei que esse tipo de gente está sempre pela área checando o que escrevo, está feito o convite.

Até.

20 comentários:

Bruno Ribeiro disse...

É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que os covardes assinarem o que escrevem. E pela razão que me parece óbvia: não assinam o que escrevem porque, no íntimo, sabem exatamente o quanto são fascistas, prepotentes e egoístas. A culpa é o grande fantasma da classe média conservadora.

Carlos Andreazza disse...

Jamais assinarão, os vagabundos. Têm vergonha... São os mesmos que, se tivessem a garantia da impunidade [do anonimato], jogariam bombas nas favelas.

Fábio disse...

Blog fascista com uma frase do grande Martin Luther King ilustrando a página ? Não tô entendendo mais nada...
Os caras lutam por uma causa e se contradizem no primeiro parágrafo. Isso mostra o quanto essas pessoas estão equivocadas, para dizer o mínimo. São incapazes de sustentar suas teses absurdas; os mesmos que são contra o aborto, mas defendem a pena de morte. Digno de quem segue a tríade: Papa, Família e Propriedade.
"Deus, não os perdõe, eles sabem o que fazem."

Eduardo Goldenberg disse...

Bruno e Andreazza: eu sei que eles jamais se identificarão. Mas é o bastante fazer o desafio público, para que emerja, como cocô na água, quem são eles.

Fábio: "equivocadas" é muita benevolência da sua parte.

Carlos Andreazza disse...

Edu, fizeste o certo. Não publicar estas barbaridades seria lhes dar o peso que não têm. Pau na canalha!

Bolada disse...

Amigo íntimo do Moreira Franco, católico fervoroso de hábitos semelhantes ao de um seminarista, se é que me entendem....

A vida me ensinou que, quanto mais "austero" "mais dono da verdade" "julgador supremo", mais canalha é, mais atitudes sórdidas praticou na vida.

Pessoas como ele (Ministro do STF ex-secretário "da falta de educação") sempre fazem exatamente ao contrário do que pregam.

Claudio Renato disse...

Carlos Alberto Direito, para a informação de quem tem menos de 40 anos, era um advogado histriônico que atuava no programa "O Povo na TV", da extinta TV Tupi,comandando por Wilton Franco, no começo da década de 80. Era uma ferramenta da ditatura militar, aquele programa, onde também pontificavam Wagner Montes (ele foi lançado ali), Sérgio Mallandro (filho adotivo de um general), Cristina Rocha e outras figuras pouco recomendáveis. O programa fez tudo para prejudicar a campanha de Leonel Brizola no Rio de Janeiro em 1982. Foi com perplexidade que vimos Direito subir, subir até chegar a ministro da corte suprema do Brasil. De fato, ele foi um dos principais próceres do governo criminoso de Moreira Franco, ao impedir a continuidade do projeto revolucionário dos Cieps, dos professores Darcy Ribeiro e Tatiana Memória.

Betinha disse...

Eles acham que vêem os fatos com mais clareza, mas na verdade têm uma visão completamente turva da realidade. Pensam que a favela é um conglomerado de bandidos e que a única pessoa honesta que lá mora é a empregada da casa deles. É muita estupidez misturada com crueldade, uma pobreza de espírito que chega a dar pena.

Eduardo Goldenberg disse...

Bolada: verdade, meu caro, grande verdade. E não custa nada, né?, a gente soltar essas verdades de vez em quando pra eles perceberem que só enganam a si mesmos diante do espelho. Abraço.

Claudio Renato: grande contribuição, meu caro. E você disse tudo. Esse Moreira Franco é um criminoso, um canalha, um ser abjeto na vida e na história do Rio de Janeiro. Abraço.

Betinha: não tenho pena, não, querida. Eles são perniciosos, salvo raríssimas exceções que dão, essas sim, muita pena. Beijo enorme.

leo boechat disse...

Betinha, pena nada. Esse pessoal só vê o que quer. Cambada de FDP!
Há tempos não me irrito dessa forma, lendo lixo dessa proporção.

Outra coisa: com certeza faz o Governador rolar na tumba é esse Wagner Montes ser alçado politicamente justo pelo PDT…

Eduardo Goldenberg disse...

Leo (como vai, meu compadre? Como vai Helena, minha afilhadinha amada?): permita-me dois pitacos.

01) Leonel de Moura Brizola não está em tumba alguma;

02) o PDT, sim, morreu.

Abraço!

Luiz Antonio Simas disse...

Depois de alguns dias distante da rede - aulas de reposição por causa da gripe suína e outros trabalhos - sou surpreendido com as barbaridades absolutas que essa turba anda divulgando.Só não identifiquei em que língua eles expressam a velha cartilha do preconceito.
A visão recorrente - do maldito senso comum - infelizmente é essa. São os famosos cretinos fundamentais, as bestas quadradas -como dizia minha avó.

Quero só prestar, por fim, um testemunho de quem trabalha com educação desde que se entende por gente e nunca fez outra coisa na vida profissional: Carlos Alberto Direito foi o pior secretário de educação da história do Rio de Janeiro.

Vicky disse...

Já briguei com muita gente por causa do assunto "favela". Favela nao é, nem nunca foi problema. Favela é solucao. Solucao arrumada por um povo desprezado pelo poder público, e com a conivencia desse. Desde o séc. XIX que as populacoes sao "removidas" de um lado para outro. É só o poder público comecar a ter algum interesse na área ocupada e comecam as remocoes. E o povo que se vire (e que se dane) para encontrar um novo lugar para morar. Sao expulsos para cada vez mais longe. Os poucos projetos habitacionais do estado foram para a transferencia de moradores originários da zona sul expulsos para um fim de mundo qualquer sem estrutura em algum lado da Av. Brasil. Os governos que eu me lembro nunca foram interessados em uma política habitacional justa.

Vicky disse...

Ninguém precisa remover uma favela. Pode-se retirar casas que estao em ááreas de risco e outras necessárias para manter um padrao construtivo mínimo. Há anos que nao vejo "barracos" em favelas, esses sao construídos só para a ocupacao inicial e substituido por alvenaria ao longo dos anos. Trabalhei por 7 anos num projeto da UFF que funcionava para ajudar a urbanizacao e legalizacao das áreas de favela (nada a ver com aquele nojo eleitoreiro do Favela-Bairro) e tudo era feito na base da educacao das populacoes envolvidas, a maioria pagava aluguel - porque as favelas sao normalmente ocupadas por grandes grileiros que depois exploram os novos moradores. Lembro que em 95 um aluguel de um quarto na rocinha custava R$350.

A lei urbana Brasileira, presente na constituicao, é das mais avancadas do mundo, dando plenos poderes para o município ultilizar o solo urbano da forma mais favorável para a comunidade. Até eu sair do país, nada disso havia sido regulamentado. E aposto que ainda hoje nao foi.
Se quiser saber muito sobre um projeto seríssimo sobre o assunto, com todo respeito de todas as "comunidades" que viram seus sonhos desaparecerem com a posse dos novos eleitos - a cada eleicao - procure pela professora Regina Bienenstein na Faculdade de Arquitetura da UFF.

Eduardo Goldenberg disse...

É isso, Simas. A canalha não muda o discurso. E nós não interrompemos nosso bom combate. Quanto ao Menezes Direito, manteve, como secretário, coerência absoluta com seu chefe, Moreira Francamente Moreira. Beijo.

Vicky: você pode me mandar por e-mail o endereço eletrônico da professora Regina? Um beijo.

Vicky disse...

Mando sim. Uma das pessoas mais sérias que conheco.

Rodrigo Pian disse...

Goldenberg,

Caso ponha as mãos no projeto, ficaria grato se eu também pudesse dar uma olhadinha nele.

ipaco disse...

Esse tipo de pessoa prefere adotar como "política social" práticas que se resumem a remover e exterminar. Acabar com a pobreza matando o pobre ou o deslocando para os confins da cidade. Não toleram uma solução que vise à integração, a dar melhores condições de vida, pois não vêem essas pessoas como pessoas. São uma categoria amorfa em relação a qual se referem como "favelado", "pobre" ou "marginal". Vivem refens do medo, como mostram seus e-mails anônimos, aterrorizados de andar pela cidade e não se dão conta que é justamente o apartheid social que alimenta a violência.

Diego Moreira disse...

Essas bestas escrevem troços como esses e não entendem porque são chamados de fascistas ou de reacionários. Nojo tenho eu, desses merdas.

Não passarão!

Abraços!

Monica Araujo disse...

Que absurdo !!!!