10.9.09

O JORNALISMO EM O GLOBO

Dei, na semana passada, depois de receber telefonema do repórter Gabriel Mascarenhas, entrevista para o jornal de bairro O GLOBO TIJUCA, como lhes contei aqui (ainda bem que mantenho minha postura de precisão do início ao fim). A entrevista sairia hoje, dentro de uma ampla matéria sobre o assunto envolvendo o destino do terreno onde se encontra, hoje, o esqueleto do supermercado Carrefour (entenda o imbróglio lendo isso aqui, isso aqui, isso aqui, isso aqui, isso aqui, isso aqui, isso aqui, isso aqui, isso aqui e isso aqui.

Fui duro - como sou por natureza - e respondi pacientemente às perguntas feitas pelo repórter durante - o quê?! - uns dez, quinze minutos. O mesmo Gabriel ainda me telefonou, minutos depois, para perguntar meu endereço - que dei sem titubear. Confesso, porém, escolado que sou, que estava ansioso para ler a matéria. Segundo nossa conversa, eu era um dos poucos (ou o único) que defendia (e ainda defendo!), com veemência, a iniciativa da Secretaria Municipal de Habitação. Estava ansioso, portanto, para ver qual o tom da matéria, para ver o que sairia, do que eu disse, publicado - preocupação, convenhamos, mais que natural, ainda mais em sede de O GLOBO (que nunca me enganou).

Eis que deparo-me, hoje pela manhã, com uma matéria estranhíssima com o seguinte título: "ALTERNATIVAS AO CARREFOUR - MORADORES DA INDIANA PREFEREM SER REASSENTADOS EM TERRENOS MAIS PRÓXIMOS DE SUA ATUAL RESIDÊNCIA". A imagem está abaixo.

matéria publicada no jornal O GLOBO TIJUCA de 10 de setembro de 2009

NENHUMA (com a ênfase szegeriana) linha dedicada aos "moradores", apenas uma menção ao "líder comunitário" da Indiana que, segundo a matéria, é contra a construção de um conjunto habitacional no terreno do Carrefour. Nem sombra de meu nome (e a questão passa longe da desprezível vaidade). Menção à revolta dos moradores da Usina com a idéia lançada pela Prefeitura. E uma frase final que me deixou com a pulga ainda mais atrás da orelha: "Procurado pelo GLOBO TIJUCA, o secretário Jorge Bittar preferiu não se pronunciar".

Hoje, cedo, mandei e-mail para o repórter:

"Gabriel: pensei que fosse sair hoje a matéria, e o que falamos na semana passada, hoje no Globo Tijuca. Deu chabu? Abraço."

A resposta, seca:

"Olá Eduardo, entrou um anúncio de última hora e, por isso, a matéria diminuiu sensivelmente. Teremos outras oportunidades. Tendo sugestões de pauta, nos mande. Mais uma vez, obrigado."

Mandei, de voleio:

"Que maravilha. O anúncio (o lucro) é mais importante que a informação."

E a resposta do repórter, que (para mim) diz tudo:

"Boa tarde"

O GLOBO, assim, mostra a serviço de quem está.

Nada mudou, não?

É evidente - é preciso falar claro para que não fique fresta para má interpretação - que o repórter não é exatamente (ou diretamente) o responsável pela decisão de minguar a matéria e fazê-la tendenciosa. Mas a elegância da resposta e o passado do jornal não me deixam muitas dúvidas sobre o que está por trás de tudo isso.

Não por acaso, também, a pífia matéria do GLOBO TIJUCA é festejada no blog dos membros do (tirem as crianças da sala, pausa para a golfada) GRUPO GRANDE TIJUCA (aqui).

Até.

ps: como bem lembrado pela Olga, leitora e amiga desse blog (leiam seu comentário neste texto), o (ao que tudo indica e aponta) parcialíssimo repórter, Gabriel Mascarenhas, exatamente uma página depois da pífia matéria sobre o assunto Carrefour, dá de ocupar duas páginas com outra (igualmente pífia) intitulada "CARIMBADOS PELA VIOLÊNCIA - TIROS DEIXAM MARCAS EM PRÉDIOS DE VILA ISABEL, RIO COMPRIDO E ESTÁCIO", não diminuída (o termo foi usado por ele em seu e-mail) por anúncio do mesmíssimo tamanho do que foi publicado (assim, de repente, como ele quis me fazer crer...) abaixo da matéria sobre o terreno do Carrefour. Nesta segunda matéria (repito, tão ruim quanto a primeira), decidiu-se por ocupar duas páginas. Alguma informação relevante? Não. Apenas plantação de terror, medo, pânico e desespero. Presta, assim, o jornal O GLOBO, o que não chega a ser nenhuma novidade, um desserviço à região e à cidade como um todo. Não percam de vista este importante dado: Gabriel Mascarenhas assina as duas matérias!

9 comentários:

Carlos Andreazza disse...

Jornalismo de merda.

Bezerra disse...

Que me envergonha sobremaneira, meus amigos!

Diego Moreira disse...

Ainda bem que não perdemos a capacidade de nos espantar com tudo isso. Sinal de que estamos vivos.

leo boechat disse...

A minha felicidade é ter me redimido e parado de assinar essa MERDA de jornal há anos. Que idiota esse repórter, com essa respostinha irônica. Um BABACA.

Victor disse...

Salve, Edu!
Venho acompanhando de maneira mais insistente o blog desde que surgiram as primeiras linhas sobre este caso do Carrefour. É , realmente, de indignar qualquer pessoa que não tenha sangue de barata. Quanto ao Globo, concordo com o Bê Moreira. O jornal é uma merda e o jornalista um babaca. Mas isso não nos surpreende mais. Daqui de Todos os Santos uno forças ao movimento contra essa escória preconceituosa da Tijuca.

Abraço,

Victor

Olga disse...

Edu, a argumentação de que os moradores da Indiana preferem locais mais perto de sua residência é muito cretina. Por acaso o prédio do Carrefour é muito longe?

A reportagem a seguir, enorme!, sobre tiros em prédios perto das favelas, não terá sido à toa. Reforça os falsos argumentos da turma contra o conjunto habitacional.

Há algum tempo não via uma matéria tão tendenciosa.

Marcelo Moutinho disse...

Edu, vc está certo em dizer que o repórter não teve culpa no corte da matéria para entrar o anúncio. O que me espanta, o que tem me deixado a cada dia mais envergonhado, é a postura dos meus colegas. Há uns meses, passei por uma situação semelhante na Folha de S. Paulo. Aqui na redação que comando, exigo que os repórteres tenham zelo com seus entrevistados. Há casos em que a matéria cai, ou é adiada, e o mínimo que se deve fazer é avisar a quem reservou tempo e paciência para dar entrevista. Isso se chama educação, artigo que anda em falta, sobretudo no meio em que trabalho. Infelizmente.

Rodrigo Nonno disse...

Infelizmente, conheço um bocado nesses moldes.

Esses geniais repórteres se acham muito interessantes, talvez pensem até que são a alma da imprensa carioca.

Na verdade, têm a aura jornalística poluída e contaminam a mente dos menos "avisados".

São uns nojentos metidos a fodões.

paulo disse...

Caro Edu

Eu tenho uma sugestão de pauta para esse "pulha". Que tal, "abrindo a caixa preta do Jornalismo..."

Abraços

Bolada