1.9.09

REMOÇÃO

Conversando, dia desses, com Luiz Antonio Simas, um desses sujeitos capazes de nos tornar melhores a cada dia por conta do convívio e do afeto recíproco, aprendi um troço fabuloso e que diz muito sobre essa ignomínia que é a campanha contra a construção de um conjunto habitacional para 400 famílias na rua Conde de Bonfim, na Tijuca, aqui e aqui. Divido com vocês o que me disse o brasileiro máximo e tijucano imprescindível:

Por que a palavra "remoção" só é usada para tratar de lixo, de cadáver e de morador de favela?

Até.

ps: contribuição de Diego Moreira, leiam texto do Fernando Molica, aqui.

8 comentários:

Diego Moreira disse...

Boas frases devem ser reproduzidas sempre. Essa que o Simas reproduz eu li pela primeira vez no Blog do Molica (http://www.fernandomolica.com.br/blog/2009/04/remocoes.php) e teria sido dita pelo Marcos Alvito num debate sobre favelas. Já andei reproduzindo por aí nos meus papos também.

Abraço!

Marcio H. disse...

Esse tipo de observação é sempre muito reveladora.

O Noam Chomsky, este que é quase uma voz e uma cabeça solitária da esquerda participativa (autêntica) americana, observa isso em várias de suas obras, dentre livros e artigos. A nossa linguagem, ou melhor, o nosso dicionário particular revela muito da nossa posição diante do mundo, em geral, e da nossa postura política, em especial.

abraço

Marcio

Monica Araujo disse...

É... e eu fico aqui imaginando e me colocando na pele dos "removidos" a situação constrangedora de ser tratado como "coisa". Foco de um debate onde meu papel seria a de um fudido, favelado e mensageiro só de coisas ruins para outros.(Desculpem a má educação, mas já estou ficando meio bolada , com estas conversas e literalmente com nojo) Só de pensar me dá agonia e eu ficaria muito mal!

fraga disse...

A frase foi cunhada por um ser maiúsculo, Marcos Alvito, homem de bem na melhor acepção da palavra, que vim a reencontrar nas peladas de domingo [após anos em que fomos vizinhos na Lagoa], e de quem sinto aguda saudade por conta da teimosa e insistente ausência nas manhãs dominicais do Bar Urca.

Saravá!

ipaco disse...

Querido Edu, minha admiração pelo Professor (com letra maiúscula) Simas só cresce. Essa frase tem a densidade e a força de um adágio popular. Fico feliz e aliviado que ele esteja nas salas de aula, isto é, no front. Pois a verdadeira revolução se dará pela edução. Pela mesma razão admiro o Brizola, o único governante que conheço que fez da educação um programa efetivo de governo. Abraço.

Eduardo Goldenberg disse...

Diego: obrigado, camarada. O crédito (pelo achado) já foi dado a você que, aliás, diga-se em nome da verdade e da precisão que me acompanha como sombra, tem sido um amigo e tanto desse blog, membro indispensável do exército imaginário com o qual combatemos a canalha. Abraço!

Marcio H.: é isso! Um abraço.

Monica: não tenha exatamente nojo. Ao bom combate! Beijo.

Fraga: o Molica, em seu texto, dá o crédito ao Alvito! Abraço.

Paulo: o Simas é grande. E o Brizola, o maior! Aquele abraço!

Diego Moreira disse...

Estamos juntos, meu velho. Pau neles! Não passarão!

Zumbi da Saúde disse...

Em um dos cursos que o Marcos Alvito(grande pessoa)deu na UFF(eu estava presente) ele proferiu essa pérola! Temos que combater esse tipo de ação fascista que tem estado presente ao nosso redor!
Não passarão!